REVISTA
 

 
 
Resultados Sensíveis às Intervenções de Enfermagem com Pessoas Dependentes de Drogas. Uma Revisão Sistemática da Literatura
Amendoeira, José, *, Instituto de Ciências da Saúde
Sá, Luis, *, Universidade Católica Portuguesa
Seabra, Paulo, *, Universidade Católica Portuguesa
Resumo
A evidência dos resultados em saúde, sensíveis às intervenções de enfermagem, pode ajudar na reflexão sobre as práticas e contribuir para a sua efetividade.

Realizamos uma revisão sistemática da literatura com o objetivo de identificar resultados em saúde, sensíveis às intervenções de enfermagem, com pessoas dependentes de drogas.

Mobilizamos os princípios orientadores do centro Cochrane. Formulamos a questão de investigação pelo método PI[C]OS: “Quais os resultados sensíveis às intervenções de enfermagem, em pessoas dependentes de drogas, integradas em programa de manutenção com metadona?” Pesquisamos pelos motores de busca B-on, Ebsco, acedemos as bases Scielo, Lilacs, Medicaribe. Selecionamos 4 artigos que constituíram o corpus de análise.

Encontramos evidência de 11 resultados sensíveis às intervenções de enfermagem, ao nível dos resultados clínicos, estado funcional, conhecimentos sobre a situação de saúde, autocuidado e satisfação com os cuidados de enfermagem. Estes resultados foram avaliados em diferentes contextos de práticas de cuidados.

Concluímos que os enfermeiros contribuem e influenciam os resultados em saúde obtidos por pessoas consumidoras de drogas. Os enfermeiros, respeitando a complexidade característica desta doença crónica, contribuem maioritariamente para o conhecimento da doença e tratamentos, contribuem para a redução de consumos, para a gestão da abstinência e dos efeitos da medicação.
Palavras-Chave
Palavras-chave: resultados, enfermagem, metadona, toxicodependência.
Abstract
The evidence of health outcomes, sensitive to nursing interventions, can help us reflect on practice and contribute to its effectiveness.

We conducted a systematic literature review aimed at identifying the health outcomes, sensitive to nursing intervention, of drug addicts.

We mobilized the principles of the Cochrane Center. We formulated the research question using the PI[C]OS method: “What are the nursing interventions sensitive results in drug addicts, in a methadone maintenance program?”. We conducted searches using B-on, Ebsco, Scielo, Lilacs and Medicaribe. Four (4) studies constituted our sample.

We found evidence of 11 nursing sensitive outcomes, in terms of clinical outcomes, functional status, health status knowledge, self-care and satisfaction with nursing care. These results were evaluated in different practice contexts.

We conclude that nurses contribute and influence the health outcomes obtained by drug addicts. When nurses respect the complex characteristic of this chronic disease, mainly by contributing to the knowledge of the disease and its treatments, they contribute towards a reduction in drug abuse, and the management of withdrawal and the effects of medication.
KeyWords
Keywords: outcomes, nursing, methadone, Substance-related disorders.
Artigo

Introdução

O fenómeno da dependência de substâncias sempre existiu em todas as sociedades ao longo dos tempos. O facto de ter assumido maior expressão em termos de representação social e consequências para a saúde pública, na segunda metade do séc. XX, levou a que parte da comunidade científica estudasse este fenómeno, com o objetivo de lhe dar respostas adequadas em termos de cuidados de saúde e sociais.

Em Portugal, o crescimento do fenómeno nos anos 80 constituiu-se como uma emergência social, desenvolveu-se um amplo debate social desde a perspetiva mais criminal deste problema, até a assistência em termos de cuidados de saúde. Surgiram depois, serviços especializados para atender estas pessoas e começou-se a investigar e publicar.

Os enfermeiros integraram essas equipas para assumirem parte da gestão dos programas medicamentosos, nomeadamente a administração de metadona, um agonista opiáceo que tem ajudado na intervenção, contribuindo para a melhoria do estado de saúde dos consumidores, da sua qualidade de vida e minimizado os danos do abuso de drogas.

Tem sido demonstrado a realidade da prestação de cuidados nestes centros especializados, com tentativas de centrar a abordagem na pessoa e na resposta às suas necessidades. Visto que mais de 70% dos consumidores que recebem assistência na rede pública são cuidados por enfermeiros nos programas medicamentosos, importa aprofundar qual o resultado das intervenções dos enfermeiros e quais os ganhos em saúde das pessoas. A evidência tem surgido mais frequentemente na avaliação de intervenções específicas e pontuais, realizadas em contextos de formação académica (Carvalho, 2010).

Numa perspetiva global, a avaliação das práticas, tem sido desenvolvida numa lógica multiprofissional baseada nos indicadores clássicos como altas, taxas de abandono, tempo de abstinência e outros, mas é necessário, identificar quais os resultados obtidos pelas pessoas, que são sensíveis às intervenções de enfermagem. Esta necessidade identificada tem como pressupostos que, assumindo a enfermagem uma perspetiva multidisciplinar dos cuidados de saúde e defendendo uma lógica multidimensional de resultados, necessita de prosseguir na definição do seu campo de ação, aprofundar o impacto das suas intervenções e perceber qual é o seu verdadeiro contributo para os resultados obtidos pelas pessoas (Moorhead, Jonhson, & Mass, 2008; Doran D. , 2011).

Tendo em conta a necessidade de sistematizarmos o conhecimento existente acerca dos resultados em saúde sensíveis às intervenções de enfermagem, na população consumidora de opiáceos, decidimos realizar uma revisão sistemática da literatura com os seguintes objetivos:

• Identificar resultados em saúde, sensíveis às intervenções de enfermagem, obtidos por pessoas dependentes de drogas, integradas em programa de manutenção opiácea com metadona.

• Analisar o impacto das intervenções de enfermagem nos resultados atingidos pelas pessoas.

Problemática

Em Portugal considera-se que há um ligeiro crescimento no que se refere aos consumos de drogas, que se observa nos dados referentes a população em geral e na população que recorre aos centros públicos de assistência (IDT, 2010).

Existem entre 44.500 a 53.500 consumidores de “drogas duras”, na sua maioria homens na faixa etária compreendida entre os 24 e os 37 anos, sendo a heroína a principal droga consumida. O Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) com dados de 2007 do “Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral” afirma que 1,1% da população teve algum tipo de consumo de heroína ao longo da vida, um aumento de 0,4% desde o último estudo em 2001 (Balsa, Vital, Urbano, & Pascueiro, 2008).

Na rede pública de tratamento da toxicodependência estiveram integrados em 2009, 38.875 utentes, 7.643 dos quais eram novos utentes (primeiras consultas). O número de utentes em ambulatório foi superior ao registado no ano anterior (+1%), reforçando o aumento gradual já verificado nos últimos cinco anos (IDT, 2010).

Apesar de se considerar que existe uma certa estabilização dos índices de consumo de heroína, devido ao consumo crescente de outras substâncias, não nos devemos esquecer que heroína é a substância psicoativa que provoca mais efeitos nefastos no indivíduo. A dependência de heroína motiva cerca de 78,5% dos pedidos de ajuda aos serviços especializados e faz com que seja o centro da atenção das estruturas terapêuticas (IDT, 2010).

Durante cerca de 15 anos, prevaleceu a intervenção que visava o tratamento, a abstinência e a cura. Evoluiu-se, para um novo paradigma na abordagem a esta doença multidimensional e complexa, que levou a perceção que o objetivo da abstinência duradoura não era atingível para muitas pessoas, mas que era possível alcançar outras transformações capazes de melhorar a esperança, a qualidade de vida e promover melhor integração social. Para isso, valorizaram-se outras intervenções que não obrigassem a paragem imediata dos consumos: a diminuição e alteração da via de administração, a redução dos comportamentos de risco, a melhoria da saúde física, psicológica e do funcionamento social, laboral e familiar, a redução da atividade criminal e a passagem da dependência a consumos ocasionais (Rodrigues, 2006).

Hoje, é considerada uma doença crónica. Esta classificação e suas implicações são sustentadas em estudos longitudinais que demonstram a natureza crónica, de recaídas e necessidade de tratamento com estratégias de longo prazo (Conway, Levy, & Vanyukov, 2010), alterando naturalmente a perspetiva dos cuidadores.

Durante 2009 estiveram em programas de manutenção com agonistas opiáceos (metadona e buprenorfina) cerca de 27.031 pessoas, 76% em metadona. Nesse ano foram admitidos 5.029 novos utentes e readmitidos 3.187, o que perfaz um total de 8.216 pessoas. Esta população representa 70% da população dos centros em ambulatório, representando um aumento de 4% na opção por esta intervenção, comparando com 2008 (IDT, 2010). Os readmitidos reforçam a perspetiva de doença crónica.

É consensual que a incidência de comorbilidades psiquiátricas é muito elevada na população consumidora de drogas, variando os valores apontados entre os 50 a 95%, consoante os estudos (Almeida & Vieira, 2005). Se associarmos as comorbilidades físicas percebemos que ambas diminuem a qualidade de vida (Machado & Klein, 2005) e dificultam a adesão aos tratamentos. Este fator tem maior significado com o aumento da idade média dos consumidores, que em 2009, nos utentes acompanhados, foi 37 anos (IDT, 2010). Este envelhecimento traz-nos novos desafios (Roe & Beynon, 2010).

Numa tentativa para se apurar os fatores determinantes para as necessidades em saúde da população consumidora de drogas nestas faixas etárias mais elevadas, apurou-se que são primordialmente o policonsumo, as comorbilidades e os fatores relacionados com o envelhecimento, que para além do impacto na vida das pessoas, condicionam as intervenções de enfermagem (Seabra & Sá, 2011).

É atual a discussão e o desafio para que os enfermeiros demonstrem o seu contributo para a saúde dos cidadãos, que demonstrem a eficácia dos resultados e os custos dos seus cuidados (Aleixo, Escoval, Fontes, & Fonseca, 2011). Os estudos para a redução de custos evidenciaram a preocupação com a eficiência dos resultados (Moorhead, Jonhson, & Mass, 2008)

Os “resultados” são considerados como estados de evolução de diagnósticos de enfermagem que por sua vez, são a expressão de necessidades em saúde alteradas ou não satisfeitas (Basto & Rosa, 2009). São estados que variam e podem ser mensurados e comparados a dados iniciais ao longo do tempo, monitorizando as mudanças favoráveis ou adversas, no estado de saúde real ou potencial de pessoas, grupos ou comunidades que podem ser atribuídos a cuidados anteriores ou concomitantes. Têm um nível médio de abstração (Moorhead, Jonhson, & Mass, 2008).

O contributo da enfermagem pode ser avaliado pelos resultados sensíveis à intervenção de enfermagem (Irvine, Souraya, & Hall, 1998). Os resultados dos pacientes podem ajudar a avaliar práticas e mudanças nas equipas. É importante a opinião dos utentes na avaliação dos resultados (Machado & Klein, 2005).

Face a estes dados, e com o objetivo de sistematizar o conhecimento existente sobre os resultados em saúde das pessoas dependentes de drogas, integradas em programa de metadona, elaboramos a seguinte questão de investigação formulada pelo método PI[C]OS: Quais os resultados em saúde (O) sensíveis às intervenções de enfermagem (I) obtidos por pessoas dependentes de drogas (P) integradas em programa de manutenção opiácea com metadona?

Metodologia

A presente revisão sistemática da literatura, orientou-se pelos procedimentos metodológicos descritos em Cochrane Database of Systematic Reviews – CDSR (Higgins & Green, 2011).

O protocolo de revisão foi construído na matriz PI[C]OS, representado no esquema seguinte:

Quadro nº1 - Explicitação do PICOS

 

Palavras-chave

P

Participantes

Quem foi estudado?

Dependentes de drogas integrados em programa de metadona (≥ 18 anos)

outcomes

nursing

assessment

drug addicts

substance-related disorders

methadone

I

Intervenções

O que foi feito?

Intervenções de enfermagem pelo menos 1*semana

C

Comparações

Existem? Não existem?

--

O

Resultados

Resultados, efeitos ou consequências

Resultados em saúde sensíveis às intervenções de enfermagem

S

Estudos

Tipo de estudo

Quantitativos, qualitativos e mistos disponíveis com texto completo em Inglês, Português e Espanhol

Os termos para a pesquisa foram validados na terminologia e conteúdo, consultando a MLM (Medicine, 2011). Com as referidas palavras-chave, fizemos diferentes configurações de pesquisa, apresentadas mais à frente neste artigo. A palavra “resultados” foi o conceito integrador que pretendíamos que estivesse explicitado nos estudos.

O universo temporal de referência foram os últimos 10 anos (1-8-2001 a 31-7-2011).

A seleção de recursos de pesquisa foi feita através dos motores de busca e bases de dados eletrónicas:

• B-ON - O conjunto “Ciências da Saúde” contemplando os seguintes recursos: Annual Reviews, Current Contents (ISI); Elsevier - Science Direct (Freedom collection); PUBMED; SpringerLink (Springer/Kluwer), Taylor & Francis , Wiley Interscience (Wiley), Academic Search Complete (EBSCO), Web of Science (ISI), ISI Proceedings (ISI), RCAAP.

• EBSCO - CINAHL Plus with Full Text; MEDLINE with Full Text (incluindo o International Nursing Index); Cochrane Central Register of Controlled Trials; Cochrane Database of Systematic Reviews; Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE); Library, Information Science & Technology Abstracts, Nursing & Allied Health Collection with full text, Comprehensive edition; British Nursing Index; MedicLatina with full text; Health Technology Assessments, Academic Search Complete, NHS Economic Evaluation Database, ERIC.

• SCIELO

• LILACS

• MEDCARIBE

• RCAAP

Após identificação dos artigos, realizamos a sua análise para decidir sobre a sua inclusão (Ramalho, 2010):

• A leitura dos títulos e/ou dos resumos sugestivos perante a temática em análise. Foram alguns eliminados por não se enquadrarem nos objetivos.

• Os que levantaram dúvidas foram lidos integralmente e foram depois incluídos ou excluídos.

• Os que obtivemos em texto integral, após leitura cuidadosa integraram o corpus de análise.

• Extraímos os dados: Título; Publicação; Enquadramento e tipologia do estudo; Instrumentos de colheita de dados; Intervenções realizadas; Resultados sensíveis às intervenções de enfermagem.

Resultados

Da conjugação dos descritores, os resultados foram (pesquisa de 1 a 7 de Setembro de 2011) os apresentados na Figura 1 (página 50).

Para facilitar a apreensão do método que utilizamos, apresentamos nos Quadros 2 a 5 os artigos selecionados ou seja, o conjunto que constitui o corpus de análise que servirá para a discussão. A amostra foi selecionada de forma aleatória, numa perspetiva temporal de exposição às intervenções de enfermagem e visando um aprofundar do impacto dessas intervenções

Quadro nº2 – Estudo de Wilson, Macintosh e Getty (2007)

Participantes / Intervenção

Método / Recolha de dados

6 Consumidores, sem referência à idade. Assistência no âmbito do tratamento da dependência de opiáceos.

Entrevista semiestruturada e focus group.

Achados – Resultados sensíveis à intervenção de enfermagem

Perceção do estado de saúde (necessidade de tratamento); Motivação para tratamento; Gestão de atividades de vida (espectativas futuras, autocontrole); Conhecer ação medicamentosa; Saúde mental (autoestima, estado emocional e sentimento de pertença); Gestão de sintomas; Perceção do papel dos enfermeiros; Tempo de permanência nos programas.

Neste estudo realizado no Canadá, uma comissão independente avaliou o papel dos enfermeiros que trabalhavam com pessoas em exclusão social e com dependência de drogas.

Aos participantes era pedido qual a sua perceção do papel dos cuidados de enfermagem. Foram selecionados entre os que procuraram ajuda para o tratamento da sua dependência de opiáceos. Era-lhes perguntado o que os trouxe ao centro, o que os levou a decidir optar pelo tratamento, a sua perceção do papel dos enfermeiros e a influência nas suas vidas.

O contexto da investigação era um centro de atendimento de uma organização prestadora de cuidados de saúde, local de parceria para formação de estudantes universitários de enfermagem.

Os participantes foram 6 pessoas (4 homens e 2 mulheres) a quem foram feitas várias entrevistas (tratamento de dados qualitativos) e destes, 3 integraram um focus-group para aprofundar as categorias encontradas e discutir como as conclusões faziam sentido. A amostra foi selecionada de forma aleatória, numa perspetiva temporal de exposição às intervenções de enfermagem e visando um aprofundar do impacto das intervenções de enfermagem.

Resumidamente era feita uma avaliação dos papéis da enfermagem, na perspetiva dos consumidores e, avaliava-se a aliança terapêutica criada. Os doentes afirmam que os enfermeiros os ajudaram na perceção de uma forma de sair da vida dos consumos e que influenciaram a sua vida e as suas capacidades.

As intervenções realizadas podem ser tipificadas na administração medicamentosa (metadona) na criação de um ambiente de suporte e no desenvolvimento de uma aliança terapêutica.

Os resultados apresentados como sensíveis à intervenção dos enfermeiros foram: Gestão de expectativas futuras; reconhecer necessidade de tratamento; motivação para o tratamento; conhecimento da ação medicamentosa; saúde mental (estabilidade emocional, autoestima sentimento de pertença); autocontrole da sua vida; gestão de sintomas; tempo de permanência no programa; auto perceção dos seus problemas; perceção do papel dos enfermeiros.

Quadro nº3 – Estudo de Jack K, Willott S, et al. (2008)

Participantes / Intervenção

Método / Recolha de dados

353 doentes, 76% homens, idade média 35 anos. Sujeitos a um modelo de Intervenção com vista ao tratamento da hepatite C.

Entrevista e valores analíticos.

Achados – Resultados sensíveis à intervenção de enfermagem

Perceção do estado de saúde; Adesão ao tratamento do HCV e da dependência de substâncias.

Este estudo realizado em Inglaterra, pretendia implementar um modelo baseado na parceria entre enfermeiros dos cuidados de saúde primários que estão ligados aos programas medicamentosos com metadona e buprenorfina, equipas hospitalares especializadas na assistência e tratamento de pessoas com hepatite C e equipas especializadas no tratamento de pessoas dependentes de drogas.

O programa partiu da perceção da ineficácia dos cuidados centrados nas equipas especializadas, face a este problema de saúde, muitas vezes distantes das pessoas mais excluídas e consumidoras de drogas. Os consumidores de drogas vão pouco aos serviços especializados de infeciologia.

Pretendiam avaliar a fiabilidade, a segurança e a eficácia de um modelo assente nos cuidados de saúde de proximidade. Um modelo de cuidados para pessoas com HCV, incluindo a medicação antiviral em pessoas que injetam droga.

Foram avaliados 353 doentes atendidos nos cuidados de saúde primários e incluídos num programa de manutenção com metadona e os resultados a avaliar foram: o número de pessoas avaliadas para a Hepatite C, o número de pessoas que reuniam condições para iniciar o tratamento para a Hepatite C e o número de pessoas tratadas.

Detetaram-se 174 pessoas com HCV positivo, destes 124 tinham doença crónica hepática (só 6 sabiam). Portanto, dos 118 novos doentes com infeção crónica, 86 iniciaram acompanhamento, 43 tinham condições para iniciar a medicação para a Hepatite C e 34 foram então tratados. Estes dados foram considerados comparáveis aos obtidos ao nível dos cuidados secundários. Os resultados validam esta intervenção.

Neste centro de atendimento para as tomas medicamentosas, os consumidores eram abordados por enfermeiros na perspetiva de se avaliar ao seu estado imunológico e desenvolvidas estratégias de motivação e adesão direcionadas para esta problemática.

A metodologia era baseada em entrevistas e em análises laboratoriais.

As intervenções implementadas pelos enfermeiros foram: administração de metadona; avaliação de comorbilidades físicas, psíquicas e fatores de risco; educação para a saúde (informar, preparar para o teste); motivar para tratamento das comorbilidades; pesquisa de drogas na urina; vigiar adesão a medicação e efeitos secundários.

Os resultados considerados sensíveis a intervenção de enfermagem foram: Identificação do estado de saúde; adesão ao tratamento (consequente conversão serológica) quer para o HCV quer para as drogas.

Quadro nº4 – Estudo de Nyamathi A, Nandy K, et al. (2010)

Participantes / Intervenção

Método / Recolha de dados

252 doentes em programa de metadona, idade média 52 anos. Intervenção com o objetivo de reduzir consumos de álcool.

Entrevista com o “Addiction severity índex (ASI) lite” e autorrelato dos últimos 30 dias num follow up aos 6 meses.

Achados – Resultados sensíveis à intervenção de enfermagem

Consumo de drogas, consumo de álcool.

Este estudo realizado nos Estados Unidos da América, pretendia avaliar a efetividade de três intervenções (entrevista motivacional individual, abordagem motivacional em grupo e um programa desenvolvido por enfermeiros para a promoção da saúde direcionado para a hepatite) na redução dos consumos de álcool. Os participantes eram dependentes de opiáceos em programa de metadona mas com consumos considerados moderados ou graves de álcool. O objetivo inicial era a redução dos consumos de álcool, mas este estudo, avaliou também o efeito das intervenções nos consumos de outras drogas.

Realizou-se um Follow up aos 6 meses questionando sobre os consumos nos últimos 30 dias. Concluíram que a intervenção motivacional individual e de grupo têm igual resultado na redução dos consumos de substâncias, despertando para a vantagem da intervenção em grupo ser tão eficaz como a individual, trazendo ganhos de eficiência e menores custos para as equipas.

Os utentes integrados no programa de assistência e educação para a hepatite, implementado por enfermeiros, apresentaram uma ligeira redução de consumos de drogas o que foi justificado pelo facto do foco da intervenção ser os consumos de álcool.Consideraram como preditores para os resultados obtidos, a idade, habilitações, não usar drogas intravenosas, não trabalhar em sexo, ter apoio social.

Os resultados considerados sensíveis à intervenção de enfermagem foi o consumo de álcool e o consumo de drogas (redução).

Quadro nº5 – Estudo de Nyamathi A, Shoptaw S, et al. (2010)

Participantes / Intervenção

Método / Recolha de dados

252 doentes em programa de metadona, idade média 52 anos. Intervenção com o objetivo de reduzir consumos de álcool.

Autorrelato dos últimos 30 dias; ASI lite; Escala de perceção do estado de saúde; CES-D (escala epidemiológica de estudo da depressão); MHI5; Escala de suporte social.

Achados – Resultados sensíveis à intervenção de enfermagem

Consumo de álcool.

Este estudo foi realizado com a matriz do estudo citado anteriormente. Pretendia avaliar o efeito de um acompanhamento realizado por enfermeiros com o foco na promoção da saúde (hepatites) na redução de consumos de álcool, junto de dependentes de opiáceos em programa de metadona, mas com elevados consumos de álcool.

Comparava-se o resultado desta intervenção com o resultado das entrevistas motivacionais individuais e as abordagens realizadas em grupo, por terapeutas com esta abordagem.

O objetivo era a redução dos consumos de álcool.

Realizou-se um Follow up aos 6 meses.

Os resultados face aos consumos foi uma redução do consumo inicial, de 90 bebidas mês, para 60 bebidas por mês.

Concluíram que a intervenção realizada por enfermeiros centrada na promoção da saúde, tem iguais resultados que a intervenção de especialistas em entrevistas motivacionais.

Considerou-se que as vantagens destes programas adequados culturalmente, criados por enfermeiros, podem reduzir custos e podem reduzir os consumos abusivos quando integrados em outras estratégias promotoras de saúde, com as sinergias a resultarem de uma forma positiva.

As intervenções realizadas foram a promoção da saúde (em grupo psicoeducativo, de 6 pessoas, 3 sessões), fornecimento de informação, reforço de estratégias de coping e promoção de autoestima.

O resultado considerado sensível à intervenção de enfermagem foi o consumo de álcool.

Discussão

A primeira constatação que fizemos da nossa pesquisa foi que não encontramos resultados de estudos em Portugal.

A evidência encontrada, da relação entre os resultados obtidos pelas pessoas e às intervenções de enfermagem, demonstra-nos a variedade de competências dos enfermeiros. Reafirma-nos a centralidade da intervenção dos enfermeiros na capacitação das pessoas a quem prestam cuidados.

A perceção das pessoas sobre o seu estado de saúde, incluindo o reconhecimento da sua doença e seu tratamento (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007; Jack, Willott, Manners, Varnan, & Thompson, 2008), é conjuntamente com a redução dos consumos de álcool, o resultado que apresentou maior consenso como sendo sensível à intervenção dos enfermeiros. Estes dados, confirmam que a intervenção para a minimização dos danos dos consumos, na saúde das pessoas, é um campo onde a intervenção dos enfermeiros tem efetividade através da educação para a saúde e da aliança terapêutica. As estratégias que promoveram estes resultados foram relacionadas com a promoção da saúde (educar, informar e intervir na alimentação, nos fatores de risco e na prevenção de recaídas).

A capacitação das pessoas para o conhecimento da doença e seus tratamentos são resultados muito importantes para a análise das práticas e podem ser considerados um tipo específico de resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem (Irvine, Souraya, & Hall, 1998). É igualmente uma recomendação universal para quem intervém na área da saúde mental e comportamentos adictos (WHO, 2010).

Noutros estudos, encontramos evidência que esta tipologia de intervenções promove ainda a diminuição dos comportamentos de risco que levam às infeções víricas, às overdoses e aos abcessos provocados por injeções (Ashworth, 2005; Ontario., 2009), promovem ainda a prevenção de recaídas (Mistral & Hollingworth, 2001; Go, Dykeman, Santos, & Muxlow, 2011). Estes resultados apresentados como sensíveis às intervenções de enfermagem necessitam de estudos que permitam demonstrar maior nível de evidência.

Outra dimensão importante dos resultados sensíveis às intervenções de enfermagem são os resultados clínicos (Irvine, Souraya, & Hall, 1998). Nesta dimensão, salienta-se a gestão de sintomas face aos consumos e face à abstinência e o conhecimento face aos efeitos da medicação (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007). Ainda dentro desta dimensão, evidencia-se a redução dos consumos de drogas ou álcool (Nyamathi, Nandy, & Greengold, 2010; Nyamathi, Shoptaw, & Cohen, 2010). Estes resultados são obtidos com o contributo da quase totalidade das intervenções identificadas.

O comportamento de autocuidado assumido pelos doentes (outra dimensão de resultado) e a influência das intervenções de enfermagem, são percebidos, na adesão ao tratamento e na motivação para o mesmo (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007; Jack, Willott, Manners, Varnan, & Thompson, 2008)

Os resultados funcionais que são a representação da forma como o individuo executa as suas capacidades, com vista ao bem-estar no seu dia-a-dia (Doran D. , 2011), salientam-se pela gestão de atividades de vida diária (expectativas futuras e a perceção dos seus problemas) e pela saúde mental nomeadamente, autoestima, estado emocional e sentimento de pertença. A relação entre as intervenções e os resultados foi neste caso específico da saúde mental, relacionada com a administração medicamentosa e com as estratégias de relação terapêutica mobilizadas durante os momentos de interação (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007). Quando refletimos sobre a funcionalidade podemos incluir a qualidade de vida da pessoa que consome substâncias, enquanto resultado em saúde que necessita de mais evidência da sua relação com as intervenções de enfermagem (Go, Dykeman, Santos, & Muxlow, 2011).

Os resultados do domínio interdisciplinar, como o tempo de permanência nos programas, são resultados onde a interligação entre diferentes disciplinas é mais evidente (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007) . A perceção do papel dos enfermeiros (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007) é de outro grupo específico de resultados, relacionados com a satisfação com os cuidados de enfermagem (Doran D. , 2011).

Da análise dos resultados encontrados como sendo sensíveis às intervenções de enfermagem, se relacionarmos com as intervenções mais relatadas, podemos inferir que o impacto da intervenção dos enfermeiros cuidando de pessoas dependentes de drogas, é centrada no cliente, na sua capacitação e no fornecimento de informação para que seja este a tomar as melhores decisões assumindo responsabilidades. A base da sua intervenção assenta na promoção da saúde, na administração medicamentosa (intervenção que se relaciona com outras como vigiar a adesão, vigilância de colheitas de urina e colheitas de sangue) e numa manifesta capacidade de observação física, psíquica e social. Surge como relevante o aconselhamento individual, as estratégias de relação terapêutica e a intervenção grupal.

A visão alargada, necessária para a intervenção nesta área de cuidados, evidencia-se nas intervenções de promoção de adaptação social, nas articulações entre instituições, nas visitas domiciliárias ou em situação de sem abrigo e na atenção às doenças infeciosas (Wilson, Macintosh, & Getty, 2007; Jack, Willott, Manners, Varnan, & Thompson, 2008; Nyamathi, Nandy, & Greengold, 2010; Nyamathi, Shoptaw, & Cohen, 2010). Consideramos relevante, o esforço realizado por enfermeiros para promover a aproximação das respostas aos problemas de saúde dos cidadãos, em diferentes contextos (intervindo no ambiente).

As intervenções específicas contribuem para resultados sensíveis a esses cuidados num quadro de assistência multidisciplinar (Doran D. , 2011).

Conclusão

Através desta revisão sistemática, pretendemos aprofundar conhecimentos que dessem resposta a nossa questão de partida e aprofundar a pertinência do estudo sobre o resultado das intervenções de enfermagem.

Ao realizarmos a pesquisa, não encontramos nenhum estudo realizado em Portugal que evidencie os resultados das intervenções dos enfermeiros com esta população.

Analisamos 4 estudos primários, que revelam a investigação realizada na aplicação de programas de intervenção específicos, onde a obtenção dos dados foi realizada com uma metodologia mista (quantitativa e qualitativa).

Foi evidente que face a complexidade desta doença crónica, caracterizada por disfuncionalidades ao nível físico, emocional e comportamental e com enorme repercussão ao nível familiar e social, é vasta a possibilidade de intervenção dos enfermeiros.

Os resultados encontrados, sensíveis às intervenções de enfermagem foram: conhecimentos necessários sobre a sua doença e o seu tratamento; capacidade para gerir os sintomas da sua doença e os resultantes dos consumos e da abstinência; a funcionalidade no dia-a-dia; o autocuidado relacionado com a gestão do regime terapêutico; o tempo de permanência nos programas e a perceção do papel dos enfermeiros.

Esta pesquisa permite perceber que a inclusão de enfermeiros nas equipas que cuidam de pessoas dependentes tem impacto direto nos resultados em saúde obtidos. O seu contributo para a forma como é “vivida” esta doença, na unicidade de cada um, permite uma melhor qualidade de vida. A sua presença assídua junto dos utentes proporciona momentos únicos para ajudar a mudança de comportamentos e a tomada da consciência de si.

Esta revisão sistemática tem como limitação o facto de não termos feito a análise da qualidade metodológica dos estudos mas justificamos pelo rigor das publicações em causa. Outra limitação deve-se ao número reduzido de estudos incluídos, apesar do horizonte temporal de 10 anos, justificado talvez, pela escassa investigação com esta perspetiva do resultado das intervenções dos enfermeiros que trabalham com pessoas consumidoras de drogas. Assinale-se ainda o facto de dois dos estudos serem provenientes da mesma matriz e população e um deles ser com base numa amostra pequena, embora, o desenho reforce a sua perspectiva descritiva. Outros trabalhos interessantes foram encontrados, mas pelo facto de se constituírem fontes secundárias e com baixo nível de evidência, foram excluídos.

Os achados encontrados permitem-nos considerar que nesta linha de investigação surgem as seguintes implicações futuras:

 A necessidade de termos maior conhecimento sobre os resultados sensíveis às intervenções de enfermagem com esta população, no contexto de cuidados em Portugal.

 A compreensão da relação entre os fatores estruturais da realidade dos contextos, as características dos doentes e dos enfermeiros, as intervenções realizadas e os resultados obtidos pelas pessoas.

 Maior divulgação da avaliação que se vai fazendo, das práticas de cuidados e dos resultados obtidos pelos utentes.

 Aprofundamento da análise de alguns resultados face à vivência desta doença crónica.

 Mais estudos experimentais.


Bibliografia

Referências

Aleixo, T., Escoval, A., Fontes, R., & Fonseca, C. (2011). Indicadores de qualidade sensíveis aos cuidados de enfermagem em lares de idosos. Referência, 3(3), pp. 141-149.

Almeida, D., & Vieira, C. (2005). Toxicodependência e comorbilidade psiquiátrica - sintomatologia do eixo I e perturbações da personalidade. Psiquiatria Clínica, 26(1), pp. 55-70.

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