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Editorial
Henriques, Adriana, *, *
Artigo

Desenvolver e avaliar intervenções complexas em saúde: o melhor dos dois mundos qualitativo ou quantitativo?

Nas últimas décadas tem-se assistido ao desenvolvimento da investigação em enfermagem sobretudo ao nível da investigação clínica. Esta centra-se em fenómenos clínicos que têm como sujeitos da investigação as pessoas de quem se cuida. As questões têm procurado dar resposta a problemas clinicamente relevantes e orientadas para a descrição, compreensão, explicação, previsão e ou prescrição de enfermagem.

A investigação clínica em enfermagem permite adequar as intervenções cada vez mais complexas, às necessidade das pessoas e tem por isso na actualidade novas abordagens, ontológicas, epistemológicas e metodológicas, que se materializam no desenvolvimento e avaliação de intervenções complexas em saúde (Richard et al, 2011,2014,2015, Kim,2015) permitindo perspectivar a investigação em termos qualitativo, de investigação-acção, bem como determinar e comparar a efectividade das intervenções.

É possível, assim perspectivar a investigação em enfermagem em diferentes posições ontológicas e epistemológicas. A enfermagem e a investigação em enfermagem têm certamente contribuído também para o desenvolvimento de diferentes métodos de investigação (Griffiths,2013).

O desenvolvimento e avaliação de intervenções complexas em enfermagem considerando o “ Medical Research Council guidance” (Craig et al, 2013), acreditamos que, permitirá pôr fim à guerra entre os dois paradigmas instalada a par do desenvolvimento da academia em enfermagem. Os cuidados de saúde são complexos e têm aspectos qualitativos e quantitativos.

Considerando a perspectiva de Richards, (2015a), com a qual concordamos, é tão importante desenvolver estudos controlados e aleatorizados, como as enfermeiras oferecerem cuidados essenciais ou fundamentais e investigá-los duma forma que permita reconhecer e incorporar a complexidade das interacções no desenvolvimento de uma intervenção, no desenho da avaliação e na publicação dos estudos (Moher et al 2015).

A saúde das pessoas, face ao envelhecimento da população, às doenças crónicas e a novas doenças transmissíveis, que podendo ocorrer em diferentes contextos (cuidados em casa, cuidados agudos, cuidados na comunidade, cuidados de longa duração ou cuidados paliativos) requerem intervenções complexas.

De acordo com o conceito actual “intervenções complexas” são um conjunto de acções que contêm um conjunto de componentes com um potencial de interacção entre si, que quando aplicadas a um grupo de pessoas, produzem um ou vários resultados, com ganhos em saúde nessas pessoas (Richard et al,2015). Como exemplo, consideramos que a gestão e a adesão à medicação com as pessoas idosas requerem intervenções complexas (Henriques, 2012,2013) e que as intervenções de enfermagem podem contribuir para ganhos em saúde nas pessoas.

A complexidade dos problemas de saúde exige dos enfermeiros o desenvolvimento da investigação e a implementação dos seus resultados na prática clínica.

Investigar com qualidade é uma necessidade simultaneamente com o fim anunciado da guerra entre paradigmas!

 

Bibliografia

Referencias

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