REVISTA
 

 
 
Desenvolvimento de um Modelo de Intervenção Psicoterapêutica em Enfermagem
Lluch, Teresa, *, Escola d’Infermeria de la Universitat de Barcelona
Sequeira, Carlos, *, Escola Superior de Enfermagem do Porto
Sampaio, Francisco, *, Universidade Porto
Artigo

Introdução:

Na literatura não foi possível encontrar um número significativo de modelos de Enfermagem de Saúde Mental. Os modelos identificados mais relevantes foram o “Tidal Model”1 e o “Relationship-Based Model for Psychiatric Nursing Practice“2, mas nenhum deles pode ser considerado orientador do enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Mental ao nível da intervenção psicoterapêutica. Assim, o desenvolvimento de um modelo de intervenção psicoterapêutica em Enfermagem pode ser muito importante para que, contrariamente ao que sucede em diversos países (ex.: Lituânia, alguns cantões da Suíça, Itália e Rússia)3, os enfermeiros possam executar intervenções psicoterapêuticas na sua prática clínica.

Questão de pesquisa / problema: Que estrutura e conteúdos deve apresentar um modelo de intervenção psicoterapêutica em Enfermagem?

Objetivo: Desenvolver um modelo de intervenção psicoterapêutica em Enfermagem.

Metodologia: Revisão narrativa da literatura com recurso à realização de pesquisa em bases de dados no período 2003-2013; duas reuniões de focus group, realizadas em Portugal e Espanha, incluindo 15 enfermeiros e docentes de Enfermagem selecionados intencionalmente; método Delphi incluindo 42 peritos (enfermeiros e docentes de Enfermagem), selecionados intencionalmente, num estudo que se desenvolveu em três rondas.

Resultados: De acordo com a revisão narrativa da literatura realizada as intervenções psicoterapêuticas de Enfermagem têm habitualmente uma duração de 5 a 16 semanas, num total de 5 a 12 sessões de 45 a 60 minutos. O principal mecanismo de mudança envolvido nas mesmas parece ser a qualidade da relação terapêutica entre o enfermeiro e o cliente. A eficácia das intervenções psicoterapêuticas de Enfermagem tem sido amplamente comprovada, mas ainda existem dúvidas acerca do seu custo-benefício4. Nas reuniões de focus group os participantes consideraram que a Teoria das Relações Interpessoais de Peplau deveria estar na base do modelo, assim como o uso de linguagem classificada (NANDA/CIPE, NIC e NOC). Considerou-se, igualmente, que o modelo deveria ser de intervenção psicoterapêutica breve a médio prazo. No estudo Delphi foi possível obter consensos acerca do modelo, tendo sido definido que este deveria utilizar uma abordagem integrativa e que deveria seguir os princípios do processo de Enfermagem (identificação de diagnóstico[s] NANDA/CIPE, definição de resultados esperados NOC, e execução de intervenções psicoterapêuticas NIC). Também se definiram os critérios de exclusão do modelo (ex.: défice cognitivo grave), os itens a avaliar na entrevista inicial (de recolha de dados) (exs.: comportamento, processos de pensamento), e os diagnósticos e intervenções psicoterapêuticas de Enfermagem que deveriam ser integradas no mesmo (exs.: ansiedade, coping comprometido, baixa autoestima situacional).

Conclusão: O trabalho até agora realizado permitiu desenvolver um modelo sistematizado de intervenção psicoterapêutica em Enfermagem, algo que parece ser extremamente importante para demonstrar que a intervenção psicoterapêutica pode ser considerada uma intervenção autónoma de Enfermagem, isto é, uma intervenção integralmente baseada no corpo de conhecimento de Enfermagem. No futuro é essencial avaliar a eficácia do modelo na prática clínica por via de um estudo clínico controlado randomizado.

Palavras-Chave: cuidados de enfermagem, enfermagem, modelos de enfermagem, psicoterapia, terapia

Referências

1Barker P, Buchanan-Barker P. The Tidal Model: a guide for mental health professionals. East Sussex: Routledge; 2005.

2Wheeler K. A relationship-based model for psychiatric nursing practice. Perspect Psychiatr Care. 2011 Jul;47(3):151-9.

3Horatio: European Psychiatric nurses. Psychiatric/Mental Health Nursing and Psychotherapy: the position of Horatio: European Psychiatric Nurses [Internet]. 2012 [citado 27 Jan 2016]. Disponível em: http://www.horatio-web.eu/downloads/Psychotherapy_position_paper.pdf

4Sampaio F, Sequeira C, Lluch Canut T. Nursing psychotherapeutic interventions: a review of clinical studies. J Clin Nurs. 2015 Aug 24;24(15-16):2096105.