REVISTA
 

 
 
Piloting Um Programa Educativo
Basto, Marta, *, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa
Parreira, Pedro, *, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra
Pinto , Maria, *, ESEL
Palavras-Chave
Palavras-chave: programa educativo, intervenções complexas, estudo piloto
Artigo

A educação das pessoas portadoras de diabetes mellitus é uma intervenção fundamental não só pelo controlo metabólico como pela qualidade de vida que proporciona.

A Educação Terapêutica é um processo educativo que visa habilitar para lidar com a doença, capacitando para gerir a situação de saúde, autonomizando na gestão do autocuidado e autocontrolo(1).

A evidência demonstra que a intervenção educativa tende a aumentar a sua efetividade se implementada num programa que integre várias componentes, estruturadas num plano congruente(2,3,4,5). No entanto, ainda não se identificou um modelo definido que possa ser reconhecido como efetivo na gestão da doença e dos comportamentos a ela associados(6).

Dada a elevada prevalência e morbilidade desta doença na sociedade atual, com custos em saúde significativos, esta é uma área na qual urge apresentar propostas testadas, que possam ser replicadas no sentido de se contribuir para as boas práticas, para os resultados e ganhos em saúde(7).

Contribuir com uma proposta foi o fator que desencadeou esta investigação, que pretende analisar a efetividade de um programa de intervenção educativa direcionado ao estilo de vida das pessoas com DM2, desenvolvido num contexto de cuidados de saúde primários.

Por definição, um programa com estas características é uma intervenção complexa que sugere um estudo associado às orientações do Medical Research Council(8,9), o que nos levou a estruturar a investigação segundo as fases definidas por esta orientação.

Objetivo

Este estudo enquadra-se da fase de Pilotagem da intervenção, destinado a testar o programa de intervenção educativa desenhado.

Metodologia

Desenvolveu-se um desenho experimental de tipo 3, que envolve a medida de variáveis antes e após a implementação de uma intervenção, sem randomização ou grupo de comparação(10), com recurso a amostragem acidental(11), que integrou 10 utentes(12), as primeiras 10 pessoas portadoras de DM2 que, cumprindo os critérios de inclusão, tiveram consulta de enfermagem de diabetes na primeira semana de novembro/2014, aceitando de forma livre e esclarecida participar no programa.

O estudo decorreu entre outubro/2014 e fevereiro/2015, constando o programa educativo piloto duma sequência de interações individuais presenciais, via telefone e em grupo que foi desenvolvido entre a primeira semana de novembro e a terceira de janeiro.

Resultados

Os resultados demonstram que a sequencia das atividades programadas é adequada, bem como os temas abordados nas sessões de educação em grupo, cuja estrutura conseguiu estimular a discussão entre participantes, partilha de estratégias e sugestões para a aplicação prática das orientações fornecidas.

O local preferencial de realização das sessões de grupo foi claramente a Unidade e o espaço revelou-se apropriado para as atividades de treino dos cuidados aos pés previstas.

Verificámos a adesão às atividades “inovadoras” propostas pelo programa, nomeadamente as sessões de grupo e o contacto via telefone e 90% dos participantes concluíram o programa.

Conclusão

Os resultados permitiram verificar a exequibilidade do programa, a adesão dos intervenientes e clarificar as principais incertezas identificadas. O programa pilotado revelou ser viável, dentro do espaço físico da USF, mantendo a sequência de atividades desenhada. A adesão dos intervenientes foi indiciadora do sucesso da implementação do programa educativo definido.

Bibliografia

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