REVISTA
 

 
 
Intervenção de enfermagem na promoção do sentimento de normalização no quotidiano da criança com uma condição crónica e família: Uma Revisão Scoping
Esteves, Patrícia , Unidade de cirurgia pediátrica, Hospital Dona Estefânia
Diogo, Paula , ui&de, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa
Resumo
Background: Perante a situação de condição crónica de um dos membros da família, os povos ocidentais tendem a adotar uma normalização do seu quotidiano. Para que se possa otimizar a intervenção de enfermagem em situação de condição crónica, nomeadamente no que respeita à promoção do sentimento de normalização importa identificar, concretamente, as características deste conceito. Ainda que tenham sido encontradas diversas definições de normalização, constatou-se alguma dificuldade na compreensão das mesmas, em parte devido à utilização do conceito de “normal” nestas definições, conferindo-lhes um grande grau de subjetividade. Assim sendo, a presente revisão scoping surge da necessidade de objetivação do conceito de normalização para a clarificação da intervenção de enfermagem.
Objetivos: Esta revisão visa o mapeamento do conceito de normalização e a clarificação da intervenção de enfermagem para a sua promoção.
Método e Estratégia de pesquisa: Para a estruturação da revisão foi adotado as recomendações de Joanna Briggs Institute e, ainda, para a identificação e seleção das publicações relevantes as 3 fases recomendadas por Aromataris & Riitano (2014). Foi realizada uma pesquisa em três etapas, sem limite temporal. A pesquisa inicial foi realizada nas bases de dados MEDLINE full text e CINAHL full text, utilizando palavras-chave em linguagem natural. A segunda pesquisa estendeu-se à Psychology and Behavioral Sciences Collection, com o termo indexado “chronic disease” e o termo “normal*”. Na terceira etapa foram analisadas as listas de referências dos artigos triados. Os participantes são crianças até aos 18 anos com uma condição crónica e sua família, e como contexto os cuidados de enfermagem. Foram incluídos na revisão 32 artigos.
Resultados: O conceito de normal está impreterivelmente ligado ao de normalização. No entanto, “o normal” de cada família é único e modelado pelas suas circunstâncias de vida (MacDonald & Gibson, 2010), por isso a normalização implica, necessariamente, diferentes esforços para diferentes pessoas (Deatrick, Knafl, & Walsh, 1988). A normalização deve ser encorajada na intervenção de enfermagem, pois o sucesso do processo e o consequente sentimento de normalização trazem francos benefícios quer para a criança quer para a família. Em primeiro lugar, a normalização familiar permite fornecer à criança as experiências necessárias para o seu desenvolvimento (Knafl, Breitmayer, Gallo et al., 1996), minimizando do impacto da doença na mesma (Clarke-Steffen, 1997). Em segundo lugar, quando o sentimento de normalização está presente, os pais conseguem ver além da doença, observando-se o incremento da esperança (Knafl, Darney, Gallo et al., 2010) e a crença num futuro melhor, para o qual a criança vai sendo preparada (Dogba, Rauch, Tre et al., 2014). Deste modo, são promovidas a autonomia e independência da criança (Damião, Dias, & Fabri, 2010) o que tem influência positiva na formação da sua identidade (Staa, Jedeloo, Latour et al., 2008).
Conclusão: O sentimento de normalização implica a perceção de uma “lente de normalidade”, ou seja, a redefinição do quotidiano à luz das necessidades especiais da criança sem que tal interfira permanentemente na harmonia familiar. A normalização é, na intervenção de enfermagem, tanto um objetivo como um resultado, uma vez que é necessário garantir o apoio às crianças e famílias desde o início do processo de normalização, tendo como resultado esperado a instauração e manutenção desta como sentimento percecionado e consciente.
Palavras-Chave
Criança, Família, Condição crónica, Normalização, Intervenção de enfermagem
Abstract
Background: Faced with the chronic condition of one of the family members, Western peoples tend a normalizing stance of their daily lives. In order to optimize the nursing intervention in situations of chronic condition, namely with regard to the promotion of the feeling of normalization, it is important to identify, in particular, the characteristics of this concept. Although several definitions of normalization have been found, some difficulties have been observed in their comprehension partly due to the use of the concept of "normal" in these definitions, giving them a great degree of subjectivity. Thus, the current scoping review arises from the need to objectify the concept of normalization to clarify the nursing intervention.
Objectives: This review aims at mapping the concept of normalization and clarifying Nursing intervention for its promotion.
Method and research strategy: For the revision structuring, the recommendations of Joanna Briggs Institute were adopted, as well as for the identification and selection of the relevant publications, the three phases recommended by Aromataris & Riitano (2014). A three step research was carried out, with no time limit. The initial research was carried out in the MEDLINE full text and CINAHL full text databases, using natural language keywords. The second research was extended to the Psychology and Behavioral Sciences Collection, with the term indexed "chronic disease" and the term "normal*". In the third step the lists of references of the sorted articles were analysed. The participants are children up to 18 years old with a chronic condition and their family, and as a context nursing care. 32 articles were included in this review.
Results: The concept of normal is inextricably linked to normalization. However, the "normal" of each family is unique and shaped by their life circumstances (MacDonald & Gibson, 2010), so normalization necessarily involves different efforts for different people (Deatrick, Knafl, & Walsh, 1988). Normalization should be encouraged in the nursing intervention, since the success of the process and the consequent feeling of normalization bring frank benefits to both the child and the family. Firstly, family normalization allows the child to provide the necessary experiences for its development (Knafl, Breitmayer, Gallo et al., 1996), minimizing the impact of the disease on it (Clarke-Steffen, 1997). Second, when the normalization feeling is present, parents can see beyond the disease, observing the increase in hope (Knafl, Darney, Gallo et al., 2010) and belief in a better future, for which the child is being prepared (Dogba, Rauch, Tre et al., 2014). In this way, the autonomy and independence of the child are promoted (Damião, Dias, & Fabri, 2010), which has a positive influence on the formation of their identity (Staa, Jedeloo, Latour et al., 2008).
Conclusion: The feeling of normalization implies the perception of a "lens of normality", that is, the redefinition of daily life in the light of the special needs of the child without this interfering permanently in the family harmony. Normalization is both an objective and a result of nursing intervention, since it is necessary to guarantee support to children and families from the beginning of the normalization process, with the expected result being the establishment and maintenance of it as a perceived feeling and conscious.
KeyWords
Child, Family, Chronic condition, Normalization, Nursing intervention