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Editorial
Rebelo Botelho, Maria Antónia, ui&de, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa
Artigo

Emoções, virtudes e tomada de decisão

Nos últimos anos, o lugar das emoções no processo de tomada de decisão tem
sido objeto de investigação. Trabalhos que tem vindo a ser desenvolvidos, por ex.
na área da psicologia, apontam que as emoções constituem motores poderosos da
tomada de decisão (e.g., Lazarus 1991, Ekman 2007, Gilbert 2006, Keltner et al 2014).
No seu livro Upheavals of Thought: The Intelligence of Emotions, Martha C.
Nussbaum pergunta: “(as emoções) são simplesmente, como alguns afirmaram,
energias ou impulsos animais sem conexão com os nossos pensamentos? Ou elas
são impregnadas de inteligência e discernimento e, portanto, uma fonte de profunda
consciência e entendimento?” (2001) e ainda: as emoções são racionais? há boas e
más emoções? as emoções tornam-nos irracionais? … todas estas perguntas indiciam
que o tema requer mais pesquisa e reflexão.
A vida moralmente boa, de acordo com a descrição que dela faz Aristóteles,
não dispensa as emoções. Segundo Sorabji, “Aristóteles viu as emoções não apenas
como úteis, mas como essenciais para a melhor vida que os homens podem
alcançar na prática. Embora dividido, ele reconhece que uma vida de nada mais que
contemplação não é possível para nós. Até mesmo os filósofos devem comer e viver
em sociedade, e a vida mais feliz envolverá também o exercício das virtudes em
sociedade. As virtudes, por sua vez, envolvem acertar o ponto médio na emoção, bem
como na ação “(2002).
Com efeito, se as emoções movem o homem, as virtudes permitem acertar o ponto
médio na emoção e a atitude que o homem toma perante elas na situação concreta. Só o
ser virtuoso realiza o bem, mas para que isso aconteça o homem precisa possuir aquilo que Aristóteles (EN) chamou virtudes morais (disposiçõe para agir de forma deliberada )e virtudes
intelectuais (disposições para pensar). A virtude moral guia a acção num determinado
sentido, mas não permite precisar em cada situação o agir que convém realizar. Esta precisão
exige deliberação e a deliberação exige prudência. Bondade e prudência ou sabedoria prática
caracterizam o homem virtuoso. É a prudência bondosa que permite a quem cuida escolher
e decidir, em cada situação particular, em função do bem do outro.
Neste editorial pretendemos tão só oferecer um estimulo para a leitura deste número
da revista onde destacamos:
• La Inteligencia emocional en enfermeira
• Trabalho emocional em cuidados de saúde: uma revisão scoping
• “Motivos que Levam as Mulheres a Optarem por uma Interrupção Voluntária
da Gravidez: Uma Scoping Review”
• “Continuidade de cuidados de enfermagem à pessoa com enfarte agudo
do miocárdio: Revisão Integrativa da LiteraturaUm artigo de investigação
qualitativa com o título “Planear o parto normal: necessidades e expectativas
das grávidas
Bibliografia
KELTNER D, OATLEY K, JENKINS JM. 2014. Understanding emotions. HOBOKEN, NJ: WILEY
EKMAN P. 2007. Emotions revealed: Recognizing faces and feelings to improve
communication and emotional life. New York, NY: Holt
LAZARUS RS. 1991. Emotion and adaptation. New York, NY: Oxford University Press
GILBERT DT. 2006. Stumbling on happiness. New York, NY: Knopf
MARTHA C. Nussbaum 2001. Upheavals of Thought: The Intelligence of Emotions,
Cambridge University Press
SORABJI, R. 2002. Emotion end peace of mind. Oxford: Oxford university Press
ARISTÓTELES. A ética a Nicómaco. Tradução, prefácio e notas de António de Castro
Caeiro. Lisboa: 2004