A comunicação em saúde se configura em um dos alicerces
para a realização do cuidado qualificado. A comunicação
efetiva entre o paciente e os profissionais da saúde permite
a criação de vínculo, o que torna melhor e mais eficiente a
adesão ao tratamento, consequentemente, diminui as
chances de eventos adverso.6
No presente estudo foi observado resultado satisfatório
acerca da comunicação com a equipe médica. O que
corrobora com estudo de Witiski11, que apontam que esses
profissionais compreendem que a comunicação eficaz
culmina em segurança ao atendimento ao paciente, e sua
ausência pode proporcionar a ocorrência de falhas
assistenciais.
Com relação à perceção do paciente sobre a comunicação
recebida pela equipe médica a maioria dos entrevistados
reportou satisfação com o atendimento recebido durante a
visita hospitalar. Em estudo com objetivo de graduar a
perceção dos pacientes internados na enfermaria de um
hospital universitário a respeito da equipe médica, que
realizou o atendimento, observou-se resultado semelhante,
em que os pacientes relataram satisfação do atendimento
recebido pelo motivo de se sentirem compreendidos por
meio de uma atenção especial, ao serem questionados sobre
seus sintomas, bem como, na realização de exame físico.12
Por outro lado, outra pesquisa identificou déficit na
comunicação entre médico-paciente e ressaltou sobre a
importância de o tema ser incluído nas aulas, durante a
graduação, com intuito de desenvolver/ aprimorar a
habilidade da comunicação, resultando em atendimento
humanizado.13
No presente estudo, os pacientes também relataram sentir-
se à vontade para expor o que sentia, à equipe médica,
ocorrendo o processo de falar e ouvir, similar aos dados de
outro estudo. Outra investigação também se evidenciou
que a ocorrência de uma comunicação efetiva referente ao
diagnóstico e conduta terapêutica proporciona relação de
confiança, o que contribui para o planejamento de cuidado
em conjunto.12
Em contrapartida, observou-se que alguns pacientes
reportaram fragilidades acerca da informação relacionada
ao tratamento e sobre a dificuldade em compreender o que
foi transmitido pelo profissional. Em um estudo, com
objetivo de qualificar a perceção de pacientes internados
acerca da comunicação recebida de médicos cirurgiões e
clínicos em um hospital universitário, evidenciou-se
insatisfação dos pacientes a respeito da comunicação
médica, devido a utilização de termos técnicos
incompreensíveis e informações insuficientes13. No estudo
de Corrêa14 também se evidenciou dados semelhantes, em
que os pacientes sentiram-se insatisfeitos com a carência de
informações transmitidas.
Referente à atuação da equipe médica, de modo geral, os
pacientes relataram que receberam a atenção que esperava
sendo levado em conta alguns fatores, como: atenção,
respeito, empatia e sensibilidade as queixas e situações
relatadas. Em outra pesquisa, concluiu-se que houve
fortalecimento na relação médico-paciente por conta da
sensibilidade desses profissionais frente as necessidades e
aos problemas relatados pelos pacientes, proporcionando
satisfação em relação ao atendimento recebido.12
No que tange a comunicação recebida pela equipe de
enfermagem durante seu internamento hospitalar, os
participantes indicaram perceção positiva. A comunicação
eficaz sobre os procedimentos, intervenções e plano de
tratamento, da equipe de enfermagem, é crucial para que os
pacientes compreendam e participem ativamente de seu
próprio cuidado.15 Visto que aqueles que não recebem
informações adequadas podem enfrentar dificuldades em
compreender a importância de certos cuidados e podem se
sentir menos envolvidos em seu processo de tratamento.16
Infere-se que esses resultados são oriundos da
compreensão sobre os cuidados realizados; de sentirem-se
à vontade para expressar o que sentiam; e, por obterem a
atenção que esperava, emitidos pelos participantes. Fatores
que proporcionam bem-estar emocional, diminuição de
estresse e ansiedade associados à hospitalização.16 Ademais,
é possível inferir que a equipe de enfermagem, responsável
pelo cuidado dos pacientes participantes da presente
pesquisa, se esforçam para ouvir e responder às demandas,
o que é fundamental para construir um relacionamento de
confiança e respeito mútuo.16
A respeito da comunicação na realização de exames
laboratoriais e de imagem, de modo geral obteve-se
avaliações positivas sobre esse processo. Em outro estudo
semelhante identificou-se que 93,6% dos participantes
entenderam a razão do exame.16 Vale ressaltar que quando
alguém está hospitalizado, encontra-se em um estado
vulnerável e, teoricamente, a realização de exames pode
criar a perceção de estar sendo cuidado, o que pode causar
uma mistura de sentimentos entre compreender
genuinamente a necessidade do exame e simplesmente
aceitá-lo passivamente.17
A compreensão sobre o motivo da realização dos exames
também se configura em um aspeto importante, visto que
a comunicação efetiva não se constitui em algo tangível, e
isso exige comprometimento do profissional envolvido.17
Em outro estudo, destacou-se que a comunicação efetiva
exige dos profissionais disposição para se engajar.18 Além
disso, possibilita que o paciente tenha uma experiência mais
satisfatória, o que proporciona a aceitação do tratamento,
segurança do paciente e contribui para uma assistência
eficiente e de qualidade.1
Ressalta-se que mais da metade dos pacientes que foram
submetidos a tomografia verbalizaram receber a
informação a respeito de realizar tomografia, sendo
considerado um resultado favorável ao cuidado. Visto que
com o aumento da disponibilidade de informações os
indivíduos passaram a ter mais conhecimento sobre a
assistência recebida.17 Esse entendimento desenvolve no
paciente um entendimento e perceção adequada, o que
permite o desenvolvimento de uma comunicação eficaz
entre pacientes e profissionais da saúde.10
No que tange a comunicação no processo medicamentoso
evidenciou-se resultados positivos, na maioria dos relatos
dos pacientes. Os pontos que indicam oportunidades de
melhoria estão relacionados a ausência de informação sobre
a suspensão de medicamentos. Uma das maiores carências