Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.344 / e00344
Artigo Teórico
Como citar este artigo: Guimarães GL, Mendonza IYQ, Goveia VR, Ribeiro EG, Barbosa JAG, Guimarães
MO. The Kuhnian incommensurability thesis and its use in nursing for critique of the scientific fact of “skin
wound in bedridden patients”. Pensar Enf [Internet]. 2025 Mar; 29(1): e00344. Available from:
https://doi.org/10.71861/pensarenf.v29i1.344
A Tese da Incomensurabilidade Kuhniana e seu uso
pela Enfermagem para crítica do fato científico
ferida na pele de paciente acamado
The Kuhnian incommensurability thesis and its use
in nursing for critique of the scientific fact of skin
wound in bedridden patients
Resumo
Introdução
Trata-se de um texto de reflexão epistemológica da enfermagem fundamentado no
pensamento de Thomas Kuhn. A Tese da Incomensurabilidade é ponto fulcral de sua
filosofia e pela qual é possível criticar as alterações epistêmicas que ocorrem em paradigmas
que se substituem. Estudiosos da enfermagem, nesse sentido, identificam dois paradigmas
sucessivos, o Empírico e o Nightingale. Esse último funda o desenvolvimento profissional
e científico da área. O uso da tese kuhniana impõe à enfermagem a escolha de um fato
científico comum entre os seus paradigmas. Neste estudo, indica-se o fato científico ferida
na pele do paciente acamado.
Objetivo
Aplicar a Tese de Incomensurabilidade para a compreensão do conceito sobre o fato
científico ferida na pele de paciente acamado, no curso do século XIX, entre tradições
paradigmáticas na enfermagem.
Método
O estudo foi regido pela seguinte questão: como a Tese da Incomensurabilidade pode
implicar o conceito sobre o fato científico ferida na pele de paciente acamado entre
tradições paradigmáticas da enfermagem? Para a obtenção compreensiva da resposta, o
texto foi distribuído em três seções: apresenta os elementos que fundam a tese kuhniana;
desenvolve o conceito sobre o fato científico no paradigma Empírico e, por último, no
paradigma Nightingale, a partir do escrito ‘‘Notas sobre a enfermagem o que é e o que
não é”.
Resultados
O conceito do fato científico manteve-se estável entre as tradições paradigmáticas.
Conclusão
O uso da Tese da Incomensurabilidade permitiu ajuizar que no paradigma Empírico e no
Nightingale, o conceito de ferida na pele de paciente acamado não sofreu alteração. Essa
situação corrobora a compreensão de que modificações conceituais são raras, ficando
circunscritas a um tipo específico, denominado pelo filósofo de ‘‘ponto-a-ponto. O
paradigma Nightingale promoveu modificações substantivas na assistência, na organização,
no ensino e na promoção da prática de pesquisa.
Palavras-chave
Enfermagem; Conhecimento; Saúde; Pesquisa; Ferimentos e lesões.
Gilberto de Lima Guimarães1
1 orcid.org/0000-0001-6027-372X
Isabel Yovana Quispe Mendoza2
orcid.org/0000-0002-7063-8611
Vania Regina Goveia3
orcid.org/0000-0003-2967-1783
Edmar Geraldo Ribeiro4
orcid.org/0000-0002-7201-9566
Jaqueline Almeida Guimarães Barbosa5
orcid.org/0000-0002-9175-0055
Mariana Oliveira Guimarães6
orcid.org/0000-0002-4934-1055
1Departamento de Enfermagem Básica, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.
2Departamento de Enfermagem Básica, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.
3Departamento de Enfermagem Básica, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.
4Hospital Risoleta Tolentino Neves, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.
5Departamento de Enfermagem Básica, Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil.
6Departamento de Odontopediatria, Faculdades São
Leopoldo Mandic, Belo Horizonte, Brasil.
Autor de correspondência
Edmar Geraldo Ribeiro
E-mail: edmargribeiro@gmail.com
Recebido: 14 Set 2024
Aceite: 03 Abr 2025
Editor: Florinda Galinha de
Guimarães, G.
Artigo Teórico
Introdução
Trata-se de um texto de reflexão epistemológica da
enfermagem fundamentado no pensamento de Thomas
Kuhn. A Tese da Incomensurabilidade é ponto fulcral de
sua filosofia e pela qual é possível avaliar as alterações
epistêmicas que ocorrem em paradigmas que se substituem.
Estudiosos da enfermagem, nesse sentido, identificam dois
paradigmas sucessivos, o Empírico e o Nightingale. Esse
último funda o desenvolvimento profissional e científico da
área. Ademais, a enfermagem se vale do termo paradigma
em sentido de transformação profissional, para indicar que
se instaurou uma revolução.1-4
Reconhece-se que a ênfase do paradigma Empírico está na
arte da profissão e no conhecimento técnico-científico,
enquanto fundamentos para o cuidado de enfermagem. O
paradigma Nightingale introduziu na enfermagem a
valorização do saber-fazer (a arte e a gerência), do saber-
pensar (o conhecimento científico e a pesquisa) e do saber-
conviver (a ética), ao promover a ruptura com o paradigma
Empírico de modo substantivo na assistência, na
organização, no ensino e na promoção da prática de
pesquisa. Por isso, a enfermagem, enquanto ciência, deve
envidar esforço intelectual para proceder à crítica
epistêmica de sua tradição paradigmática. Assim, é exigido
o estabelecimento de um fato científico comum entre essas
tradições.1-7
A Tese da Incomensurabilidade é a mais importante
consequência advinda da substituição de um paradigma por
outro. Para Kuhn, as revoluções científicas são aqueles
episódios de desenvolvimento científico não cumulativo
nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente
substituído por um novo, incompatível, incomensurável
com o anterior. Para o emprego da teoria kuhniana obriga-
se ajuste que permita respeitar a idiossincrasia pertencente
à enfermagem.1-4
Para acolher a singularidade da enfermagem e, por
conseguinte, empregar a tese kuhniana, é necessário
assumir dois pressupostos. O primeiro é a aceitação de que
a enfermagem forma uma comunidade científica. Para
Kuhn, a ciência é uma construção que se faz na
coletividade, momento que seus integrantes assumem
compromissos, definem objetivos conjuntos e, por meio
dos manuais, educam os pares que lhe sucederão,
instituindo uma comunidade. Todos esses elementos são
visualizados na enfermagem, destacando a educação
profissional e científica similar, o estabelecimento de
objetivo comum e o treinamento formal por meio de
manuais.5-11
O segundo pressuposto é a assunção do paradigma
Nightingale. E, de pronto, torna-se importante elucidar o
entendimento de Kuhn a respeito do termo paradigma. Ele,
após recepcionar as críticas de seus pares, identificou
quatro elementos constitutivos, a saber: “generalizações
simbólicas”, “partes metafísicas”, “valores epistêmicos” e
“exemplares”. Sob tal perspectiva, na sequência, descreve-
se esses elementos na perspectiva da enfermagem. Para a
comunidade de enfermagem o paradigma Nightingale guia
a sua atividade profissional e científica, o que permite
identificar as “generalizações simbólicas na perspectiva
kuhniana, os pesquisadores de uma comunidade científica
empregam termos, expressões ou formulações que não
carecem de explicações ou de justificações prévias. O
paradigma Nightingale possui termos e expressões cujos
significados não possuem celeuma, tais como, saúde,
pessoa, ambiente e enfermagem.1.3,5-11
No paradigma Nightingale é possível encontrar as “partes
metafísicas do paradigma”, “valores epistêmicos” e
“exemplares”. Na teoria kuhniana, as “partes metafísicas do
paradigma” compreendem os compromissos aceitos pelos
pesquisadores e que guardam ligação ao campo da crença.
Na enfermagem pode-se constatar tal condição, a partir da
visão holística tomada pela área como elemento integrador
para o exercício do ensino, do fazer profissional e na
pesquisa.1,3,5-11
Os valores da ciência identificados por Kuhn como
simplicidade, fecundidade, coerência interna e
plausibilidade, são admitidos na produção científica da
enfermagem. Por “exemplares”, ele indica as soluções de
problemas que os estudantes de uma ciência são
capacitados a “ver”, a partir da educação recebida pelos
manuais, desenvolvendo a sua cosmovisão científica. Na
enfermagem essa caracterização é constatada, pois o seu
estudante tem acesso aos manuais que guiam a sua
formação profissional e científica, o que permite defrontar-
se com os problemas e soluções que cercam a prática
profissional e as carências existentes.1,3,5-11
Posto isso, mediante esses pressupostos, teve-se de
identificar um fato científico presente na literatura
encontrada no paradigma Empírico e no Nightingale, o
que, desse modo, permitiu a análise filosófica entre essas
tradições paradigmáticas. A escolha foi complexa, pois os
registros são escassos no âmbito da literatura científica para
a enfermagem no século XIX. Dessa maneira, estabeleceu-
se como critério para identificação do fato científico,
fenômeno que pudesse guardar o interesse para a profissão
na assistência e no ensino em ambos os paradigmas. Assim,
obteve-se o fato científico ferida na pele de paciente
acamado.1,2,12-17
A justificativa e a relevância do estudo são que a
enfermagem, enquanto ciência-em-vias-de-se-fazer, deve
lançar luz sobre sua tradição paradigmática, pois esta ação
permite à área compreender o processo de sua construção
e, por conseguinte, retificar ou ratificar o direcionamento
que se impõe na atualidade.
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.344 / e00344
Artigo Teórico
O objetivo do estudo foi aplicar a Tese de
Incomensurabilidade para a compreensão do conceito
sobre o fato científico ferida na pele de paciente acamado,
no curso do século XIX, entre tradições paradigmáticas na
enfermagem.
Método
O estudo é regido pela seguinte questão: como a Tese da
Incomensurabilidade pode implicar o conceito sobre o fato
científico ferida na pele de paciente acamado entre
tradições paradigmáticas da enfermagem? Para a obtenção
compreensiva da resposta, o texto foi dividido em três
seções. Na primeira apresenta-se os principais elementos
que fundam a tese kuhniana; em seguida, desenvolve-se o
conceito sobre o fato científico ferida na pele de paciente
acamado no paradigma Empírico e, por último, examina-se
o conceito desse fato no paradigma Nightingale, a partir do
escrito Notas sobre a enfermagem o que é e o que não
é”.1,3
Desenvolvimento
Principais elementos que fundam a Tese da Incomensurabilidade
Kuhn recorre ao sentido político do termo revolução, a fim
de indicar a ruptura do antigo com o novo para sustentar a
Tese da Incomensurabilidade. Para tanto, ele selecionou
alguns trabalhos científicos e, por meio destes, indicou as
mudanças radicais produzidas no seio da comunidade
científica, ao fazer com que essa experimentasse uma
transformação no pensamento e no modo de se fazer
ciência. Para ele, a revolução científica inicia-se quando
surge o sentimento crescente de que o paradigma deixou de
dar as respostas às questões formuladas. Neste caso, os
pesquisadores começam a ter a percepção íntima sobre o
funcionamento defeituoso do paradigma.3,5,6,10,18-21
Kuhn aponta que os observadores estranhos à comunidade
científica, têm a impressão de que nenhuma alteração
significativa está a acontecer. No entanto, o entendimento
de cientistas insatisfeitos indica uma ruptura, visto que o
problema de investigação que surge é diferente daquele do
paradigma anterior. Agora, trabalhos antes considerados
inadequados, começam a exigir e estabelecer uma nova
forma de fazer ciência.3,5,6,10,18-21
Para Kuhn, não se trata apenas de uma avaliação sobre
métodos ou técnicas aceitos por uma determinada
comunidade, mas de uma insurreição ao paradigma vigente
que orienta a ciência normal. Não é incomum que os
grupos engajados no debate científico, em dado momento,
venham a utilizar os argumentos enraizados no paradigma
atual e no novo, porém esse debate visa, tão somente,
persuadir e ganhar adeptos para o novo.3,5,6,10,18-21
Kuhn almeja persuadir a os críticos para que concordem
com a descontinuidade entre o paradigma atual e o
revolucionário, com isso demonstrando a solidez de seu
argumento em prol da Tese da Incomensurabilidade. Ele
rebate a noção de crescimento e desenvolvimento
sequencial da ciência como única forma de compreender a
construção do acervo científico, premissa que se for aceita,
justifica a tese de ruptura entre paradigmas. E, a respeito
disso, ele faz uma pergunta para indicar a linha de
argumentação, a saber: existe uma razão intrínseca pela qual
assimilar um novo tipo de fenômeno ou uma nova teoria
científica requer a rejeição de velhos paradigmas?3
quem defenda que a resposta de um problema científico
poderia emergir, sem exigir a destruição de uma prática
científica passada, visto que poderia estar relacionada com
situações não previamente conhecidas; ou, a nova teoria
poderia produzir uma explicação, sem que, em essência,
fosse algo impensado, mas tratar-se-ia de uma atualização,
pois não modificaria significativamente o paradigma. Se
aceitas essas possibilidades o crescimento e o
desenvolvimento do conhecimento científico seriam
estritamente cumulativos e lineares. Para Kuhn, apesar da
razoabilidade dessa modalidade de crescimento e
desenvolvimento da ciência, as evidências históricas
indicam algo em contrário, pois com o fim do período
paradigmático, a nova teoria move os pesquisadores a
produzir um novo conhecimento.3,5,6,10,18-21
É preciso aludir que Kuhn não está a dizer que o
crescimento cumulativo e linear não exista, o que estabelece
é a crítica filosófica desta modalidade, e indica suas
limitações e fragilidades. Ele reconhece que é inegável que
no período da ciência normal, a produção de conhecimento
é eminentemente cumulativa e, por isso, gera a dificuldade
para o reconhecimento de que ela não possui apenas essa
modalidade de desenvolvimento.3,5,6,10,18-21
Ademais, Kuhn elabora uma nova questão: se tudo está tão
rígido, como o conhecimento científico novo poderia advir?
Para ele, a descoberta somente pode emergir à medida que
a antecipação sobre a natureza e o instrumento do cientista
demonstre estar equivocado.
Assim, o novo conhecimento surge das anomalias
encontradas no paradigma, pois isso estimula o pesquisador
a buscar por uma solução não contemplada no paradigma
tradicional. Disso decorre que o pesquisador se volta para
a elaboração de novos conceitos, métodos, instrumentos e
técnicas.3,5
Segundo Kuhn, três condições geradoras de uma nova
teoria, a primeira é a exaustão da análise dos fenômenos
pelo paradigma existente. No entanto, seu poder de
transformação é limitado, pois se tomada isoladamente, a
exaustão mostra-se frágil para justificar o abandono do
paradigma por parte do pesquisador. A segunda inclui
fenômeno cuja essência é indicada pelo paradigma, mas os
detalhes podem ser obtidos pela ampla articulação da
Guimarães, G.
Artigo Teórico
teoria. Esse tem sido o foco do pesquisador, entretanto, o
objetivo desse tipo de pesquisa é delimitar o paradigma e
não conceber o novo. Ao persistir a inquietação
investigativa e exaurida a possibilidade de acomodação, o
pesquisador descobre a terceira condição geradora para
disrupção do paradigma, a saber, a anomalia. Essa não pode
ser captada à luz do paradigma vigente e, por conseguinte,
apenas a anomalia tem o poder intrínseco de conceber algo
novo. Kuhn afirma que as novas teorias são chamadas para
resolver anomalias, então, a teoria bem-sucedida deve
permitir predições diferentes daquelas derivadas de sua
predecessora e, se as teorias fossem logicamente
compatíveis, essa diferença não poderia ocorrer.3,5
Desta maneira, Kuhn estabelece a crítica à noção de
desenvolvimento linear e cumulativo da ciência, como
modo exclusivo de se construir o conhecimento científico.
Ele destaca que evidências dessa inscrição na
historiografia da ciência, e demonstra uma posição oposta
à plausibilidade lógica. E, nesse sentido, ele apontou como
exemplo histórico a análise entre a teoria newtoniana e
einsteiniana. Elas usam termos idênticos, todavia esses não
guardam a mesma significação, pois se nutrem de um
arcabouço teórico singular, que expressa outra realidade.
Logo, as diferenças entre os paradigmas sucessivos no
tempo são necessárias e irreconciliáveis. A nova teoria
aponta para novos problemas e esses passam a exigir novas
estratégias, soluções e instrumentos metodológicos que a
separam da antecessora. Assim, a ciência que surge da
revolução científica é incompatível e incomensurável com
aquela que a precedeu.3,5,10,18-21
Após sofrer duras críticas de Karl Popper e Imre Lakatos,
Kuhn buscou elucidar o pensamento formulado sobre a
Tese da Incomensurabilidade, em destaque traz-se o texto
O que são revoluções científicas?’ Nele, Kuhn aponta
que existem dois tipos de desenvolvimento científico, o
cumulativo e linear, e o revolucionário. A totalidade das
pesquisas científicas resultam do desenvolvimento do
primeiro tipo. Assim, a ciência normal permite erigir o
edifício do saber ao adicionar o acervo do conhecimento
científico, sendo a concepção cumulativa a mais usual.5
Kuhn aponta que o desenvolvimento da ciência se faz
também de modo não cumulativo e linear, o que torna
possível ao examinador da história da ciência identificar
“pistas” únicas atinentes a uma via de desenvolvimento do
conhecimento que se de maneira revolucionária, isto é,
que envolve descobertas que não podem ser acomodadas
nos limites dos conceitos que estavam em uso
anteriormente. A fim de fazer ou assimilar tal descoberta,
deve-se alterar o modo como se pensa e descreve-se algum
conjunto de fenômenos naturais.5
Kuhn destaca a descoberta científica de matiz
revolucionária, que é a segunda Lei de Newton sobre o
movimento. Nela, os conceitos de força e massa diferem
daqueles em uso antes da lei ser introduzida. Destaca-se
que, ocorre uma mudança no modo de pensar, expresso
por uma nova significação desses termos. Com o exemplo,
ele demonstra que o desenvolvimento do conhecimento
científico não pode ser exclusivamente cumulativo, pois
não é possível passar do antigo ao novo apenas com base
no acréscimo ao que era conhecido. Obviamente, não
significa que não restam termos que preservem o
significado, desse modo, tornando possível a comunicação
entre os praticantes de um dado paradigma, o que Kuhn
está a afirmar é que a compreensão semântica dos termos
que, tomados pela nova teoria sofreram alterações, tornam
seu uso diferente entre elas, tal fato foi denominado por ele
como tradução de “ponto-a-ponto”, é nela que radica a
incomensurabilidade.3,5,10
Em consonância ao apresentado quanto a alguns elementos
que envolvem a Tese da Incomensurabilidade, precisa-se,
para a compreensão do fato científico ferida na pele de
paciente acamado entre tradições paradigmáticas, proceder
a certas aproximações, visto que Kuhn interessou-se em
analisar teorias científicas no âmbito da Física.3
Para a obtenção da resposta formulada neste estudo, pode-
se afirmar que: 1- todo paradigma possui uma identidade
epistemológica, isto é, apresenta características peculiares;
2- o conhecimento científico existente no paradigma
guarda relação com a crença de que o seu funcionamento
está operacional. No entanto, alterações filosóficas podem
estar em curso; 3- o desenvolvimento de um paradigma
implica um dado modo de ação por parte do pesquisador.
No âmbito da enfermagem, o paradigma Empírico e o
Nightingale valem-se desses pressupostos (1,2) e
estabelecem o modo de agir profissional na assistência e no
ensino. Somente o paradigma Nightingale promove uma
ação para a produção do conhecimento científico da área
(3). Explicitada essa aproximação, passa-se a considerar o
conceito do termo ferida na pele de paciente acamado no
paradigma Empírico.
O conceito do fato científico ferida na pele de paciente acamado no
paradigma Empírico
Preliminarmente, é preciso reconhecer que, do ponto de
vista histórico, o fato científico ferida na pele de paciente
acamado recebeu diversas gradações e nomenclaturas a
chegar-se ao termo contemporâneo de lesão por pressão.
No entanto, no ensino da ciência e da arte da enfermagem,
no século XIX, esse fato foi chamado de ‘escara ou úlcera
de decúbito’. Parte-se, nesta seção, para a busca
compreensiva desse fato.1,2,15-17,22
O termo “escara ou úlcera de decúbito” surge no
paradigma Empírico e foi empregado para descrever um
tipo de ferida que surge na pele de paciente acamado.
Assume-se, neste estudo, o termo acamado como sinônimo
para imobilidade no leito, essa nomenclatura expressa o
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.344 / e00344
Artigo Teórico
pensamento científico em voga no século XIX. Seu autor
foi o médico francês, Jean-Martin Charcot (Charcot) que
atuava no asilo feminino Salpêtrière, observou e descreveu
um tipo de ferimento presente na pele do paciente
hospitalizado e acamado, vítima de lesão de medula
espinhal, então, denominando-a de “escara de decúbito”,
essa nomenclatura aparece em seu livro Lectures on
diseases of the nervous system, publicado em 1877.16
Verifica-se que as primeiras inquietações de Charcot sobre
o ferimento na pele em paciente com lesão de medula
espinhal, datam de 1868. Ante ao fenômeno observado, ao
valer-se da relação de causa e efeito, ele elaborou uma
explicação, mediante à associação entre esse tipo de ferida,
o problema e alteração trófica a envolver a nutrição dos
tecidos. Em sua teorização, a lesão observada era advinda
de uma interrupção do fornecimento de nutrientes para os
nervos, sendo a teoria chamada de Teoria Neurotrófica de
Charcot. Ao descrever a ferida que surgia na pele de
paciente hospitalizado e acamado, ele apontou que o
desenvolvimento se dava em forma de ulceração, seguida
por necrose profunda em região sacral e, segundo ele, a
pressão local não seria a responsável pela erupção.15-17,22
Ele considerou que o aparecimento de “escara de decúbito”
era de curso indolente, lento e progressivo. Sua teoria
permitiu diferenciar os ferimentos que acometiam a pele
entre as lesões passivas (decorrente da inatividade
funcional) e os distúrbios tróficos secundários as lesões
agudas do sistema nervoso. Nessa direção, classificou os
tipos de lesões na pele, partindo do momento de seu
aparecimento, a saber, Decubitus ominosus (ferida que surge
na nádega antes da morte do paciente); Decúbito agudo
(ferida que aparecia após uma lesão neurológica e
correlacionou a localização do dano da pele com o nervo
presente na área em que ocorria a ulceração); Decúbito
crônico (ferida que surgia na pele de paciente inativo).15-17,22
A publicidade da Teoria Neurotrófica de Charcot em meio
à comunidade científica possibilitou o intenso debate. Sabe-
se que a ciência se desenvolve a partir do confronto de
ideias daqueles que a fazem, dessa forma, permitindo
elucidar o fato em análise, teorizar e identificar a evidência
que possa ratificar a explicação dada. Tal fato foi observado
no episódio da história da ciência em saúde que, envolveu
a Eduard Brown-Sequard (Brown-Sequard),
neurofisiologista e opositor da Teoria Neurotrófica de
Charcot.3-5,10,15-17,22
Em seus estudos de experimentação envolvendo animais,
Brow-Sequard afirmou que ao seccionar a medula espinhal
de cobaia, desde que instituída medida de prevenção para
ferida, tais como, higiene diária da pele e manter o local
seco e livre de dejeto, não ocorria ulceração. Ele constatou
ainda que, no caso de ulceração, quando aliviada a
compressão e mantidas as medidas mencionadas, era
possível curá-la. Desse experimento, esse neurologista
firmou o êxito dessas ações preventivas e considerou que a
ulceração da pele que aparecia no paciente com paraplegia
não era diretamente decorrente desta.15-17,22
Brown-Sequard dedicou-se à busca por identificar ações
que pudessem prevenir o surgimento do ferimento na pele,
enquanto a teoria de Charcot defendia a impossibilidade de
prevenir a “escara de decúbito”, pois para esse último, tal
lesão era uma consequência do adoecimento lento, gradual,
progressivo e irreversível do nervo.15-17,22
Em 1873, James Paget, cirurgião e patologista inglês, no
artigo “Clinical lectures on bedsore”, deixou sua
contribuição ao levantar a tese de que a pressão sobre a pele
pudesse estar na gênese da lesão e, considerou que, se a área
afetada não fosse limpa de dejeto humano, a ferida na pele
teria rápido desenvolvimento, sobretudo, em região de
proeminência óssea, mormente, o calcâneo, o quadril e a
região sacral.15-17,22
Inserida nesse contexto de debate científico, a enfermagem
desenvolvia a sua pragmática assistencial mesclando
práticas antigas e modernas na assistência ao paciente
hospitalizado acamado e com ferida na pele. Em razão de
sua prática acontecer no interior do hospital, a enfermagem
teve importante papel para que o hospital viesse a
constituir-se em um local terapêutico, pois entre o mote de
sua ão estava, dentre outros, a alimentação, a higiene
corporal e o conforto do paciente.15-17,22
No paradigma Empírico, a educação da enfermeira era
realizada a partir de manual escrito pelo médico. É por
meio dos manuais que, na ciência normal, os achados
científicos são compartilhados por uma comunidade
científica e, com isso, promovem a sua unidade - condição
necessária para a construção do corpo de conhecimento
científico e a transmissão para os ingressantes. Ao
considerar o fazer de enfermagem, o manual permitiu a
enfermeira agir e justificar o seu saber-fazer.15-17,22
A medicina hospitalar compreendeu que sem o incremento
da formação intelectual da enfermeira, não ocorreria a
transformação do hospital em um local terapêutico. Essa
aproximação entre a medicina e a enfermagem permitiu que
a enfermeira passasse a ter acesso às descobertas científicas
e formulações teóricas, tais como, a teoria celular, a
microbiologia e o debate conceitual entre Charcot e James
Paget sobre a “escara de decúbito”.15-17,22
Foi nesse contexto que a enfermagem estabeleceu uma
grade curricular a conter, entre outras, as disciplinas de
anatomia, higiene, preparo e administração de medicação,
aula teórica e prática de cuidado ao paciente. No paradigma
Empírico, a enfermeira era a responsável pelo curativo de
‘escara de decúbito’ e as ões incluíam lavar, cobrir com
gaze, cauterização e remoção do tecido desvitalizado.15-17,22.
Guimarães, G.
Artigo Teórico
Os debates ocorridos a respeito do tema por Charcot, Paget
e Brow-Sequard, apontam para aquilo que Kuhn
identificou como a forma mais usual de desenvolvimento e
crescimento da ciência, o modo cumulativo e linear, o qual
viabiliza a edificação do saber científico. Nele, as diversas
contribuições dos pesquisadores auxiliam a montagem do
“quebra-cabeça e, assim, o conhecimento científico
organiza-se e fornece as respostas aos problemas
levantados. Nessa modalidade de desenvolvimento, os
participantes estão afeitos a observar o fenômeno - ferida
na pele de paciente acamado - sob uma dada perspectiva
que o delimita e, com isso, a relação de causa e efeito,
levantar a característica e propor forma de solução, quer
seja de tratamento ou prevenção.15-17,22,23
Postas essas considerações, o conceito do termo “escara de
decúbito” no paradigma Empírico é o tipo de ferida que
surge na pele do paciente acamado em região sacral
(nádegas), articulação coxofemoral (quadril) e calcâneo
(tornozelo), com acentuado comprometimento de tecido
abaixo da epiderme, agravado por fatores externos, como
o dejeto humano no ferimento.
O conceito do fato científico ferida na pele de paciente acamado no
paradigma Nightingale
Concorda-se que o ‘mundo’ proposto por Florence
Nightingale é distinto do ‘mundo’ em que se insere o
paradigma Empírico; a sua cosmovisão permite-lhe
reconhecer um fenômeno antes não identificado,
sobretudo, sobre a pragmática da enfermagem em seus
aspectos do saber-fazer, do saber-pensar e do saber-
conviver.1,4
Para Hoyningen-Huene, ao adotar o novo paradigma, o
participante de uma comunidade tem a sua cosmovisão
modificada e passa a ver o mundo em que desenvolve o seu
fazer de modo diferente. Tomada essa consideração,
Florence Nightingale estava absorta por uma nova
cosmovisão, imersa em uma mudança de natureza
filosófica que lhe possibilitou mover-se na busca do
conhecimento científico sobre a pragmática assistencial (o
mundo fenomênico) em nova perspectiva, mudança essa
que impactou sua prática profissional. Esse “mundo
revisitado permitiu-lhe localizar a transformação
profissional e científica que ela instituiu na enfermagem, a
partir do emprego de instrumentos metodológicos
provenientes da epidemiologia, o que possibilitou realizar
avaliações quantitativas sobre o binômio saúde-doença, a
causação entre o cuidado de enfermagem e a “escara de
decúbito”.4,10
Florence Nightingale introduziu na pragmática assistencial
da profissão elemento, até então, jamais empregado para a
realização do cuidado de enfermagem, a saber: a
observação regida pelo método científico. Por seu
intermédio, busca-se identificar a relação de causa e efeito
no fenômeno saúde-doença a partir do reconhecimento de
sinais e sintomas. 1,3,4,10
Na racionalidade científica, a observação sistemática
equivale à etapa de coleta de dados. Sabe-se que é por meio
dela que o pesquisador inicia o percurso investigativo.
Enquanto prática profissional é diante desse tipo de
observação que a enfermeira inicia o processo de
enfermagem. Para Florence Nightingale, a enfermeira
possuidora de conhecimento científico é capaz de
reconhecer e distinguir as diversas enfermidades, por
exemplo, os diversos tipos de erupções causadas por febres,
sarampo e seus sinais e sintomas prodrômicos. Essa
capacidade de observação é fruto do treinamento
sistemático que advém da racionalidade científica, o que
permite viabiliza a enfermeira distinguir sinais que
envolvem a expressão fisiológica de uma manifestação
patológica sobre o corpo humano; por isso, ela está
habilitada para observar o estado da pele, se está ressecada
ou com perspiração. Por meio do estudo criterioso sobre
as reações do paciente note a implicação para o
reconhecimento da relação de causa e efeito - a enfermeira
identifica a sua condição de saúde, observando-o com
criticidade científica e, por isso, alcança o conhecimento
necessário sobre o paciente para que possa exercer uma
ação profissional, lúcida e refletida.1,3,4,10,16.23
Florence Nightingale identificou a ligação entre aspectos
biológicos e físicos versus “escara de decúbito” e o papel
da enfermeira em sua prevenção. Assim, a origem da
“escara de decúbito” repousava sobre a insuficiência do
cuidado de enfermagem dispensado ao paciente; a
ocorrência de “escara de decúbito” tinha conotação
negativa, sendo considerada como falha no cuidado. Para
ela, se o doente sente frio, apresenta-se febril, sofre
desfalecimento, sente-se mal após as refeições, ou ainda, se
apresenta “escara de decúbito”, geralmente não é devido à
doença, mas à enfermagem.1,3,4,10,16,23
Hoje, apesar da clarificação sobre a etiologia da lesão que
ocorre na pele, as enfermeiras continuam responsáveis
quanto à ocorrência dessa ferida, necessitando de
conhecimentos específicos para sua identificação e adoção
de medidas de prevenção. Sabe-se que o cuidado com a pele
está no centro do cuidado de enfermagem prestado ao
paciente no paradigma Nightingale.1,3,4,10,16,23
Florence Nightingale era convicta de que a prevenção da
“escara de decúbito”, repousasse na capacidade de a
enfermeira estabelecer uma avaliação criteriosa das
condições da pele do indivíduo, sobretudo, naquele que se
apresentasse restrito ao leito e com perda da consciência. O
estudo de Charcot e Paget já circulava à época e, por meio
dele, o termo “escara de decúbito” era utilizado para
descrever esse tipo de ferimento na pele. A experiência de
Florence Nightingale, na Guerra da Crimeia, possibilitou o
acesso a soldados com tipos variados de ferimentos, o que
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.344 / e00344
Artigo Teórico
não excluía indivíduos com trauma encefálico por projétil
de arma de fogo e inconscientes. Sabe-se que, em pacientes
inconscientes e restritos no leito, aliado a outros fatores,
aumenta-se o risco de desenvolvimento de “escara de
decúbito”. Ciente desse aspecto, pode-se afirmar que ela
reconheceu dois elementos que estão presentes no conceito
do termo “escara de decúbito” no paradigma Empírico, a
saber: a pele não íntegra e a imobilidade ao leito.1-4,16-23
Ademais, Florence Nightingale entendia que as roupas, se
não cuidadas e ajustadas à cama, causavam feridas na pele
do paciente acamado, particularmente, em pontos de
proeminência óssea. No paciente acamado, reconhece-se
que o adequado padrão higiênico se constitui numa meta a
ser trabalhada pela enfermeira, pois a pele em contato com
resíduo de fezes e urina está exposta à agressão física e
microbiológica. Para ela, a manutenção do estado higiênico
do paciente é condição de promoção para sua recuperação
e prevenção de “escara de decúbito”. Localiza-se, em razão
do exposto supra, o terceiro elemento constituinte do
conceito do termo ‘escara de decúbito’ pertencente ao
paradigma Empírico e no pensamento de Florence
Nightingale, a saber: ferida em local de proeminência óssea
em paciente acamado.1-4
Posto assim, no paradigma Nightingale, no século XIX, o
conceito do termo “escara de decúbito” consiste em um
tipo de ferida que acomete o paciente acamado que perde
total ou parcialmente a capacidade autônoma de
mobilização, seu aparecimento dá-se em região de
proeminência óssea. Constata-se que os elementos
conceituais assumidos por Florence Nightingale foram os
mesmos localizados no paradigma Empírico.
Conclusão
A Tese da Incomensurabilidade kuhniana revelou que o
conceito do fato científico ferida na pele do paciente
acamado não sofreu alteração, o que permite ratificar a
proposição de que modificações conceituais são um tipo
raro de ocorrência, que fica circunscrita a uma modalidade
denominada pelo filósofo de “ponto-a-ponto”. A mudança
paradigmática ocorrida na enfermagem revelou uma
alteração na ciência e na arte da profissão. O paradigma
Nightingale estabeleceu um novo saber-pensar, saber-
conviver e saber-fazer e, com isso, promoveu a ruptura
com o paradigma Empírico de modo substantivo na
assistência, na organização, no ensino e na promoção da
prática de pesquisa. Ajuíza-se que a dimensão do saber-
pensar permitiu à enfermagem a aproximação dos avanços
e debates científicos ocorridos na segunda metade do
século XIX. A tese kuhniana mostra-se útil à crítica
epistemológica da enfermagem entre o paradigma
Empírico e o Nightingale. Acredita-se que, em uma
eventual ruptura do paradigma nightingaleano, hoje
vigente, a identificação de um novo fato científico poderá
indicar modificações conceituais do tipo “ponto-a-ponto”.
Autoria e Contribuições
Guimarães GL: Conceção e desenho do estudo; Redação do
Manuscrito; Revisão Crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Mendonza IYQ: Conceção e desenho do estudo; Redação
do Manuscrito; Revisão Crítica do manuscrito; Aprovação
da versão final do manuscrito e assunção de
responsabilidade pelo mesmo;
Goveia VR: Conceção e desenho do estudo; Redação do
Manuscrito; Revisão Crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Ribeiro EG: Conceção e desenho do estudo; Redação do
Manuscrito; Revisão Crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Barbosa JAG: Conceção e desenho do estudo; Redação do
Manuscrito; Revisão Crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Guimarães MO: Conceção e desenho do estudo; Redação
do Manuscrito; Revisão Crítica do manuscrito; Aprovação
da versão final do manuscrito e assunção de
responsabilidade pelo mesmo.
Conflitos de interesse e Financiamento
Nenhum conflito de interesse foi declarado pelos autores.
Fontes de apoio / Financiamento
O estudo não foi objeto de financiamento
Bibliografia
1.Nightingale F. Notas da Enfermagem o que é e o que
não é. São Paulo: Cortez; 1989.
2. Aperibense PGGS, Silva ATMF. Nightingale
Nightingale como tema no ensino de história da
enfermagem. Hist enferm Rev eletrônica [Internet]. 2020;
[citado 2024 julho 18]; 11(Esp.):15-27. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0691.
3. Kuhn TS. A Estrutura das Revoluções Científicas. 12a.
São Paulo: Perspectiva; 2013.
4. Sandvik AH, Hilli Y. Understanding and formation: A
process of becoming a nurse. Nursing Philosophy
[Internet]. 2023; [citado 2024 julho 18]; 24:12387.
Disponível em: https://doi.org/10.1111/nup.12387
5. Kuhn TS. Capítulo 10: Comensurabilidade,
comparatibilidade, comunicabilidade. In Kuhn TS. O
caminho desde a Estrutura. ed. o Paulo: Editora
Unesp; 2017. p.47-76
6. Kuhn TS. Reflexões sobre os meus críticos. In: Kuhn TS.
Acrítica e o desenvolvimento do conhecimento. Quarto
Guimarães, G.
Artigo Teórico
volume das atas do Colóquio Internacional sobre Filosofia
da Ciência, realizado em Londres em 1965. Tradução
doctávio Mendes Cajado. São Paulo: Cultrix; 1979. p.109-
243
7. Lakatos I. História de la Ciencia y sus reconstrociones
racionales. Madrid: Editora Tecnos; 1987.
8. Laudan L. Sciense and Values: The aims of Sciense and
their role in the scientific debate. Berkeley: University of
California Press; 1994.
9. Gattei S. Thomas Kuhn’s linguistic turn, and the legacy
of logical empirismo: incommensurability, rationality and
the search for truth. USA: Ashgate Publishing Limited;
2008.
10. Hoyningen-Huene P. Reconstructing Scientific
Revolutions: Thomas S. Kuhn’s Philosophy of Science.
Chicago: University of Chicago Press; 1993.
11. Kitcher P. The advacement of Sciense: sciense whithout
legend, objetivity without ilusions. New York: Oxford
University Press; 1993.
12. Lee HK, Jeong HS. Effectiveness of Flaps Controlling
Inflammation for Severe Pressure Sores in Older Patients
with Multiple Comorbidities. J Wound Manag Res
[Internet]. 2020 Jun; [citado 2024 julho 18];16(2):88-93.
Disponível em:
https://doi.org/10.22467/jwmr.2020.01025
13. European Pressure Ulcer Advisory Panel, National
Pressure Injury Advisory Panel and Pan Pacific Pressure
Injury Alliance. Prevention and Treatment of Pressure
Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. The
International Guideline. Emily Haesler (Ed.).
EPUAP/NPIAP/PPPIA: 2019 [consultado em 19 de julho
de 2024]. Disponível em:
https://doi.org/10.1016/j.jtv.2019.01.001
14. García-Fernández FP, Rodríguez-Palma M, Soldevilla-
Agreda, J, Verdú-Soriano J, Pancorbo-Hidalgo PL. Modelo
teórico y marcos conceptuales de las lesiones por presión y
otras heridas crónicas. Historia y desarrollo. Gerokomos
[Internet]. 2022; [citado 2024 julho 18]; 33(2):105-110.
Disponível em:
https://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v33n2/1134-928X-
geroko-33-02-105.pdf
15. Jin S, Burm CE, Park J. Consistent Reconstruction of
Sacrococcygeal Pressure Ulcers using Modification of En
Bloc Sliding Gluteus Maximus Myocutaneous Flap
Technique. J Wound Manag Res [Internet]. 2024 Fev;
[citado 2024 julho 18]; 20(1):46-54. Disponível em:
https://doi.org/10.22467/jwmr.2023.02838
16. Torra-Bou JE, Ver-Soriano J, Sarabia-Lavin R, Paras-
Bravo P, Soldevilla-Ágreda JJ, López-Casanova P, García-
Fernández F. Una contribución al conocimiento del
contexto histórico de las úlceras por presión. Gerokomos
[Internet]. 2017; [citado 2024 julho 18]; 28(3):151-157.
Disponível em:
https://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v28n3/1134-928X-
geroko-28-03-00151.pdf
17. Park KH, Baek K, Kim M. Prospective, Randomized,
Non-inferiority Trial to Compare the Efficacy of 3%
Povidone-Iodine Foam Dressing and Silver Foam Dressing
in the Treatment of Pressure Injuries. J Wound Manag Res
[Internet]. 2023 Fev; [citado 2024 julho 18]; 19(1):13-20.
Disponível em:
https://doi.org/10.22467/jwmr.2023.02376
18. Wiggers E, Donoso MTV. Discorrendo sobre os
períodos pré e pós Nightingale Nightingale: a enfermagem
e sua historicidade. Enferm Foco [Internet]. 2020; [citado
2024 julho 18]; 11(1): 58-61. Disponível em:
https://doi.org/10.21675/2357-
707X.2020.v11.n1.ESP.3567
19. Lipscomb M. Nursing's professional character: A
chimera? Nursing Philosophy [Internet]. 2024; [citado
2024 julho 18]; 25:12477. Disponível em:
https://doi.org/10.1111/nup.12477
20. Pearson MR, Egglestone S, Winship G. The biological
paradigm of psychosis in crisis: A Kuhnian analysis.
Nursing Philosophy [Internet]. 2023; [citado 2024 julho
18]; 24:12418. Disponível em:
https://doi.org/10.1111/nup.12418
21. Sankey H. The incommensurability thesis. 1st edition.
USA: Routledge; 1994.
22. Kwon R, Rendon J, Janis JE. Pressure sores. Plastic
Surgery. 4 ed. New York: Elsevier; 2018.
23. Karlsson M, Pennbrant S. Ideas of caring in nursing
practice. Nurs Philosophy [Internet]. 2020; [citado 2024
julho 18]; 21:12325. Disponível em:
https://doi.org/10.1111/nup.12325