Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão)
Como citar este artigo: Coimbra H, Correia R, Alves A, Costa S, Moutinho L, Nunes IR. Intervenções de
enfermagem promotoras da segurança do adolescente com risco de comportamento suicidário uma revisão
integrativa da literatura. Pensar Enf [Internet]. 2025 Mar; 29(1): e00350. Available from:
https://doi.org/10.71861/pensarenf.v29i1.350
Intervenções de enfermagem promotoras da
segurança do adolescente com risco de
comportamento suicidário uma revisão integrativa
da literatura
Nursing interventions promoting the safety of
adolescents at risk of suicidal behavior an
integrative literature review
Introdução
A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano caracterizada por mudanças em
várias dimensões da vida. Estas mudanças podem constituir fatores de stress importantes
para o adolescente, condicionando a sua saúde mental. Os comportamentos suicidários são
um problema crescente, que ameaça a segurança do adolescente e que tem gerado desafios
aos enfermeiros em diversos contextos de cuidados.
Objetivo
Identificar o conhecimento disponível sobre as intervenções de enfermagem promotoras da
segurança em adolescentes com risco de comportamento suicidário e analisá-lo à luz do
Modelo de Sistemas de Betty Neuman.
Métodos
Revisão integrativa da literatura, de acordo com o referencial de Whittemore e Knafl. A
pesquisa foi realizada em abril de 2024, nas bases de dados CINAHL Ultimate e MEDLINE.
Recorreu-se a linguagem natural e indexada, relacionada com os termos “adolescente”,
“risco de suicídio” e “enfermagem”. Incluíram-se artigos teóricos e empíricos, de qualquer
metodologia, redigidos em inglês e português e publicados entre 2014 e 2024.
Resultados
Identificados 16 artigos que respondiam ao objetivo da revisão. Da análise emergiram duas
categorias principais de intervenções, relacionadas com o contexto de cuidados: serviços de
saúde e comunidade. Em ambos, os enfermeiros intervêm ao nível da prevenção primária,
secundária e terciária. No contexto comunitário predomina a prevenção primária; nos
serviços de saúde predominam a prevenção secundária e terciária. Emergiram como
transversais a todos os contextos: a avaliação do risco de suicídio, a relação terapêutica com
o adolescente e a psicoeducação.
Conclusão
Os enfermeiros têm um papel importante na promoção da segurança dos adolescentes com
risco de comportamento suicidário. A garantia da segurança requer que a intervenção seja
transversal a todos os sistemas que o adolescente integra, desde a família, a escola, outros
contextos comunitários e os diferentes serviços de saúde.
Palavras-chave
Adolescente, Suicídio, Segurança, Cuidados de Enfermagem.
Helena Coimbra1
orcid.org/0009-0007-9469-9439
Raquel Correia2
orcid.org/0009-0009-8353-0413
Ana Alves3
orcid.org/0009-0001-3020-6953
Susana Costa4
orcid.org/0009-0008-4131-0212
Lídia Moutinho5
orcid.org/0000-0001-5076-0612
Inês Robalo Nunes6
orcid.org/0000-0003-4718-8285
1 Licenciatura. Instituto Português de Oncologia
Francisco Gentil, Lisboa, Portugal
2 Licenciatura. Serviço de Internamento de
Pedopsiquiatria, Hospital Dona Estefânia, Unidade
Local de Saúde de São José, Lisboa, Portugal
3 Licenciatura. Escola Superior de Enfermagem de
Lisboa (ESEL), Lisboa, Portugal
4 Licenciatura. Serviço de Urgência Psiquiátrica,
Hospital de São José, Unidade Local de Saúde de São
José, Lisboa, Portugal
5 Doutoramento. Departamento de Enfermagem de
Saúde Mental e Psiquiátrica, Escola Superior de
Enfermagem de Lisboa (ESEL), Lisboa. Centro de
Investigação, Inovação e Desenvolvimento em
Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa, Portugal
6 Mestrado. Departamento de Enfermagem de Saúde
Mental e Psiquiátrica, Escola Superior de Enfermagem
de Lisboa (ESEL), Lisboa, Portugal
Autor de correspondência
Inês Robalo Nunes
E-mail: inesnunes@esel.pt
Recebido: 01 out 2024
Aceite: 06 mar 2025
Editor: Paulo Seabra
Nunes, I.
Artigo de Revisão
Abstract
Introduction
Adolescence is a stage of human development characterized by changes in multiple dimensions of life. These changes can act as
significant stressors for adolescents, influencing their mental health. Suicidal behaviors are an escalating concern, posing a threat
to adolescent safety and presenting challenges for nurses across various healthcare settings.
Objective
To identify the available knowledge on nursing interventions that promote safety in adolescents at risk of suicidal behavior and
analyze it through the lens of Betty Neuman’s Systems Model.
Methods
We conducted an integrative literature review following Whittemore and Knafl’s framework. The search was carried out in April
2024 in the CINAHL Ultimate and MEDLINE databases. Both natural and indexed language related to the terms “adolescent,”
“suicide risk,” and “nursing” were used. The review included theoretical and empirical articles, regardless of methodology,
written in English and Portuguese, and published between 2014 and 2024.
Results
A total of 16 articles met the inclusion criteria. The analysis revealed two main categories of interventions based on the care
context: healthcare services and community. In both contexts, nurses engage in primary, secondary, and tertiary prevention.
Primary prevention is predominant in community settings, whereas secondary and tertiary prevention are more prominent in
healthcare services. Three key interventions emerged as common across all contexts: suicide risk assessment, therapeutic
relationships with adolescents, and psychoeducation.
Conclusion
Nurses play a crucial role in promoting the safety of adolescents at risk of suicidal behavior. Ensuring safety requires interventions
that extend across all systems the adolescent is part of, including family, school, other community settings, and various healthcare
services.
Keywords
Adolescent, Suicide, Safety, Nursing Care.
Introdução
A adolescência é o período do desenvolvimento do ser
humano que compreende a transição entre a infância e a
idade adulta. Segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS)1, os adolescentes são as pessoas com idades
compreendidas entre os 10 e os 19 anos.
De acordo com o Modelo de Sistemas de Betty Neuman2, o
adolescente é considerado um sistema complexo,
multidimensional e aberto, com uma estrutura básica
constituída por 5 variáveis interativas - fisiológica,
psicológica, sociocultural, de desenvolvimento e espiritual -
que, num estado de bem-estar, funcionam
harmoniosamente. Na adolescência ocorrem diversas
alterações, transversais a estas dimensões, e que são
enquadráveis em três tarefas essenciais do desenvolvimento:
a mudança na relação com os pais (através do
distanciamento dos mesmos e da procura de autonomia), a
mudança na relação com os pares (com a aproximação aos
mesmos e o estreitamento das relações) e a mudança na
relação consigo e com o próprio corpo.3
A adolescência pode constituir um período crítico de grande
vulnerabilidade psicológica. O adolescente, enquanto
sistema em mudança, está sujeito a forças de âmbito
intrapessoal (do próprio), interpessoal (das suas relações
imediatas, com a família ou os amigos e colegas de escola)
ou extrapessoal (exteriores ao adolescente, mas que o afetam
indiretamente, como a comunidade onde este vive),
designadas por stressores, que podem interferir no seu bem-
estar.
É a resposta do adolescente aos stressores, que dita a
estabilidade ou instabilidade do sistema e,
consequentemente, a sua saúde. Esta resposta depende das
linhas de defesa que são comprometidas pelos stressores e
da capacidade de resiliência do sistema. De acordo com
Neuman2, a estrutura básica da pessoa está rodeada por
diferentes linhas concêntricas de proteção, que incluem a
linha normal de defesa (correspondente ao nível habitual de
bem-estar), a linha flexível de defesa (que protege do
contacto com os stressores, evitando a reação do sistema) e
as linhas de resistência (acionadas sempre que um stressor
rompe a linha normal de defesa, podendo constituir uma
ameaça potencialmente fatal pela sua proximidade ao
núcleo). Da mesma forma que os stressores podem afetar
qualquer uma das linhas de defesa, também a resposta e a
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
reconstituição do sistema pode ocorrer a qualquer nível. Se
a resposta do sistema for positiva, este tenderá para o
equilíbrio, o bem-estar e a saúde; se for negativa, tenderá
para o desequilíbrio, levando ao surgimento de doença e, no
limite, à morte.2
O suicídio tem vindo a evidenciar-se como um problema
crescente, e é atualmente a terceira principal causa de morte
na adolescência4. Em Portugal, no ano de 2022, a taxa de
suicídio entre jovens dos 15 aos 24 anos alcançou o patamar
mais alto das últimas duas décadas. De acordo com o
Instituto Nacional de Estatística (INE)5, o número de
mortes por lesões autoprovocadas de forma intencional
atingiu os 4,9 por 100 mil habitantes, um aumento
expressivo quando comparado com os 3,2 registados no ano
anterior. A OMS6 define o suicídio como o resultado de um
ato deliberado, iniciado e levado a cabo por um indivíduo,
com pleno conhecimento ou expectativa de um resultado
fatal. Trata-se de um fenómeno complexo e multifatorial,
resultante da interação de fatores biológicos, genéticos,
psicológicos, sociais, culturais e ambientais.7,3
O comportamento suicidário não engloba apenas o suicídio
consumado, abrangendo um espetro de pensamentos
(ideação suicida) e comportamentos (tentativas de suicídio),
que se sabem ser potencialmente precipitantes do suicídio.3
É entendido como um processo gradual, que parte da
ideação suicida (pensamentos, desejo ou plano para o
suicídio, sem que haja necessariamente passagem ao ato) e
que pode, ou não, conduzir a uma tentativa de suicídio (ação
empreendida pela pessoa que visa a própria a morte, sem
que esta, no entanto, ocorra).7 Sabe-se que cada morte por
suicídio é precedida, em média, por mais de 20 tentativas de
suicídio.8
De acordo com a Classificação Internacional para a Prática
de Enfermagem [CIPE]9, os comportamentos suicidários
são um foco de atenção para a Enfermagem. A classificação
de diagnósticos de enfermagem da NANDA
International10, inclui o diagnóstico de Risco de
Comportamento Suicidário (00298) no domínio da
Segurança e Proteção, e define-o como uma suscetibilidade
a comportamentos autolesivos associados a uma certa
intenção de morrer. Este diagnóstico apresenta como
população de risco os adolescentes e está associado a um
conjunto de fatores de risco de natureza psicológica (como
a baixa autoestima, os sintomas depressivos e ansiosos),
situacional (acesso a meios letais), social (relações familiares
disfuncionais, pressão dos pares, isolamento social) e
comportamental (dificuldade em expressar emoções e pedir
ajuda e impulsividade) que contribuem para o risco de
suicídio.10,11 Na adolescência, a maioria dos stressores estão
ligados às relações interpessoais, com a família e a escola,
mas também à relação intrapessoal, do adolescente consigo
próprio.3 À luz do modelo de sistemas de Neuman, os
fatores de risco podem constituir potenciais stressores para
o sistema.
Os fatores de risco são contrabalançados por um conjunto
de fatores de proteção do sistema, designados por fatores de
reconstituição, que promovem a resiliência e o bem-estar.
Os fatores protetores do risco de suicídio na adolescência
podem ser de natureza intrapessoal (incluindo características
do adolescente, como a capacidade de resolução de
problemas, a iniciativa no pedido de ajuda, a noção de valor
pessoal e o empenho em projetos de vida), interpessoal
(como as relações positivas, de pertença e de suporte com a
família e os pares) e extrapessoal (como o clima escolar
positivo, a facilidade de acesso aos serviços de saúde e a sua
boa articulação com outras instituições sociais e
comunitárias).7 A criação, manutenção ou reforço destes
fatores de proteção, são uma das principais estratégias para
prevenir o suicídio na adolescência.7
A evidência científica tem sustentado um conjunto de
recomendações para a prevenção dos comportamentos
suicidários, que incluem a diminuição do acesso aos meios
letais, a formação de profissionais dos cuidados de saúde
primários, o aperfeiçoamento da ligação entre serviços de
saúde comunitária e os serviços de saúde mental, o
desenvolvimento de equipas multidisciplinares amplas para
a prevenção do suicídio, a formação dos meios de
comunicação social e o aumento da literacia para o combate
ao estigma em torno da doença mental e dos
comportamentos suicidários.3
Se a garantia da segurança foi, de forma transversal à
história dos cuidados psiquiátricos, o mote para justificar a
institucionalização e a utilização nem sempre humanizada
de medidas opressivas ou restritivas, hoje a promoção da
segurança no âmbito da intervenção em saúde mental
implica uma perspetiva mais abrangente e compreensiva,
centrada na gestão permanente de diferentes riscos, nos
quais se inclui o risco de suicídio.12,13. No âmbito desta
revisão, a promoção da segurança deverá ser entendida de
acordo com os pressupostos da Classificação de
Intervenções de Enfermagem (Nursing Interventions
Classification - NIC)14. Nesta classificação, observa-se que o
domínio da promoção da segurança engloba as
intervenções de enfermagem que dão suporte à proteção
contra danos, incluindo a gestão do risco (intervenções para
reduzir um dado risco e monitorizá-lo ao longo do tempo)
e a gestão de crises (intervenções para prestar ajuda
imediata e a curto prazo). A intervenção Prevenção do
Suicídio (6340) engloba-se neste domínio. Os enfermeiros
encontram-se numa posição privilegiada para a prevenção
dos comportamentos suicidários na adolescência e
desempenham um papel fundamental na promoção da
segurança do adolescente.15 Garantir a segurança significa
assegurar o equilíbrio ou reconstituição do seu sistema,
evitando o suicídio como o resultado da presença de
comportamentos suicidários.
A presente revisão integrativa da literatura (RIL) teve como
objetivo identificar o conhecimento disponível sobre os
Nunes, I.
Artigo de Revisão
cuidados de enfermagem promotores da segurança nos
adolescentes com risco de comportamento suicidário e
analisá-lo à luz da perspetiva teórica sistémica de Betty
Neuman.
Métodos
A presente revisão da literatura foi realizada de acordo com
os pressupostos do referencial metodológico de
Whittemore e Knafl16, que engloba 5 etapas: a identificação
do problema; a pesquisa de literatura; a avaliação dos dados;
a análise dos dados e a apresentação das conclusões. Este
referencial foi selecionado por permitir a elaboração de
revisões da literatura abrangentes, incluindo fontes teóricas
e empíricas de diferentes metodologias, reproduzíveis e
rigorosas, no que respeita à avaliação da qualidade das
fontes e aos processos de análise.
Etapa 1 Identificação do Problema
Foi realizada uma pesquisa exploratória inicial por todos os
autores que conduziu à identificação da problemática do
suicídio na adolescência e à sua contextualização no âmbito
dos cuidados de enfermagem. Após a seleção do tema,
foram especificadas as variáveis da questão de pesquisa.
Definiu-se como População, os adolescentes, como
Conceito, o risco de comportamento suicidário e como
Contexto, os cuidados de enfermagem promotores de
segurança em qualquer contexto de cuidados. Foi definida
a questão de revisão: Quais os cuidados de enfermagem
promotores da segurança nos adolescentes com risco de
comportamento suicidário?
Etapa 2 Pesquisa da Literatura
A pesquisa foi realizada em abril de 2024, através da
plataforma EBSCO, para acesso a duas bases de dados:
Cumulative Index to Nursing e Allied Health Literature
(CINAHL) Ultimate e MEDLINE. A seleção destas bases
de dados teve por base a sua robustez e a potencial
abrangência para a identificação de resultados relevantes
para a questão de revisão. A estratégia de pesquisa foi
elaborada através dos termos CINAHL Subject Headings -
Adolescence, Suicide e Nursing - e MeSH Terms (Medical
Subject Headings) - Adolescent, Suicide, Nursing care e Nursing,
em conjugação com linguagem natural para estes termos.
Diretamente nas bases de dados, foram filtrados os artigos
resultantes da pesquisa por idioma (Português e Inglês) e
pelo espaço temporal de publicação (2014-2024). A opção
pela inclusão de artigos publicados nos últimos 10 anos teve
por base o número limitado de publicações dos últimos 5
anos. A estratégia de pesquisa pode ser consultada na
Tabela 1.
Tabela 1. Estratégia de Pesquisa
CINAHL Ultimate
MEDLINE
10-04-2024
12-04-2024
CH adolescence OR
TI/AB (adolescence OR
adolescent OR "teen
ager" OR "teen agers"
OR teenager* OR teen*
youth*)
AND
CH suicide OR TI/AB
(suicide OR suicidal)
AND
CH nursing OR TI/AB
(nurse* OR nursing* OR
"psychiatric nurs*”)
AND
TI/AB (intervention*
OR prevention OR
program* OR strateg*
OR trial )
MH Adolescent OR TI/AB
(Adolescent* OR Adolescence
OR Teen* OR Teenager* OR
Youth*)
AND
MH Suicide OR TI/AB (Suicide*
OR "Suicidal Ideation" OR
"Suicidal ideations" OR "Suicide
prevention" OR " Suicide
Awareness" OR "Suicide
Preventions" OR "Suicide
attempted" OR "Suicide attempt"
OR "Suicide attempts”)
AND
MH ("Nursing care" OR Nursing)
OR TI/AB ("Nursing care" OR
Nursing*)
Data de Publicação: 2014-2024
Idioma de Publicação: português ou inglês
Legenda CH (CINAHL Subject Headings); MH (Medical Subject Heading);
TI Título; AB Abstract; * Truncatura para pesquisa alargada de
palavras
Definiram-se os critérios de inclusão: artigos com ou sobre
adolescentes, que abordassem o risco de suicídio e
estratégias de segurança, em qualquer contexto. Optou-se
pela inclusão de artigos teóricos e de artigos empíricos, de
qualquer tipo de investigação, assim como revisões da
literatura. Estabeleceram-se ainda como critérios de
exclusão: todos os artigos que não abordassem
especificamente intervenções de enfermagem, artigos sobre
comportamentos autolesivos sem ideação suicida, estudos
de adaptação e validação de instrumentos, protocolos de
revisão da literatura ou de estudos experimentais e artigos
de opinião. Sempre que os estudos apresentavam amostras
compostas por adolescentes e participantes de outras faixas
etárias, estes foram incluídos quando era possível
analisar especificamente os resultados dos adolescentes ou
quando estes constituíam pelo menos 75% da amostra.
Da pesquisa realizada, foi identificado um total de 239
artigos. Após a exclusão de 43 artigos duplicados, com
recurso ao software Rayyan®, assumiu-se uma amostra de
196 artigos. Utilizando o software supracitado, os autores
procederam a um processo cego de seleção, através da
leitura do título e resumo. Dois investigadores leram, de
forma independente, o título/resumo de 98 artigos e os
outros dois realizaram o mesmo processo com os restantes
artigos. Os casos de discordância foram consensualizados
pelo sexto autor. No final deste processo, foram
identificados 33 artigos para leitura do texto integral. Foram
aceites 16 artigos, que constituem a amostra final desta
revisão. O processo de seleção encontra-se esquematizado
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
sob a forma de um diagrama PRISMA (Preferred Reporting
Items for Systematic Reviews and Meta Analyses), e pode
ser consultado na Figura 1.
Figura 1. Processo de Seleção - PRISMA flow diagram
Fonte: Adaptado de The PRISMA 2020 statement: an updated guideline
for reporting systematic reviews.
Etapa 3 Avaliação dos Dados
Os dados dos 16 artigos foram extraídos de acordo com as
variáveis definidas pelos autores: ano de publicação; país;
autores; objetivo do estudo; população/amostra; método
(tipo de estudo) e resultados (intervenções de enfermagem),
com recurso a uma tabela uniformizadora do processo para
todos os autores. Dada a diversidade de métodos dos
estudos incluídos, realizou-se a avaliação da qualidade dos
artigos com recurso aos critérios apresentados por
Whittemore e Knafl.16 Assim, utilizou-se uma escala de dois
pontos (1 - Pouco adequado e 2 - Muito adequado), para
classificar cada um dos artigos relativamente aos critérios
de Rigor Metodológico (RM) e Rigor Teórico (RT).
Relativamente ao RM, os artigos foram considerados
“muito adequado quando o protocolo era claro, composto
pela amostra do estudo, objetivo e método utilizado e
“pouco adequado quando esta organização não era
apresentada de forma explícita. Em relação ao RT, os
artigos foram considerados muito adequado quando
abordavam de forma objetiva intervenções de enfermagem,
e “pouco adequado quando apenas as abordavam de
forma indireta. Nenhum artigo foi excluído com base nesta
avaliação. A avaliação de cada artigo foi realizada e
consensualizada por dois elementos do grupo de autores.
Etapa 4 Análise dos Dados
A análise dos dados contempla a sua redução, visualização
comparação e verificação. Assim, foram identificados e
agrupados os artigos que apresentavam resultados
enquadráveis em dois grandes contextos de intervenção:
intervenções de enfermagem na comunidade e
intervenções de enfermagem nos serviços de saúde. Em
seguida, para cada um destes grupos procedeu-se à
categorização das intervenções de acordo com o seu nível
de prevenção (primária, secundária e terciária) e na sua
dimensão (intrapessoal, interpessoal e extrapessoal). Por
fim, os dados foram discutidos à luz do referencial teórico
de Betty Neuman, tendo em conta os seus conceitos
centrais. Para esta análise recorreu-se ainda ao confronto
com outras fontes científicas para encontrar semelhanças e
conflitos entre e dentro dos subgrupos.
Etapa 5 Apresentação das Conclusões
Tendo em conta as recomendações de Whittemore e
Knafl16, para que se privilegiem os recursos gráficos na
apresentação das conclusões, nesta etapa foi elaborada uma
tabela com a categorização das intervenções de
enfermagem identificadas na literatura, à luz do referencial
teórico selecionado.
Por se tratar de uma revisão da literatura, o presente estudo
não foi submetido a qualquer comité de apreciação ética.
No entanto, os autores verificaram a conformidade de
todos os estudos primários incluídos nos resultados, no que
respeita à garantia dos princípios e procedimentos éticos
necessários à investigação.
Resultados
Os resultados obtidos encontram-se sistematizados na
Tabela 2 e resultam da extração de dados de cada artigo,
tendo em conta as variáveis definidas pelos autores nas
etapas de avaliação e de análise dos dados.
Verifica-se que metade da amostra (8) corresponde a artigos
publicados nos últimos 5 anos e os restantes a publicações
dos últimos 5 a 10 anos. Metade dos artigos têm origem nos
Estados Unidos da América (8), tendo os restantes sido
realizados na Indonésia (2), Tailândia (2), Canadá (1),
Portugal (1), Suécia (1) e Reino Unido (1).
A maioria dos estudos resultam de investigação qualitativa
(7), e apenas 3 de investigação quantitativa. Identificaram-se
ainda duas revisões da literatura (uma revisão narrativa sobre
instrumentos de avaliação do risco de suicídio e uma revisão
scoping sobre o uso do Safety Plan) e 4 artigos teóricos.
Todos os artigos foram publicados em revistas de
enfermagem, sendo que seis foram publicados em revistas
específicas da área da saúde mental. De acordo com o
Scimago Journal Rank17, seis artigos foram publicados em
revistas científicas de quartil 2, sete em quartil 3, e duas em
quartil 4.
Nunes, I.
Artigo de Revisão
Dos artigos analisados, 7 incluíram amostras de
adolescentes. Outros estudos incluíram a comunidade
escolar (6), a comunidade em geral (1), e enfermeiros que
prestavam cuidados de enfermagem a adolescentes em
contexto escolar e serviços de psiquiatria (2). Os artigos
teóricos centram-se genericamente em adolescentes (2) e em
adolescentes no contexto de um acampamento de jovens
(1).
Relativamente ao risco de comportamento suicidário, cerca
de metade dos artigos (7) incidem sobre intervenções
promotoras de segurança, através da identificação precoce e
estratificação do risco de suicídio. Os restantes abordam
especificamente intervenções para quando o risco foi
identificado (8) e ainda sobre intervenções que podem ser
utilizadas independentemente de o risco ter sido ou não
identificado (1).
Os artigos apresentam uma grande variedade de
intervenções desenvolvidas no âmbito das instituições de
saúde, em particular de saúde mental, incluindo serviços de
internamento e ambulatório (em 7 artigos). Estas
intervenções são dirigidas aos adolescentes, mas também às
suas famílias, em particular os pais. Foram identificadas
intervenções como a avaliação do risco de
suicídio18,19,20,21,22,23, o desenvolvimento de uma relação
terapêutica que permita o desenvolvimento de insight e de
novos mecanismos de coping19,24,25, a elaboração de um
Safety Plan19,24,26,27 e a preparação da alta após o
internamento, através da articulação com os pais e a
escola.23,28
Identificam-se igualmente um conjunto de intervenções
desenvolvidas no âmbito comunitário (em 9 artigos),
destacando-se em vários artigos a intervenção no âmbito do
contexto escolar20,21,22,27,29,30,31, mas também em contextos
recreativos dos adolescentes32 e a própria comunidade a que
o adolescente pertence33.
Algumas intervenções transversais aos dois contextos
incluem a avaliação do risco de suicídio18,19,20,21,22,23, a
avaliação do estado mental22, o apoio emocional20,21,23,26, as
técnicas de âmbito cognitivo-comportamental e o aumento
da literacia de todos os envolvidos.22,25,26,27,29,33
Esta revisão identificou ainda a necessidade de formação
dos profissionais de saúde, nomeadamente dos
enfermeiros, como um fator essencial para que possam
promover a segurança nos adolescentes com risco de
suicídio.28
Tabela 2. Síntese dos resultados obtidos (n=16).
Ano e País
Autores
Objetivo
População/
Amostra
Método
Resultados
Avaliação
da
Qualidade
2015
Estados
Unidos da
América
Glodstein
Examinar a
prevenção e
educação
relacionada com o
suicídio na
adolescência em
acampamentos de
jovens. Sugerir
estratégias de
prevenção do
suicídio numa
comunidade de
campistas.
[O artigo reflete a
perspetiva de uma
enfermeira de
saúde mental e
psiquiátrica com
experiência em
acampamentos de
jovens]
Artigo Teórico
A autora do artigo propõe um modelo que inclui as
seguintes intervenções:
- 1 mês antes do acampamento: revisão de todas as
avaliações de saúde e formulários familiares, para
identificar e sensibilizar os adultos responsáveis para a
existência de adolescentes com problemas de saúde
mental, a tomar medicamentos psicotrópicos e/ou com
risco de suicídio;
- Durante a orientação: psicoeducação sobre o suicídio
para os adolescentes, pais e monitores, propondo-se a
visualização de um filme que relata a história de um
adolescente que se suicida para estimular a discussão
sobre o tema;
- Disponibilização de informação sobre a política de
segurança do acampamento, que inclui que qualquer
declaração ou gesto suicida deva ser levado a sério e exija
avaliação por profissionais qualificados e pernoita no
Serviço de Urgência. Até ser transportado para o
hospital, o adolescente deverá estar sob vigilância 1:1 por
um enfermeiro.
RM- 1
RT- 1
2 Pontos
2016
Estados
Unidos da
América
Matel-Anderson
e Bekhet
Explorar a
resiliência em
adolescentes que
sobreviveram a
uma tentativa de
suicídio, na
perspetiva de
enfermeiras de
saúde mental
9 enfermeiras de
saúde mental, com
idades entre os 22
e os 64 anos e
experiência entre
6 meses e 30 anos.
As enfermeiras
foram recrutadas
em dois serviços
de saúde mental e
psiquiatria, um
dedicado a
adolescentes entre
os 13 e os 17
Estudo qualitativo
descritivo.
Realizado um grupo
focal com a duração
de 2h. Foram
colocadas 7
questões, inseridas
nos temas: fatores
de risco para o
suicídio, fatores de
proteção e
intervenções de
enfermagem.
- Apoio emocional;
- Promoção da expressão de sentimentos
- Apreciação precoce do risco de suicídio em todos os
locais de prestação de cuidados (não apenas nos serviços
psiquiátricos);
- Redução do estigma nas escolas e na comunidade;
- Preparação para a alta (reconhecimento da evolução do
adolescente ao longo do internamento de modo que este
reconheça também a sua capacidade no momento de
alta);
- Manutenção do contacto após a alta;
- Disponibilização de linhas de apoio na comunidade.
RM- 2
RT- 2
4 Pontos
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
anos, e outro com
crianças e jovens
dos 5 e aos 18
anos.
2016
Canadá
Patterson
Apresentar e
discutir os
instrumentos de
avaliação do risco
de suicídio para a
população jovem.
Artigos sobre
vários
instrumentos de
avaliação do risco
de suicídio
Revisão narrativa da
literatura
Os instrumentos de avaliação identificados foram:
- Beck Scale for Suicidal Ideation
- Columbia Suicide Severity Rating Scale”
- Modified Scale for Suicide Ideation”
- Reasons for Living Inventory”
- Sad Persons Scale”
- Suicidal Behaviours Questionnaire”
- Suicide Probability Scale”
- Tool for Assessment of Suicide Risk”.
Existe pouca evidência disponível sobre os instrumentos
de triagem que identificam adequadamente os jovens em
risco de suicídio.
RM- 1
RT- 1
2
-
2016
Estados
Unidos da
América
Ramirez
Explorar as teorias
explicativas do
suicídio em grupos
vulneráveis
crianças,
adolescentes e
idosos e analisar as
responsabilidades
dos enfermeiros
na prevenção,
avaliação e
tratamento de
pessoas em risco
de suicídio.
-
Artigo Teórico
- Avaliação e reconhecimento dos fatores de risco e de
proteção dos adolescentes;
- Construção de uma relação terapêutica, com base na
confiança, respeito, compreensão e responsabilidade;
- Mobilização de técnicas de comunicação, abordando o
adolescente com empatia;
- Promoção de esperança;
- Apoio no reconhecimento de situações stressantes que
podem ser um gatilho para pensamentos suicidas e
incentivo à partilha destes pensamentos;
- Ensino sobre estratégias de coping eficazes e novas
formas de gerir as emoções;
- Promoção de tomadas de decisão simples;
- Disponibilização de informação aos adolescentes e às
famílias sobre doenças mentais, controlo de sintomas,
sinais de alarme e estigma;
- Disponibilização de uma lista de recursos no momento
da alta (linha de emergência 24h e instruções sobre o que
fazer em situação de crise);
- Garantia da vigilância nos momentos de alto risco
(admissão no internamento, troca de turno,
transferências para outras unidades, alta e receção de más
notícias).
RM- 1
RT- 2
3 Pontos
2017
Estados
Unidos da
América
Morgan
Discutir as
especificidades do
risco de suicídio
em adolescentes
do ensino
secundário que
foram adotados.
[Adolescentes do
ensino secundário
que foram
adotados]
Artigo Teórico
- Apreciação do risco de suicídio na escola;
- Avaliação do estado mental do adolescente quando o
risco de suicídio é identificado;
- Referenciação para profissionais especializados;
- Implementação de programas de prevenção do suicídio
(por exemplo, o Programa de prevenção - SOS);
- Educação para a saúde sobre o suicídio (sinais de risco)
a pais, professores e alunos.
RM- 1
RT- 2
3 Pontos
2018
Estados
Unidos da
América
Roberts, Taylor
e Pyle
Explicitar uma
visão do suicídio
como problema de
saúde pública, os
desafios atuais dos
alunos e o papel
do enfermeiro
escolar na
prevenção do
suicídio.
Descrever um
programa
educativo de
prevenção do
suicídio, a ser
implementado
como um projeto
de base
comunitária num
grande distrito
escolar público
Comunidade
escolar de um
distrito suburbano
do Texas
(incluindo
enfermeiros de
saúde escolar,
professores,
funcionários,
alunos e famílias)
Artigo Teórico
- Envolvimento dos enfermeiros escolares em conversas
francas e produtivas sobre preocupações relacionadas
com o suicídio com os pais e as famílias dos alunos;
- Promoção do conhecimento da comunidade escolar
sobre a prevenção do suicídio;
- Avaliação dos sinais de alerta para o suicídio: ideação
suicida, isolamento, plano de suicídio expresso, agitação
ou ansiedade aguda e outras mudanças comportamentais
repentinas e significativas
- Avaliação e desenvolvimento de um plano de cuidados
individualizado (Safety Plan)
- Intervenção em crise.
RM- 1
RT- 2
3 Pontos
Nunes, I.
Artigo de Revisão
suburbano do
Texas.
2018
Tailândia
Chaniang,
Fongkaew,
Stone,
Sethabouppha,
Lirtmunlikaporn
e Schepp
Averiguar a
perceção dos
adolescentes, dos
professores e dos
pais sobre as
causas e prevenção
do suicídio
Participantes
foram recrutados
numa escola
pública da
Tailândia: 40
adolescentes que
frequentavam o
ensino secundário;
4 mães de alunos
pertencentes ao
grupo de
adolescentes e 3
professoras com
experiência com
estudantes com
risco de suicídio.
Estudo qualitativo
descritivo.
Os 40 adolescentes
foram separados em
grupos de 10
participantes e foi
realizada uma
entrevista com
duração de cerca de
60 minutos. Os pais
e professores
também
participaram em
entrevistas
aprofundadas com a
mesma duração.
- Estratégias universais: educação para a saúde sobre o
suicídio; consciencialização para o suicídio; e
desenvolvimento de competências de combate ao
suicídio.
- Estratégias seletivas: apreciação do risco de suicídio;
treino dos adultos (professores e pais) para a
compreensão e atuação junto do adolescente com risco
de suicídio; promoção do apoio entre pares.
- Estratégias indicadas (em jovens com pensamentos e
comportamentos suicidas identificados).
RM- 2
RT- 2
4 Pontos
2018
Tailândia
Chaniang,
Fongkaew,
Stone,
Sethabouppha e
Lirtmunlikaporn
Relatar o
desenvolvimento e
implementação de
um programa
piloto para a
prevenção do
suicídio
Participantes de
uma escola
suburbana na
Tailândia: 12
adolescentes
(Core Working
Group - CWG),
165 estudantes da
escola, 113 pais e
60 professores.
Estudo qualitativo.
O estudo principal
ocorreu em 3
momentos: 1-
análise da situação;
2° colaboração com
o CWG para a
implementação do
programa,
personalizando-o
para o contexto; 3°
avaliação do
programa. O artigo
foca-se nos
momentos 2 e 3.
O artigo apresenta um programa de prevenção do
suicídio que inclui as seguintes intervenções:
- Avaliação do conhecimento sobre o suicídio;
- Promoção da partilha de experiências e mediação da
discussão sobre as mesmas;
- Estimulação e apoio na identificação de estratégias de
resolução de problemas (associados à prevenção do
suicídio);
- Intervenção educacional para os pais sobre: o
desenvolvimento do adolescente, os estilos parentais, a
comunicação com o adolescente e a gestão das
expectativas;
- Intervenção educacional para os adolescentes, pais e
professores, com recurso a jogos, role-playing e vídeos;
RM- 2
RT- 2
4 Pontos
2019
Indonésia
Nasution, Keliat
e Wardani
Determinar os
efeitos da Terapia
Cognitivo-
Comportamental
(TCC) e Liderança
de Pares (LP) na
ideação suicida em
adolescentes do
ensino secundário.
Adolescentes
(n=86) de uma
escola secundária.
Foram divididos
aleatoriamente em
2 grupos. Grupo 1
recebeu TCC e
LP. Grupo 2
recebeu
abordagem
habitual dos
enfermeiros de
saúde mental.
Estudo quantitativo
quasi-experimental
com avaliação pré e
pós teste
- Combinação de TCC e LP.
A intervenção permitiu diminuir a ideação suicida,
depressão, ansiedade e tentativas de suicídio nos
adolescentes deprimidos.
RM- 2
pontos
RT- 1
ponto
3 Pontos
2019
Estados
Unidos da
América
Kim, Walsh,
Pike e
Thompson
Averiguar se o
cyberbullying e a
vitimização do
cyberbullying
aumentam o risco
de suicídio;
Avaliar o papel da
conectividade
escolar sobre o
cyberbullying e
sobre risco de
suicídio.
93 adolescentes
(61 do sexo
masculino), com
idade média de 15
anos.
Estudo quantitativo
longitudinal.
Utilizados os dados
de um programa de
prevenção do
bullying para
estudantes do
ensino médio, que
tiveram um
seguimento durante
2,5 anos.
- Facilitação da conexão entre estudantes, professores e
outros funcionários do ambiente escolar;
- Apoio emocional;
- Avaliação do risco de suicídio, quer da vítima quer do
agressor por cyberbullying;
- Intervenção em comportamentos e situações
relacionadas com o bullying.
RM- 2
RT- 1
3 Pontos
2019
Indonésia
Wulandari,
Keliat e
Mustikasari
Determinar o
efeito da formação
em liderança por
pares na ideação
suicida de
adolescentes do
ensino secundário
43 adolescentes,
com idades
compreendidas
entre os 15 e os
18 anos,
recrutados numa
escola secundária
na Indonésia.
Estudo quantitativo
quasi-experimental
com pré e pós teste,
sem grupo controlo.
Foi implementada
uma intervenção
sob a forma de
sessões de formação
sobre liderança
entre pares. As
avaliações foram
- Formação em liderança entre pares
A intervenção reduziu a ideação suicida dos
adolescentes.
RM- 2
RT- 1
3 Pontos
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
efetuadas antes e
após a intervenção
(3 semanas) -
utilizando a Escala
de Beck para a
Ideação Suicida.
2020
Portugal
Simões, Santos
e Martinho
Identificar os
fatores protetores
dos
comportamentos
suicidários
recorrentes nos
adolescentes;
reconhecer os
aspetos mais
importantes do
internamento; e
discutir as
expectativas de
acompanhamento
dos cuidados de
enfermagem após
a alta hospitalar.
Adolescentes
(n=33) com
idades entre os
10-19 anos, com
comportamento
suicida, com
história de
internamento
numa unidade
psiquiátrica
infantil
Estudo qualitativo
descritivo
exploratório. Dados
recolhidos por
entrevistas
semiestruturadas e
realizada análise de
conteúdo.
- Fatores protetores do comportamento suicida
recorrente: a família, os amigos e outras pessoas de
confiança, bem como as estratégias aprendidas no
internamento;
- Aspetos importantes durante o internamento: apoio
psicológico, profissionais de saúde, atividades
ocupacionais, intervenções terapêuticas individuais
e melhoria de aspetos relacionados com o ambiente
(mais tempo de visitas e mais privacidade);
- Expetativas de acompanhamento após o internamento:
manter o contacto com os enfermeiros após a alta
hospitalar.
RM- 2
RT-2
4 Pontos
2020
Suécia
Omerov,
Kneck,
Karlsson,
Cronqvist e
Bullington
Compreender a
forma como os
enfermeiros de
serviços de
ambulatório de
psiquiatria
perspetivam a
forma como
contribuem para a
prevenção do
suicídio de jovens
com
comportamentos
suicidários
6 enfermeiros
recrutados em
serviços
ambulatórios de
psiquiatria e
especialistas em
prevenção de
suicídio
Estudo qualitativo.
Realizadas
entrevistas
semiestruturadas.
- Conhecimento sobre os sinais de alarme;
- Presença e utilização de uma abordagem empática;
- Construção de uma relação de confiança com o
adolescente, ouvindo atentamente e valorizando o que é
transmitido, deixando-o falar sem interromper ou
questionar, assegurando-lhe que não está sozinho e sem
normalizar as suas dificuldades;
- Utilização do contacto físico e de palavras
reconfortantes;
- Estabelecimento de uma parceria com o adolescente,
como “dois especialistas”, desenvolvendo trabalho em
conjunto na identificação dos gatilhos para os
comportamentos suicidários e na formulação de um
Safety Plan);
- Criação de abertura para o desenvolvimento de novas
formas de pensamento;
- Apoio na resolução de problemas, assistindo no
desenvolvimento de estratégias de coping;
- Apoio na análise dos benefícios de escolher a vida.
RM- 2
RT- 2
4 Pontos
2020
Estados
Unidos da
América
Polacek e
Delaney
Relatar e discutir
uma iniciativa
comunitária local
elaborada pelo
primeiro autor
(enfermeiro),
desenvolvida no
âmbito do desafio
nacional para a
redução do
suicídio na
adolescência.
Comunidade no
estado do Oregon,
Estados Unidos
da América
Estudo de Caso
A iniciativa adotou um modelo de participação
comunitária destinado a reforçar as capacidades da
comunidade e incluiu estratégias como:
- Aumento do conhecimento sobre o risco de suicídio
dos jovens;
- Formação de pessoas para serem guardiões do
suicídio;
- Sensibilização do público e dos profissionais para o
impacto das experiências adversas na infância;
- Redução do estigma para encorajar comportamentos de
procura de ajuda.
RM-1
RT- 1
2 Pontos
2022
Estados
Unidos da
América
Bradley e Toole
Discutir e avaliar
os sinais de risco,
os instrumentos e
a intervenção de
enfermagem no
âmbito do risco de
suicídio num
adolescente com
depressão
1 adolescente com
15 anos de idade,
com
comportamentos
autolesivos e
depressão
Estudo de Caso
- Utilização de instrumentos de triagem e questões sobre
depressão, pensamentos suicidas e outros fatores de
risco associados ao suicídio em consultas de rotina (para
obtenção de histórico e acompanhamento)
- Garantia de um acompanhamento próximo e
interprofissional;
- Abordagem das preocupações do adolescente de forma
aberta e honesta, ouvindo-o atentamente e expressando
compaixão e empatia;
- Identificação de estratégias de coping com o
adolescente;
- Elaboração de um Safety Plan individualizado;
- Ensino sobre a eliminação dos meios letais em casa;
- Listagem de recursos úteis os enfermeiros devem
estar familiarizados com os recursos locais, regionais e
RM- 1
RT- 2
3 Pontos
Nunes, I.
Artigo de Revisão
nacionais de prevenção do suicídio para adolescentes,
como linhas diretas de crise, centros comunitários de
saúde mental e equipas comunitárias de intervenção em
crise;
- Envolvimento de uma equipa multidisciplinar centrada
no adolescente, com equipas de atendimento
comunitário, para garantir uma coordenação eficaz dos
cuidados.
2022
Reino Unido
Abbott-Smith,
Ring, Dougall e
Davey
Sintetizar a
evidência
disponível sobre a
eficácia do Safety
Plan para crianças
e adolescentes
com ideação
suicida e
identificar
recomendações de
boas práticas
Artigos de estudos
com crianças e
jovens com idades
até aos 18 anos,
com ideação
suicida
Revisão Scoping da
Literatura
Sete elementos-chave devem ser incluídos no Safety Plan
para os adolescentes:
- Sinais de alarme que indicam que uma crise pode estar
a começar;
- Estratégias de coping que podem ser utilizadas para
afastar pensamentos;
- tios e pessoas que podem ajudar na distração de
pensamentos suicidas;
- Pessoas que podem ser contactadas durante uma crise;
- Profissionais de saúde mental e os horários em que
podem ser contactados, bem como números de
emergência que devem ser utilizados em caso de crise;
- Remoção do meio ambiente de potenciais meios de
suicídio;
- Razões importantes para viver.
O envolvimento dos pais/cuidadores é uma
componente chave do Safety Plan. Os enfermeiros devem
garantir:
- Partilha do safety plan com os pais e incentivo ao seu uso
- Psicoeducação sobre sinais de alerta e o que fazer
durante uma crise
- Apoio no desenvolvimento da sua própria rede de
apoio e na identificação de pessoas que possam contactar
em emergência;
- Ensino e incentivo à supervisão e monitorização.
RM- 1
RT- 2
3 Pontos
Legenda: TCC - Terapia Cognitivo-Comportamental; LP Liderança de Pares; RM Rigor Metodológico; RT Rigor Teórico
Discussão
A diversidade de intervenções identificadas nesta RIL
permite compreender a relevância dos enfermeiros na
prevenção dos comportamentos suicidários e a
transversalidade da sua intervenção nos vários contextos
onde cuidam de adolescentes.
Os resultados contemplam dois grandes contextos de
intervenção com adolescentes com risco de suicídio: a
comunidade e os serviços de saúde. Incluímos na categoria
Intervenções na Comunidade” os artigos que abordavam
o adolescente no seu contexto social (bairro, cidade, país),
no ambiente familiar, na escola ou noutros contextos
recreativos. Na categoria Intervenções nos Serviços de
Saúde” incluímos todos os artigos que se referiam aos
serviços de saúde, desde os cuidados de saúde primários aos
serviços especializados de saúde mental (incluindo os
serviços de urgência, de ambulatório e de internamento).
Apesar dos cuidados de saúde primários poderem,
naturalmente, englobar qualquer uma das categorias, tendo
em conta a sua localização geográfica em estruturas
comunitárias, optou-se por incluir os artigos sobre os
cuidados de saúde primários nos serviços de saúde por se
ter considerado que esta categoria refletia de forma mais
específica a abordagem do adolescente no contexto formal
de um serviço de saúde, como, por exemplo, nas consultas
de vigilância de saúde do adolescente. Alguns dos artigos
também apresentam intervenções relativas à articulação
entre estes contextos, por exemplo, após a alta dos serviços
de saúde, com o objetivo de capacitar os pais para a
vigilância e suporte dos adolescentes19,25,26 ou de melhorar
a articulação com os enfermeiros nos contextos escolares.27
A análise dos dados à luz do referencial teórico de Betty
Neuman permitiu a identificação de intervenções de
enfermagem enquadráveis nos três níveis de prevenção
primária, secundária e terciária. Assumimos como
intervenções no âmbito da prevenção primária, aquelas que
capacitam o adolescente para a gestão das dificuldades e
emoções negativas, nomeadamente através do reforço dos
seus fatores de proteção, de modo a evitar que os
comportamentos suicidários (na forma de ideação ou de
tentativa de suicídio) possam emergir e promovendo a
reconhecimento da necessidade de pedir ajuda. A
prevenção secundária pretende atuar após uma resposta ao
stressor, cuja ação ainda não ultrapassou todas as linhas de
defesa do cliente. Assim, este nível engloba as intervenções
para os adolescentes com comportamentos suicidários e,
consequentemente, com risco de suicídio, que precisam de
uma abordagem precoce (incluindo, muitas vezes, a
intervenção em crise), que aumente a sua resiliência e os
ajude na gestão dos stressores e na autorregulação de
acontecimentos negativos. Por fim, a prevenção terciária
corresponde às intervenções que, após a crise, visam a
integração e manutenção de novos comportamentos que
ajudem a garantir a segurança e a prevenir recaídas. De
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
acordo com o modelo de sistemas2, as intervenções de
enfermagem podem ser enquadradas simultaneamente em
diferentes níveis de prevenção.
Os resultados da análise realizada podem ser consultados
na Tabela 3.
Tabela 3. Análise dos resultados, de acordo com o Modelo de Sistemas de Betty Neuman
Intervenções nos Serviços de Saúde
Prevenção Primária
Prevenção Secundária
Prevenção Terciária
Intrapessoal
- Avaliar o risco de suicídio com
recurso a instrumentos de avaliação18 e
questões associadas ao risco de
suicídio19, em todos os contextos de
cuidados, incluindo consultas de
rotina.23
- Estabelecer uma relação terapêutica
com o adolescente, assumindo uma
postura disponível e abordando as suas
preocupações de forma aberta e
honesta.19,24,25
- Identificar fatores de risco
(stressores) e de proteção (fatores de
reconstituição).25
- Ensinar sobre os recursos locais de
saúde mental e linhas de apoio.19
- Avaliar o risco de suicídio com recurso a instrumentos de
avaliação.18
Identificar os sinais de alarme.24,25
- Disponibilizar apoio emocional.23
- Estabelecer uma comunicação empática, ouvindo
atentamente.24,25
- Utilizar o toque terapêutico.24
- Assistir na identificação de gatilhos para os
comportamentos suicidários.25
- Apoiar no desenvolvimento de estratégias de coping
adaptativas.19,24,25
- Ensinar sobre os recursos locais de saúde mental e linhas de
apoio.19
- Garantir a vigilância, com especial atenção nos momentos
de alto risco (admissão, troca de turno, transferências e alta).25
- Elaborar um
Safety Plan
.19
-Avaliar o risco de suicídio com recurso a
instrumentos de avaliação.18
- Manter contacto após a alta.23,28
- Elaborar um
Safety Plan
.19,24
Interpessoal
-
- Incentivar a vigilância dos pais para os comportamentos
suicidários (incluindo a restrição de acesso a meios letais).19
- Desenvolver intervenções psicoeducativas com a família
e o adolescente em contexto de internamento.28
- Aumentar o tempo de permanência dos familiares nos
serviços durante o período de visita.28
- Implementar atividades terapêuticas individualizadas.28
- Promover o envolvimento dos pais na utilização
do Safety Plan.26
- Incentivar a vigilância dos pais para os
comportamentos suicidários (incluindo a restrição de
acesso a meios letais).26
- Preparar a alta.23
- Promover a literacia em saúde mental dos pais
(sinais de alarme e o que fazer perante uma crise).25,26
- Informar sobre os recursos locais de saúde mental
e linhas de apoio.19,23,25
- Ajudar a desenvolver uma rede de apoio.26
Intervenções na Comunidade
Prevenção Primária
Prevenção Secundária
Prevenção Terciária
Intrapessoal
- Avaliar o conhecimento do adolescente sobre o suicídio.31
- Promover a literacia em saúde mental do adolescente, em particular sobre o suicídio
e a sua prevenção.22,27,31,33
- Avaliar o risco de suicídio na escola.20,21,22
- Avaliar o histórico clínico do adolescente.32
- Disponibilizar apoio emocional.20
- Assistir na identificação de estratégias de resolução de problemas (prevenção).21
- Identificar os sinais de alarme.27
- Realizar uma avaliação do estado
mental quando o risco de suicídio é
identificado.22
-
Interpessoal
- Promover a literacia em saúde mental dos pais e professores, em particular sobre
o suicídio e a sua prevenção.22,27,31
- Envolver os pais e professores na prevenção do suicídio.27
- Desenvolver intervenções direcionadas aos pais e professores, para que estes
constituam uma rede de apoio efetiva para o adolescente.31
- Facilitar a conexão entre os adolescentes, os professores e os restantes funcionários
da escola.20
- Intervir em situações de bullying
.
Avaliar o risco de suicídio da vítima de bullying, mas
também do agressor e disponibilizar apoio emocional em situações de bullying.20
- Encorajar a partilha de experiências entre o grupo de pares, promovendo o apoio
entre adolescentes.31
- Realizar formação sobre liderança entre pares nas turmas.30
- Implementar intervenções grupais
com recurso à terapia cognitiva-
comportamental e liderança de
pares para reduzir a ideação suicida.29
- Envolver o enfermeiro do contexto
escolar no plano de cuidados e na
criação de um
Safety Plan
.27
- Referenciar para profissionais
especializados.22
- Envolver o enfermeiro do
contexto escolar no plano
de cuidados e na criação de
um
Safety Plan
.27
Extrapessoal
- Reduzir o estigma associado ao suicídio, nas escolas e nas comunidades.23,33
- Promover comportamentos de procura de ajuda.33
- Implementar programas comunitários de prevenção do suicídio.22,31
-
-
Intervenções nos Serviços de Saúde
As intervenções de enfermagem desenvolvidas nos serviços
de saúde têm um maior enfoque na prevenção secundária e
terciária, tendo em conta que a maioria dos contactos dos
adolescentes com risco de comportamento suicidário com
os serviços de saúde ocorre após o desenvolvimento de
Nunes, I.
Artigo de Revisão
uma resposta aos fatores de stress. De acordo com
Teixeira34, os principais motivos que levam os adolescentes
a recorrer aos serviços de urgência são justamente as
situações agudas, incluindo as alterações do
comportamento, as intoxicações voluntárias e as tentativas
de suicídio. As intervenções nos serviços de saúde focam-
se ainda, maioritariamente, na dimensão intrapessoal
(centrada no adolescente) e na dimensão interpessoal
(centrada, sobretudo, nas relações que o adolescente
estabelece com os pais), não tendo sido identificadas
intervenções a nível extrapessoal, o que ilustra a
necessidade de os serviços de saúde expandirem a sua ação
para um nível comunitário mais abrangente.
Ao nível da prevenção primária foram identificadas apenas
intervenções na dimensão intrapessoal, centradas na
promoção do conhecimento do adolescente sobre os
recursos disponíveis, na identificação precoce de fatores de
risco e de proteção e na avaliação do risco de suicídio,
inclusivamente em consultas de rotina, no âmbito da
vigilância de saúde do adolescente. A importância destas
intervenções consta no Plano Nacional de Prevenção do
Suicídio (PNPS)7 e reforça a importância de os enfermeiros
promoverem a saúde integral do adolescente, minimizando
o seu contacto com potenciais stressores e reforçando os
seus fatores de reconstituição. À luz da perspetiva teórica
de Betty Neuman, compreende-se que a saúde resulta de
um equilíbrio dinâmico, dependente a cada momento da
interação complexa entre as variáveis psicológica,
fisiológica, do desenvolvimento, espiritual e sociocultural.2
Os enfermeiros nos cuidados de saúde primários têm, por
isso, um papel central na promoção da saúde integral do
adolescente, reforçando os seus fatores de proteção através
da promoção de estilos de vida saudáveis, do
fortalecimento do seu conhecimento sobre desafios
associados à fase do desenvolvimento (por exemplo, os
comportamentos sexuais de risco ou o uso de substâncias)
ou da promoção de relações sociais e familiares positivas. 35
A prevenção secundária assume um papel de destaque nos
serviços de saúde, tendo os dados sido maioritariamente
obtidos em serviços de saúde mental, em ambulatório e
internamento. Na dimensão intrapessoal os resultados
sugerem a importância das intervenções centradas na
avaliação do risco de suicídio e na identificação dos
comportamentos suicidários. Incluem ainda a construção
de uma relação terapêutica entre o enfermeiro e o
adolescente, através da qual se possa capacitar o mesmo
para a identificação e gestão dos gatilhos e para o
desenvolvimento de mecanismos de coping adequados.
Também a NIC14 refere a necessidade de envolver o
adolescente no seu próprio projeto terapêutico e o ensino
sobre estratégias de coping. Para o estabelecimento da
relação de confiança enfermeiro-adolescente é importante
que o enfermeiro valorize os sentimentos e emoções do
mesmo. A interação em intervalos regulares permite um
conjunto de oportunidades para exprimir sentimentos e
emoções e transmitir carinho e abertura. Abordar o tema
do suicídio abertamente e sem julgamento permite ao
adolescente expressar no presente o que sente e
proporcionar um momento de partilha para discutir
conhecimentos, significados, medos e averiguar a gravidade
de sinais e sintomas associados aos comportamentos
suicidários (ideação suicida, plano e tentativas anteriores)14.
Os resultados ao nível da prevenção secundária apontam
ainda para a importância da elaboração conjunta de um
Safety Plan. Este consiste num recurso escrito, muitas vezes
sob a forma de lista, que é realizada pelo adolescente em
conjunto com o profissional de saúde, e que inclui um
conjunto de estratégias de coping e de recursos aos quais o
adolescente poderá recorrer numa situação de crise.36
Por fim, no que respeita à prevenção terciária, foram
identificadas intervenções dirigidas ao período após o
contacto com os serviços de saúde (em particular, após a
alta do internamento) e centradas na promoção da
reabilitação e reintegração do adolescente na sociedade. Na
dimensão intrapessoal, as intervenções incluem a
manutenção do contacto com o adolescente após a alta para
uma avaliação regular do risco de suicídio e para a
monitorização do Safety Plan. Na dimensão interpessoal
identificaram-se intervenções sobretudo centradas nos pais,
nomeadamente a promoção da literacia em saúde mental, o
seu envolvimento e incentivo à vigilância do adolescente e
a criação de uma rede de apoio segura. Também na NIC14,
a intervenção de prevenção do suicídio contempla a
necessidade de envolvimento dos pais no planeamento da
alta, realizando ensinos sobre a doença, a terapêutica
farmacológica e os recursos disponíveis na comunidade.
Como intervenções transversais a todos os níveis de
prevenção, identificou-se: o estabelecimento de uma
relação terapêutica recorrendo a uma comunicação
empática e ao apoio emocional, o ensino sobre os recursos
locais de saúde mental e linhas de apoio e a avaliação do
risco de suicídio. De acordo com a NIC14 o risco de suicídio
deve ser avaliado de forma contínua e regular, ponderando
a existência de um plano e a disponibilidade de meios para
a sua concretização. É também é importante observar
mudanças no humor ou comportamentos que possam
indicar um aumento do risco de suicídio. Foram ainda
identificadas duas intervenções transversais à prevenção
secundária e terciária, sendo estas a elaboração e
monitorização de um Safety Plan e a promoção da literacia
em saúde mental dos adolescentes e dos seus pais.
A NIC14 contempla maioritariamente na intervenção
“Prevenir o Suicídio” atividades direcionadas à intervenção
em contexto de internamento. Várias dessas atividades não
foram encontradas nos artigos incluídos nesta revisão, mas
apesar da ausência de suporte empírico pelos dados desta
RIL, consideramos importante referi-las. Alguns exemplos
incluem intervenções relacionadas com a terapêutica
farmacológica (administração, supervisão da toma,
vigilância de efeitos secundários e terapêuticos) e com a
segurança do ambiente (como a limitação do acesso a
janelas, a aplicação de restrições físicas e de área, e a
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
vigilância frequente). No âmbito da segurança, a NIC14
refere igualmente a importância da restrição a objetos
potencialmente letais (como os objetos cortantes e as
cordas). Esta intervenção é referida no estudo de Bradley e
Toole19 incluído nesta revisão, mas apenas dirigida ao
contexto familiar. No entanto, trata-se de uma medida
igualmente importante para garantir a segurança dos
adolescentes nos serviços de saúde.
Intervenções na Comunidade
Ao contrário do que se verificou nos resultados sobre a
intervenção nos serviços de saúde, as intervenções de
enfermagem desenvolvidas na comunidade enquadram-se
maioritariamente no âmbito da prevenção primária. Este
dado resulta do facto de muitas das intervenções
identificadas serem desenvolvidas junto dos adolescentes,
na escola, com os seus grupos de pares, as famílias e os
professores, antes dos stressores afetarem o sistema ou
quando não é possível minimizando o seu contacto com
potenciais stressores A prevenção primária permite, não só
intervir na promoção da saúde (competências e recursos
que aumentam a resiliência), mas também na prevenção
atempada da doença, junto daqueles que apresentam
vulnerabilidades específicas37, como é o caso dos que
impõem ou são vítimas de bullying no contexto escolar.20
Ao nível de prevenção primária foram identificadas
intervenções nas três dimensões. Na dimensão intrapessoal
surgiram intervenções relacionadas com a avaliação do
risco de suicídio20,21,22, do histórico clínico do adolescente32
e do seu conhecimento sobre o suicídio.31 Surgiram
também intervenções relacionadas com a sua capacitação,
através da promoção da literacia em saúde e da
identificação de estratégias de resolução de problemas, para
prevenção ao comportamento suicidário.21,22,27,31,33 A
dimensão interpessoal incluiu, não intervenções
direcionadas aos pais, mas também aos professores,
funcionários da escola e grupo de pares, envolvendo-os no
processo de proteção do adolescente, através da promoção
da literacia, da facilitação das relações e da partilha de
experiências.20,22,27,30,31 Estas intervenções estão em
concordância com o preconizado no Plano Nacional de
Prevenção do Suicídio português7, que defende a
necessidade de uma relação de apoio entre os diversos
ambientes que envolvem o adolescente como forma de
promover a sua segurança e garantir uma rede de apoio à
qual possa recorrer. Ao contrário do verificado para os
serviços de saúde, na comunidade as intervenções
englobaram também o ambiente extrapessoal do
adolescente, apelando a uma intervenção mais abrangente
do enfermeiro na prevenção do suicídio, que tenha em
conta, por exemplo, o desenvolvimento de programas
comunitários22,31, o contributo para a redução do estigma
na sociedade23,33 e a promoção de comportamentos de
procura de ajuda.33 Estas intervenções estão também em
linha com as recomendações do PNPS7 que apela à
necessidade de consciencializar a população sobre o
suicídio e os comportamentos suicidários. Também a
NIC14 contempla na intervenção Prevenir o Suicídio, a
implementação de programas comunitários.
Ao nível da prevenção secundária, identificaram-se
intervenções nas dimensões intrapessoal e interpessoal (em
particular, com os grupos de pares). Os resultados apontam
a necessidade de o enfermeiro intervir ao nível intrapessoal
através da identificação dos sinais de alarme e da avaliação
do estado mental dos adolescentes com risco de suicídio já
identificado.22,27 Já no que respeita à dimensão interpessoal,
os resultados sugerem a implementação de intervenções
grupais com adolescentes com sintomatologia depressiva e
ideação suicida, com recurso técnicas da terapia cognitivo-
comportamental e a liderança de pares29, bem como a
referenciação para profissionais especializados.22 Estas
intervenções são essenciais para permitir prevenir os
comportamentos suicidários na escola, através do
reconhecimento e intervenção precoce.
Tendo em conta que mais de 20% dos adolescentes
apresentam sintomatologia depressiva11 e que a maioria dos
adolescentes passa a maior parte do seu dia no contexto
escolar, é essencial o envolvimento do enfermeiro de saúde
escolar no acompanhamento destes adolescentes.38 Os
dados apontam a importância destes enfermeiros na
elaboração de um Safety Plan27, mas também no seu
acompanhamento e monitorização quando, por exemplo, o
adolescente regressa à escola após uma crise.27
Apesar de não ser um dado enquadrável no objetivo
específico definido para esta revisão, os resultados obtidos
sugerem ainda a necessidade de investimento na formação
dos enfermeiros. Alguns artigos apontam a necessidade de
os profissionais de saúde, nomeadamente os enfermeiros,
melhorarem as suas práticas, através da realização de
formação específica sobre os comportamentos
suicidários.28 De acordo com a DGS7, os enfermeiros que
cuidam de adolescentes nos cuidados de saúde primários
ainda apresentam competências limitadas para abordar e
intervir em questões relacionadas com a doença mental e o
suicídio. Esta dificuldade resulta, provavelmente, de um
défice de conhecimento sobre a melhor forma de abordar
o tema do suicídio, o medo relacionado com o sentimento
de incompetência para lidar com estes casos e a falta de
conhecimento, não sobre os recursos e infraestruturas
disponíveis, mas também sobre o funcionamento da rede
de cuidados e de referenciações no que respeita
especificamente à área da saúde mental.7 É, no entanto,
ainda necessário reduzir o estigma nas equipas de saúde não
especializadas na área da saúde mental e psiquiátrica, para
que os profissionais de saúde estejam disponíveis para a
aprendizagem sobre esta área de intervenção.39
Por fim, os resultados apontam para a necessidade de a
intervenção de enfermagem ser desenvolvida em contexto
multidisciplinar, como uma estratégia essencial para uma
intervenção eficaz no risco de suicídio dos adolescentes.19
Nunes, I.
Artigo de Revisão
Em síntese, os enfermeiros estão presentes em diferentes
contextos que permitem a intervenção na prevenção
primária, secundária e terciária do suicídio, através da
identificação dos diferentes stressores que podem interferir
no bem-estar e afetar a saúde do adolescente. Através do
conhecimento que detêm sobre os fatores que ameaçam e
protegem o adolescente, os enfermeiros intervêm para que
o sistema do adolescente se reconstitua, evitando o
contacto com os stressores e/ou promovendo a sua
resiliência face aos stressores presentes. A segurança do
adolescente depende de uma intervenção precoce,
multidisciplinar, centrada preferencialmente no reforço das
linhas normal e flexível de defesa e que abranja os seus
ambientes intra, inter e extrapessoal, envolvendo o
adolescente, mas também a sua família, os pares, os
professores, os profissionais de saúde e a sociedade em
geral.
Conclusão
Esta revisão da literatura permitiu dar resposta aos objetivos
definidos, identificando um conjunto significativo de artigos
teóricos e empíricos representativos do conhecimento de
enfermagem disponível sobre as intervenções de
enfermagem promotoras da segurança dos adolescentes
com risco de comportamento suicidário. Além disso, foi
ainda possível analisar este conhecimento à luz de um
referencial teórico próprio de Enfermagem.
A integração de perspetivas teóricas de enfermagem na
investigação contribui para o reconhecimento da extensão e
da profundidade do conhecimento disciplinar atual existente
numa dada área. Neste âmbito, as revisões integrativas da
literatura podem constituir-se como um método de
investigação importante para gerar ou testar teorias,
contribuindo para a consolidação e ampliação do
conhecimento disciplinar em Enfermagem.40,41 O recurso a
um referencial teórico de orientação sistémica, como o de
Betty Neuman sustentou uma compreensão abrangente da
intervenção de enfermagem junto dos adolescentes em risco
de suicídio. Ao considerar o adolescente como um sistema
aberto, em constante interação com outros sistemas, e
sujeito a forças dinâmicas que podem constituir-se como
fatores de stress ou de reconstituição, com impacto na saúde
mental, esta teoria sustenta que as intervenções de
enfermagem promotoras de segurança no risco de suicídio
precisam de ser dirigidas não apenas à redução dos fatores
de risco, mas também ao fortalecimento dos fatores de
proteção do adolescente e da sua rede. A perspetiva de
Neuman contribuiu, assim, para a sistematização das
intervenções de enfermagem em todos os níveis de
prevenção e em todos os contextos dos adolescentes, desde
a sua casa, ao bairro onde vivem, a escola que frequentam
ou os serviços de saúde que utilizam.
Conclui-se que o conhecimento de enfermagem existente é
abrangente, mas que apresenta ainda algumas lacunas. Com
base nos resultados obtidos, recomenda-se a continuidade
da investigação sobre esta temática, em particular através da
realização de estudos quantitativos e mistos com enfoque na
determinação da efetividade das intervenções de
enfermagem que reduzam o risco de comportamentos
suicidários na adolescência. Os resultados sugerem também
a necessidade de melhorar a acurácia dos instrumentos de
avaliação do risco de suicídio.
Emergiu igualmente dos resultados a necessidade de
investimento na formação dos profissionais de saúde.
Todos os enfermeiros, em qualquer contexto de cuidados,
devem ter acesso a formação e treino para a avaliação do
risco de suicídio e para a intervenção em situação em crise.
A evidência sugere a importância de o risco de suicídio ser
abordado com os adolescentes, por exemplo, em consultas
de vigilância de saúde, e não apenas nos serviços
especializados de saúde mental. Também a utilização de
instrumentos de avaliação poderá contribuir para a
identificação precoce do risco.
Vários artigos remetem para a necessidade de
implementação de iniciativas comunitárias globais e locais
que contemplem a prevenção do suicídio. Os enfermeiros
devem envolver-se ativamente nestas iniciativas e contribuir
para a segurança dos adolescentes em todos os seus
contextos de vida. Este contributo poderá ser realizado
através da promoção da literacia em saúde mental, no geral,
e sobre o suicídio, em particular. A evidência encontrada
sobre as intervenções em contexto escolar, sustenta ainda a
importância do reforço da intervenção dos enfermeiros nas
escolas.
Limitações do estudo
Reconhecemos como limitações da presente RIL o facto de
a pesquisa ter sido realizada em apenas duas bases de dados,
o que pode ter contribuído para a omissão de alguma
evidência disponível e não contemplada nesta revisão.
No entanto, consideramos que os 16 artigos obtidos
permitiram aceder um conjunto significativo de resultados.
Também a qualidade dos artigos identificados constitui
uma limitação desta revisão. Ainda que se tenha procedido
à avaliação da qualidade dos artigos, nenhum artigo foi
excluído em função da sua avaliação.
Por fim, apesar da extensão de trabalhos identificados, estes
são maioritariamente artigos teóricos, revisões da literatura
e estudos de investigação qualitativa. A escassez de
investigação quantitativa, em particular, do tipo
experimental ou quasi-experimental, não nos permitiu
analisar a efetividade das intervenções de enfermagem
identificadas.
Autoria e Contribuições
Coimbra H: Conceção e desenho do estudo; Recolha de
Dados; Análise e Interpretação dos Dados; Redação do
Manuscrito;
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
Correia R: Conceção e desenho do estudo; Recolha de
Dados; Análise e Interpretação dos Dados; Redação do
Manuscrito;
Alves A: Conceção e desenho do estudo; Recolha de Dados;
Análise e Interpretação dos Dados; Redação do Manuscrito;
Costa S: Conceção e desenho do estudo; Recolha de Dados;
Análise e Interpretação dos Dados; Redação do Manuscrito;
Moutinho L: Análise e Interpretação dos Dados; Revisão
Crítica do manuscrito;
Nunes IR: Conceção e desenho do estudo; Análise e
Interpretação dos Dados; Redação do manuscrito; Revisão
Crítica do manuscrito.
Conflitos de interesse e Financiamento
Nenhum conflito de interesse foi declarado pelos autores.
Fontes de apoio / Financiamento
O estudo não foi objeto de financiamento
Bibliografia
1. World Health Organization. Adolescent health [Internet].
Geneve: WHO; c2023 [citado 2024 setembro 30].
Disponível em: https://www.who.int/health-
topics/adolescent-health#tab=tab_1
2. Neuman B, Fawcett J. The Neuman Systems Model.
ed. Boston: Pearson; 2011.
3. Santos J, Façanha J, Gonçalves M, Erse M, Cordeiro R,
Façanha R. Guia orientador de boas práticas para a
prevenção de sintomatologia depressiva e comportamentos
da esfera suicidária. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros; 2012
[citado 2024 janeiro 6]. Disponível em:
https://www.ordemenfermeiros.pt/arquivo/publicacoes/
Documents/gobp_MCEESMP.pdf
4. Valadas M, Freitas R. Fatores de risco e fatores protetores.
[Internet]. In: Valadas M, Barbosa P, Freitas R, Silva S.
Prevenção do suicídio: Manual para profissionais de saúde.
Lisboa: SNS; 2021. [citado 2024 setembro 30]. p. 2747.
Disponível em: https://prevenirsuicidio.pt/wp-
content/uploads/2022/09/I001.-
Prevenc%CC%A7a%CC%83o-do-Suici%CC%81dio-
%E2%80%93-Manual-para-Profissionais-de-Saude.pdf
5. Instituto Nacional de Estatística (INE). Estatísticas da
Saúde: 2022 [Internet]. Lisboa: INE, 2024 [citado 2024
setembro 30]. Disponível em:
https://www.ine.pt/xurl/pub/439489924.
6. World Health Organization. Suicide [Internet]. Geneve:
WHO; c2024 [citado 2025 fevereiro 25]. Disponível em:
https://www.who.int/news-room/fact-
sheets/detail/suicide
7. Direção Geral de Saúde. Plano nacional de prevenção do
suicídio: 2013/2017[Internet]. Lisboa: DGS; 2013 [citado
2024 setembro 30]. Disponível em:
https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/plano-
nacional-de-prevencao-do-suicido-20132017-pdf.aspx
8. World Health Organization. World mental health report:
Transforming mental health for all [Internet]. Geneve:
WHO; 2022 [citado 2024 junho 6]. Disponível em:
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/356119/978
9240049338-eng.pdf?sequence=1
9. International Council of Nurses. ICNP browser
[Internet]. Geneva: ICN; 2019 [citado 2024 junho 6].
Disponível em: https://www.icn.ch/icnp-browser
10. Herdman TH, Lopes CT, Kamitsuru S. Diagnósticos de
enfermagem da NANDA-I: Definições e classificação -
2021-2023. Porto Alegre: Artmed; 2021.
11. Santos J, Erse M, Façanha J, Marques L, Simões R. Mais
contigo: promoção de saúde mental e prevenção de
comportamentos suicidários na comunidade educativa.
Coimbra: Unidade de Investigação em Ciências da Saúde:
Escola Superior de Enfermagem de Coimbra; 2014
12. Slemon A, Jenkins E, Bungay V. Safety in psychiatric
inpatient care: The impact of risk management culture on
mental health nursing practice. Nurs Inq. [Internet]. 2017
[citado 2024 setembro 30]; 24(4):e12199. Disponível em:
https://doi.org/10.1111/nin.12199
13. Cuomo A, Koukouna D, Macchiarini L, Fagiolini, A.
Patient Safety and Risk Management in Mental Health. In:
Donaldson L, Ricciardi W, Sheridan S, et al., editors.
Textbook of Patient Safety and Clinical Risk Management
[Internet]. Cham (CH): Springer; 2021 [citado 2025
fevereiro 5]. Chapter 20. Disponível
em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK585603/
14. Butcher HK, Bulechek GM, McCloskey Dochterman
JM, Wagner C. Nursing Interventions Classification (NIC).
7th ed. St Louis: Elsevier; 2018.
15. Bolster C, Holliday C, Oneal G, Shaw M. Suicide
assessment and nurses: What does the evidence show?
Online J Issues Nurs [Internet]. 2015 [citado 2024 setembro
30]; 20(1):2. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.3912/ojin.vol20no01man02
16. Whittemore R, Knafl K. The integrative review: updated
methodology. J Adv Nurs [Internet]. 2005 [citado 2024
junho 6]; 52(5):546553. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x
Nunes, I.
Artigo de Revisão
17. SCImago Journal e Country Rank [Internet]. Granada:
SCImago Lab; c2007-2024 [citado 2024 junho 6].
Disponível em: https://www.scimagojr.com/
18. Patterson S. Suicide risk screening tools and the youth
population. J Child Adolesc Psychiatr Nurs [Internet]. 2016
[citado 2024 junho 6]; 29(3):118126. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1111/jcap.12148
19. Bradley J, Toole KP. Adolescent suicide: Are there
warning signs? Pediatr Nurs. 2022; 48(5):231-237,247.
20. Kim J, Walsh E, Pike K, Thompson EA. Cyberbullying
and victimization and youth suicide risk: The buffering
effects of school connectedness. J Sch Nurs [Internet]. 2019
[citado 2024 junho 6]; 36(4):251257. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1177/1059840518824395
21. Chaniang S, Fongkaew W, Sethabouppha H,
Lirtmunlikaporn S, Schepp KG. Perceptions of adolescents,
teachers and parents towards causes and prevention of
suicide in secondary school students in Chiang Mai. PRIJNR
[Internet]. 2019 [citado 2024 junho 6]; 23(1):47-60.
Disponível em: https://he02.tci-
thaijo.org/index.php/PRIJNR/article/view/105566
22. Morgan L. Prevention starts with awareness: Adoptive
adolescents at high risk for suicidal behavior. NASN Sch
Nurse [Internet]. 2017 [citado 2024 junho 6]; 32(5):302309.
Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1177/1942602X16672063
23. Matel-Anderson DM, Bekhet AK. Resilience in
adolescents who survived a suicide attempt from the
perspective of registered nurses in inpatient psychiatric
facilities. Issues Ment Health Nurs [Internet]. 2016 [citado
2024 junho 6]; 37(11):839846. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1080/01612840.2016.1193578
24. Omerov P, Kneck Å, Karlsson L, Cronqvist A,
Bullington J. To identify and support youths who struggle
with living-nurses’ suicide prevention in psychiatric
outpatient care. Issues Ment Health Nurs [Internet]. 2020
[citado 2024 junho 6]; 41(7):574583. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1080/01612840.2019.1705946
25. Ramirez J. Suicide: Across the life span. Nurs Clin North
Am [Internet]. 2016 [citado 2024 junho 6]; 51(2):275286.
Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1016/j.cnur.2016.01.010
26. Abbott-Smith S, Ring N, Dougall N, Davey J. Suicide
prevention: What does the evidence show for the
effectiveness of safety planning for children and young
people? - A systematic scoping review. J Psychiatr Ment
Health Nurs [Internet]. 2023 [citado 2024 junho 6];
30(5):899910. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1111/jpm.12928
27. Roberts DC, Taylor ME, Pyle AD. Suicide prevention
for school communities: An educational initiative for
student safety. NASN Sch Nurse. 2018 [citado 2024 junho
6]; 33(3):168176. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1177/1942602X18766499
28. Simões RMP, Santos JCP, Martinho MJCM. Adolescents
with suicidal behaviours: A qualitative study about the
assessment of inpatient service and transition to community.
J Psychiatr Ment Health Nurs [Internet]. 2021 [citado 2024
junho 6]; 28(4):622631. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1111/jpm.12707
29. Nasution RA, Keliat BA, Wardani IY. Effect of
cognitive behavioral therapy and peer leadership on suicidal
ideation of adolescents in bengkulu. Compr Child Adolesc
Nurs [Internet]. 2019 [citado 2024 junho 6]; 42(sup1):9096.
Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1080/24694193.2019.1578300
30. Wulandari NPD, Keliat BA, Mustikasari. The effect of
peer leadership on Suicidal Ideation in senior high school
teenagers. Compr Child Adolesc Nurs [Internet]. 2019
[citado 2024 junho 6]; 42(sup1):166172. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1080/24694193.2019.1578437
31. Chaniang S, Fongkaew W, Stone TE, Sethabouppha H,
Lirtmunlikaporn S. Development and evaluation of a suicide
prevention program for secondary school students. PRIJNR
[Internet]. 2019 [citado 2024 junho 6]; 23(3):201213.
Disponível em: https://he02.tci-
thaijo.org/index.php/PRIJNR/article/view/144034
32. Glodstein SL. Suicide Prevention and Education in the
Camping Community. CompassPoint. 2015 [citado 2024
junho 6]; 25(4):78. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/289505284_Sui
cide_Prevention_and_Education_in_the_Camping_Comm
unity
33. Polacek MJ, Delaney KR. Developing community
engagement: The psychiatric nurse generalist as full partner
in suicide prevention. Arch Psychiatr Nurs [Internet]. 2020
[citado 2024 junho 6]; 34(5):310316. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1016/j.apnu.2020.07.005
34. Teixeira P. Internamentos por patologia
pedopsiquiátrica nos últimos 4 anos numa unidade de curta
duração [master’s thesis on the Internet]. Coimbra:
Faculdade de medicina da universidade de Coimbra; 2016
[citado 2024 setembro 30]. Disponível em:
https://hdl.handle.net/10316/37480
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.350 / e00350
Artigo de Revisão
35. Direção Geral da Saúde. Programa Nacional de Saúde
Infantil e Juvenil: Norma 010/2013. [Internet]. Lisboa:
Direção-Geral da Saúde; 2013 [citado 2025 fevereiro 5].
Disponível em: https://www.dgs.pt/documentos-e-
publicacoes/programa-tipo-de-atuacao-em-saude-infantil-
e-juvenil-png.aspx
36. Stanley B, Brown GK. Safety planning intervention: A
brief intervention to mitigate suicide risk. Cogn Behav Pract
[Internet]. 2012 [citado 2024 junho 6]; 19(2):25664.
Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1016/j.cbpra.2011.01.001
37. Almeida CT. Promoção e Prevenção da Saúde Mental:
Porque é importante investir? Saúde Mental: Newsletter
[Internet]. 2021 [citado 2024 junho 6]; 4:13-14. Disponível
em: https://saudemental.min-saude.pt/wp-
content/uploads/2021/06/NL-04_SADE-
MENTAL.pdf
38. Pestaner MC, Tyndall DE, Powell SB. The Role of the
School Nurse in Suicide Interventions: An Integrative
Review. J Sch Nurs. [Internet]. 2021 [citado 2024 junho 6];
37(1):41-50. http://dx.doi:10.1177/1059840519889679
39. Knaak S, Mantler E, Szeto A. Mental illness-related
stigma in healthcare: Barriers to access and care and
evidence-based solutions Healthc Manage Forum [Internet]
2017 [citado 2024 junho 6]; 30(2):111116. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1177/0840470416679413
40. Fawcett, J. Thoughts about conceptual models, theories,
and literature reviews. Nur Sci Q [Internet]. 2013 [citado
2025 fevereiro 5];26(3):285288. Disponível em:
https://doi.org/10.1177/0894318413489156
41. Silva, RN, Brandão, MAG, Ferreira, MA. Integrative
Review as a method to generate or to test Nursing
Theory Nur Sci Q [Internet]. 2020 [citado 2025 fevereiro
5];33(3):258263. Disponível em:
https://doi.org/10.1177/0894318420920602