vigilância frequente). No âmbito da segurança, a NIC14
refere igualmente a importância da restrição a objetos
potencialmente letais (como os objetos cortantes e as
cordas). Esta intervenção é referida no estudo de Bradley e
Toole19 incluído nesta revisão, mas apenas dirigida ao
contexto familiar. No entanto, trata-se de uma medida
igualmente importante para garantir a segurança dos
adolescentes nos serviços de saúde.
Intervenções na Comunidade
Ao contrário do que se verificou nos resultados sobre a
intervenção nos serviços de saúde, as intervenções de
enfermagem desenvolvidas na comunidade enquadram-se
maioritariamente no âmbito da prevenção primária. Este
dado resulta do facto de muitas das intervenções
identificadas serem desenvolvidas junto dos adolescentes,
na escola, com os seus grupos de pares, as famílias e os
professores, antes dos stressores afetarem o sistema ou
quando não é possível minimizando o seu contacto com
potenciais stressores A prevenção primária permite, não só
intervir na promoção da saúde (competências e recursos
que aumentam a resiliência), mas também na prevenção
atempada da doença, junto daqueles que apresentam
vulnerabilidades específicas37, como é o caso dos que
impõem ou são vítimas de bullying no contexto escolar.20
Ao nível de prevenção primária foram identificadas
intervenções nas três dimensões. Na dimensão intrapessoal
surgiram intervenções relacionadas com a avaliação do
risco de suicídio20,21,22, do histórico clínico do adolescente32
e do seu conhecimento sobre o suicídio.31 Surgiram
também intervenções relacionadas com a sua capacitação,
através da promoção da literacia em saúde e da
identificação de estratégias de resolução de problemas, para
prevenção ao comportamento suicidário.21,22,27,31,33 A
dimensão interpessoal incluiu, não só intervenções
direcionadas aos pais, mas também aos professores,
funcionários da escola e grupo de pares, envolvendo-os no
processo de proteção do adolescente, através da promoção
da literacia, da facilitação das relações e da partilha de
experiências.20,22,27,30,31 Estas intervenções estão em
concordância com o preconizado no Plano Nacional de
Prevenção do Suicídio português7, que defende a
necessidade de uma relação de apoio entre os diversos
ambientes que envolvem o adolescente como forma de
promover a sua segurança e garantir uma rede de apoio à
qual possa recorrer. Ao contrário do verificado para os
serviços de saúde, na comunidade as intervenções
englobaram também o ambiente extrapessoal do
adolescente, apelando a uma intervenção mais abrangente
do enfermeiro na prevenção do suicídio, que tenha em
conta, por exemplo, o desenvolvimento de programas
comunitários22,31, o contributo para a redução do estigma
na sociedade23,33 e a promoção de comportamentos de
procura de ajuda.33 Estas intervenções estão também em
linha com as recomendações do PNPS7 que apela à
necessidade de consciencializar a população sobre o
suicídio e os comportamentos suicidários. Também a
NIC14 contempla na intervenção Prevenir o Suicídio, a
implementação de programas comunitários.
Ao nível da prevenção secundária, identificaram-se
intervenções nas dimensões intrapessoal e interpessoal (em
particular, com os grupos de pares). Os resultados apontam
a necessidade de o enfermeiro intervir ao nível intrapessoal
através da identificação dos sinais de alarme e da avaliação
do estado mental dos adolescentes com risco de suicídio já
identificado.22,27 Já no que respeita à dimensão interpessoal,
os resultados sugerem a implementação de intervenções
grupais com adolescentes com sintomatologia depressiva e
ideação suicida, com recurso técnicas da terapia cognitivo-
comportamental e a liderança de pares29, bem como a
referenciação para profissionais especializados.22 Estas
intervenções são essenciais para permitir prevenir os
comportamentos suicidários na escola, através do
reconhecimento e intervenção precoce.
Tendo em conta que mais de 20% dos adolescentes
apresentam sintomatologia depressiva11 e que a maioria dos
adolescentes passa a maior parte do seu dia no contexto
escolar, é essencial o envolvimento do enfermeiro de saúde
escolar no acompanhamento destes adolescentes.38 Os
dados apontam a importância destes enfermeiros na
elaboração de um Safety Plan27, mas também no seu
acompanhamento e monitorização quando, por exemplo, o
adolescente regressa à escola após uma crise.27
Apesar de não ser um dado enquadrável no objetivo
específico definido para esta revisão, os resultados obtidos
sugerem ainda a necessidade de investimento na formação
dos enfermeiros. Alguns artigos apontam a necessidade de
os profissionais de saúde, nomeadamente os enfermeiros,
melhorarem as suas práticas, através da realização de
formação específica sobre os comportamentos
suicidários.28 De acordo com a DGS7, os enfermeiros que
cuidam de adolescentes nos cuidados de saúde primários
ainda apresentam competências limitadas para abordar e
intervir em questões relacionadas com a doença mental e o
suicídio. Esta dificuldade resulta, provavelmente, de um
défice de conhecimento sobre a melhor forma de abordar
o tema do suicídio, o medo relacionado com o sentimento
de incompetência para lidar com estes casos e a falta de
conhecimento, não só sobre os recursos e infraestruturas
disponíveis, mas também sobre o funcionamento da rede
de cuidados e de referenciações no que respeita
especificamente à área da saúde mental.7 É, no entanto,
ainda necessário reduzir o estigma nas equipas de saúde não
especializadas na área da saúde mental e psiquiátrica, para
que os profissionais de saúde estejam disponíveis para a
aprendizagem sobre esta área de intervenção.39
Por fim, os resultados apontam para a necessidade de a
intervenção de enfermagem ser desenvolvida em contexto
multidisciplinar, como uma estratégia essencial para uma
intervenção eficaz no risco de suicídio dos adolescentes.19