higienização das mãos recomendados pela OMS. A adesão
a esses cinco momentos não só diminui as taxas de
infecção, mas também promove uma cultura de segurança
e qualidade no cuidado, reforçando o compromisso com
práticas baseadas em evidências que protejam a saúde dos
pacientes e a integridade dos profissionais, minimizando
riscos de transmissão cruzada e promovendo ambientes de
trabalho mais seguros.1
Esta pesquisa identificou uma adesão variada à higienização
das mãos em duas publicações, com taxas a oscilar entre
11% e 73,5%.¹³,¹⁴ Este quadro não se limita à endoscopia,
pois outros setores hospitalares também enfrentam baixa
adesão. Um estudo observacional realizado numa unidade
coronariana de um hospital universitário destacou uma taxa
de 38,2%, com técnicos de enfermagem e médicos a
apresentar os menores resultados.¹ Outra pesquisa revelou
dados preocupantes para a segurança do paciente,
indicando que 80% dos profissionais de saúde observados
realizavam a técnica de forma incorreta.¹⁶ Perante este
contexto, torna-se evidente a necessidade de implementar
medidas de incentivo à HM como parte integrante das
estratégias de sensibilização na rotina da equipa, em
especial, intervenções multimodais, além de estabelecer
métricas de responsabilização.¹⁷,¹⁸
Há um grande desafio em manter os índices de HM
elevados entre os profissionais de saúde. No entanto,
pesquisas incluídas nesta revisão integrativa, realizadas por
esta população e que abordaram a educação em saúde,
observaram um aumento da adesão após intervenções, quer
com a equipa quer com os pacientes. 9,¹¹,¹⁴ Um estudo sobre
a aplicação de atividades educativas demonstrou que o uso
de estratégias com abordagem mais lúdica pode facilitar a
compreensão e a retenção de conhecimentos, conteúdos e
fatores relevantes sobre determinado tema, como é o caso
dos fatores desencadeantes das IACS e as maneiras de as
evitar. Esta estratégia de incentivo traz benefícios tanto
para os profissionais como para os pacientes.19
Outra estratégia de incentivo à HM refere-se à utilização do
ciclo PDCA como uma ferramenta com ampla
aplicabilidade.¹⁰ Este método consiste num processo cíclico
de melhoria contínua, organizado em quatro etapas: P
(Plan), momento em que o problema é definido e ocorre o
planeamento dos métodos de ação; D (Do), quando ocorre
a implementação dos métodos planeados por meio de
treino/ensino aos colaboradores; C (Check), com o
objetivo de verificar os resultados das ações; e A (Action),
para agir na correção de efeitos indesejados ou pontos que
podem ser aprimorados. Este método demonstra ser eficaz
e aplicável em diversas áreas do conhecimento, inclusive na
endoscopia, contribuindo para a ampliação da cobertura de
higienização das mãos.20
Um aspeto a ser considerado é a inclusão e discussão da
higienização das mãos como uma estratégia de incentivo
para a prevenção das IACS ao longo do processo formativo
dos profissionais de saúde, especialmente durante a
licenciatura. Uma pesquisa realizada utilizando a técnica
Delphi com profissionais da saúde especializados na área
de prevenção e controlo de infeções discutiu o ensino deste
tema nos cursos de graduação na área da saúde. Houve
consenso de que o ensino desta prática nesta fase tem um
grande impacto na formação de futuros profissionais que
compreendem a importância das medidas de prevenção e
controlo dos agravos infeciosos no ambiente de trabalho.²¹
Neste contexto, discute-se a necessidade dos campos de
prática estarem equipados com materiais adequados,
estrutura física apropriada, dimensionamento de pessoal e
programas eficientes para o aprimoramento dos
profissionais de saúde. Isto permite a continuidade do que
é aprendido em sala de aula e o que é praticado nos cenários
reais, representando um dos principais desafios na
consolidação dos conhecimentos. Geralmente, há muitas
divergências entre o que é ensinado durante a licenciatura e
o que é praticado. A temática da HM deve ser abordada de
forma transversal nas instituições de ensino superior,
incentivando iniciativas que estimulem o pensamento
crítico-reflexivo e criativo, bem como metodologias que
sensibilizem os discentes acerca do tema.²²
Como contribuição deste estudo, é importante ressaltar que
a análise das publicações revelou importantes insights para a
prática clínica. Foi observada uma lacuna significativa na
abordagem da adesão à higienização das mãos, com apenas
dois estudos a explorar essa questão. No entanto,
identificaram-se estratégias de incentivo para promover a
sua prática. Estas descobertas não apenas enfatizam a
necessidade de uma abordagem mais ampla para garantir a
segurança do paciente, mas também oferecem
oportunidades para a implementação de intervenções
eficazes no setor de endoscopia.
Conclusão
Este estudo identificou a adesão e as estratégias de
incentivo à higienização das mãos na endoscopia. No
entanto, os resultados destacam a necessidade de ampliar a
adesão neste setor, uma vez que os índices podem ser
baixos na ausência de intervenções na equipa. Vale a pena
ressaltar as estratégias de incentivo a essa medida
preventiva, especialmente as intervenções educativas, o uso
da ferramenta PDCA, a realização da técnica pelos
profissionais de saúde ao longo do procedimento de
endoscopia, o apoio das lideranças e a inclusão do tema no
processo formativo desses profissionais.
A literatura sobre o tema foi escassa, como evidenciado
pela amostra final incluída na revisão. Foi observado que
metade dos estudos incluídos nesta pesquisa foram
realizados durante a pandemia da Covid-19. Entende-se
que novos estudos devem ser incentivados na endoscopia,
especialmente aqueles multicêntricos, para que seja possível
compreender melhor a realidade do setor em relação ao
tema.