Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.353 /e00353
Artigo Revisão)
Como citar este artigo: Siviero LG, Braz PR, Prado RT, Carbogim FC, Nascimento TC, Rodrigues FC,
Alvim ALS. Clinical governance through audit in promoting quality in clinical practice: scoping review. Pensar
Enf [Internet]. 2025 Mar; 29(1): e00353. Available from: https://doi.org/10.71861/pensarenf.v29i1.353
Adesão e estratégias de incentivo à higienização das
mãos na endoscopia: revisão integrativa
Adherence and incentive strategies for hand hygiene
in endoscopy: integrative review
Resumo
Introdução
A higienização das mãos na endoscopia ainda é um tema abordado de forma limitada na
literatura, com estudos predominantemente unicêntricos e amostras reduzidas, carecendo
de uma síntese de evidências. Essa limitação impede uma avaliação abrangente das
estratégias de adesão e incentivo, o que justifica a realização desta revisão.
Objetivo
Identificar, através da literatura, a adesão e as estratégias de incentivo à higienização das
mãos na endoscopia.
Métodos
Trata-se de uma revisão integrativa realizada nas bases de dados da PubMed, Scopus, Web
of Science, LILACS, BDENF, WPRO, Portal de Periódicos da CAPES e na biblioteca
SciELO. Para a seleção dos artigos, foram estabelecidos critérios de inclusão: textos
completos disponíveis gratuitamente e/ou sob pagamento, sem restrição temporal, e
publicados em inglês, português ou espanhol. Para manter o rigor metodológico durante a
estratégia de busca, a seleção dos artigos foi realizada de forma independente por dois
revisores.
Resultados
Foram recuperadas 204 publicações, sendo a amostra final composta por seis estudos. Do
total, apenas dois abordaram a adesão à higienização das mãos no setor de endoscopia. Em
relação as estratégias de incentivo, todas publicações destacaram intervenções educativas, a
implementação do ciclo Planear, Fazer, Verificar e Actuar (PDCA), a realização da
higienização das mãos ao longo do procedimento de endoscopia para evitar a
autocontaminação, o empoderamento do paciente, além do apoio de líderes e a inclusão do
tema durante o processo formativo dos profissionais de saúde.
Conclusão
Foi identificada na literatura a adesão e as estratégias de incentivo à higienização das os
na endoscopia. Contudo, reforça-se a carência de estudos sobre a temática, sendo a maioria
das pesquisas realizada durante a pandemia de Covid-19.
Palavras-chave
Higiene das mãos; Endoscopia; Pessoal da Saúde; Assistência ao Paciente; Revisão.
Abstract
Introduction
Hand hygiene in endoscopy is still a topic addressed in a limited way in the literature, with
predominantly unicentric studies and small sample sizes, lacking a synthesis of evidence.
This limitation prevents a comprehensive evaluation of adherence and incentive strategies,
which justifies conducting this review.
Luan Gonçalves Siviero1
orcid.org/0009-0005-2506-3010
Patrícia Rodrigues Braz2
orcid.org/0000-0003-2102-635X
Roberta Teixeira Prado3
orcid.org/0000-0001-8738-2248
Fábio da Costa Carbogim4
orcid.org/0000-0003-2065-5998
Thiago César Nascimento5
orcid.org/0000-0002-2304-7472
Flávia Cristina Rodrigues6
orcid.org/0000-0003-2063-8506
André Luiz Silva Alvim7
orcid.org/0000-0001-6119-6762
1 Licenciatura. Universidade Federal de Juiz de Fora,
Brasil.
2 Doutoramento. Centro Universitário Estácio
Unidade Centro Sul - Juiz de Fora, Brasil.
3 Doutoramento. Universidade Federal de Juiz de Fora,
Brasil.
4 Doutoramento. Universidade Federal de Juiz de Fora,
Brasil.
5 Doutoramento. Universidade Federal de Juiz de Fora,
Brasil.
6 Licenciatura. Universidade Federal de Juiz de Fora,
Brasil.
7 Doutoramento. Universidade Federal de Juiz de Fora,
Brasil.
Autor de correspondência
André Alvim
E-mail: andrealvim1@ufjf.br
Recebido: 07 out 2024
Aceite: 01 mar 2025)
Editor: Florinda Galinha de
Alvim, A.
Artigo Revisão
Objective
To identify, through literature, the adherence and incentive strategies for hand hygiene in the endoscopy sector.
Methods
This is an integrative review conducted on databases including PubMed, Scopus, Web of Science, LILACS, BDENF, WPRO,
CAPES Periodicals Portal, and the SciELO library. For the selection of articles, inclusion criteria were established: full texts
available for free and/or for purchase, with no time restrictions, and published in English, Portuguese, or Spanish. To maintain
methodological rigor during the search strategy, a double-blind selection of articles was independently conducted.
Results
A total of 204 publications were retrieved, with the final sample consisting of six studies. Of these, only two addressed adherence
to hand hygiene in the endoscopy sector. Regarding incentive strategies, all publications highlighted educational interventions,
the implementation of the Plan, Do, Check and Act (PDCA) cycle, performing hand hygiene throughout the endoscopic
procedure to avoid self-contamination, patient engagement, as well as support from leaders and the inclusion of the topic during
the training process of healthcare professionals.
Conclusion
Literature identified adherence and incentive strategies for hand hygiene in endoscopy. However, the lack of studies on the
subject is emphasized, with most research conducted during the Covid-19 pandemic.
Keywords
Hand hygiene; Endoscopy; Health Personnel; Patient Care; Review.
Introdução
A Higienização das Mãos (HM) consiste num conjunto de
técnicas simples que visam diminuir a carga microbiana das
mãos. Pode ser realizada através da higienização simples,
com água e sabonete líquido e/ou solução aquosa de base
alcoólica (SABA), higienização antisséptica com fricção e
antissepsia cirúrgica. Devido à sua relevância na área da
saúde, esta prática foi incluída nos protocolos de Segurança
do Paciente, sendo recomendada pela Organização Mundial
da Saúde (OMS) em cinco momentos essenciais: antes de
tocar no paciente, antes de procedimentos
limpos/assépticos, após exposição a fluidos corporais, após
tocar no paciente e depois de tocar em superfícies próximas
a ele.¹
A HM representou um grande avanço para a área da saúde,
uma vez que o seu precursor, Ignaz Philipp Semmelweis,
observou que, quando realizada com frequência, esta
medida diminuía consideravelmente os casos de infeção.1-2
Considerada uma medida preventiva de baixo custo, rápida
e eficiente no controlo das infecções associadas aos
cuidados de saúde (IACS), destaca-se a sua aplicação em
todos os níveis de cuidados de saúde.²
Entre os setores abrangidos pelas diferentes complexidades
de cuidados de saúde em que se deve aplicar a HM, destaca-
se a Endoscopia.3 É o local destinado à realização de
procedimentos endoscópicos para diagnóstico e
intervenções, utilizando equipamentos rígidos ou flexíveis e
que têm como via de acesso ao organismo cavidades como
a oral, nasal, o canal auditivo externo, o ânus, a vagina e a
uretra. Inclui-se a presença de equipamentos, materiais e
produtos relacionados com a saúde que são utilizados em
procedimentos invasivos com penetração da pele, mucosas,
espaços ou cavidades estéreis, tecidos subepiteliais e sistema
vascular.³
Um estudo de revisão sobre o tema revela que a adesão à
HM na endoscopia por parte dos profissionais de saúde
ainda está aquém do esperado. Embora os profissionais
relatem uma adesão de 95%, essa taxa atinge pouco mais de
10%. Neste caso, os fatores associados destacados na
literatura incluem a complexidade da rotina, falta de
consciencialização e a perceção de que esta medida
preventiva não é prioritária. Estratégias de incentivo à
higienização das os neste setor, através de educação
continuada, campanhas de consciencialização,
monitorização regular e feedback, são ferramentas-chave na
prática clínica. Contudo, o tema é abordado de forma
limitada na literatura, com estudos predominantemente
unicêntricos e amostras reduzidas, carecendo de uma síntese
de evidências. Esta limitação impede uma avaliação
abrangente das estratégias de adesão e incentivo, o que
justifica a realização desta revisão.
O objetivo deste estudo é identificar, através da literatura, a
adesão e as estratégias de incentivo à higienização das mãos
na endoscopia.
Métodos
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, guiada
pelo Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-
Analyses (PRISMA). Embora o PRISMA seja destinado a
estudos de revisão sistemática e meta-análise, destaca-se a
sua contribuição nesta pesquisa para ampliar o rigor da
escrita científica.
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.353 / e00353
As etapas metodológicas desta revisão foram compostas
por seis passos: estabelecimento da questão de partida;
busca de amostras na literatura; categorização do material
encontrado; avaliação dos estudos incluídos durante a
revisão; interpretação dos resultados encontrados; síntese
das informações adquiridas.
Como estratégia para a formulação da questão de partida,
utilizou-se a estratégia PICo, estabelecendo o problema de
pesquisa para fundamentação das melhores evidências.
Este método foi estratificado em: (P) população do estudo
= profissionais de saúde; (I) fenómeno de interesse =
adesão e estratégias de incentivo à higienização das mãos;
(Co) contexto = estudos realizados na endoscopia. A
utilização desta ferramenta para o estabelecimento do
problema de pesquisa procurou a fundamentação nas
melhores evidências. Dito isto, chegou-se à seguinte
questão norteadora: como a literatura descreve a adesão e
as estratégias de incentivo à higienização das mãos entre
profissionais de saúde da endoscopia?
A estratégia de busca de amostras na literatura foi realizada
entre janeiro e março de 2024 nas bases de dados da
National Library of Medicine (PubMed), Literatura Latino-
Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS),
Bases de Dados de Enfermagem (BDENF), Index Medicus
do Pacífico Ocidental (WPRO), Portal de Periódicos da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) e na biblioteca digital Scientific Electronic
Library Online (SciELO). Para a estratégia de pesquisa de
informação científica, foram utilizados descritores MeSH e
termos livres com o auxílio dos operadores booleanos
AND e OR. Em seguida, procedeu-se à categorização do
material encontrado (Tabela 1).
Tabela 1: Estratégia de busca na literatura, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, 2024.
Bases de dados
Descritores e termos livres
PubMed
[Hand disinfection] OR [Hand hygiene] AND [Health personnel] AND [Endoscopie] OR
[Endoscopy] OR [Endoscopies]
Scopus
[Hand disinfection] OR [Hand hygiene] OR [Infection control] AND [Health personnel] AND
[Endoscopy]
Web of Science
[Hand disinfection] OR [Hand hygiene] OR [Healthcare workers] AND [Endoscopy]
LILACS
[Higienização das mãos] OR [Desinfecção das mãos] OR [Controle de infecção] OR
[Prevenção de infecção] AND [Profissionais de saúde] AND [Endoscopia]
BDENF
[Higienização das mãos] OR [Desinfecção das mãos] OR [Controle de infecção] OR
[Prevenção de infecção] AND [Profissionais de saúde] AND [Endoscopia]
WPRO
[Hand disinfection] OR [Hand hygiene] OR [Healthcare workers] AND [Endoscopy]
Portal de Periódicos da
CAPES
[Desinfecção das mãos] OR [Higienização das os] AND [Profissionais de Saúde] AND
[Endoscopia]
SciELO
[Desinfecção das mãos] OR [Higienização das mãos] AND [Endoscopia]
Para a seleção dos artigos, foram estabelecidos critérios de
inclusão: textos completos disponíveis gratuitamente e/ou
sob pagamento, sem restrição temporal, e publicados em
inglês, português ou espanhol. Foram excluídas publicações
de periódicos que não passaram por revisão por pares,
editoriais, livros, cartas ao editor, estudos de reflexão e/ou
que não abordavam diretamente a questão de partida.
identificar e gerir artigos duplicados. Inicialmente,
procedeu-se à leitura do título e do resumo e, nos casos de
inclusão, realizou-se uma leitura integral do artigo, bem
como de todas as referências bibliográficas incluídas neste
estudo.
Para manter o rigor metodológico durante a estratégia de
busca, a seleção dos artigos foi realizada de forma
independente por dois revisores. Posteriormente, as
informações foram revistas em conjunto e, assim, o
processo foi concluído. Na interpretação dos resultados
obtidos e na síntese das informações adquiridas, foi
elaborado um quadro para sistematizar o conhecimento,
com a definição das seguintes variáveis: autor, título do
artigo, periódico, país de estudo, metodologia, nível de
evidência e principais destaques.
Os dados foram analisados através de estatística descritiva
simples e categorizados num mapa visual para a síntese dos
resultados.
Resultados
A Figura 1 mostra a identificação de estudos via base de
dados e registos, de acordo com o PRISMA. Foram
identificados 204 estudos em oito bases de dados
selecionadas nesta pesquisa. Após a avaliação das
publicações e a remoção de artigos duplicados e/ou que
Alvim, A.
Artigo Revisão
não abordavam a temática, a amostra final foi composta por
seis artigos.
Figura 1: Fluxograma PRISMA da revisão integrativa.5
A Tabela 2 apresenta a síntese dos artigos selecionados para
revisão. Em termos de delimitação temporal, a maioria dos
artigos foi publicada em 2021 (50%), principalmente
durante o período da pandemia de Covid-19. Foram
identificados seis periódicos científicos, sendo os Estados
Unidos (33,3%) e o Brasil (33,3%) os principais países de
origem das pesquisas. Quanto à metodologia utilizada pelos
investigadores, foram identificados diferentes
delineamentos, com destaque para os estudos descritivos.
Apenas dois estudos abordaram a adesão à higienização das
mãos no setor de endoscopia,13-14 enquanto todos
apresentaram estratégias de incentivo a essa medida
preventiva.9-12
Registros removidos antes da
triagem:
Artigos duplicados removidos
(n = 14)
Registros excluídos, pois
abordavam a HM em odontologia,
CME e administração de
medicamentos
(n = 129)
Relatórios não recuperados
(n = 5)
Artigos excluídos:
Não abordaram sobre a
higienização das mãos na
endoscopia e/ou não
contemplavam as estratégias
de incentivo
(n = 50)
Estudos incluídos
PUBMED (n = 5)
Web of Science (n = 1)
Identificação de estudos via base de dados e registros



Registros identificados:
PUBMED (n = 8)
SCOPUS (n = 33)
Web of Science (n = 53)
LILACS (n = 3)
BDENF (n = 2)
WPRO (n = 1)
CAPES (n = 103)
SciELO (n= 1)
Total = 204
Registros rastreados
(n = 190)
Relatórios avaliados para
elegibilidade
(n = 56)
Relatórios procurados para
avaliação
(n = 61)
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.353 / e00353
Tabela 2: Síntese dos artigos selecionados para a revisão, 2024.
Autor
(ano)
Título
Periódico
País de
estudo
Metodologia
Principais destaques
Karels et
al.
(2022)9
Impact of Infection
Control Education
on Gastrointestinal
Endoscopy
Procedural Staff
Gastroent.
Nursing
Estados
Unidos
Estudo quase-
experimental.
Intervenções educativas foram
fornecidas aos profissionais de saúde
da endoscopia sobre os cinco
momentos recomendados pela OMS,
o que melhorou os resultados do
questionário implementado para
avaliação.
Kong et
al.
(2021)10
The application of
plan, do, check, act
(PDCA) quality
management in
reducing nosocomial
infections in
endoscopy rooms: It
does work
Int J Clin
Pract
China
Estudo pré e
pós-
intervenção
A implementação do ciclo PDCA foi
uma estratégia que melhorou o
conhecimento da equipa médica
sobre as IACS e a higienização das
mãos, quando comparada ao grupo
controle.
Murcio-
Pérez et
al.
(2021)11
Adherence to
recommendations for
endoscopy practice
during Covid-19
pandemic in Latin
America: how are we
doing it?
BMJ Open
Gastroenterol
Países da
América
Latina
Estudo
prospectivo
O incentivo a higienização das mãos
entre pacientes, visando o
empoderamento, foi uma das
estratégias utilizadas para a prevenção
de IACS, recomendada pela equipa
médica durante a pandemia de Covid-
19 na América Latina.
Pombo
et al.
(2021)12
Endoscopy infection
control strategy
during the Covid-19
pandemic: experience
from a tertiary cancer
center in Brazil
Clinics (São
Paulo)
Brasil
Estudo
retrospectivo
A higienização das mãos era
incentivada, especialmente: antes de
entrar na sala de procedimento, após
a conclusão da endoscopia e fora da
sala, tendo como objetivo evitar a
autocontaminação.
Pedersen
et al.
(2017)13
Barriers, perceptions,
and adherence: Hand
hygiene in the
operating room and
endoscopy suite
Am J Infect
Control
Estados
Unidos
Estudo
descritivo,
transversal
A adesão dos profissionais de saúde
foi 11%. Uma estratégia de incentivo
relatada refere-se ao apoio dos líderes,
incluindo a direção e a inclusão do
tema ao longo do processo formativo,
durante a graduação.
Santos et
al.
(2013)14
Improving hand
hygiene adherence in
an endoscopy unit
Endoscopy
Brasil
Estudo
descritivo,
transversal
A adesão melhorou de 21,4% para
73,5%, após a implementação de uma
intervenção educativa, sendo essa
ressaltada como uma estratégia de
ensino a higienização das mãos.
Nota: OMS = Organização Mundial da Saúde; PDCA = Plan, Do, Check, Action
Alvim, A.
Artigo Revisão
A Figura 2 mostra as estratégias de incentivo à higienização
das mãos, sendo elas: intervenções educativas,¹, a
implementação do ciclo PDCA¹, a realização da HM em
cinco momentos para evitar a autocontaminação¹², o
empoderamento do paciente¹¹, o apoio de líderes e a
inclusão do tema durante o processo formativo dos
profissionais de saúde¹³.
Figura 2: Estratégias de incentivo à higienização das mãos no setor de endoscopia, 2024.
Discussão
Este estudo mostrou que a adesão à HM no setor de
endoscopia necessita de ser aprimorada. Embora seja
evidente na literatura a escassez de estudos com elevados
níveis de evidência, vale a pena destacar que estratégias de
incentivo voltadas para a educação em saúde,
implementação de ciclos de melhoria contínua, como o
PDCA, a realização desta medida preventiva nos
momentos recomendados pela OMS, o apoio da direção e
a inclusão do tema no processo formativo dos
profissionais, podem contribuir para melhorar a adesão,
tanto entre a equipa quanto entre os pacientes.
Os resultados deste estudo evidenciam a importância de
reforçar a adesão aos cinco momentos de higienização das
mãos recomendados pela OMS, essenciais para prevenir
infeções e reduzir a transmissão cruzada em setores como
a endoscopia. Embora a literatura destaque a relevância
desta prática, os dados apontam para taxas variáveis de
adesão e técnicas frequentemente inadequadas, indicando
uma lacuna entre as orientações internacionais e a realidade
prática.1
A importância da higienização das mãos na endoscopia é
amplamente reconhecida, considerando o seu potencial de
contaminação. Os profissionais de saúde que atuam neste
setor devem realizar esta medida preventiva de forma
adequada, seguindo a técnica correta proposta pela OMS.
Isso é sublinhado por dados de um estudo conduzido em
dois centros de endoscopia na Coreia do Sul. Nessa
pesquisa, foram analisadas superfícies como teclados de
computador e ratos, encontrando-se a presença de
microrganismos não patogénicos, como Staphylococcus spp..
Esses microrganismos têm potencial para desencadear
contaminações cruzadas entre pessoas, pacientes e/ou
ambientes, destacando as mãos como um modo de
transmissão por contacto direto.¹ Vale a pena destacar que,
neste local, recomenda-se a HM em três momentos, de
modo a evitar a autocontaminação: antes de entrar na sala
de procedimento, após a conclusão da endoscopia e fora da
sala.¹² No entanto, embora este estudo tenha destacado três
momentos, é essencial seguir os cinco momentos para a
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.353 / e00353
higienização das mãos recomendados pela OMS. A adesão
a esses cinco momentos não diminui as taxas de
infecção, mas também promove uma cultura de segurança
e qualidade no cuidado, reforçando o compromisso com
práticas baseadas em evidências que protejam a saúde dos
pacientes e a integridade dos profissionais, minimizando
riscos de transmissão cruzada e promovendo ambientes de
trabalho mais seguros.1
Esta pesquisa identificou uma adesão variada à higienização
das mãos em duas publicações, com taxas a oscilar entre
11% e 73,5%.¹³,¹ Este quadro não se limita à endoscopia,
pois outros setores hospitalares também enfrentam baixa
adesão. Um estudo observacional realizado numa unidade
coronariana de um hospital universitário destacou uma taxa
de 38,2%, com técnicos de enfermagem e médicos a
apresentar os menores resultados.¹ Outra pesquisa revelou
dados preocupantes para a segurança do paciente,
indicando que 80% dos profissionais de saúde observados
realizavam a técnica de forma incorreta.¹ Perante este
contexto, torna-se evidente a necessidade de implementar
medidas de incentivo à HM como parte integrante das
estratégias de sensibilização na rotina da equipa, em
especial, intervenções multimodais, além de estabelecer
métricas de responsabilização.¹,¹
um grande desafio em manter os índices de HM
elevados entre os profissionais de saúde. No entanto,
pesquisas incluídas nesta revisão integrativa, realizadas por
esta população e que abordaram a educação em saúde,
observaram um aumento da adesão após intervenções, quer
com a equipa quer com os pacientes. 9,¹¹,¹ Um estudo sobre
a aplicação de atividades educativas demonstrou que o uso
de estratégias com abordagem mais dica pode facilitar a
compreensão e a retenção de conhecimentos, conteúdos e
fatores relevantes sobre determinado tema, como é o caso
dos fatores desencadeantes das IACS e as maneiras de as
evitar. Esta estratégia de incentivo traz benefícios tanto
para os profissionais como para os pacientes.19
Outra estratégia de incentivo à HM refere-se à utilização do
ciclo PDCA como uma ferramenta com ampla
aplicabilidade.¹ Este método consiste num processo cíclico
de melhoria contínua, organizado em quatro etapas: P
(Plan), momento em que o problema é definido e ocorre o
planeamento dos métodos de ação; D (Do), quando ocorre
a implementação dos todos planeados por meio de
treino/ensino aos colaboradores; C (Check), com o
objetivo de verificar os resultados das ações; e A (Action),
para agir na correção de efeitos indesejados ou pontos que
podem ser aprimorados. Este método demonstra ser eficaz
e aplicável em diversas áreas do conhecimento, inclusive na
endoscopia, contribuindo para a ampliação da cobertura de
higienização das mãos.20
Um aspeto a ser considerado é a inclusão e discussão da
higienização das mãos como uma estratégia de incentivo
para a prevenção das IACS ao longo do processo formativo
dos profissionais de saúde, especialmente durante a
licenciatura. Uma pesquisa realizada utilizando a técnica
Delphi com profissionais da saúde especializados na área
de prevenção e controlo de infeções discutiu o ensino deste
tema nos cursos de graduação na área da saúde. Houve
consenso de que o ensino desta prática nesta fase tem um
grande impacto na formação de futuros profissionais que
compreendem a importância das medidas de prevenção e
controlo dos agravos infeciosos no ambiente de trabalho.²¹
Neste contexto, discute-se a necessidade dos campos de
prática estarem equipados com materiais adequados,
estrutura física apropriada, dimensionamento de pessoal e
programas eficientes para o aprimoramento dos
profissionais de saúde. Isto permite a continuidade do que
é aprendido em sala de aula e o que é praticado nos cenários
reais, representando um dos principais desafios na
consolidação dos conhecimentos. Geralmente, muitas
divergências entre o que é ensinado durante a licenciatura e
o que é praticado. A temática da HM deve ser abordada de
forma transversal nas instituições de ensino superior,
incentivando iniciativas que estimulem o pensamento
crítico-reflexivo e criativo, bem como metodologias que
sensibilizem os discentes acerca do tema.²²
Como contribuição deste estudo, é importante ressaltar que
a análise das publicações revelou importantes insights para a
prática clínica. Foi observada uma lacuna significativa na
abordagem da adesão à higienização das mãos, com apenas
dois estudos a explorar essa questão. No entanto,
identificaram-se estratégias de incentivo para promover a
sua prática. Estas descobertas não apenas enfatizam a
necessidade de uma abordagem mais ampla para garantir a
segurança do paciente, mas também oferecem
oportunidades para a implementação de intervenções
eficazes no setor de endoscopia.
Conclusão
Este estudo identificou a adesão e as estratégias de
incentivo à higienização das mãos na endoscopia. No
entanto, os resultados destacam a necessidade de ampliar a
adesão neste setor, uma vez que os índices podem ser
baixos na ausência de intervenções na equipa. Vale a pena
ressaltar as estratégias de incentivo a essa medida
preventiva, especialmente as intervenções educativas, o uso
da ferramenta PDCA, a realização da técnica pelos
profissionais de saúde ao longo do procedimento de
endoscopia, o apoio das lideranças e a inclusão do tema no
processo formativo desses profissionais.
A literatura sobre o tema foi escassa, como evidenciado
pela amostra final incluída na revisão. Foi observado que
metade dos estudos incluídos nesta pesquisa foram
realizados durante a pandemia da Covid-19. Entende-se
que novos estudos devem ser incentivados na endoscopia,
especialmente aqueles multicêntricos, para que seja possível
compreender melhor a realidade do setor em relação ao
tema.
Alvim, A.
Artigo Revisão
Limitações do estudo
As limitações do estudo estão fortemente associadas às
escolhas metodológicas adotadas na revisão integrativa, que
podem ter afetado a validade e a generalização dos
resultados. Em primeiro lugar, a seleção dos estudos
revelou um possível viés de publicação, uma vez que
muitos dos artigos incluídos foram realizados durante a
pandemia de Covid-19. Este contexto excecional pode ter
alterado as práticas de higienização das mãos, dado que
protocolos mais rigorosos estavam em vigor nesse período.
Além disso, a escassez de estudos realizados após a
pandemia limita a capacidade de avaliar a adesão e as
estratégias de incentivo à higienização das os em
cenários mais recentes, quando as condições de trabalho e
as práticas podem ter mudado.
Outra limitação metodológica relevante prende-se com o
critério de inclusão dos estudos, uma vez que, por se tratar
de uma revisão integrativa, foi necessário considerar a
heterogeneidade das metodologias utilizadas nos estudos
incluídos. Isso pode ter comprometido a comparabilidade
e a profundidade da análise, que as diferentes abordagens
metodológicas e os diferentes contextos de pesquisa
influenciam a consistência dos resultados. Além disso, a
escassez de estudos com maior nível de evidência, como
ensaios clínicos randomizados, dificultou a robustez dos
achados e a aplicação de conclusões mais amplas. Essa
limitação é particularmente importante, uma vez que a falta
de estudos rigorosos compromete a força das evidências e
a possibilidade de generalizar os resultados para uma
população mais ampla.
Autoria e Contribuições
Siviero LG: Conceção e desenho do estudo; Recolha de
dados; Análise e interpretação dos dados; Redação do
manuscrito; Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Braz PR: Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Prado RT: Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Carbogim FC: Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Nascimento TC: Revisão crítica do manuscrito; Aprovação
da versão final do manuscrito e assunção de
responsabilidade pelo mesmo;
Rodrigues FC: Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da
versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade
pelo mesmo;
Alvim ALS: Conceção e desenho do estudo; Análise e
interpretação dos dados; Redação do manuscrito;
Aprovação da versão final do manuscrito e assunção de
responsabilidade pelo mesmo.
Conflitos de interesse e Financiamento
Nenhum conflito de interesse foi declarado pelos autores
Fontes de apoio / Financiamento
O estudo não foi objeto de financiamento.
Bibliografia
1. Chou DT, Achan P, Ramachandran M. The World Health
Organization '5 moments of hand hygiene': the scientific
foundation. J Bone Joint Surg Br [Internet]. 2012 [cited ano
mês dia];94(4):441-5. Available from:
https://doi.org/10.1302/0301-620X.94B4.27772
2. Silva NS, Macedo LJS, Mouta AAN, Souza SKM, Silva
ACB, Beltrão RPL. Hand hygiene by health professionals: a
literature review. Res, Soc Development [Internet].
2021[cited 2024 nov 12]; 10(11):e462101119446. Available
from: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i11.19446.
3. Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Resolução da Diretoria Colegiada - RDC 6, de 10 de
março de 2013. Dispõe sobre requisitos mínimos para
funcionamento de serviços de endoscopia. Diário Oficial da
União. [Internet]. Brasília, 2013 [cited 2024 nov 12];
Available from:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/
rdc0006_10_03_2013.html
4. Armstrong-Novak J, Juan HY, Cooper K, Bailey P.
Healthcare personnel hand hygiene compliance: Are we
there yet? Curr Infect Dis Rep [Internet]. 2023 [cited 2024
nov 12];1-7. Available from:
https://doi.org/10.1007/s11908-023-00806-8
5. Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I,
Hoffmann TC, Mulrow CD, et al. The PRISMA 2020
statement: an updated guideline for reporting systematic
reviews. BMJ [Internet]. 2021 [cited 2024 nov 12]; 372:n71.
Available from: https://doi.org/10.1136/bmj.n71.
6. Cavalcante LTC, Oliveira AAS. Métodos de revisão
bibliográfica nos estudos científicos. Psicol Rev (Belo
Horizonte) [Internet]. 2020 [cited 2024 nov 12]; 26(1):83-
102. Available from: https://doi.org/10.5752/P.1678-
9563.2020v26n1p82-100.
7. Brun CN, Zuge SS. Revisão sistemática da literatura:
desenvolvimento e contribuição para uma prática baseada
em evidências na enfermagem. In: Lacerda MR, Costenaro
RG, editors. Metodologias da pesquisa para a enfermagem e
saúde. Porto Alegre: Moriá; 2015. p.77-98.
Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / março 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.353 / e00353
8. Guyatt G, Gutterman D, Baumann MH, Addrizzo-Harris
D, Hylek EM, Phillips B, et al. Grading strength of
recommendations and quality of evidence in clinical
guidelines: report from an american college of chest
physicians task force. Chest [Internet]. 2006 [cited 2024 nov
12]; 129(1):174-81. Available from:
https://doi.org/10.1378/chest.129.1.174
9. Karels EM, Voss J, Arends R, Horsley L, Andree E.
Impact of Infection Control Education on Gastrointestinal
Endoscopy Procedural Staff. Gastroenterol Nurs [Internet].
2022 [cited 2024 nov 12]; 45(2):91-100. Available from:
https://doi.org/10.1097/SGA.0000000000000590
10. Kong X, Zhu X, Zhang Y, Wu J. The application of plan,
do, check, act (PDCA) quality management in reducing
nosocomial infections in endoscopy rooms: It does work.
Int J Clin Pract [Internet]. 2021 [cited 2024 nov 12];
75(8):e14351. Available from:
https://doi.org/10.1111/ijcp.14351
11. Murcio-Pérez E, Zamarripa-Mottú RA, Andrade-
DePaulo G, Aguilar-Nájera O, Tchekmedyian JA, Blanco-
Velasco G, et al. Adherence to recommendations for
endoscopy practice during Covid-19 pandemic in Latin
America: how are we doing it? BMJ Open Gastroenterol
[Internet]. 2021 [cited 2024 nov 12]; 8(1):e000558. Available
from: https://doi.org/10.1136/bmjgast-2020-000558
12. Pombo AAM, Lenz L, Paulo GA, Santos MA, Tamae
PK, Santos ALDR, et al. Endoscopy infection control
strategy during the Covid-19 pandemic: experience from a
tertiary cancer center in Brazil. Clinics [Internet]. 2021 [cited
2024 nov 12];76:e2280. Available from:
https://doi.org/10.6061/clinics/2021/e2280
13. Pedersen L, Elgin K, Peace B, Masroor N, Doll M,
Sanogo K, et al. Barriers, perceptions, and adherence: Hand
hygiene in the operating room and endoscopy suite. Am J
Infect Control [Internet]. 2017 [cited 2024 nov 12];
45(6):695-97. Available from:
https://doi.org/10.1016/j.ajic.2017.01.003
14. Santos LX, Souza Dias MB, Borrasca VL, Cavassin LT,
Deso di Lobo R, Bozza Schwenck RC, et al. Improving
hand hygiene adherence in an endoscopy unit. Endoscopy
[Internet]. 2013 [cited 2024 nov 12]; 45(6):421-5. Available
from: http://doi.org/10.1055/s-0032-1326284.
15. Choi ES, Choi JH, Lee JM, Lee SM, Lee YJ, Kang YJ, et
al. Is the environment of the endoscopy unit a reservoir of
pathogens? Intest Res [Internet]. 2014 [cited 2024 nov 15];
12(4):306-12. Available from:
http://doi.org/10.5217/ir.2014.12.4.306
16. Lopes ML, Cordeiro PM, Oliveira BKF, Silva MA,
Albuquerque FHS, Mata MM. Higienização das mãos na
assistência de enfermagem ao paciente crítico em hospital
universitário do Amazonas. Revisa [Internet]. 2020 [cited
2024 nov 15]; 9(3): 375-381. Available from:
http://doi.org/10.60104/revhugv10706
17. Issa M, Dunne SS, Dunne CP. Hand hygiene practices
for prevention of health care-associated infections
associated with admitted infectious patients in the
emergency department: a systematic review. Ir J Med Sci
[Internet]. 2023 [cited 2024 nov 15]; 192(2):871-99.
Available from: http://doi.org/10.1007/s11845-022-
03004-y
18. Silva BM, Araújo JN, Silva ML, Santos MA, Dantas AC,
Costa ML. Medidas de segurança do paciente em unidades
de terapia intensiva. Enferm Foco [Internet]. 2022 [cited
2024 nov 15]; 13:e-202249ESP1. Available from:
http://doi.org/10.21675/2357-707X.2022.v13.e-
202249ESP1
19. Fernandes de Oliveira F, Honorato AK. Atividade lúdica
e educativa para higienização das mãos em tempos de
pandemia: relato de experiência. Rev Nursing [Internet].
2021 [cited 2024 nov 15];24(275):5496505. Available from:
https://doi.org/10.36489/nursing.2021v24i275p5496-
5505
20. Chen H, Wang P, Ji Q. Analysis of the application effect
of PDCA cycle management combined with risk factor
management nursing for reducing infection rate in operating
room. Front Surg [Internet]. 2022 [cited 2024 nov 15];
9:837014. Available from:
https://doi.org/10.3389/fsurg.2022.837014
21. Massaroli A, Martini JG, Moya JLM, Bitencourt JVOV,
Reibnitz KS, Bernardi MC. Teaching of infection control in
undergraduate courses in health sciences: opinion of
experts. Rev Bras Enferm [Internet]. 2018 [cited 2024 nov
15];71(suppl 4):1626-34. Available from:
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0928
22. Purssell E, Gould D. Teaching health care students hand
hygiene theory and skills: a systematic review. Int J Environ
Health Res [Internet]. 2022 [cited 2024 nov 15]; 32(9):2065-
73. Available from:
https://doi.org/10.1080/09603123.2021.1937580