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Pensar Enfermagem / v.28 n.sup / outubro 2024
DOI: 10.71861/pensarenf.v28iSup.355
Resumo
Introdução
A diabetes mellitus tipo 2 (DMT2), pela sua complexidade, exige à pessoa a adoção de
diferentes comportamentos de autocuidado. Os domínios do autocuidado: adesão à
medicação, pesquisa de glicemia, dieta, atividade física e autovigilância, o essenciais na
sua gestão.¹ Identificar barreiras ao autocuidado é crucial para o controlo da DMT2.²
Objetivo
Identificar as principais barreiras no autocuidado pela pessoa com DMT2.
Métodos
Entre setembro de 2022 a março de 2023, foi conduzido um estudo descritivo transversal
em contexto de cuidados de saúde primários, envolvendo 365 pessoas com DMT2. Os
dados foram colhidos através de questionário, categorizados com base no modelo COM-B
para a mudança do comportamento (B) (capacidade (C), oportunidade (O) e motivação (M)) ³ e
analisados por meio de análise estatística descritiva.
Resultados
Da amostra, 66,9% (n=244) revelaram a existência de barreiras em pelo menos um dos
domínios de autocuidado. As barreiras mais relatadas foram na dieta (58,5%) e na atividade
física (47,2%). Para a dieta, a capacidade psicológica (falta de conhecimento) representou 12,3%
e a motivação automática (falta de vontade) 22,7%. Para a atividade física, a capacidade física (dor,
idade) foi a barreira mais apontada (21,4%), seguida pela categoria da motivação automática
(falta de vontade) com 14,5%. Na gestão da medicação (6,9%), a capacidade psicológica
(esquecimento) foi reportada 5,9% e a oportunidade física (acesso à prescrição) por 1,1%. No
domínio da autovigilância, a capacidade psicológica (falta de conhecimento) foi a barreira mais
presente (3,9%) e na pesquisa de glicemia, a motivação automática (medo) com 6,3%.
Conclusão
O conhecimento das barreiras no autocuidado da DMT2 permite o desenvolvimento de
intervenções direcionadas por profissionais de saúde e políticas informadas de saúde. Este
estudo proporciona um contributo substancial e centrado na pessoa, que visa impactar
positivamente a gestão e o controlo metabólico da DMT2.
Palavras-chave
Autocuidado; Diabetes Mellitus tipo II; Barreiras; Estudo Descritivo Transversal; Técnicas
de Mudança de Comportamento.
Referências
1. Protheroe J, Rowlands G, Bartlam B, Levin-Zamir D. Health literacy, diabetes
prevention, and self-management. J Diabetes Res [Internet] 2017 [cited 2024 07 26];
2017:1298315. Available from: https://doi.org/10.1155/2017/1298315
2. Rushforth B, McCrorie C, Glidewell L, Midgley E, Foy R. Barriers to effective
management of type 2 diabetes in primary care: qualitative systematic review. Br J Gen
Pract. [Internet] 2016 Feb [cited 2024 07 27]; 66(643):e114-27. Available from:
https://doi.org/10.3399/bjgp16X683509
3. Michie S, van Stralen MM, West R. The behaviour change wheel: a new method for
characterising and designing behaviour change interventions. Implementation S [Internet]
2011 Apr 23 [cited 2024 07 27];6(42). Available from: https://doi.org/10.1186/1748-5908-
6-42
Barreiras no Autocuidado da Pessoa com
Diabetes Mellitus Tipo 2: Estudo Descritivo
Transversal
Dulce Oliveira1
orcid.org/0000-0003-4685-3458
Maria Adriana Henriques2
orcid.org/ 0000-0003-0288-6653
Paulo Nogueira3
orcid.org/ 0000-0001-8316-5035
Andreia Costa4
orcid.org/ 0000-0002-2727-4402
1 Doutoranda no Programa de Doutoramento em
Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem de
Lisboa (ESEL)/Universidade de Lisboa (UL), Lisboa;
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento
em Enfermagem (CIDNUR), Lisboa; Instituto de
Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de Medicina de
Lisboa (FMUL), Lisboa; Cuidados de Saúde Primários
(UCSP Brandoa), Unidade Local de Saúde
Amadora/Sinta, Amadora, Portugal.
2 Departamento de Saúde Comunitária, Escola
Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), Lisboa;
Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de
Medicina de Lisboa (FMUL), Lisboa; TERRA
Laboratório para a Sustentabilidade do Uso da Terra e
dos Serviços de Ecossistemas, Departamento
Sociedade e Saúde Ambiental, Lisboa, Portugal.
3 Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de
Medicina de Lisboa (FMUL), Lisboa; TERRA
Laboratório para a Sustentabilidade do Uso da Terra e
dos Serviços de Ecossistemas, Departamento
Sociedade e Saúde Ambiental, Lisboa, Portugal.
4 Departamento de Saúde Comunitária, Escola
Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), Lisboa;
Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de
Medicina de Lisboa (FMUL), Lisboa; TERRA
Laboratório para a Sustentabilidade do Uso da Terra e
dos Serviços de Ecossistemas, Departamento
Sociedade e Saúde Ambiental, Lisboa, Portugal.
Autor de correspondência
Dulce Oliveira
E-mail: dulce.oliveira@campus.esel.com