Introdução
A passagem de turno é indispensável na prática clínica, permeando diversos contextos de
cuidados de saúde. É vital para assegurar a continuidade de cuidados envolvendo a
transferência de informações precisas sobre o cliente, implicando a responsabilidade pela
sua saúde. Porém, acreditar que este momento primordial da prática clínica de enfermagem
é isento de implicações para a saúde mental dos enfermeiros é ingénuo.
Objetivo
Explorar e mapear as implicações da passagem de turno na saúde mental dos enfermeiros.
Métodos
Metodologia JBI1 e Checklist PRISMA ScR.2 Bases de dados pesquisadas: CINAHL
Ultimate, MEDLINE Ultimate, MedicLatina e Scopus. Literatura cinzenta incluiu: Google
Scholar e RCAAP.
Resultados
Identificámos 11 estudos publicados entre 1988 e 2022, no Reino Unido, Austrália, EUA,
Coreia do Sul e Hong Kong, envolvendo mais de 122 enfermeiros em contextos de
cuidados agudos. Os resultados revelam três temas: fonte de desconforto psicológico,
recurso de coping e apoio e coesão entre pares. Emoções negativas como stress, ansiedade,
insatisfação e tensão estão associadas às passagens de turno, especialmente as realizadas à
cabeceira, que levantam questões de confidencialidade e induzem escrutínio entre os
enfermeiros. A falta de formação padronizada e de procedimentos consistentes também
contribui para o stress, especialmente para os enfermeiros recém-formados e com menos
experiência.3 Em contrapartida, as passagens de turno funcionam como rituais estruturados
que proporcionam apoio entre pares e uma sensação de controlo, ajudando os enfermeiros
a lidar com as exigências psicológicas.
Conclusão
Esta revisão destaca a relevância das passagens de turno no apoio à saúde mental dos
enfermeiros e a necessidade de práticas padronizadas para melhorar o bem-estar dos
profissionais e a qualidade dos cuidados. Investigação futura deve avaliar o impacto de
diferentes práticas de passagem de turno na saúde mental dos enfermeiros e explorar as
suas funções de apoio, sociais, protetoras e restauradoras.
Palavras-chave
Enfermagem; Saúde Mental; Transferência da Responsabilidade pelo Paciente; Revisão.
Referências
1. Peters MDJ, Godfrey C, McInerney P, Munn Z, Tricco AC, Khalil, H. Scoping Reviews.
In: Aromataris E, Munn Z, editors. JBI Manual for Evidence Synthesis [Internet]. JBI; 2020
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https://doi.org/10.46658/JBIMES-20-12
2. Tricco AC, Lillie E, Zarin W, O’Brien KK, Colquhoun H, Levac D, et al. PRISMA
Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation. Ann Intern
Med. [Internet] 2018 [cited 2024 mar 28];169(7):467-473. Available from:
https://doi.org/10.7326/M18-0850
3. Kim EM, Kim JH, Kim C, Cho S. Experiences of handovers between shifts among nurses
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[cited 2024 mar 28]; 24(3):717-725. Available from: https://doi.org/10.1111/nhs.12970
Margarida Tomás1
orcid.org/0000-0001-8047-3489
Marisa Soares2
orcid.org/0009-0007-6506-6907
Joaquim Oliveira-Lopes3
orcid.org/0000-0003-2571-7078
Luís Sousa4
orcid.org/0000-0002-9708-5690
Vânia Martins5
orcid.org/0009-0007-1211-7571
1 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento
em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa,
Portugal.
2 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento
em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa,
Portugal.
3 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento
em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa,
Portugal.
4 Comprehensive Health Research Centre (CHRC),
Évora, Portugal.
5 Comprehensive Health Research Centre (CHRC),
Évora, Portugal.
Autor de correspondência
Margarida Tomás
E-mail: matomas@essel.pt