prestados.6 O SIE utilizado nos Cuidados de Saúde
Primários (CSP) é o SClínico-CSP®. Neste realiza-se a
documentação dos cuidados ao indivíduo e família, com
recurso a uma linguagem padronizada, nomeadamente a
Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem
(CIPE®).7.Através da avaliação do indivíduo e da família, é
possível no SClínico-CSP® a documentação comum de
dados relacionados com a dimensão estrutural da família,
tais como: características da habitação, a classe social e o
tipo de família. Por sua vez, a orientação para a tomada de
decisão dos enfermeiros neste âmbito é suportada em
modelos teóricos, como os Modelos de Calgary de
Avaliação Familiar (MCAF) e o Modelo de Intervenção
Familiar (MCIF), 8 e particularmente o Modelo Dinâmico
de Avaliação e Intervenção Familiar (MDAIF)1, que
constitui não só um modelo teórico, mas também operativo
para a prática clínica.9,10
O Regulamento de competências específicas do
Enfermeiro Especialista Enfermagem Comunitária em
Enfermagem de Saúde Familiar (EEECESF),11 refere que
o enfermeiro deve cuidar da família como unidade e dos
seus membros individualmente, bem como documentar o
processo de cuidados, integrando a saúde, família e
ambiente. Contudo, a documentação dos cuidados da
família como cliente não é ainda uma prática transversal dos
enfermeiros que prestam cuidados às famílias. Este facto é
confirmado por Melo et al.,12 num estudo com objetivo de
identificar, através dos sistemas de informação da região
norte do país, os focos de enfermagem resultantes da
avaliação e intervenção à família como cliente dos cuidados.
Os resultados demonstraram que focos de atenção afetos à
dimensão estrutural, nomeadamente: rendimento familiar,
edifício residencial e abastecimento de água obtiveram
taxas de documentação de 0,002%.
Vários estudos também apontam fatores dificultadores
para a documentação dos cuidados, como a falta de
formação contínua, a sobrecarga de trabalho, falta de
tempo e recursos adequados, além da percepção da
documentação como uma tarefa burocrática. 5,13,14,15,16
Um estudo desenvolvido em mais de 500 enfermeiros
portugueses, sem formação pós graduada na área de
enfermagem de saúde familiar, mostrou que a
autopercepção de competência destes enfermeiros nas
etapas do PE diminui à medida que o processo evolui. 17 O
mesmo estudo demonstrou ainda que as áreas de atenção
auto percebidas pelos participantes com menores níveis
médios de autopercepção de competência foram o
Rendimento Familiar, o Edifício Residencial, o
Abastecimento de Água e Animal Doméstico, que são áreas
de atenção integrantes da dimensão estrutural da família.
Todas as características que integram a dimensão estrutural
são passíveis de serem observadas, avaliadas e
documentadas, particularmente quando existe
longitudinalidade nos cuidados às famílias e seus membros
individualmente. Deste modo, torna-se importante integrar
de modo mais efetivo a documentação do PE referente à
avaliação e intervenção familiar, neste caso particular da
dimensão estrutural, de forma a aumentar as taxas de
documentação, o que poderá contribuir para uma melhoria
da qualidade dos cuidados à família e aos seus membros,
bem como para uma maior visibilidade dos mesmos.
O objetivo deste estudo foi desenvolver documentação no
SIE (SClínico-CSP®) ao nível da avaliação, intervenção e
dos ganhos em saúde familiar no âmbito da dimensão
estrutural.
Métodos
Estudo descritivo e retrospetivo, incluindo dois períodos
distintos de avaliação. A primeira avaliação foi realizada em
22 de março de 2023, antes da implementação das
atividades do projeto, de forma a comparar na segunda
avaliação em 01 de junho de 2023, os resultados obtidos
com a implementação do projeto. A população foi
constituída pelas famílias inscritas na UF, num total de 669
famílias (à data de fevereiro de 2023).
Como critério de inclusão definiu-se as famílias cujos
elementos tiveram uma consulta de enfermagem
(individual, subsistemas ou família total) na UF/domicílio.
Excluíram-se as famílias cujos elementos não estavam
inscritos de forma permanente na UF.
A amostra que constituiu a 1ª avaliação foi o número total
de famílias cujo processo familiar integrava algum tipo de
avaliação e documentação no âmbito da dimensão
estrutural, o que constituiu um total de 24 famílias. Esta
informação foi extraída através dos mecanismos de
extração de dados do SIE (SClínico-CSP®).
No segundo momento da avaliação (junho de 2023),
através do mesmo processo de extração de dados e pela
documentação realizada em Excel®, determinou-se um
total de 71 famílias.
A equipa responsável pela implementação foi constituída
pela Equipa da Enfermagem da UF.
Durante a recolha de dados foi respeitado o anonimato dos
membros das famílias, sendo ocultada qualquer informação
que os pudesse identificar.
Para a avaliação foram utilizados os indicadores definidos
para a avaliação e intervenção familiar da dimensão
estrutural, que integram o mapeamento de indicadores do
Modelo Dinâmico de Avaliação e Intervenção Familiar
(MDAIF),18 nomeadamente: taxas de avaliação, taxas de
prevalência e indicadores de resultado.
Relativamente à avaliação da fase do ciclo vital das famílias
nucleares, utilizou-se a classificação de Relvas.19 Esta,
considera sempre a idade do filho mais velho e integra as
seguintes fases: fase 1 (formação de casal); fase 2 (família
com filhos pequenos); fase 3 (família com filhos na escola);
fase 4 (família com filhos adolescentes) e fase 5 (família
com filhos adultos).
Em relação à avaliação do tipo de habitação e classe social
foi utilizada a Escala de Graffar Adaptada.1Esta permite