Introdução
O delirium é um preditor independente de mortalidade, morbilidade, aumento do tempo de
internamento e deficit cognitivo a longo prazo, com um impacto negativo na pessoa em
situação crítica e na sua família.1 Os estudos sobre delirium na pessoa em situação crítica
com queimaduras são escassos, sendo que se estima que a incidência de delirium nesta
população possa atingir os 77%.2,3 Este estudo integra o sub-projeto cognition.id, inserido
no projeto id.Care.
Objetivo
Determinar a incidência e os fatores de risco de delirium na pessoa vítima queimadura, sob
ventilação mecânica invasiva (VMI).
Métodos
Estudo observacional, analítico de coorte entre agosto de 2022 e janeiro de 2024. Aplicámos
a escala Confusion Assessment Method for the Intensive Care Unit, no mínimo, duas
vezes/dia. Foi construído um instrumento de colheita de dados, com variáveis de
caraterização da amostra, comorbilidades e possíveis fatores de risco. Foram excluídas as
pessoas que não necessitaram de VMI, cuja causa de admissão não foi por queimadura ou
sem avaliação de delirium. Estudo aprovado pelas Comissão de Ética.
Resultados
O mecanismo de lesão de queimadura em 92,6% dos 27 participantes foi de origem térmica,
com área de superfície corporal queimada (ASCQ) entre os 2%-92% (média de 24%).
Verificou-se que em média estiveram ventilados durante 14 dias, com 21 a necessitarem de
intervenção cirúrgica e 18 a desenvolverem infeção sistémica. A incidência de delirium neste
estudo foi de 81,5%, com uma duração média de 11,86 dias, e com o seu desenvolvimento
em média ao 12º dia de internamento. São fatores de risco de desenvolvimento de delirium
a infeção sistémica, ASCQ e intervenção cirúrgica.
Conclusão
A incidência de delirium é elevada em pessoas vítimas de queimaduras sob VMI. Os
preditores do desenvolvimento de delirium destacam a importância de atendermos a fatores
únicos desta população, de forma a minimizar o seu impacto, nomeadamente na gestão e
controle da infeção da queimadura.
Palavras-chave
Delirium; Fatores de risco; Queimaduras; Comorbilidade.
Referências
1. Dziegielewski C, Skead C, Canturk T, Webber C, Fernando SM, Thompson LH, et al.
Delirium and Associated Length of Stay and Costs in Critically Ill Patients. Tran QK, editor.
Crit Care Res Pract [Internet]. 2021 [cited 2024 May 27]; 1–8. Disponível em:
https://www.hindawi.com/journals/ccrp/2021/6612187/
2. Agarwal V, O’Neill PJ, Cotton BA, Pun BT, Haney S, Thompson J, et al. Prevalence and
risk factors for development of delirium in burn intensive care unit patients. J Burn Care Res
[Internet]. 2010 [cited 2024 May 27];31(5):706–15. Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20647937/
3. van Yperen DT, Raats JW, Dokter J, Ziere G, Roukema GR, Van Baar ME, et al.
Prevalence and Risk Factors for Delirium in Elderly Patients with Severe Burns: A
Márcia Pereira Silva1
orcid.org/0000-0001-7055-8665
Joana Vala2
orcid.org/0009-0008-7256-0548
Joana Teixeira3
orcid.org/0000-0001-9237-8120
Helga Rafael Henriques4
orcid.org/0000-0003-2946-4485
João Sousa5
1Unidade de Queimados, Unidade Local de Saúde de
Santa Maria, Lisboa. Centro de Investigação, Inovação
e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa
(CIDNUR), Lisboa, Portugal.
2Unidade de Queimados, Unidade Local de Saúde de
Santa Maria, Lisboa, Portugal.
3Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. Centro de
Investigação, Inovação e Desenvolvimento em
Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa, Portugal.
4Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, Lisboa.
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento
em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa,
Portugal.
5Departamento Urologia, Unidade Local de Saúde de
Santa Maria, Lisboa, Portugal.
Autor de correspondência
Márcia Pereira Silva
E-mail: aureliams84@gmail.com