Introdução
A alimentação é entendida como um processo biológico e
cultural, que é traduzido pela escolha, preparação e
consumo de um ou mais alimentos. É a partir da
alimentação, que os seres vivos garantem a sobrevivência,
a reprodução e o equilíbrio do próprio organismo. Sempre
que os alimentos são ingeridos, absorvem-se nutrientes que
satisfazem as necessidades das pessoas assim como o bem-
estar emocional, psicológico e motor.1,2
A família representa-se como um sistema social primário
onde a criança se desenvolve, é cuidada e torna-se apta para
o convívio social. Tem uma enorme influência no conceito
individual de saúde e de doença, no sentido de autoestima
e de competência pessoal.6 É uma das principais
responsáveis pelo desenvolvimento, pela educação, pela
afetividade, pelo bem-estar, pela proteção e segurança da
criança. Detém um papel vital na formação de cada sujeito,
consiste no elo entre o mundo e a sociedade.7 Neste
sentido, é responsável pela formação do comportamento
alimentar da criança pois é no seio da mesma que se iniciam
as influências educativas que vão determinar todo o
processo de socialização alimentar, uma vez que é no
ambiente familiar que a criança conhece os alimentos, os
seus sabores e desenvolve as suas preferências.8
Vários são os estudos onde os autores referem o
funcionamento familiar como uma forte influência na
alimentação das crianças, assim como a importância do
meio ambiente no desenvolvimento humano e as figuras de
referência na modelagem dos comportamentos.
Estudos indicam que os primeiros cinco anos
correspondem a um período de rápido crescimento e
mudança física, bem como à formação de comportamentos
alimentares que podem estabelecer futuros padrões
dietéticos. Nestes anos iniciais, as crianças aprendem a
definir o que, quando e quanto comer, influenciadas pela
transmissão de crenças, atitudes e práticas culturais e
familiares em torno da alimentação. Assim, os pais e
cuidadores desempenham um papel crucial na estruturação
das primeiras experiências alimentares das crianças.9
Desde a gestação, o feto já tem contacto com os sabores
dos alimentos através da alimentação materna, e, após o
nascimento, essa exposição continua pelo leite materno,
que reflete a dieta da mãe. A exposição precoce aos sabores
pode facilitar a aceitação, por parte do bebé, dos alimentos
consumidos pela mãe. Durante a transição para a
alimentação da família, as preferências alimentares das
crianças são influenciadas pelos alimentos disponíveis e
acessíveis, sendo também moldadas pelo exemplo e pela
familiaridade com os hábitos alimentares dos pais.9
Assim, se desejarmos que as crianças aprendam a gostar e a
comer alimentos saudáveis, como legumes, elas precisam
de várias experiências precoces, positivas com esses
alimentos, assim como de oportunidades para observar
outras pessoas a consumi-los. Deste modo, os pais têm um
papel essencial na definição dos alimentos com que os
filhos se familiarizam, desde aqueles armazenados em casa
até aos que são consumidos nas refeições em família ou
fora de casa.9
A infância, é considerada uma fase essencial para a
formação de hábitos alimentares e, a forma como a família
interage com as suas crianças durante as refeições é
fundamental para a formação desses mesmos hábitos. Essa
interação nos primeiros anos de vida, pode influenciar
positivamente ou negativamente na alimentação, uma vez
que as práticas e hábitos alimentares são aprendidos a partir
das vivências durante o nosso crescimento e
desenvolvimento. É nesta etapa da vida, que é formada a
personalidade e são estabelecidos padrões que serão a base
do comportamento da criança na idade adulta.10
A alimentação infantil é o resultado de vários fatores,
nomeadamente a aprendizagem que é facultada às crianças,
os hábitos incutidos pelos pais, as características pessoais
de cada criança assim como a disponibilidade parental para
a aquisição de alimentos.11
Os hábitos alimentares das crianças pré-escolares são
condicionados, maioritariamente determinados pelos pais,
embora as suas preferências influenciem, em parte, as
escolhas feitas pelos pais, e aquilo que a criança de facto
ingere, de entre o que lhe é oferecido aquando das
refeições.11
Sendo a alimentação uma das principais determinantes da
saúde de qualquer pessoa, esta deve merecer um cuidado
especial e permanente, incluindo a educação para uma
alimentação saudável, que se deve iniciar desde muito cedo.
Neste sentido, importa salientar a influência da alimentação
na saúde das pessoas que, em primeira instância, é também
influenciada pelos pais. Segundo Costa et al.12 em seu
estudo referem que durante a infância a família tem grande
responsabilidade, não só na oferta do alimento, mas
também na formação do comportamento alimentar da
criança, cabendo aos pais o papel de primeiros educadores
nutricionais.
Segundo a Teoria da Aprendizagem Social de Bandura, os
indivíduos aprendem por observação e imitação, sendo os
pais modelos fundamentais na formação dos hábitos
infantis. No contexto alimentar, as atitudes e práticas dos
cuidadores influenciam diretamente as preferências e
comportamentos das crianças em idade pré-escolar. A
disponibilidade de alimentos saudáveis e as interações
familiares durante as refeições são determinantes nesse
processo. Práticas inadequadas, como recompensas
alimentares ou imposições excessivas, podem ter impactos
negativos. Assim, compreender a perceção dos pais sobre a
alimentação saudável é essencial para promover estratégias