Introdução
A realização de um transplante de coração afeta positivamente a qualidade de vida e o
estado funcional da pessoa transplantada, no entanto, existem vários desafios com os quais
se vai deparar no regresso à vida quotidiana.1
Assim, o regresso a casa da pessoa transplantada ao coração é mediado com alguma
ansiedade, mas também na expectativa de que os principais desafios da recuperação serão
ultrapassados. Mas, como é que a pessoa de volta à sua vida quotidiana integra o coração
transplantado no novo esquema corporal?
Objetivo
Descrever os primeiros insights a partir do organizador existencial, “o corpo vivido”, no
regresso a casa da pessoa após transplante de coração.
Métodos
Os resultados preliminares apresentados fazem parte de uma investigação fenomenológica
e hermenêutica suportada por uma metodologia proposta por van Manen.2
Foram realizadas nove entrevistas a transplantados ao coração que regressaram a casa há
mais de três meses, com idades compreendidas entre os 38 e os 62 anos. As entrevistas com
duração média de 70 minutos, foram gravadas em ficheiros áudio e transcritas em verbatim.
A análise dos achados é inspirada numa linha fenomenológica interpretativa a partir de uma
reflexão macro e microtemática, realizada em vários momentos de análise, no sentido de
extrair os significados do texto.2 Obtido parecer favorável da comissão de ética.
Resultados
O regresso a casa é marcado pelas limitações físicas que condicionam o autocuidado:
deambular, levantar-se, subir escadas, tomar banho, usar o sanitário, são as dificuldades
mais referidas.
Preocupação com as infeções e com a rejeição fazem muitas vezes emergir o receio de
voltar a ser internado, sendo que, a rejeição pode ser vista como um combate permanente
entre os órgãos nativos e o “órgão estranho”.
Novos hábitos de vida que a pessoa se vê na obrigação de adotar, como por exemplo, a
escolha entre fazer uma alimentação mais saudável, fazer exercício físico regular, restringir
a frequência de locais e o convívio com outras pessoas, são a causa de conflitos psíquicos
internos.
Conclusão
As dificuldades físicas, a evolução na capacidade de autocuidado e as estratégias utilizadas
são referências comuns nesta análise inicial. No entanto, também emergem os conflitos
emocionais e a necessidade, muitas vezes descurada, mas manifestada pelo próprio, por
uma maior atenção da sua dimensão psíquica.
Palavras-chave
Transplante de coração; Experiência vivida; Regresso a casa; Fenomenologia; Autocuidado
Bibliografia
1. Cebeci F, Cetin C, Catal E, Bayezid O. Life experiences of adult heart transplant
recipients: a new life, challenges, and coping. Qual Life Res. [Internet] 2021 [cited 2024
Fev 07]; 30(6):1619–27. Available from: https://doi.org/10.1007/s11136-021-02763-y
António José Ferreira1
orcid.org/0000-0002-0919-9082
Joaquim Oliveira-Lopes2
orcid.org/0000-0003-2571-7078
1 Centro de Cirurgia Cardiotorácica e Transplantes de
Órgãos Torácicos, Unidade Local de Saúde de
Coimbra, Coimbra, Portugal; Centro de Investigação,
Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de
Lisboa, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa,
Lisboa, Portugal
2 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento
em Enfermagem de Lisboa, Escola Superior de
Enfermagem de Lisboa, Lisboa, Portugal
Autor de correspondência:
António José Ferreira
E-mail: antonio.jsfer@gmail.com