Introdução
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que mais de 200 milhões de mulheres
foram submetidas a Mutilação Genital Feminina (MGF) e que cerca de 3 milhões estão em
risco a nível mundial. Portugal foi considerado um país de risco, de janeiro de 2018 a
dezembro de 2021 registaram-se 426 casos de MGF na região de Lisboa e Vale do Tejo. O
Enfermeiro Obstetra desempenha um papel importante na eliminação da MGF através da
identificação, sinalização e da prevenção.
Objetivo
Mapear a evidencia científica sobre as experiências dos Enfermeiros Obstetras no cuidado
das famílias/mulheres com Mutilação Genital Feminina.
Métodos
A revisão scoping segue as guidelines emitidas pelo Joana Briggs Institute (JBI) A pesquisa foi
efetuada nas bases de dados CINAHL Ultimate ®, MEDLINE Ultimate ®, em outubro e
novembro de 2023 e nos Repositórios de Acesso Aberto de Portugal. Foram incluídos todo
o tipo de estudos, sem limitação de idioma nos últimos dez anos, para responder à questão:
Quais as experiências dos Enfermeiros Obstetras no cuidar da família com Mutilação
Genital Feminina?
Resultados
Identificaram-se 20 artigos, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foi elegível
1 artigo para análise.
Os Enfermeiros Obstetras demonstram competências no cuidar das mulheres/famílias
com MGF, necessitando de fortalecer a sua confiança e conhecimentos. Descrevem como
principais dificuldades a adequação da linguagem; o reconhecimento e identificação dos
tipos de MGF e a sinalização destas mulheres.
Conclusão
A MGF abrange toda a família, a evidência diz-nos que os parceiros podem ter um papel
preventivo, evitando a continuidade desta violência nas suas filhas. O Enfermeiro Obstetra
demonstra competências para cuidar destas famílias e das comunidades em risco.
Palavras-chave
Mutilação Genital Feminina; Cuidar; Enfermeiro Obstetra.
Referências
1. Direção Geral de Saúde. Orientação 008/2021 de 30/06/2021. Mutilação genital
feminina. [Internet]. Lisboa: DGS; 2021 [cited 2023 Out 17]. 19 p. Disponível em:
https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/orientacoes-e-circulares-
informativas/orientacao-n-0082021-de-30062021-pdf.aspx
2. Direção-Geral da Saúde. Mutilação genital feminina: análise dos casos registados na
PDS/RSE-AP 2018–2021 [Internet]. Lisboa: DGS; 2022 [cited 2023 Out 17]. 16 p.
Disponível em: https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013/relatorio-mutilacao-
genital-feminina-2022-pdf.aspx
3. Dawson AJ, Turkmani S, Varol N, Nanayakkara S, Sullivan E, Homer CSE. Midwives’
experiences of caring for women with female genital mutilation: insights and ways forward
for practice in Australia. Women and Birth [Internet]. 2015 [cited 2023 Nov 11]; 28 (3):
207–214. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.wombi.2015.01.007
Joana Costa1
Helena Presado2
orcid.org/0000-0002-6852-7875
1Mestranda em Enfermagem de Saúde Materna e
Obstetrícia. Escola Superior de Enfermagem de Lisboa
(ESEL), Lisboa, Portugal.
2Doutora. Centro de Investigação, Inovação e
Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa
(CIDNUR) da Escola Superior de Enfermagem de
Lisboa (ESEL), Lisboa, Portugal.
Autor de correspondência
Joana Costa
E-mail: jcosta@campus.esel.pt