Saúde mental e bem-estar da força de
trabalho na saúde: um desafio que exige
ação imediata
Os profissionais de saúde estão sujeitos a níveis elevados de stress, exaustão e absentismo,
relacionados com a escassez de pessoal, salários baixos ou condições de trabalho
inadequadas. Os dados de prevalência sugerem que não houve uma mudança significativa
nos problemas de saúde mental entre os trabalhadores da saúde desde 2022. Quase 40%
dos profissionais de saúde apresentaram níveis elevados de ansiedade e depressão. Além
disso, o burnout e o sofrimento moral estão a agravar-se, especialmente entre os enfermeiros
das unidades de cuidados intensivos (Abdul Rahim et al., 2022).
O "State of the World’s Nursing Report" (OMS, 2020) apresentou uma descrição detalhada
da força de trabalho de enfermagem a nível nacional, regional e global. O envelhecimento
da população, juntamente com uma previsão de escassez global de mais de 10 milhões de
enfermeiros até 2030, gera a necessidade de proteger a saúde mental e o bem-estar dos
trabalhadores da saúde. Além disso, os enfermeiros estão a levantar a voz sobre como a sua
saúde mental e bem-estar são afetados pelas exigências do seu local de trabalho. Assim, os
empregadores estão a responder cada vez mais através da implementação de intervenções
organizacionais e individuais. Novas iniciativas estão a destacar-se a nível organizacional e
de políticas públicas, como:
Global Strategic Directions for Nursing and Midwifery na 78ª Assembleia Mundial da
Saúde (WHA, WHO, 2021) fornecem evidências que sustentam as decisões de governança
antecipadas pelos Estados-Membros da WHO sobre educação, empregos, liderança e
prestação de cuidados.
Our duty of care: A global call to action to protect the mental health of health and
care workers (WHO e World Innovation Summit for Health da Qatar Foundation, 2022)
propõe ações políticas como um quadro para acompanhamento imediato por parte de
empregadores, organizações e responsáveis políticos.
Global health and care worker compact (WHA and International Labour Conference in
2022) reafirmou as obrigações dos governos e empregadores em proteger a força de
trabalho, garantir os seus direitos e proporcionar-lhes trabalho digno em ambientes de
prática seguros e adequados que salvaguardem a sua saúde mental e bem-estar.
The future of Nursing 2020-2030: Changing a path to achieve health equity (National
Academy of Medicine, USA) destaca a necessidade crítica de apoiar o bem-estar dos
enfermeiros para assegurar a prestação de cuidados de alta qualidade. Para atingir este
objetivo, propõem reforçar os sistemas, estruturas e políticas que afetam a saúde e o bem-
estar dos enfermeiros.
Bucharest Declaration on health and care workers (WHO-Europe, 2023) recomenda
melhorar o fornecimento (retenção e recrutamento) de profissionais de saúde, e otimizar o
seu desempenho criando ambientes de trabalho adequados, seguros e com pessoal
suficiente. Além disso, esta declaração apela ao aumento do investimento público na
educação, desenvolvimento e proteção da força de trabalho.