Pensar Enfermagem / v.29 n.Sup / jan-dez 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
Como citar este artigo: Campino S, Dixe MACR. Guidelines para a humanização dos cuidados prestados
pela equipa multidisciplinar no serviço de urgência de adultos. Pensar Enf [Internet]. 2025 Jan-Dez; 29(1):
e00426. Available from: https://doi.org/10.71861/pensarenf.v29iSup.426
Guidelines
para a humanização dos cuidados
prestados pela equipa multidisciplinar no serviço de
urgência de adultos
Guidelines for the humanization of care provided by
the multidisciplinary team in the adult emergency
department
Resumo
Introdução
Portugal é líder na OCDE no acesso aos serviços de urgência cujos utilizadores exigem um
atendimento imediato, eficiente e altamente diferenciado a nível tecnológico e de recursos
humanos. Os profissionais das equipas multidisciplinares prestam cuidados num ambiente
terapêutico rotineiro, tenso e gerador de sofrimento que acentua a vulnerabilidade das
pessoas que cuidam. O Humanismo concebe a dignidade humana com o valor máximo da
vida cujos princípios, quando aplicados à Saúde, implicam um realinhamento dos objetivos
da prestação de cuidados para além da perspetiva biomédica que se pode designar por
“humanização”.
Objetivos
Definir guidelines para a prestação de cuidados humanizados em contexto de serviços de
urgência através de uma revisão integrativa da literatura; Validar o conteúdo das guidelines
para a prestação de cuidados humanizados em contexto de serviços de urgência recorrendo
a um painel de peritos através da metodologia Delphi.
Métodos
Estudo observacional descritivo simples. Para a validação de conteúdo dos 170 itens que
constroem as guidelines participaram 20 profissionais de saúde com formação avançada. Os
170 itens foram recolhidos através de uma revisão integrativa e organizados em três
domínios: estrutural; profissional e assistencial. O estudo teve parecer positivo da comissão
de ética.
Resultados
Após elaboração das guidelines através de uma revisão integrativa da literatura foi constituído
o painel de peritos e foram realizadas duas rondas de validação de conteúdo. Dos 170 itens
avaliados inicialmente foram confirmados como válidos, após a segunda ronda, 167 itens
com o IVC-I que variou entre 0,85 e 1 e um IVC-S 0,90 e 0,98.
Conclusão
Cuidar dos outros, sentindo-se valorizados, através da capacidade de aliar as suas
competências técnico-científicas à empatia e à escuta ativa é o caminho para um futuro onde
os profissionais de saúde conseguem fazer pequenas, mas relevantes, mudanças na vida de
quem cuidam, “tornando-os humanos”.
Palavras-chave
Urgência; Humanização da assistência; Técnica Delphi.
Abstract
Sara Campino1
orcid.org/0000-0001-9035-8548
Maria dos Anjos Dixe2
orcid.org/0000-0001-9035-8548
1 Mestrado. Unidade Local de Saúde da Região de
Aveiro, Portugal.
2 Doutoramento. Escola Superior de Saúde do
Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal.
Autor de correspondência
Sara Campino
E-mail: sara.campino.91@gmail.com
Recebido: 13.02.2025
Aceite: 08.10.2025
Editor: Pedro Lucas
Campino, S.
Artigo Original Qualitativo
Introduction
Portugal ranks among the leaders in the OECD for access to emergency services, where users require immediate, efficient, and
highly technology- and staff-intensive care. Multidisciplinary team professionals deliver care in a routine, high-pressure
therapeutic environment that generates suffering and increases the vulnerability of care recipients. Humanism regards human
dignity as the highest value of life; when applied to health, its principles call for realigning care goals beyond the biomedical
perspective a process we term “humanization of care.”
Objective
To define guidelines for providing humanized care in the emergency department through an integrative review of the literature;
and to validate the content of those guidelines for emergency department practice using a panel of experts and the Delphi
methodology.
Methods
A simple descriptive observational study. For content validation of the 170 items composing the guidelines, 20 health
professionals with advanced training participated. The 170 items were identified through an integrative review and organized
into three levels: structural, professional, and care. The ethics committee approved the study.
Results
After drafting the guidelines via an integrative literature review, a panel of experts was convened, and two Delphi rounds were
conducted to validate the content. Of the 170 items initially evaluated, 167 were confirmed as valid after the second round. I-
CVI values ranged from 0.85 to 1.00, and S-CVI values ranged from 0.90 to 0.98.
Conclusion
Caring for others while feeling valued by combining technical and scientific competence with empathy and active listening
is the path toward a future in which health professionals can make small but meaningful changes in the lives of care recipients,
“making them human.”
Keywords
Emergency unit; Humanization of Assistance; Delphi Technique.
Introdução
Nos dados mais recentes da OCDE Portugal é o líder, entre
vinte cinco países, no acesso aos serviços de urgência (SU)
com cerca de 6 milhões e 300 mil episódios de urgência por
ano cuja justificação apresentada é a utilização indevida
destes serviços pelos cidadãos para suprir as suas
necessidades em saúde.1 Aberto 24 horas por dia, 7 dias por
semana durante todo o ano, o serviço de urgência é usado
por muitos como o primeiro contacto com o Serviço
Nacional de Saúde (SNS) dado que não distingue classes
sociais ou condições económicas possuindo uma filosofia
universal, geral e tendencialmente gratuita que acolhe todos
aqueles a que a ele acedem.2 Quando uma pessoa recorre ao
SU expecta dos profissionais cuidados imediatos, eficientes
e altamente diferenciados em termos tecnológicos e de
recursos humanos.3 Com um acesso crescente, em grande
parte por pessoas com situações de saúde/doença pouco ou
não urgentes, aumentam os desafios na prestação de
cuidados em contexto de urgência. Com o objetivo de um
atendimento célere e eficiente é frequentemente criado um
ambiente terapêutico rotineiro, tenso, gerador de ansiedade
e stress que acentua na pessoa cuidada sentimentos de
vulnerabilidade, angústia e medo da morte, da dor e da perda
de capacidades.4 Lemos5 refere que, mesmo quando rodeada
de pessoas de referência e profissionais de saúde altamente
qualificados, uma pessoa adulta sofre um impacto do
episódio de urgência através do sofrimento físico,
psicológico, afetivo e existencial com uma total sensação de
abandono e isolamento. Tudo isto culmina frequentemente
em conflitos derivados do desconhecimento das dinâmicas
de funcionamento dos serviços e da convicção que o seu
problema de saúde exige atenção imediata, mesmo que
existam situações com graus de complexidade e gravidade
piores que os seus.6 Mas o impacto do sofrimento causado
pela morte, a dor e a doença bem como da sobrelotação das
urgências não incide sobre as pessoas cuidadas e os seus
familiares: os profissionais de saúde, como Seres Humanos,
sofrem igualmente e de uma forma diferenciada dado que
trabalhar num SU acarreta riscos biológicos, sociais e
psicológicos muitas vezes mascarados por um sorriso ou por
uma postura alegadamente fria e distante.7
O modelo biomédico implementado nos SU surge do foco
dos profissionais na doença alicerçado pelos
desenvolvimentos na área da biotecnologia, farmacologia,
radiologia e outros que permitem a obtenção de dados
objetivos e específicos sobre a situação clínica da pessoa e a
criação de procedimentos cada vez mais especializados para
o tratamento e cura de doenças cujo diagnóstico, até bem
pouco tempo, não augurava nada de positivo e que, agora,
trazem uma nova esperança para a pessoa cuidada e para os
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profissionais na resolução de problemas graves e
ameaçadores da vida. 8 Mas o afastar da morte a todo o custo
e a redução da pessoa a um corpo doente com problemas a
serem resolvidos por protocolos terapêuticos complexos e
altamente tecnológicos destruturou o sentido do cuidar do
Ser Humano como ser biopsicossocial com sentimentos,
crenças, preocupações e vontade próprias criando uma
barreira entre a pessoa e as equipas de saúde que encaram a
morte como um falhanço e o sofrimento como uma
consequência que se pode sedar ou suprimir com fármacos.9
Esta postura de distanciamento e abstração da pessoa
cuidada como um Ser Humano assumida pelos
profissionais, muitas vezes como uma defesa contra as suas
frustrações e medos, prejudica a qualidade dos cuidados no
sentido em que afeta a tomada de decisão ética, a criação de
vínculos terapêuticos e de relações de confiança entre a
pessoa e a sua equipa de saúde para que se sinta apoiada e
escutada em todas as suas necessidades individuais.10 Desta
mudança na conceção da pessoa cuidada em contexto de
urgência surgem o paternalismo e o “desaparecimento do sujeito
humano que Ávila-Morales11 classifica como a
desumanização da saúde: uma perda de Valores
fundamentais na procura eficiente da cura das enfermidades
orgânicas da qual decorre a despersonalização da Pessoa
através da utilização de codificações de doença, ausência de
relação com a pessoa cuidada; o não reconhecimento da
dignidade individual pela aplicação de princípios de
igualdade entre todos; a falta de participação da pessoa na
tomada de decisão, a implementação de uma dinâmica de
poder sobre a pessoa e as suas decisões e a conceção da
mesma como uma entidade biológica caracterizada por uma
patologia (doente psiquiátrico, seropositivo, etc.). Nos SU
estes aspetos assumem uma dimensão acrescida dado que a
pessoa se encontra uma situação aguda em que a sua
capacidade de decisão pode estar comprometida e o objetivo
é um tratamento rápido e eficaz que a retire de uma situação
de risco de vida. Esta despersonalização do cuidar
multiplica-se de forma incalculável aquando do acesso
excessivo aos serviços onde as condições físicas são
inadequadas e os rácios de profissionais são
desproporcionais, o que retira tempo adequado à prestação
de cuidados.12 O cansaço físico e psicológico dos
profissionais e a complexidade crescente do doente no SU
são apontados como índices de falta de efetivação de
práticas de qualidade, nomeadamente na personalização do
cuidado que Barros13 declara serem os motores para dar
início a uma reflexão profunda sobre a qualidade das
práticas dos cuidados nos SU. Assim sendo, surge um
problema de investigação: a promoção da humanização dos
cuidados prestados pela equipa multidisciplinar nos serviços
de urgência de adultos.
Os serviços prestadores de cuidados de saúde seguem
princípios científicos na sistematização e organização do
trabalho com o objetivo máximo de preservação da vida
com a ajuda de meios tecnológicos avançados nas áreas de
apoio ao diagnóstico e terapêutica.14 Quando se aborda a
humanização dos serviços de saúde a primeira tentação pode
ser associar a estes projetos uma crítica à forma como os
cuidados são prestados atualmente, podendo até considerar-
se um insulto à falta da capacidade humanista dos
profissionais que trabalham nos serviços, o que gera uma
reação negativa e resistências à sua implementação.15 Outra
tentação é considerar que a humanização dos cuidados
coloca em causa o método científico implementado pelos
profissionais para salvar vidas diariamente numa tentativa de
os tornar “boas pessoas” ou exigir deles altruísmo e
bondade imensuráveis numa harmoniosa relação com a
pessoa cuidada.16 É necessário desmistificar que os
profissionais são os principais causadores da desumanização
do Cuidar já que, pelo contrário, são eles igualmente vítimas
do sistema implementado que, focado no modelo
biomédico e na gestão dos serviços financeira, economicista,
rígida, burocrática e hierarquizada verticalmente, prejudica
as relações entre pessoas cuidadas e as equipas de saúde
retirando a autonomia às duas partes deste binómio da
prestação de cuidados.17
O Humanismo é um conceito filosófico que concebe a
dignidade da condição humana como valor máximo da vida,
definindo que o Ser Humano tem como missão procurar
compreender o Homem e criar ferramentas que
reconhecem o Outro como ser individual, livre, com
potencial e autonomia próprios e com direito à felicidade.18
Os princípios do Humanismo, quando aplicados aos
desafios na área da Saúde, implicam necessariamente um
realinhamento dos objetivos da prestação de cuidados para
além da classificação, cura e tratamento de doenças e a
desfragmentação do conceito de Cuidar como sinónimo de
prestação de serviços que foca os aspetos biomédicos e
oculta tudo o que torna a pessoa cuidada, efetivamente,
Pessoa.19 Ao processo de mudança de perspetiva na
prestação de cuidados de saúde pode chamar-se, assim,
“Humanização” no sentido em que se valoriza a interação
dos diversos intervenientes na prestação de cuidados
(gestores, profissionais de saúde, pessoas cuidadas e os seus
familiares) com o respeito pela dignidade e autonomia
individual de cada pessoa através da sociabilidade, empatia,
compreensão das crenças, valores e perspetivas do outro,
otimismo e algum grau de afeto por aqueles que sofrem.20 A
criação de vínculos entre os profissionais de saúde e aqueles
de quem cuidam é o cerne da Humanização do Cuidar dado
que é a relação terapêutica que reflete a valorização do Ser
Humano e a atitude ética e humana na abordagem à pessoa
que se encontra numa situação de particular
vulnerabilidade.21 É esta mudança na orgânica do sistema de
saúde como um todo que permitirá prestar cuidados dignos,
éticos e personalizados onde o diálogo e a escuta são tão
fundamentais como um estetoscópio e no qual a melhoria
das condições físicas e técnicas terá sempre em vista o
conforto daqueles que utilizam os serviços de saúde.22 A
humanização dos cuidados possibilita a
Campino, S.
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corresponsabilização da pessoa cuidada pelo seu percurso
de saúde/doença dado que é ela a protagonista dos cuidados
prestados, dos serviços oferecidos e das redes de
cooperação construídas em seu redor.23 A compreensão pela
singularidade da pessoa para além das suas necessidades
físicas é o maior desafio para a humanização dos cuidados
prestados nos SU no sentido em que o tempo necessário
para a escuta ativa indispensável para compreender o que é
dito, bem como os silêncios, é escasso e torna-se um desafio
para o profissional reconhecer todas as dimensões daquela
pessoa que se encontra à sua frente a pedir ajuda.24 A criação
de condições para esta humanização do atendimento em
contexto de urgência é o principal desafio que se impõe de
forma a que sejam respeitadas a privacidade, a dignidade, os
valores ético-morais e a autonomia enquanto se tenta
melhorar as interações entre os diversos atores da prestação
de cuidados com o objetivo último de diminuir o sofrimento
e tornar o episódio de urgência o menos traumatizante
possível.25 Tendo em conta todos estes aspetos, foi
construído este estudo que pretende responder à questão de
investigação: “Que medidas podem ser implementadas nos
serviços de urgência de adultos para promover a
humanização da prestação de cuidados pela equipa
multidisciplinar?”. Os objetivos são definir guidelines para a
prestação de cuidados humanizada em contexto de serviços
de urgência através de uma revisão integrativa da literatura e
a validar as guidelines para a prestação de cuidados
humanizada em contexto de urgência definidas através de
painel de peritos segundo a metodologia Delphi.
Métodos
De forma a dar resposta à questão de investigação e atingir
os objetivos propostos foi elaborado um estudo
observacional descritivo simples que constitua um consenso
alargado sobre a humanização do atendimento e dos
cuidados prestados nos SU pelas equipas multidisciplinares.
Amostra
Para a seleção do painel de peritos que constituiu a amostra
foi enviado um convite via e-mail para várias instituições de
saúde, comissões e diversos profissionais que cumpriam os
seguintes requisitos: interesse no tema do estudo; ser
Médico/Enfermeiro e prestar (ou ter prestado nos últimos
dois anos) cuidados em contexto de SU de adultos com
pelos menos 10 anos de experiência profissional;
Médico/Enfermeiro com formação avançada nas áreas de
Urgência e Emergência, de Médico-Cirúrgica ou Bioética;
profissionais em funções de gestão hospitalar, de SU de
adultos ou com formação nesta área; membros de comissões
de utentes com mais de três anos em exercício ativo;
membros de Comissões de Ética para as Ciências da Vida;
psicólogos clínicos com experiência na área da transmissão
de más notícias; membros da Entidade Reguladora da
Saúde. Estes critérios foram definidos de forma a garantir
que os peritos participantes possuíam experiência nas áreas
de prestação de cuidados nos SU, da Ética e da psicologia.
Os membros de comissões de utentes foram convidados no
sentido de dar a perspetiva do utilizador dos serviços sem o
enviesamento causado pelo conhecimento que os
profissionais possuem sobre o funcionamento destes
serviços e dos seus desafios. Para filtrar os participantes que
se inscreveram para o estudo de acordo com os critérios de
inclusão definidos e caracterizar o futuro painel de peritos
foi requisitada a resposta a um questionário realizado no
Microsoft Forms no qual foi apresentado o Consentimento
Informado e Esclarecido para a participação no estudo.
Foram 30 os participantes que responderam ao repto para
constituir o painel de peritos, das quais 27 (90%) cumpriam
os critérios definidos. No entanto, após a primeira ronda de
validação somente 20 (67%) dos inscritos deram resposta
pelo que foram apenas esses os considerados para o painel
de peritos. Para além da resposta a questões para caracterizar
os peritos, foi pedido que respondessem a duas questões:
“O que significa para si humanizar os cuidados de saúde?”
e “Porque decidiu exercer [profissão]?”. Estas questões
foram colocadas previamente à aplicação do questionário de
validação das guidelines no sentido de conhecer o que move
estes profissionais no seu dia-a-dia laboral e o que pensam
sobre a temática em estudo para fomentar uma reflexão
prévia sobre a mesma. Apenas médicos e enfermeiros deram
resposta ao convite de participação no estudo. O painel de
peritos foi caracterizado segundo o seu percurso
profissional e região do país a que pertencem de acordo com
a Tabela 1:
Tabela 1. Caracterização profissional dos peritos (n=20)
Médico (a)
n=5 (25%)
Experiência Profissional
13,2 anos
Experiência Profissional no SU
12,6 anos
(n=)
%
Clínico Geral
1
20%
Assistente
2
40%
Assistente Graduado
2
40%
Assistente Graduado Sénior
0
0%
Público
5
100%
Privado
0
0%
Norte
0
0%
Centro
5
100%
Lisboa e Vale do Tejo
0
0%
Alentejo
0
0%
Algarve
0
0%
Região Autónoma dos Açores
0
0%
Região Autónoma da Madeira
0
0%
Enfermeiro (a)
n=15 (75%)
Experiência Profissional
19,3 anos
Experiência Profissional no SU
14,1 anos
(n=)
%
Enfermeiro
6
40%
Enfermeiro Especialista
8
53%
Enfermeiro Gestor
1
7%
Público
15
100%
Privado
0
0%
Norte
2
13%
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DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
Centro
8
53%
Lisboa e Vale do Tejo
4
27%
Alentejo
1
7%
Algarve
0
0%
Região Autónoma dos Açores
0
0%
Região Autónoma da Madeira
0
0%
Foi pedido aos peritos que divulgassem a sua formação
acrescida nas áreas de Urgência e Emergência e Bioética.
Dos 20 peritos, 5 (2 dicos e 3 enfermeiros) não possuíam
formação acrescida, dos restantes denotou-se que alguns
elementos possuíam mais que uma formação como descrito
na Tabela 2:
Tabela 2. Formação dos peritos (Formações: n=24)
Tipo de Formação
(n=)
%
Nome do curso/formação
Inserida na formação-
base (Medicina)
2
8%
Medicina Intensiva
Urgência e Emergência de Doença Médica
de Adultos
Pós-Graduação
6
25%
Doente crítico (n=2)
Enfermagem do Doente Crítico
Urgência e Emergência
Cuidados Intensivos e Emergência
Emergência e Trauma
Especialização/Pós-
Licenciatura
4
17%
Enfermagem Médico-Cirúrgica (n=2)
Enfermagem Médico-Cirúrgica na Área do
Doente Crítico (n=2)
Mestrado
6
25%
Enfermagem Médico-Cirúrgica na Área de
Especialização em Enfermagem à Pessoa
em Situação Crítica (n=5)
Bioética
Pré-Hospitalar
6
25%
Suporte Imediato de Vida - Enfermeiros
Cuidados de emergência médica na via
pública
Helitransporte
VMER (n=2)
Trauma
Instrumentos
Após uma breve pesquisa prévia ao início deste estudo,
apurou-se que existem diversos estudos sobre a
humanização dos cuidados prestados pelas equipas de
Enfermagem. No entanto, um dos objetivos deste estudo é
definir guidelines de humanização de cuidados prestados pela
equipa multidisciplinar pelo que se pretende incentivar
todos os profissionais a criar um ambiente de prestação de
cuidados mais humanizado para quem procura os SU
tornando a Pessoa o centro dos cuidados de toda a equipa.
Para construir as guidelines com medidas para atingir esse
objetivo foi realizada uma revisão integrativa da literatura
dado que permite clarificar e sintetizar resultados de
pesquisa sobre uma temática.26 Ao conhecer o que se
encontra implementado na área da Humanização dos
cuidados, bem como quais os estudos existentes, foi possível
estabelecer medidas a implementar para a melhoria da
qualidade dos cuidados prestados nos SU a serem validadas
pelo painel de peritos.
Para realização desta revisão integrativa foram definidos
como critérios de inclusão os seguintes aspetos: todos os
grupos profissionais que prestam assistência à pessoa em
serviços hospitalares de urgência de adultos; todas as
medidas previamente existentes que promovam um cuidado
individualizado dos cuidados prestados pela equipa
multidisciplinar; toda a documentação elaborada acerca da
humanização dos cuidados de saúde; documentação em
português, inglês e espanhol; todo o tipo de documentação
cuja leitura integral seja possível aceder. As bases de dados
utilizadas para a pesquisa segundo os critérios definidos
foram a ESBCOhost, Scielo, Pubmed, Biomed Central,
Biblioteca Virtual da Saúde e os Repositórios Científicos de
Acesso Aberto de Portugal nos quais, através dos
operadores booleanos E/AND, foram utilizados os
seguintes Descritores em Saúde (DeCS e MESH) para a
pesquisa: “humanização da assistência”/”humanization of
assistance”/”Humanización de la Atención”; “serviços médicos
de emergência”/ “emergency care”/ “Servicios Médicos de
Urgencia”; “adulto”/ “adult”.
Numa primeira pesquisa e leitura dos títulos dos artigos,
foram selecionados 1934 para leitura dos resumos/abstracts
dos quais foram selecionados 146 documentos para leitura
integral. Aplicando os critérios de inclusão acima descritos,
foram selecionados 37 artigos pela investigadora principal
para a definição das guidelines cuja análise e leitura integral
permitiram obter 170 medidas que, à medida que foram
reveladas pelos documentos lidos, impuseram a necessidade
de as organizar em diversos níveis e domínios, como se pode
observar na Tabela 3:
Tabela 3. Guidelines para a Humanização de Cuidados
prestados pela equipa multidisciplinar no serviço de
urgência
A: NÍVEL ESTRUTURAL
Este nível de medidas enquadra os alicerces necessários para a prestação de
cuidados humanizados nos SU no âmbito de políticas nacionais,
intervenções na Saúde das comunidades, adequação das infraestruturas
físicas e de apoio aos serviços bem como da gestão hospitalar.
A1: Domínio das Políticas Nacionais 10,21,22
É fundamental estruturar uma resposta nacional e transversal a todas as
instituições de saúde para as questões de humanização do atendimento
prestado em todas as vertentes dos cuidados de saúde.
A1.1. Construção de um Plano Nacional de Humanização para os Cuidados
de Saúde (PNHCS)
A1.2. Inclusão de enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos na construção
do PNHCS
A1.3. Inclusão do PNHCS no próximo Plano Nacional de Saúde
A1.4. Alteração da designação de “Utente” para “Pessoa Cuidada” (PC)
A1.5. Desburocratização do acesso à Saúde
A1.6. Desburocratização da rede de referenciação
A1.7. Desburocratização das redes assistenciais internas
A1.8. Implementação da triagem por classificação de risco em todas as
instituições de saúde
A1.9. Realização de estudos regionais acerca da população que acede aos
serviços de urgência e adequar respostas
A1.10. Realização de estudos municipais acerca da população residente e
adequar respostas a nível dos cuidados de saúde primários
A1.11. Cooperação entre entidades regionais e municipais para
implementação de medidas de promoção da saúde individual e coletiva
A1.12. Cooperação entre entidades regionais e municipais para
implementação de medidas de prevenção da doença
Campino, S.
Artigo Original Qualitativo
A1.13. Criação de canais de comunicação eficazes entre a população e as
instituições de saúde
A1.14. Implementação de fóruns de discussão entre as comunidades e as
instituições de saúde acerca das suas necessidades e dificuldades
A1.15. Criação de mecanismos de responsabilização individual da PC pelo
seu percurso de saúde
A1.16. Identificação da PC e do seu familiar de referência como parte da
equipa multidisciplinar de prestação de cuidados de saúde
A2: Domínio da Intervenção na Saúde da Comunidade 27,28
Para que a utilização dos SU seja realizada adequadamente deve ser
fomentada na sociedade a literacia em saúde e a consciência sanitária
individual e coletiva. Ao potenciar os cuidados de proximidade realizados
através dos centros de saúde e das unidades de saúde familiar é diminuída a
procura de cuidados nos SU por situações pouco ou não urgentes, libertando
os profissionais para a prestação de cuidados a situações urgentes, muito
urgentes ou emergentes.
2.1. Capacitação do cidadão para a participação ativa no seu percurso de
saúde/doença
A2.2. Implementação de projetos de saúde individual nos Cuidados de Saúde
Primários (CSP)
A2.3. Implementação de projetos de saúde das comunidades
A2.4. Criação de campanhas publicitárias para os diversos meios de
comunicação social sobre o foco de ação dos serviços de urgência
A2.5. Distribuição de publicidade sob a forma de cartazes sobre os cuidados
de saúde primários e o seu foco de ação
A2.6. Realização de campanhas de promoção da saúde e prevenção da
doença sazonais dirigidas a diversas faixas etárias
A2.7. Realização de campanhas de educação para a saúde acerca de situações
urgentes e emergentes que justificam a ida ao serviço de urgência
A2.8. Implementação de protocolos de educação para a saúde em todos os
níveis de prestação de cuidados sobre situações urgentes e emergentes que
justificam a ida ao serviço de urgência
A2.9. Implementação de protocolos de educação para a saúde em todos os
níveis de prestação de cuidados sobre o papel da PC no seu percurso de
saúde/doença e corresponsabilidade que possui como membro da equipa de
cuidados
A2.10. Implementação de protocolos de educação para a saúde na triagem
sobre prioridades de atendimento
A2.11. Implementação de programas de apoio aos cuidadores para fomentar
o seu conhecimento sobre promoção da saúde e prevenção de situações de
agudização de doenças crónicas
A3: Domínio da Adequação das Infraestruturas 29, 30, 31
Os espaços físicos, os equipamentos e a aparência dos serviços de urgência
têm um papel central na promoção do conforto ambiental e da pessoa
cuidada, na diminuição do sofrimento e tensão psicológica, bem como no
esclarecimento sobre circuitos internos do serviço.
A3.1. Afetação de recursos financeiros para reformulação física dos SU
A3.2. Estruturação física dos SU flexível e adaptável a eventos de exceção,
catástrofe, pandémicos, etc.
A3.3. Aquisição regular de equipamentos modernos e de qualidade para
substituição dos que se encontram inoperacionais e/ou desatualizados
A3.4. Manutenção adequada e regular dos equipamentos
A3.5. Manutenção regular dos espaços físicos do serviço
A3.6. Adequação dos locais de triagem para garantir serenidade e privacidade
total
A3.7. Criação de vestiários individualizados para vestir/despir a pessoa à
chegada/saída do serviço
A3.8. Adequação dos espaços físicos para avaliação da pessoa com
privacidade, conforto e sem interrupções
A3.9. Adequação de gabinetes de atendimento aos
familiares/acompanhantes para recolha de informação clínica bem como
para fornecer dados sobre a evolução clínica da pessoa
A3.10. Adequação dos espaços físicos para garantir a privacidade total da
pessoa durante a realização de procedimentos e observação clínica
A3.11. Criação de sala de aleitamento com disponibilização de bomba de
extração
A3.12. Identificação dos circuitos internos e das diversas salas do SU de
forma simplificada, visível e acessível
A3.13. Disponibilização de informação sobre circuitos em diversos pontos
do serviço
A3.14. Sinalização adequada de W.C., saídas, circuitos, serviços informativos,
entre outros
A3.15. Redução do ruído (alarmes, alterações arquitetónicas)
A3.16. Iluminação com possibilidade de regulação da sua intensidade nas
diversas salas
A3.17. Estruturação do serviço que permita a entrada de luz natural de forma
a que seja possível distinguir a altura do dia
A3.18. Colocação de relógios em todas as salas e corredores
A3.19. Instalação de sistemas de renovação do ar para garantir a sua
qualidade e a eliminação de odores
A3.20. Criação de pontos de acesso a água gratuitos
A3.21. Instalação de sistemas de ar condicionado que permitam controlar e
manter uma temperatura confortável nas diversas salas
A3.22. Emissão de música ambiente que promova tranquilidade nas salas de
espera
A3.23. Disponibilização de pontos de carregamento de dispositivos
eletrónicos
A3.24. Disponibilização de Wi-Fi de acesso livre
A3.25. Colocação de televisores nas salas de espera com mensagens dirigidas
para a educação para a saúde, explicação de circuitos internos, prioridades
de atendimento e outros assuntos considerados pertinentes
A3.26. Difusão de filmes nos televisores sobre a Natureza sem necessidade
de serem ouvidos
A3.27. Decoração agradável das salas de espera através da exposição de Arte,
cores suaves, entre outros
A3.28. Pintar as salas de espera das diversas áreas do SU de acordo com a
cor da prioridade definida pela triagem
A3.29. Disponibilização de equipamentos para os acompanhantes poderem
descansar durante a noite enquanto acompanham a PC com elevado grau de
dependência
A3.30. Alocação de salas para transmissão de más notícias que permitam
privacidade total, sem interrupções desnecessárias e na qual os familiares e
acompanhantes reconheçam um espaço seguro para manifestar as suas
emoções
A3.31. Criação de espaços para descontração dos profissionais devidamente
equipados e com mobiliário confortável
A4: Domínio da Gestão das Instituições e dos Serviços de Urgência29,
32
A gestão hospitalar com objetivos estratégicos de promoção de humanização
dos cuidados prestados nas instituições deve ter um cariz de cooperação e
participação dos gestores, dos profissionais e dos utilizadores dos serviços.
Os níveis de gestão intermédia dos SU devem garantir o bem-estar dos seus
profissionais e o correto funcionamento das equipas multidisciplinares para
que a prestação de cuidados seja feita por profissionais que se sentem
valorizados e realizados na sua profissão.
A4.1. Dotação segura de profissionais da equipa multidisciplinar
A4.2. Realização de estudos trimestrais sobre o acesso ao SU (número de
idas à urgência, níveis de gravidade, tempos de espera, tempos de
permanência no SU) para adequação de escalas e horários de trabalho
A4.3. Elaboração de horários com equipas de prevenção para ativação em
situações de maior afluência ao SU ou maior número de doentes de maior
complexidade que carecem do aumento dos rácios implementados
A4.4. Elaboração de escalas com reforço de profissionais em dias do ano em
que se preveja maior acesso ao SU
A4.5. Implementação de estratégias para diminuição dos tempos de espera
para o primeiro atendimento
A4.6. Referenciação para consulta externa de especialidade ou para os CSP
dos doentes não urgentes ou com critérios para aplicação de “pulseira
branca”
A4.7. Agilização das redes de referenciação intra e inter-hospitalares
A4.8. Organização do trabalho das equipas de especialidades médicas do SU
num modelo de complementaridade
Pensar Enfermagem / v.29 n.Sup / jan-dez 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
A4.9. Criação de equipas de referenciação no SU para as diversas
especialidades médicas e para serviço social
A4.10. Definição dos encaminhamentos da PC por médicos e enfermeiros
A4.11. Criação de circuitos de atendimento centrados na PC
A4.12. Valorização da cultura de notificação de problemas e da sua resolução
em regime de cogestão transversal a todos os membros da equipa
multidisciplinar, incluindo-os nas decisões major de gestão
A4.13. Criação de focus groups para avaliar implementação de novas estratégias
de cuidados que envolvam profissionais de saúde, gestores e utilizadores dos
serviços através da discussão-problematização
A4.14. Criação de grupos de trabalho multidisciplinares (“conselhos de
saúde”) para gestão de processos de organização do trabalho, análise da
produtividade, definição de tarefas e elaboração de projetos de melhoria
contínua da qualidade
A4.15. Combate a relações de tutela entre os diversos grupos profissionais
A4.16. Promoção do trabalho em equipa com o objetivo comum de
prestação de cuidados humanizados e de qualidade
A4.17. Legitimação das diferenças entre os membros das equipas
multidisciplinares, promoção da sua união e criação de estratégias de atuação
em situações-limite através de eventos de team-building
A4.18. Definição de critérios técnicos e humanísticos para admissão de
profissionais à prestação de cuidados nos SU
A4.19. Promoção de ambiente profissional fluido e livre de atritos
A4.20. Motivação e reconhecimento dos profissionais mais dinâmicos para
serem protagonistas e líderes da mudança
A4.21. Criação de grupo de humanização dos cuidados hospitalares
A4.22. Definição de elos de ligação nos serviços para a humanização do
cuidar
A4.23. Promoção de espaços de reflexão e discussão para resolução de
conflitos e mudança de posturas perante os factos
A4.24. Criação de sistema de escuta qualificada dentro dos diversos níveis
de gestão para ouvir os problemas, apontar críticas e criar soluções, com
canal de comunicação aberto aos utilizadores dos serviços
A4.25. Implementação de uma política de porta aberta ao acompanhante
para a sua presença constante junto da PC, independentemente do seu grau
de dependência
B: NÍVEL PROFISSIONAL
Os profissionais das diversas áreas que atuam no SU são os atores principais
na implementação das medidas de Humanização do Cuidar. Assim, devem
também ser alvo das medidas de humanização para que possam exercer a
sua atividade de forma satisfatória para si e para aqueles a quem prestam
serviço. Para além disto, é essencial fomentar o trabalho com produção de
conhecimento e formação permanentes.
B1: Domínio da Formação dos Profissionais do Serviço de Urgência
8,11, 15, 17, 19, 21, 22, 24, 33,35,36, 37
A introdução da temática da Humanização do Cuidar nos currículos da
formação médica e de enfermagem é parte do caminho para que os futuros
profissionais de saúde sejam tutorados e treinados em práticas humanizadas
e avaliação holística da pessoa.
B1.1. Realização de testes psicotécnicos antes do ingresso em cursos de
saúde no ensino superior como parte da componente de avaliação teórica
como requisitos de entrada
B1.2. Avaliação de competências humanísticas e relacionais dos alunos de
cursos ligados à saúde
B1.3. Formação Médica, de Enfermagem e de Técnico Auxiliar de saúde
com componente obrigatória de desenvolvimento de competências
humanísticas, técnicas comunicacionais e prática clínica holística
B1.4. Criação de cursos de Especialização de Humanização do Cuidar em
Saúde
B1.5. Aproximação entre as Escolas de Saúde (Médicas e de Enfermagem) e
as Instituições para incremento da investigação e produção científicas na área
da humanização
B1.6. Implementação de programas de tutoria na formação Médica e de
Enfermagem com foco na Humanização do Cuidar e na criação de um
espaço seguro para o estudante e tutor realizarem partilhas de vivências
comuns, cultivar vínculos e partilha de histórias de vida
B1.7. Criação de programa de estágio em Comissões de Ética para as
Ciências da Vida para os cursos de Medicina e Enfermagem
B1.8. Criação de cursos de Suporte de Vida Ético para as equipas
multidisciplinares que trabalham no SU (A-Reconhecimento, B-Atenção, C-
Comunicação, D- Gestão)
B1.9. Formação dos profissionais do SU em técnicas comunicacionais com
renovação a cada 5 anos
B1.10. Formação em saúde mental específica para os profissionais do SU
sem especialização nesta área com renovação a cada 5 anos
B1.11. Formação para os membros dos serviços administrativos do SU sobre
comunicação e atendimento a pessoas com necessidades especiais
B1.12. Formação para as equipas médicas e de Enfermagem sobre
transmissão de más notícias
B1.13. Realização de treinos práticos para atendimento de pessoas cujo
motivo de vinda ao SU é a tentativa de suicídio
B1.14. Formação das equipas multidisciplinares sobre apoio às famílias
durante a reanimação
B1.15. Formação a todos os membros das equipas do SU sobre as diferenças
culturais e cuidados personalizados a pessoas de outras
culturas/religiões/crenças
B2: Domínio do Apoio e Valorização dos Profissionais 4,7, 8, 10, 14, 15, 17, 19,
20,21, 22, 27, 29, 33
A valorização, a promoção da satisfação dos profissionais e da saúde das
equipas multidisciplinares permitem que estes prestem cuidados de maior
qualidade e com maior disponibilidade para aplicação dos preceitos da
humanização do cuidar.
B2.1. Criação de regimes de incentivo à formação, capacitação e qualificação
dos profissionais para evolução na carreira
B2.2. Promoção da satisfação dos profissionais de saúde através da
estabilidade profissional, melhoria das condições salariais, incentivos à
produtividade, reconhecimento das competências individuais e coletivas das
equipas
B2.3. Implementação de projetos que promovam a conciliação da vida
profissional e da vida pessoal
B2.4. Criação de programas de apoio físico e emocional aos profissionais do
SU
B2.5. Avaliação dos profissionais do SU por psicólogo clínico pelo menos
uma vez por ano para despiste de doença mental e/ou burnout
B2.6. Criação de “válvulas de escape fora das zonas de prestação de
cuidados para os profissionais poderem descomprimir e aliviar stress
B2.7. Promoção de eventos de team-building dentro das equipas
multidisciplinares para fomentar boas relações entre os profissionais,
empatia, sociabilidade, disposição para o otimismo e autocontrolo em
situações de maior pressão e de conflito
B2.8. Implementação de ciclos de reflexão multidisciplinares acerca de
práticas de humanização do cuidar e trabalho articulado e ampliado entre as
equipas com o reconhecimento do papel de cada um dentro das mesmas
B2.9. Definição de objetivos de avaliação de desempenho definidas
coletivamente entre os profissionais e adequadas à prestação de cuidados no
SU
B2.10. Democratização do trabalho através da participação no
desenvolvimento de metodologias de trabalho inclusivas e com um objetivo
comum: o bem-estar da PC e a valorização dos profissionais
C: NÍVEL ASSISTENCIAL
Mudanças nos métodos de trabalho, nas metodologias de atendimento à PC
e aos seus familiares/acompanhantes, alicerçadas em todos os domínios
previamente descritos, permitem a transição da visão biomédica da pessoa
para uma visão holística retirando o foco da doença e direcioná-lo para a
pessoa e as suas necessidades para proporcionar um cuidado humanizado,
personalizado e que dignifica a pessoa como indivíduo único e irrepetível
com necessidades específicas.
C1: Domínio do Acolhimento 4,5,6, 8, 17, 21, 22, 27, 28, 29, 33, 34, 36, 38
A dor, a doença física e mental e o tempo que a PC e a sua
família/acompanhantes passam na sala de espera antes do atendimento
médico geram ansiedade e tensão. Um acolhimento humanizado durante
todo o tempo de permanência do SU surge como resposta espontânea a estas
situações e procura a sua resolução no sentido de reduzir o sofrimento por
elas gerado.
Campino, S.
Artigo Original Qualitativo
C1.1. Redução da burocracia na realização da inscrição no SU
C1.2. Tipificação do tipo de acesso ao SU (agressão, queda, gravidez, etc.)
realizado pelo enfermeiro de triagem de forma privada
C1.3. Minimização/eliminação das interrupções durante a triagem
C1.4. Realização de ensinos à pessoa sobre os cuidados prestados em SU e
nos CSP durante o momento da triagem quando a prioridade atribuída não
corresponde a urgente, muito urgente ou emergente
C1.5. Sinalização de necessidade de apoio social no momento da triagem
quando adequado
C1.6. Realização de ensinos à PC e ao seu acompanhante sobre tempo de
espera, circuitos de funcionamento do SU e encaminhamentos esclarecendo
dúvidas e escutar as suas expectativas e preocupações
C1.7. Adequação dos equipamentos para encaminhamento da PC de forma
confortável e segura
C1.8. Permissão da presença contínua do acompanhante durante o tempo
de permanência da PC no SU exceto em situações de exposição corporal,
realização de procedimentos invasivos ou de meios complementares de
diagnóstico se a PC aceitar
C1.9. Implementação da cultura de informação contínua à PC e ao seu
acompanhante se esta o permitir
C1.10. Criação da figura do enfermeiro de referência ou enfermeiro gestor
dos cuidados que acompanha a PC desde a admissão à sua alta clínica como
elo de ligação entre a equipa multidisciplinar e a PC e o seu acompanhante
C1.11. Criação de guia de acesso rápido sobre pessoas de diversas culturas e
cuidados a ter para respeitar as diferenças multiculturais durante o
atendimento e prestação de cuidados
C1.12. Elaboração de cadernos de comunicação para utilização no SU para
pessoas com deficiência cognitiva, auditiva ou visual
C1.13. Elaboração de documentação em braille (consentimento informado,
indicações de tratamento, entre outros)
C2: Domínio da Avaliação Clínica 6, 8, 22, 29, 31, 33, 39
A avaliação clínica realizada pela equipa multidisciplinar deve abranger
diversas componentes ligadas à saúde física e mental bem como questões
psicossociais. A comunicação resolutiva e efetiva e a escuta ativa são as
ferramentas essenciais para que a pessoa se sinta ouvida e atendida.
C2.1. Integração da avaliação social na avaliação clínica da PC
C2.2. Implementação de protocolos de avaliação rápida da saúde mental e
de referenciação para atendimento na área da saúde mental (psiquiatra ou
psicólogo clínico)
C2.3. Avaliação da pessoa realizada em ambiente tranquilo, sem ruído cujo
objetivo principal é garantir à PC que a consulta é um espaço de escuta
qualificada das suas queixas, com privacidade e sem interrupções
C2.4. Valorização da queixa de dor como princípio basilar na avaliação
clínica
C2.5. Criação de vínculos terapêuticos com a PC
C2.6. Implementação de protocolos de admissão ao SU com dois momentos
de avaliação clínica: avaliação médica e avaliação de Enfermagem
C2.7. Simplificação da linguagem técnica nos momentos de comunicação
com a PC
C2.8. Limitação da exposição corporal com garantia de que é feita em local
com privacidade total
C2.9. Limitação do número de profissionais durante os momentos de
exposição e avaliação física para o mínimo indispensável
C2.10. Promoção da avaliação de enfermagem e elaboração de plano de
cuidados individualizados para resposta à avaliação das necessidades da
pessoa
C3: Domínio dos Cuidados Centrados na Pessoa 3,4,5,6,8,10,12,
14,15,19,20,22,23,24,25,27,28,29,31,33,35,39,40,41,42
O trabalho em equipa com enfoque na pessoa permite que as diferenças de
opinião o favoreçam no processo assistencial pelos diversos profissionais das
equipas. O SU deve funcionar como o ponto de partida ou momento de
alteração do projeto individual de saúde da pessoa no qual a mesma, em
conjunto com os profissionais, estabelece um projeto comum para o seu
percurso de vida e de saúde/doença e felicidade de forma coordenada com
os seus familiares e CSP.
C3.1. Criação de serviço de assessoria bioética de apoio aos profissionais e
familiares com disponibilidade durante 24 horas
C3.2. Estruturação da consulta médica com foco na PC através de escuta
ativa
C3.3. Avaliação da condição social e necessidade de apoio durante a consulta
médica
C3.4. Desconstrução da abordagem paternalista dos profissionais sob a PC:
apresentar-se à pessoa (O meu nome é X e sou Y), sorrir, cumprimentá-la,
adequar a linguagem técnica, demonstrar interesse sobre o que diz, olhá-la
nos olhos
C3.5. Utilização da conversa amigável como instrumento de colheita de
dados
C3.6. Identificação da pessoa pelo seu nome preferido e não pela sua
patologia durante o contacto com a mesma e nos momentos de transição de
cuidados
C3.7. Avaliação de Enfermagem da PC após consulta médica segundo as
suas necessidades humanas fundamentais e garantir que são satisfeitas:
higiene, hidratação, refeições adequadas, etc.
C3.8. Criação de consulta de enfermagem para situações pouco e não
urgentes para avaliação das necessidades de ensinos e promoção da
participação da pessoa no seu projeto de saúde individual
C3.9. Promoção da autonomia e independência da pessoa em todos os
momentos de prestação de cuidados
C3.10. Negociação permanente de cuidados com corresponsabilização da
pessoa sobre o seu papel e envolvê-la nos processos de tomada de decisão,
registando as suas preferências, sentimentos e crenças em processo clínico
C3.11. Explicação acerca dos procedimentos realizados, benefícios e riscos
sobre os mesmos e precisão dos meios complementares de diagnóstico
C3.12. Requisição de feedback da PC sobre o plano terapêutico em curso e
esclarecimento de dúvidas
C3.13. Avaliação contínua da adesão terapêutica
C3.14. Exploração dos motivos para incumprimento terapêutico no
domicílio e definir estratégias para colmatar falhas
C3.15. Informação contínua à PC e sobre possíveis diagnósticos eliminando
a mentira e a conspiração do silêncio, mas nunca descartando a esperança
C3.16. Promoção da inclusão do acompanhante na prestação de cuidados se
autorizado pela PC, evitando situações de tutela do idoso pelos familiares
promovendo a sua autonomia ao máximo se cognitivamente íntegro
C3.17. Avaliação do burnout do cuidador principal
C3.18. Informação do familiar sobre a situação clínica da PC sempre que
possível e com autorização prévia da mesma
C3.19. Permissão da presença do familiar em situações de reanimação, se
este assim o desejar, com a presença de um profissional que lhe preste apoio
explicando tudo o que é feito
C3.20. Preocupação contínua pela equipa multidisciplinar com a redução/
eliminação e controlo da dor aguda e crónica física e psicológica
C3.21. Formação de voluntários para implementação de estratégias de gestão
da dor não farmacológica (técnica de distração, entre outros) e suporte
emocional
C3.22. Administração de analgesia em todos os procedimentos cirúrgicos,
independentemente da sua complexidade
C3.23. Transmissão de más notícias à PC e/ou à sua família num local calmo,
sem interrupções e permitir a partilha de sentimentos, dúvidas e angústias
C3.24. Criação de protocolos de tratamento do delirium no SU através da
contenção química, redução de estímulos sensoriais e presença do
acompanhante se fonte de tranquilidade para a PC
C3.25. Utilização da contenção física deve ser evitada e, se tal não for
possível, esta deve ter um limite máximo de horas, informando a PC da sua
necessidade
C3.26. Alocação das pessoas em observação consoante o seu género,
priorizando a prestação de cuidados por pessoas do mesmo género
C3.27. Compreensão e aceitação pelos profissionais da recusa de tratamento
pela PC, garantindo que esta é informada dos riscos da sua decisão,
registando em processo clínico
C3.28. Marcação de consulta de reavaliação médica nos CSP após episódio
de urgência em tempo útil
C3.29. Criação de consulta de enfermagem após alta médica do SU para
ensinos sobre regime terapêutico, necessidades da PC e esclarecimento de
dúvidas
Pensar Enfermagem / v.29 n.Sup / jan-dez 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
C4: Domínio da Morte e Fim de Vida 8, 9, 12, 22, 41
A morte e situações de fim de vida são constantes nos serviços de urgência.
A criação de condições para a PC e a sua família viverem este momento da
forma mais digna possível é a garantia que a humanização do cuidar é feita
até a pessoa sair do serviço.
C4.1. Promoção do preenchimento das diretivas antecipadas de vontade pela
população
C4.2. Encaminhamento para local próprio de pessoas em paragem
cardiorrespiratória para longe das restantes pessoas e as suas famílias
C4.3. Limitação de intervenções invasivas e causadoras de sofrimento em
pessoas em situação terminal
C4.4. Empoderamento da pessoa moribunda ou em fase terminal de doença
dando-lhe escolha sobre como proceder no momento da sua morte
C4.5. Criação de equipas de cuidados paliativos com presença física no SU
permanente
C4.6. Minimização do sofrimento da PC e da sua família aplicando os
princípios da boa morte
C4.7. Abertura para falar sobre a morte com as famílias e entre os
profissionais
C4.8. Disponibilização de apoio psicológico para as famílias
C4.9. Criação de espaços para a PC morrer com dignidade e acompanhada
daqueles quem mais gosta
C4.10. Implementação de cursos de inteligência emocional para profissionais
lidarem com a morte e o insucesso terapêutico
Procedimentos de validação das
guidelines
A metodologia Delphi permite criar consensos aquando da
existência de evidência empírica e científica sobre um tema
específico que se encontra dispersa, através da utilização de
um painel de peritos escolhido de acordo com critérios
previamente definidos.43 Como defendem Barrios et al.42, o
processo definido pela metodologia Delphi permite o
anonimato na participação no estudo que se traduz numa
menor pressão social para as respostas individuais,
permitindo atingir uma convergência de opiniões mais fiel
às convicções próprias dos participantes cujas origens e
graus de experiência são diversos. Os questionários para
validação das guidelines foram construídos no Microsoft
Forms e divididos segundo os três níveis previamente
apresentados (A: Estrutural, B: Profissional, C: Assistencial)
no sentido de permitir o número de respostas necessário e
evitar limitações de software. O seu envio foi feito para o e-
mail que os peritos, com o código atribuído como seu nome,
forneceram no primeiro inquérito. As investigadoras apenas
tiveram acesso ao código e respetivo e-mail dos peritos não
sendo possível perceber quem respondeu aos inquéritos que
asseguravam o total anonimato dos participantes dado que
não era pedido que se identificassem nos mesmos. Os itens
para validação foram apresentados de acordo com a Tabela
III e foi pedido aos peritos que atribuíssem, através da
Escala de Likert, a seguinte classificação:
1.Discordo totalmente
2.Discordo parcialmente
3.Não concordo nem discordo
4.Concordo parcialmente
5.Concordo totalmente
Sempre que fosse atribuída uma pontuação de 1, 2 ou 3 foi
pedido aos peritos que fizessem um comentário a justificar
a sua não concordância com o item. A atribuição de pontos
permitiu a realização dos cálculos da validade do conteúdo.
Yusoff44 define que o resultado do cálculo do Índice de
Validade do Conteúdo por item (IVC-I) de, pelo menos,
0.78 permite validar um item para um grupo de peritos igual
ou superior a nove. Dado ter sido possível reunir um grupo
de vinte, foi este o valor utilizado para definir a validação
positiva de um item. Na primeira ronda apenas 6 itens
(3,5%) não obtiveram concordância pelo que foram
alterados segundo as sugestões dos peritos e reenviados para
nova validação. Na segunda ronda, apenas quinze peritos
(75% do grupo) responderam à validação dos itens na qual
apenas 3 (50%) obtiveram concordância. Assim, foram
retirados dos itens iniciais os três itens que não obtiveram
acordo nas duas rondas. Os cálculos utilizados para
estabelecer a validade do conteúdo foram definidos por
Yusoff 44, nomeadamente: Peritos em Acordo (PA); Acordo
Universal (AU); Índice de Validade de Conteúdo por Item
(IVC-I); Índice de Validade de Conteúdo por Escala (IVC-
S) por Método da Média e pelo Método do Acordo
Universal.
Considerações Éticas
Este estudo obteve o parecer favorável da Comissão de
Ética da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico
de Leiria. No primeiro foi pedido aos participantes que se
identificassem através de uma sigla com as iniciais do seu
nome (por exemplo SRVC) de forma a identificar os e-mails
dos participantes para feedback sobre a evolução do estudo,
mantendo o seu anonimato.
Resultados
A primeira ronda de validação das guidelines contou com os
20 peritos selecionados que foram numerados de P1-P20
para manter o anonimato das suas respostas. Os resultados
são apresentados na Tabela 4:
Tabela 4. Resultados da primeira ronda de validação
A: NÍVEL ESTRUTURAL
A1: Domínio das Políticas Nacionais
Itens
Peritos em
Acordo
Acordo Universal
IVC-I
A1.1
20
1
1,00
A1.2
20
1
1,00
A1.3
20
1
1,00
A1.4
12
0
0,60
A1.5
19
0
0,95
A1.6
19
0
0,95
A1.7
20
1
1,00
A1.8
20
1
1,00
A1.9
20
1
1,00
A1.10
20
1
1,00
A1.11
20
1
1,00
A1.12
20
1
1,00
A1.13
19
0
0,95
A1.14
19
0
0,95
A1.15
19
0
0,95
A1.16
18
0
0,90
Campino, S.
Artigo Original Qualitativo
IVC-S (Média): 0,95
IVC-S (AU): 0,56
A2: Domínio da Intervenção na Saúde da Comunidade
A2.1
20
1
1,00
A2.2
20
1
1,00
A2.3
20
1
1,00
A2.4
19
0
0,95
A2.5
19
0
0,95
A2.6
20
1
1,00
A2.7
20
1
1,00
A2.8
20
1
1,00
A2.9
20
1
1,00
A2.10
19
0
0,95
A2.11
20
1
1,00
IVC-S (Média): 0,99
IVC-S (AU): 0,73
A3: Domínio da Adequação das Infraestruturas
A3.1
20
1
1,00
A3.2
20
1
1,00
A3.3
20
1
1,00
A3.4
20
1
1,00
A3.5
20
1
1,00
A3.6
20
1
1,00
A3.7
18
0
0,90
A3.8
20
1
1,00
A3.9
20
1
1,00
A3.10
20
1
1,00
A3.11
20
1
1,00
A3.12
20
1
1,00
A3.13
19
0
0,95
A3.14
20
1
1,00
A3.15
20
1
1,00
A3.16
20
1
1,00
A3.17
20
1
1,00
A3.18
20
1
1,00
A3.19
20
1
1,00
A3.20
20
1
1,00
A3.21
20
1
1,00
A3.22
18
0
0,90
A3.23
20
1
1,00
A3.24
19
0
0,95
A3.25
20
1
1,00
A3.26
16
0
0,80
A3.27
20
1
1,00
A3.28
16
0
0,80
A3.29
20
1
1,00
A3.30
20
1
1,00
A3.31
20
1
1,00
IVC-S (Média): 0,98
IVC-S (AU): 0,81
A4 Domínio da Gestão das Instituições e dos Serviços de
Urgência
A4.1
20
1
1,00
A4.2
19
0
0,95
A4.3
20
1
1,00
A4.4
20
1
1,00
A4.5
20
1
1,00
A4.6
19
0
0,95
A4.7
20
1
1,00
A4.8
20
1
1,00
A4.9
20
1
1,00
A4.10
19
0
0,95
A4.11
20
1
1,00
A4.12
20
1
1,00
A4.13
20
1
1,00
A4.14
20
1
1,00
A4.15
18
0
0,90
A4.16
20
1
1,00
A4.17
20
1
1,00
A4.18
20
1
1,00
A4.19
20
1
1,00
A4.20
20
1
1,00
A4.21
19
0
0,95
A4.22
20
1
1,00
A4.23
20
1
1,00
A4.24
19
0
0,95
A4.25
15
0
0,75
IVC-S (Média): 0,98
IVC-S (AU): 0,72
B: NÍVEL PROFISSIONAL
B1: Domínio da Formação dos Profissionais do Serviço de
Urgência
B1.1
18
0
0,90
B1.2
20
1
1,00
B1.3
20
1
1,00
B1.4
19
0
0,95
B1.5
19
0
0,95
B1.6
18
0
0,90
B1.7
17
0
0,85
B1.8
19
0
0,95
B1.9
19
0
0,95
B1.10
18
0
0,90
B1.11
20
1
1,00
B1.12
20
1
1,00
B1.13
19
0
0,95
B1.14
19
0
0,95
B1.15
19
0
0,95
IVC-S (Média): 0,95
IVC-S (AU): 0,27
B2: Domínio do Apoio e Valorização dos Profissionais
B2.1
20
1
1,00
B2.2
20
1
1,00
B2.3
20
1
1,00
B2.4
20
1
1,00
B2.5
20
1
1,00
B2.6
20
1
1,00
B2.7
20
1
1,00
B2.8
19
0
0,95
B2.9
20
1
1,00
B2.10
19
0
0,95
IVC-S (Média): 0,99
IVC-S (AU): 0,80
C: NÍVEL ASSISTENCIAL
C1: Domínio do Acolhimento
C1.1
19
0
0,95
C1.2
17
0
0,85
C1.3
20
1
1,00
C1.4
18
0
0,90
C1.5
17
0
0,85
C1.6
20
1
1,00
C1.7
20
1
1,00
C1.8
16
0
0,80
C1.9
19
0
0,95
C1.10
17
0
0,85
C1.11
16
0
0.80
C1.12
16
0
0,80
C1.13
19
0
0,95
IVC-S (Média): 0,91
IVC-S (AU): 0,23
C2: Domínio da Avaliação Clínica
C2.1
17
0
0,85
Pensar Enfermagem / v.29 n.Sup / jan-dez 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
C2.2
19
0
0,95
C2.3
19
0
0,95
C2.4
18
0
0,90
C2.5
15
0
0,75
C2.6
17
0
0,85
C2.7
19
0
0,95
C2.8
19
0
0,95
C2.9
19
0
0,95
C2.10
17
0
0,85
IVC-S (Média): 0,90
IVC-S (AU): 0,00
C3: Domínio dos Cuidados Centrados na Pessoa
C3.1
16
0
0,80
C3.2
19
0
0,95
C3.3
17
0
0,85
C3.4
20
1
1,00
C3.5
19
0
0,95
C3.6
19
0
0,95
C3.7
20
1
1,00
C3.8
15
0
0,75
C3.9
20
1
1,00
C3.10
20
1
1,00
C3.11
20
1
1,00
C3.12
19
0
0,95
C3.13
19
0
0,95
C3.14
19
0
0,95
C3.15
19
0
0,95
C3.16
20
1
1,00
C3.17
19
0
0,95
C3.18
20
1
1,00
C3.19
13
0
0,65
C3.20
19
0
0,95
C3.21
16
0
0,80
C3.22
19
0
0,95
C3.23
20
1
1,00
C3.24
19
0
0,95
C3.25
19
0
0,95
C3.26
17
0
0,85
C3.27
20
1
1,00
C3.28
20
1
1,00
C3.29
18
0
0,90
IVC-S (Média): 0,93
IVC-S (AU): 0,34
C4: Domínio da Morte e Fim de Vida
C4.1
17
0
0,85
C4.2
14
0
0,70
C4.3
20
1
1,00
C4.4
19
0
0,95
C4.5
17
0
0,85
C4.6
20
1
1,00
C4.7
20
1
1,00
C4.8
20
1
1,00
C4.9
19
0
0,95
C4.10
19
0
0,95
IVC-S (Média): 0,93
IVC-S (AU): 0,40
Sumariamente é o Nível Estrutural que apresenta um maior
número de itens submetidos para validação (n=83), seguido
do Nível Assistencial (n=62) e do Nível Profissional (n=25).
O item com menor índice de validade de conteúdo foi o
A1.4. com 0.60 de IVC-I que corresponde a “Alteração da
designação de “Utente” para “Pessoa Cuidada” (PC)”. Para
além disto, uma breve análise dos cálculos permite destacar
que todos os domínios apresentaram uma IVC-S Média
entre 0.91 e 0.99 que demonstra um elevado grau de
concordância com os itens apresentados. No entanto,
analisando o IVC-S (AU) é possível compreender que
nenhum domínio obteve um AU absoluto (1), sendo que os
valores oscilam entre 0 (domínio C2 avaliação clínica) e
0.81 (domínio A3- adequação das infraestruturas). O
resumo do cálculo do IVC-S por domínios encontra-se no
Gráfico 1:
Gráfico 1. Resumo do cálculo IVC-S
Para a realização da segunda ronda foram identificados os
itens que não obtiveram ICV-I de 0.78 e foi modificado o
seu conteúdo de acordo com as sugestões apresentadas
pelos peritos, determinando assim as seguintes mudanças:
A1.4: Alteração da designação “Utente” para
“Pessoa Alvo dos Cuidados” (PAC) e
uniformização desta nomenclatura.
A4.25: Implementação de uma política de porta
aberta ao acompanhante para a sua presença
constante junto da PAC, independentemente do
seu grau de dependência, exceto nas áreas clínicas
com pessoas em situação crítica e nos períodos em
que ocorram procedimentos ou se propicie a
exposição corporal
C2.5: Criação de estratégias para estabelecer
vínculos terapêuticos rápidos, mas eficazes, com a
PAC
C3.8: Marcação de consulta de enfermagem nos
CSP para situações pouco e não urgentes para
avaliação das necessidades de ensinos e promoção
da participação da pessoa no seu projeto de saúde
individual
C3.19: Permissão da presença do familiar no início
das manobras de reanimação, se este assim o
desejar, destacando um profissional para o
acompanhar a um local calmo para aguardar por
informações prestadas por um membro da equipa
de reanimação após o término da mesma.
C4.2: Encaminhamento para a sala de emergência
de pessoas em paragem cardiorrespiratório para
longe das restantes PAC. Se a reanimação não tiver
sucesso, permitir a presença dos familiares junto
do corpo para iniciarem o seu luto.
0,95 0,99 0,98 0,98 0,95 0,99 0,91 0,91 0,93 0,93
0,56
0,73 0,81 0,72
0,27
0,8
0,22
0
0,34 0,4
0
0,2
0,4
0,6
0,8
1
A1 A2 A3 A4 B1 B2 C1 C2 C3 C4
IVC-S (Média) IVC-S (AU)
Campino, S.
Artigo Original Qualitativo
Na segunda ronda responderam 15 peritos com os seguintes
resultados:
Tabela 5. Resultados da segunda ronda de validação
Itens
P
1
P
2
P
3
P
4
P
5
P
6
P
7
P
8
P
9
P
10
P
11
P
12
P
13
P
14
P
15
P
16
P
20
P
A
A
U
IVC-I
A1.4
0
0
1
0
1
0
1
0
1
1
1
0
0
0
0
6
0
6
0
0,40
A4.25
1
1
1
0
0
1
1
0
0
1
1
0
1
1
0
9
1
9
0
0,60
C2.5
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0
1
1
1
14
1
14
0
0,93
C3.8
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
15
1
15
1
1,00
C3.19
1
0
1
0
1
0
1
1
0
1
1
0
0
1
1
9
1
9
0
0,60
C4.2
1
1
1
1
0
1
1
0
1
1
1
1
1
1
1
13
1
13
0
0,87
IVC-S (Média): 0,73
IVC-S (AU): 0,17
A segunda ronda determinou, assim, a eliminação dos itens
A1.4, A4.25 e C3.19. Os itens C2.5, C3.8 e C4.2 foram
aprovados após alteração, pelo que são essas as versões
finais para implementação como guidelines.
Discussão
Este projeto de investigação propôs-se a encontrar formas
de contornar os desafios para a humanização dos cuidados
prestados nos SU e definir as medidas necessárias, de acordo
com o conhecimento existente, para a humanização dos
cuidados prestados pelas equipas multidisciplinares. A
revisão da literatura revelou que esta é uma preocupação dos
enfermeiros que realizam estudos e propõem medidas para
a melhoria dos cuidados que prestam contribuindo para a
atualização da conceptualização do Cuidar e para o
desenvolvimento do conhecimento em enfermagem,
cimentando a sua missão nos serviços de saúde melhorando
a sua qualidade.45 Fruto do modelo biomédico
implementado nos SU e no crescimento exponencial da
tecnologia na saúde, a despersonalização dos cuidados
afastou os profissionais daqueles de quem cuidam e a gestão
verticalizada destes serviços pressiona-os para a obtenção de
resultados de forma rápida e eficiente, dificultando o
reconhecimento da singularidade da pessoa para além das
suas necessidades físicas.24 A humanização dos cuidados
impele à participação de todos os atores da prestação de
cuidados, diretos e indiretos, na criação de condições para
um atendimento personalizado e baseado nas relações
terapêuticas que conferem dignidade e conforto aqueles que
procuram os SU.22 Na resposta à questão de investigação,
foram definidas 170 medidas divididas em três níveis
(Estrutural, Profissional e Assistencial) e distribuídas em 10
domínios após leitura integral de 37 artigos. Destes é
possível destacar, para além das guidelines definidas, que esta
preocupação com a humanização dos cuidados já existe sob
forma de programas nacionais noutros países e de projetos
de melhoria contínua nas áreas obstétrica, pediátrica e
psiquiátrica. O maior número de medidas propostas
encontra-se no domínio da adequação das infraestruturas
(n=31) e o menor nos domínios da avaliação clínica, apoio
e valorização dos profissionais e da morte e fim de vida
(n=10). Isto é justificado pelo facto de terem sido
encontrados mais estudos com propostas de mudanças
nestas áreas e não pela menor ou maior necessidade das
mesmas.
Após a sua definição através da revisão integrativa da
literatura, o conteúdo das guidelines foi validado em duas
rondas através da metodologia Delphi que é reconhecida
pela sua eficiência na criação de consensos entre diversos
profissionais em torno de uma temática numa determinada
área do conhecimento sobre a qual possuem experiência
profissional e académica que lhes permite validar
proposições.43 O estudo de Barrios et al.42 destaca que uma
seleção adequada de peritos permite diminuir os vieses no
estudo, que as opiniões são apenas influenciadas pelo
feedback que recebem dos investigadores e não pelas suas
características sociodemográficas e profissionais e que a
garantia da validade das decisões é feita com a submissão
das propostas em estudo em mais do que uma ronda, tal
como foi feito neste estudo. Dado que não foi dado nenhum
feedback aos participantes entre as duas rondas, não houve
influência das opiniões dos peritos por parte dos
investigadores. Foram 20 os peritos selecionados de acordo
com os critérios definidos que participaram neste estudo
que aprovaram, na primeira ronda, 164 guidelines propostas.
Após a segunda ronda de validação das restantes medidas,
desta vez por 15 peritos, foram eliminados três itens no final
do estudo.
Quando questionados no início do estudo sobre o motivo
de terem escolhido ser médicos e enfermeiros, os peritos
revelaram: uma forte componente comunitária de ajudar o
próximo; a paixão do cuidar do outro; o reconhecimento
que ajudar outro ser Humano que pode fazer parte da
mudança que se quer ver no mundo; o Cuidar que preenche
o profissional e o faz sentir completo enquanto pessoa,
tanto pelo historial de doenças na família, como pelos
valores por ela transmitidos durante o seu desenvolvimento
pessoal. Fazer parte da mudança é o que motivou todos
estes profissionais a seguir (e a manter) a profissão que
escolheram e a participar neste estudo. Para os peritos
inquiridos humanizar os cuidados de saúde é uma necessária
renovação das práticas clínicas no sentido da personalização
dos cuidados e da libertação do modelo mecanicista de
trabalhar em saúde, colocando em foco a pessoa e as suas
necessidades. O seu contributo neste estudo permitiu
apresentar uma proposta de mudança nos SU e dar resposta
a esta necessidade de humanização do cuidar através da
implementação de boas práticas e o reconhecimento do
papel dos profissionais na diferença que podem fazer na
vida de quem cuidam para além das suas competências
técnico-científicas.
O cálculo do Índice de Validade do Conteúdo por Item
permite compreender o grau de concordância dos peritos
em relação a cada medida proposta cujos valores variaram
entre 0.60 e 1.00. Quando o resultado era absoluto (1.00)
correspondia ao Acordo Universal que foi atingido em 89
Pensar Enfermagem / v.29 n.Sup / jan-dez 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
dos itens em validação (52%). Assim, pode considerar-se
que os itens tiveram uma boa aprovação por parte do painel
dado que apenas 6 (3,5%) necessitaram de reformulação e
revalidação na ronda seguinte. Um outro resultado que
reforça que os itens tiveram um bom grau de concordância
é o do cálculo do IVC-S pela média cujos valores entre os
diversos domínios oscilaram entre 0.91 e 0.99 com uma
média total de 0.95 em todos os itens. Os domínios com
maior grau de concordância foram o A2 e o B2 e os com
menor foram o C1 e C2. O facto de ter sido atingido este
consenso alargado demonstra como a pluralidade de
opiniões dos diversos peritos pode coincidir mesmo que as
respostas sejam dadas em regime de anonimato.
O Acordo Universal nunca foi atingido em absoluto
(n=1.00) em nenhum domínio, apesar de existirem 89 itens
que atingiram o AU=1. Apesar do consenso ter sido
atingido nos 164 itens validados na primeira ronda, não
houve nenhum domínio com acordo absoluto sobre todas
as medidas propostas. Inclusive, o lculo do IVC-S (AU)
revela que o domínio C2 não teve AU em nenhum dos itens
propostos e que o A3 é o que teve maior média de AU com
um resultado de 0.81. Sendo assim pode concluir-se que o
consenso é atingível mesmo quando os peritos não estão
todos em pleno acordo sobre os itens. O ideal seria que
existisse AU em todos os itens, mas é a diversidade de
opiniões que enriquece trabalhos com esta natureza dado
que permite obter diversas perspetivas sobre um tema e,
simultaneamente, conceber e validar conceitos considerados
aceitáveis pela maioria dos elementos do painel de peritos.
Como foi referido anteriormente, houve 6 itens que não
obtiveram um IVC-I superior ou igual a 0.78 pelo que foram
submetidos a alterações no seu conteúdo e apresentados aos
peritos numa segunda ronda na qual participaram 15 dos 20
peritos da amostra inicial (75%) cuja diminuição da
participação foi um dos desafios encontrados durante este
estudo. Uma das razões que podem justificar esta mudança
é a disponibilidade de tempo para refletir adequadamente
sobre os itens apresentados e dar uma resposta já que todos
os participantes são profissionais de saúde a exercer
ativamente e a enfrentar os desafios que a profissão traz
consigo diariamente em termos de exigência de horas e
dedicação física e mental. Nesta segunda ronda apenas 50%
dos itens obteve aprovação mesmo com um IVC-S (média)
de 0.73. Curiosamente apenas houve um item com acordo
universal (C3.8.) cujo consenso atingido demonstra o
reconhecimento da importância do acompanhamento dos
utilizadores dos serviços pelos enfermeiros dos cuidados de
saúde primários com consulta própria após ter recorrido a
um SU e ter obtido uma prioridade pouco urgente ou não
urgente como propõem Andrade e Donelli27 para
esclarecimento sobre a tabela terapêutica, Ensinos dirigidos
à condição da pessoa e uma reavaliação das suas
necessidades. A necessidade de estabelecer redes de
cuidados entre as diversas instituições através de uma rede
de referenciação também é reconhecida neste valor de
concordância e AU como defende Lopes.
O item A1.4. não obteve aprovação nas duas rondas sendo
que na primeira obteve um IVC-I=0.60 e na segunda um
IVC-I=0.40, mesmo após modificação do seu conteúdo.
Apesar de Lopes referir que aqueles que recorrem aos
cuidados de saúde não poderem ser vistos como clientes,
mas sim como alguém que necessita de ajuda e, portanto,
uma Pessoa Cuidada ou Pessoa-Alvo dos Cuidados (PAC)
como nomenclatura a uniformizar como reflexo de uma
política de cuidados centrados na pessoa, este item foi
eliminado. Algumas das justificações apresentadas pelos
peritos prendem-se com: a complexidade da nomenclatura;
indiferença na mudança para a melhoria dos cuidados
prestados; a sigla PAC se encontrar em utilização como
pneumonia adquirida na comunidade originando confusões
e dificuldades na comunicação dentro das equipas; a
designação “alvo” o revelar a necessidade de
envolvimento da pessoa nos seus cuidados; a designação
“cuidado” associado à pessoa pode induzir numa sensação
de perda de autonomia pelo utilizador.
O item A4.25 seguiu a mesma tendência de decréscimo do
valor do IVC-I após alteração do seu conteúdo
considerando as preocupações dos peritos com as áreas
onde se encontram pessoas em situação crítica, a
privacidade da pessoa e o sigilo. Nas duas rondas os peritos
frisaram, de acordo com o conhecimento empírico que
obtêm através da sua prática clínica, que o acompanhante
pode tornar-se prejudicial à prestação de cuidados devido ao
seu desconhecimento das dinâmicas do serviço, da
sobrelotação muitas vezes observada nos SU, à recusa dos
acompanhantes na prestação de cuidados de higiene e
alimentação, às más condutas e aos riscos relacionados com
o controlo da infeção. Lemos5 apela a que se aplique o
modelo pediátrico do acompanhante para os adultos nos SU
de forma a diminuir o sofrimento que a ansiedade deste
serviço causa nos utilizadores do mesmo. Esta ideia é
reforçada por Rios19 que refere que a permanência dos
acompanhantes foi uma das primeiras práticas
humanizadoras dos serviços dado que não modificavam sua
organização ou métodos de gestão e que podem servir como
escape para a pessoa cuidada e, igualmente, para os
profissionais. Freitas et al.23 corroboram estas perspetivas,
mas ressalvam a importância de criar espaços que possam
acolher os acompanhantes dado que o seu próprio
desconforto é gerador de conflitos com os profissionais.
Outros aspetos que são necessários acautelar para a
permanência do acompanhante é a existência de um local
privado onde este possa receber informações sobre a
situação clínica do seu familiar e a necessidade das pessoas
idosas da presença de alguém da sua confiança como um
“porto de abrigo” num serviço onde as condições não são
propícias para o conforto que necessitam.28 Em situações de
delirium, muito comuns nos SU, a presença deste familiar é
particularmente fundamental para tranquilizar a pessoa
Campino, S.
Artigo Original Qualitativo
cuidada e garantir que a contenção física é a última linha nas
intervenções a implementar.39
A diferença nas duas rondas na validação do item C3.19 não
é drástica, no entanto sofreu a sua eliminação tal como os
dois itens anteriores. Dall’Orso e Concha34 referem no seu
estudo que a presença de familiares durante as manobras de
reanimação é vista pelos profissionais de forma negativa
dado que referem que podem prejudicar a realização de
procedimentos e que a suspensão de manobras pode ser mal
interpretada. No entanto, as entrevistas feitas por Dall’Orso
e Concha34 aos familiares revelam que a sua presença nas
situações de reanimação, apesar de representarem uma carga
emocional pesada e de difícil gestão individual, foi benéfica
na atribuição de significados à morte, diminuição da sua
ansiedade e permitiu iniciar processos de luto eram quando
acompanhados por um profissional que lhes explique o que
está a ser feito e o porquê. A eliminação deste item
demonstra o trabalho que a desenvolver junto dos
profissionais para gerir estas situações e estimula a reflexão
sobre a presença de familiares durante a reanimação.
A metodologia Delphi revelou-se uma forma de reunir
consensos dentro de um grupo heterogéneo de pessoas com
diferentes opiniões, profissões e experiências na prestação
de cuidados num SU. A grande vantagem deste método de
investigação, reconhecida por Marques e Freitas45, é o
anonimato que evita a conflitualidade de visões e a mudança
de opinião por pressão do grupo ou sensação necessidade
de seguir uma direção única como um grupo para facilitar a
validação dos itens e potencia a criatividade e a reflexão
aprofundada sobre as temáticas em estudo. A facilidade de
poder ser realizado através de questionários online, como
neste estudo, flexibiliza a participação dos peritos dado que
possibilita a participação de diversos membros do painel
distribuídos geograficamente e com diferentes horários de
trabalho sem a pressão do tempo que, por exemplo, uma
reunião de focus group impõe para cada sessão de validação. 45
Barrios et al.42 defendem que não são as questões
sociodemográficas que determinam as opiniões dos peritos,
mas sim o feedback que lhes é dado ao longo do estudo,
situação que não ocorreu neste estudo dado que apenas foi
transmitido aos peritos a necessidade de nova validação dos
6 itens que não obtiveram concordância na primeira ronda.
Uma das dificuldades sentidas no estudo e que Marques e
Freitas45 defendem como uma desvantagem deste método,
foi a questão temporal: foi necessário o envio de rios e-
mails de incentivo à participação dos peritos na validação do
conteúdo e da resposta aos três questionários (cada um
correspondente a cada nível definido).
Conclusão
A implementação das guidelines apresentadas exige um
investimento do ponto de vista financeiro, académico, das
chefias e dos profissionais para mudar a perspetiva
biomédica que rege o funcionamento dos serviços focada
na classificação de doenças, no seu tratamento e cura. A
ansiedade e tensão geradas por um episódio de urgência
pode ser reduzida por um atendimento humanizado sem a
necessidade de soluções prescritas sob a forma de fármacos
sedativos ou ansiolíticos e, inclusive, promover uma maior
adesão terapêutica ao projeto comum de saúde/doença
com o envolvimento e corresponsabilização da pessoa
cuidada. Este trabalho pode contribuir para as mudanças
tão necessárias nos serviços de saúde, concretamente nos
SU, e para a reflexão sobre a temática da humanização pelos
principais decisores e profissionais de saúde, mudando as
suas práticas de forma individual e contagiando aqueles
com quem trabalham a adotar uma postura mais
humanizada. Assim, impõe-se uma validação psicométrica
das guidelines com o contributo de profissionais de forma
mais alargada a nível nacional.
Cuidar dos outros, sentindo-se valorizados, através da
capacidade de aliar as suas competências técnico-científicas
à empatia e à escuta ativa é o caminho para um futuro onde
os profissionais de saúde conseguem fazer pequenas, mas
relevantes, mudanças na vida de quem cuidam “tornando-
os humanos”.
Tenhamos a coragem de mudar e de quebrar os ciclos
viciosos que o modelo prescritivo nos prende e nos torna
frios e distantes: um dia seremos nós a necessitar de
cuidados e acompanhar os “nossos”. Criemos então um
ambiente de cuidados seguro, acolhedor e tranquilizador
em que a confiança nos profissionais é total pois sabemos
que irão olhar para nós, os nossos familiares e amigos, com
um olhar humanizador, atento e que valoriza as nossas
necessidades como uma promessa de alívio do sofrimento
físico e/ou psicológico que sentimos. Consideremos
igualmente investigar, testar e implementar medidas
humanizadoras dos cuidados que prestamos, em todas as
profissões da saúde, tendo em vista que a Pessoa é o alfa e
o ómega do nosso Sistema prestador de cuidados de saúde.
Limitações do estudo
Ao repto para participação neste estudo como peritos
apenas responderam médicos e enfermeiros, apesar de ter
sido um convite estendido a outros profissionais e a
comissões de utentes. Definitivamente é uma limitação
neste estudo, dado que perspetivas diferentes poderiam
enriquecer a validação e a modificação dos itens propostos
à luz da Ética, da Gestão, da Psicologia e da Experiência do
Utilizador.
Outra limitação deste estudo é a participação de uma ínfima
franja de profissionais de saúde que prestam cuidados em
algumas zonas do país, não sendo representativa da
realidade nacional.
Contribuições autorais
SC: Conceção e desenho do estudo; Recolha de dados;
Análise e interpretação dos dados; Redação do manuscrito;
Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da versão final do
manuscrito e assunção de responsabilidade pelo mesmo.
Pensar Enfermagem / v.29 n.Sup / jan-dez 2025
DOI: 10.71861/pensarenf.v29iSup.426 / e00426
Artigo Original Qualitativo
MD: Conceção e desenho do estudo; Revisão crítica do
manuscrito; Aprovação da versão final do manuscrito e
assunção de responsabilidade pelo mesmo.
Conflito de interesses
Nenhum conflito de interesse foi declarado pelas autoras.
Fontes de apoio / financiamento
Este estudo não foi objeto de nenhum financiamento.
Agradecimentos
Aos caríssimos Peritos que participaram no estudo e
permitiram validar mais de uma centena de itens com
medidas a implementar nos nossos serviços de urgência para
humanizar os cuidados prestados: que mantenham esta
resiliência que caracteriza o papel que desempenham nos
vossos serviços e que vos motiva a participar em projetos de
investigação para a melhoria das práticas clínicas.
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