Artigo Teórico
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Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / Jan-Dez 2025 / DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.436 / e00436
instrumentos terapêuticos como a transmissão de informação, os grupos de apoio e o envolvimento nos
cuidados, são extremamente importantes para as famílias dos recém-nascidos internados.
No estágio em urgência pediátrica, foi possível acompanhar a criança e a família que recorrem ao hospital no
contexto de um problema de saúde súbito ou de uma agudização de uma condição crónica.4 Desde a primeira
interação, nomeadamente na triagem, a abordagem adotada foi transmissora de tranquilidade e confiança, pois
qualquer recorrência à urgência poderá ter associada uma elevada carga emocional.4 Desta forma, foi promovido
um ambiente seguro e afetuoso e foram nutridos os cuidados com afeto.1,32
Neste contexto, os CNT foram fundamentais, devido à realização frequente de procedimentos dolorosos e
geradores de desconforto e medo, associados ao stress do ambiente desconhecido. Assim, foi essencial a
implementação sistemática de intervenções para eliminar ou atenuar o sofrimento, nomeadamente através da
preparação para procedimentos e da minimização da separação entre a criança e a família.4,32
Os procedimentos invasivos, como a colheita de sangue ou a terapêutica inalatória eram geradores de dor, de
medo e de angústia nas crianças. Foi importante intervir na preparação para o procedimento, nomeadamente
com recurso ao brincar, com a mobilização do “Kit dói-dói”, existente na sala de tratamentos. Era constituído
por vários peluches e materiais de punção sem agulhas, assim como adesivos e ligaduras, possibilitando explicar
o procedimento à criança com tranquilidade e segurança. Caso a criança preferisse, poderia experimentar o
procedimento no seu próprio brinquedo.
No final, eram oferecidos vários autocolantes à escolha da criança e um diploma de mérito, como forma de
elogiar o seu comportamento, mesmo quando a criança chorava, constituindo uma oportunidade de
reconciliação. Este momento, de reforço positivo, transmite à criança que o seu valor não está condicionado
pelo comportamento durante a situação.33 Além disso, possibilita o fortalecimento da relação entre o cliente e
os enfermeiros.33 A música e os vídeos foram utilizados com frequência, também na sala de tratamentos, com
intencionalidade terapêutica, sendo escolhidos pela criança.
Ainda decorrente do estado emocional da família, esta pode adotar comportamentos agressivos (verbais e, em
alguns casos, físicos) contra os profissionais de saúde. Estas situações são mais frequentes nos serviços de
urgência, pois a ansiedade e desespero relativamente ao estado de saúde da criança e aos tempos de espera
prolongados dificultam a gestão emocional.34 Assim, foi fundamental intervir neste âmbito, através da
transmissão de informação, de forma adequada ao nível de compreensão da família.34 Além disso, foram
mobilizadas competências comunicacionais adequadas aos estádios de desenvolvimento e às diferenças
culturais, facilitando a gestão das emoções do cliente e construindo a estabilidade na relação.1,4
Desta forma, através da mobilização de instrumentos terapêuticos, tais como o brincar e a transmissão de
informação, a intencionalidade foi a transformação positiva das emoções vivenciadas pela criança e família.1
O internamento pediátrico caracteriza-se por ser um ambiente potencialmente gerador de stress e de medo,
associado a procedimentos dolorosos, a equipamentos médicos, ao local desconhecido e ameaçador e a
alterações da rotina.5,35 Para os pais, esta experiência implica alterações do papel parental e ajustes no
funcionamento habitual da família.36
No caso de crianças com condição crónica, os períodos de hospitalização podem ser longos e frequentes,
limitando a realização das suas atividades diárias, podendo existir um comprometimento a nível do seu
crescimento e desenvolvimento.37 As crianças identificam a presença de melancolia, desalento e apatia,
sentindo-se inseguras e sem capacidade para lidar com as suas emoções.38 Estas crianças e famílias carecem
particularmente de apoio emocional, através do qual é possível atenuar as vivências negativas e reduzir a
ansiedade.39
No estágio em internamento pediátrico, foi possível constatar que os cuidados prestados se encontravam
sustentados pelos CCF e CNT. Estes encontravam-se refletidos, nomeadamente, na promoção da participação
parental e a partilha contínua de informação, assim como a colaboração dos pais no processo de cuidados do
seu filho. Associado a isto, a preparação da criança para a realização de procedimentos e a realização dos
mesmos na sala de tratamentos, e não no quarto. No âmbito da gestão intencional das emoções, neste contexto,
foi realizado o acolhimento da criança e do jovem, assim como da sua família. Este, aliado à expressão de afeto,
contribuiu para a transformação positiva da experiência de hospitalização, promovendo a tranquilidade, o alívio
do sofrimento e o aumento da confiança.1
A mobilização de instrumentos terapêuticos foi particularmente importante no caso da criança internada sem
acompanhante, pois é necessário dar resposta às necessidades afetivas e emocionais, minimizando os efeitos
negativos desta experiência.40 O enfermeiro recorre ao afeto com intencionalidade terapêutica, procurando,
assim, atenuar a falta do acompanhante, não se pretendendo, porém, a substituição do papel do pai/cuidador.41
Na realização de procedimentos dolorosos, associado a intervenções farmacológicas, foram mobilizados
instrumentos terapêuticos tais como o brincar e a música, constituindo intervenções promotoras de um
ambiente seguro e afetuoso.1 Foi importante dar autonomia à criança na escolha da música e dos brinquedos.