Artigo Teórico
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.445
ações foram desenvolvidas sob a orientação e supervisão da professora tutora, garantindo a segurança do
paciente e a aplicabilidade dos princípios éticos e legais da prática profissional.
Posto isso, ressalta-se que este estudo está vinculado às atividades de ensino e não envolveu coleta de dados
sensíveis ou intervenções diretas voltadas à pesquisa com seres humanos. Portanto, conforme a Resolução nº
510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), não se faz necessária a submissão ao Comissão de Ética em
Pesquisa, pois trata-se da experiência dos próprios autores do relato.
Desenvolvimento
A vivência ocorreu durante o estágio curricular de três estudantes do curso de Enfermagem na UCI de um
hospital público paraibano de referência em trauma. A unidade contava com dez leitos e, naquele momento,
todos estavam ocupados, sendo a maioria dos pacientes do sexo masculino e vítimas de TCE causados por
acidentes motociclísticos. Corroborando com esses dados, foram identificados em estudos, o mesmo perfil na
maioria das admissões em UCIs de hospitais referência em trauma: homens, vítimas de TCE causados por
motocicletas. 10-11
Ainda, dentro da equipa multiprofissional, havia duas enfermeiras que desenvolviam o Processo de
Enfermagem aos pacientes críticos do setor. Estas, aplicavam a Telenfermagem - tecnologia inserida no grupo
das TIC’s - como método de oferta de cuidado. Para Muniz, Mota e Sousa (2023)12, o uso deste aparato
tecnológico configura-se como prática avançada de enfermagem, o que consequentemente, promove a oferta
de um serviço de qualidade aos pacientes.
Caracterização do paciente e sua relação com a literatura científica
Para fins de aprofundamento acadêmico-científico, foi selecionado um paciente diagnosticado com Hematoma
Subdural Agudo Traumático, causado por uma queda quando estava sob um equino. Assim, realizou-se um
estudo de caso clínico e, posteriormente, foi relatada a experiência do uso da telenfermagem durante a
assistência prestada pelos estudantes a esse paciente.
A literatura aponta, que o TCE é responsável por altos níveis de morbimortalidade em todo o mundo,
ocasionado por força física externa e caracterizado como uma lesão ao tecido cerebral, provocado por trauma
fechado ou aberto que pode impactar a função cerebral, causando mudanças físicas, comportamentais,
cognitivas ou emocionais.13
O HSDA, considerado um tipo de hemorragia extra-axial, é uma notável consequência do TCE aberto. Sendo
definido pelo acúmulo de sangue e formação de coágulos entre as camadas meníngeas: dura-máter e aracnoide,
tendo como fisiopatologia o rompimento de vasos sanguíneos encefálicos. Em relação à origem, ao observar o
paciente estudado, identificou-se um TCE como de origem traumática, por esse ter ocorrido a partir de uma
queda. A literatura aponta ser o mais incidente, quando comparado ao de origem espontânea.4-5
No tocante às regiões do traumatismo do paciente, observa-se que ocorreu nas regiões fronto-temporo-
parietais. Para Anido e Sosa (2023)14, tais localidades apresentam-se com maior frequência nos casos de HSDA.
Sendo o diagnóstico confirmado com base na história clínica do paciente, exames clínicos neurológicos e nos
exames de imagem como Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética, que revelam a
formação de coleção sanguínea hiperdensa em formato de meia-lua nos locais acometidos.
Referente aos sinais apresentados pelos pacientes, estes variam de acordo com a subjetividade de cada indivíduo
e vão depender da gravidade e das características do trauma sofrido. Entretanto, costumam manifestar ECG
inicial de 8 ou menos, disartria, confusão mental e de memória, perda transitória da consciência, coma, e
hemorragias da fossa posterior.15
Além disso, a elevação progressiva da Pressão Intracraniana (PIC) > 20 mmHg, compressão encefálica, edema
e danos ao tecido cerebral, comprimem o encéfalo causando herniação cerebral e deslocamento do cérebro,
provocando, dispneia, bradicardia, e em alguns casos, morte encefálica e óbito.16,17
Em relação ao prognóstico, torna-se mais sombrio quando os pacientes apresentam idade acima de 65 anos,
lesão cerebral moderada ou grave, pupilas não fotorreagentes, hematoma cerebral volumoso com deslocamento
da linha média, pois estes achados estão fortemente relacionados a mortalidade e intervenções neurocirúrgicas,
embora esta última diminua a deterioração clínica. Dessa forma, identificou-se sinais e sintomas ao exame físico
realizado pelos estudantes e o prognóstico apontado na literatura, com o paciente do caso clínico em questão.18
Referente ao tratamento do HSDA, Rathore et al. (2021)19 afirmam que, casos com hematomas pequenos não
necessitam de tratamento cirúrgico pois o sangue é reabsorvido espontaneamente, com o auxílio de
medicamentos e acompanhamento clínico rigoroso. Ademais, o papel da pulsatilidade cerebral, bem como sua
complacência mostra-se como outro fator para resolução espontânea desse problema de saúde.
Todavia, os grandes coágulos precisam ser retirados por meio cirúrgico, e ainda assim, a indicação da cirurgia
dependerá do prognóstico do paciente, em se tratando do dano neurológico sofrido, da espessura do coágulo