Artigo Teórico
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.445
A telenfermagem como estratégia no cuidado intensivo ao
paciente com hematoma subdural agudo traumático: relato de
experiência
Telenursing as an intensive care strategy for a patient with
traumatic acute subdural hematoma: an experience report
Leonardo Medeiros Bezerra1*, Ana Luiza Macedo Dias2, Rosy Maria de Oliveira Barbosa3, Taciana da Costa
Farias Almeida4, Elicarlos Marques Nunes5, Milena Késsia Tenório Leopoldino6, Andréia Oliveira Barros Sousa7
1 Graduando. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil; orcid.org/0009-0003-9675-5781
2 Graduanda. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil; orcid.org/0000-0002-8713-2481
3 Graduanda. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil; orcid.org/0009-0005-5856-0259
4 Doutora. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil; orcid.org/0000-0002-9390-9656
5 Doutor. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil; orcid.org/0000-0003-2135-6017
6 Especialista em Terapia Intensiva. Hospital Universitário Alcides Carneiro; Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil;
orcid.org/0009-0003-0284-9737
7 Doutora. Hospital Universitário Alcides Carneiro; Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil; orcid.org/0000-0001-
9877-1070
* Autor de correspondência: medeirosbezerra6@gmail.com
Recebido: 19.07.2025
Aceite: 04.01.2026
Editor: Luís Sousa
Como citar este artigo: Bezerra LM, Dias ALM, Barbosa RMO, Almeida TCF, Nunes EM, Leopoldino MKT, Sousa AOB. A telenfermagem como estratégia
no cuidado intensivo ao paciente com hematoma subdural agudo traumático: relato de experiência. Pensar Enf [Internet]. 2026 Jan-Dez; 30(1): e00445.
Available from: https://doi.org/10.71861/pensarenf.v30i1.445.
Resumo
Introdução
O cuidado de enfermagem em Unidades de Cuidados Intensivos envolve desafios que demandam preparão
técnico-científica, tomada de decisão ágil e atuação multiprofissional. Diante da complexidade clínica dos
pacientes, como os diagnósticados com hematoma subdural agudo traumático. O enfermeiro assume papel
central na vigilância contínua e na implementação de intervenções baseadas em evidências.
Objetivo
Relatar a experiência de estudantes de enfermagem durante aulas práticas em uma unidade de cuidados
intensivos que adota a telenfermagem como estratégia de apoio assistencial a um paciente com diagnóstico de
hematoma subdural agudo traumático.
Métodos
Trata-se de um relato de experiência, realizado em março de 2025, em um hospital público de referência em
trauma, no interior da Paraíba, Brasil. A vivência ocorreu mediante articulação interestadual voltada à
qualificação do processo de cuidado entre duas instituições hospitalares situadas em diferentes regiões do país.
Foi implementado o serviço de telenfermagem, objetivando promover discussões clínicas remotas por meio da
apresentação de caso, viabilizando a análise compartilhada do estado de saúde do paciente e a proposição
conjunta de intervenções de enfermagem voltadas à qualificação da assistência prestada.
Resultados
Os estudantes tiveram a oportunidade de participar ativamente da sessão de telenfermagem, apresentando o
caso clínico ao discutir aspectos relevantes da assistência com a enfermeira na videoconferência. A participação
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ativa dos discentes em uma prática mediada pela telenfermagem, evidenciou o potencial dessa ferramenta tanto
como suporte à tomada de decisão em contextos clínicos complexos quanto como recurso pedagógico no
processo de formação em enfermagem.
Conclusão
A telenfermagem, ao ser utilizada como ferramenta de apoio à decisão clínica e de estratégia pedagógica,
demonstrou potencial para integrar teoria e prática de forma dinâmica. Tal vivência possibilitou aos estudantes
reconhecer a relevância desta tecnologia como instrumento do cuidado e de ampliação do alcance da assistência,
especialmente em contextos de alta complexidade.
Palavras-chave
Hematoma Subdural Agudo; Telenfermagem; Traumatismos Craniocerebrais; Unidades de Terapia Intensiva.
Abstract
Introduction
Nursing care in intensive care units involves high-acuity clinical situations that require technical and scientific
preparation, rapid clinical decision-making, and interprofessional practice. In the intensive care of patients with
traumatic acute subdural hematoma, nurses play a central role in continuous monitoring and in implementing
evidence-based interventions.
Objective
To report nursing students’ experience during clinical practicum activities in an intensive care unit that used
telenursing as a clinical support strategy for a patient with traumatic acute subdural hematoma.
Methods
This is an experience report conducted in March 2025 at a public, trauma-referral hospital in an inland city in
Paraíba State, Northeast Brazil. The experience involved interstate coordination between two hospitals in
different regions of Brazil to strengthen the care delivery process. A telenursing service was implemented to
facilitate remote clinical discussions based on case presentation, enabling shared assessment of the patient’s
health status and joint planning of nursing interventions to improve the quality of care provided.
Results
Students actively participated in the telenursing session by presenting the clinical case and discussing key aspects
of care with the nurse during a videoconference. This telenursing-facilitated practicum experience highlighted
the tool’s potential both to support clinical decision-making in complex clinical contexts and to serve as a
teaching resource in nursing education.
Conclusion
When used as a clinical decision-support tool and as an educational strategy, telenursing demonstrated potential
to help integrate theory and practice more dynamically. Such an experience enabled students to recognize this
technology’s relevance for care delivery and for expanding the reach of care, especially in high-acuity contexts.
Keywords
Acute Subdural Hematoma; Telemedicine; Traumatic Brain Injury; Intensive Care Units.
Introdução
A assistência de enfermagem prestada em Unidades de Cuidados Intensivos (UCIs) configura-se como um dos
cenários mais complexos e desafiadores da prática profissional, exigindo competências técnicas, científicas e
humanas especializadas. Esses ambientes concentram pacientes em estado crítico, os quais demandam cuidados
contínuos, avaliação clínica rigorosa e intervenções rápidas, frequentemente baseadas em alterações súbitas do
quadro clínico.1
Nesse contexto, o enfermeiro exerce um papel central, sendo responsável pela condução do Processo de
Enfermagem (PE), além de atuar de forma articulada com a equipa multiprofissional, visando à promoção da
segurança, da qualidade e da integralidade da assistência.2
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Entre os agravos acompanhados nas UCIs, destacam-se os Traumatismos Cranioencefálicos (TCE), condição
de alta prevalência no Brasil, com uma incidência média de 65 casos por 100 mil habitantes entre os anos de
2008 e 2019.3 Dentre as complicações mais comuns dos TCEs, sobressai-se o Hematoma Subdural Agudo
Traumático (HSDA), caracterizado pela acumulação de sangue no espaço entre as camadas dura-máter e a
aracnoide. Assim, trata-se de uma condição neurológica grave, que pode evoluir rapidamente com rebaixamento
do nível de consciência, deterioração neurológica progressiva, coma e, não raramente, óbito.4-5
As altas taxas de mortalidade associadas ao HSDA, variam de 50% a 90%, sendo influenciada por fatores como
idade, anormalidades pupilares, pontuação na Escala de Coma de Glasgow (ECG) e extensão/localização das
lesões.6 Dessa forma, os HSDA caracterizam-se como um problema de saúde pública.
Diante dessa realidade, o manejo clínico do HSDA representa um desafio prioritário para as equipas de
enfermagem atuantes nas unidades intensivas, o que reforça a necessidade de estratégias integradas e
tecnológicas para o cuidado ofertado. Nesse contexto, ganha destaque a adoção de métodos assistenciais que
integrem Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), a exemplo da telenfermagem, como suporte à
qualificação do PE.
A Telenfermagem pertence ao amplo escopo do grupo da “telesaúde”, e é definida como uma prática que utiliza
tecnologias digitais para viabilizar, à distância, atividades de assistência, consulta, educação, supervisão e
monitorização em saúde.7
Inserida nesse contexto, a Telenfermagem consolida-se como uma ferramenta inovadora e estratégica, que
amplia o campo de atuação do enfermeiro sem descaracterizar sua essência. Ao possibilitar o acompanhamento
remoto, a discussão de casos e a construção compartilhada do cuidado, essa abordagem tecnológica contribui
para a resolutividade clínica, qualificação da assistência e fortalecimento do cuidado em rede, sobretudo em
situações que exigem resposta rápida e suporte especializado, como nos casos de HSDA.8
Diante disso, torna-se indispensável que os cursos de graduação em enfermagem integrem, na sua matriz
curricular, experiências formativas que exponham os estudantes às TICs aplicadas à prática clínica. Tal inserção
favorece o desenvolvimento de competências como raciocínio clínico, tomada de decisão baseada em
evidências, comunicação efetiva e gestão do cuidado em cenários que demandam intervenções de alta
complexidade.9
Nessa conjuntura, as aulas práticas formativas para os estudantes de enfermagem, vivenciadas nas UCIs que
implementam a telenfermagem, configura-se como uma estratégia pedagógica essencial, por promover a
imersão dos estudantes tanto na dinâmica do cuidado intensivo quanto no uso das tecnologias em saúde,
contribuindo para sua formação técnica, ética e crítica.
Assim, este estudo tem como objetivo relatar a experiência de estudantes de enfermagem durante aulas práticas
em uma unidade de cuidados intensivos que adota a telenfermagem como estratégia de apoio assistencial a um
paciente com diagnóstico de hematoma subdural agudo traumático.
Métodos
Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido a
partir das atividades realizadas durante aulas práticas em UCI, do componente prático de uma disciplina
obrigatória do curso de Enfermagem de uma universidade pública federal, situada no interior da Paraíba, Brasil.
A experiência ocorreu no mês de março de 2025 em um hospital público de alta complexidade, referência no
atendimento de urgência e emergência, localizado na mesma cidade da universidade.
A vivência foi realizada no contexto de uma estratégia de articulação interestadual, voltada à avaliação e
qualificação do processo de cuidado entre duas instituições hospitalares localizadas em diferentes regiões do
país. Nesse cenário, foi implementado o serviço de telenfermagem, com o objetivo de realizar discussão clínica
remota, por meio da apresentação de caso, mediante videoconferência presencial à cabeceira do doente, o que
possibilitou a análise do estado de saúde e a proposição conjunta de intervenções de enfermagem direcionadas
à qualificação da assistência prestada a um paciente com diagnóstico de Hematoma Subdural Agudo
Traumático.
A recolha de dados que subsidiou este relato, que ocorreu por meio da participação dos estudantes durante a
realização da telenfermagem. Na ocasião, os estudantes, sob supervisão da enfermeira da UCI e da professora
tutora, realizaram a apresentação do quadro clínico do paciente para a equipa de enfermagem da instituição
parceira, momento no qual foram discutidos aspetos relacionados à evolução clínica, à vigilância neurológica e
às estratégias de prevenção de complicações, além da proposição de ajustes nas intervenções de enfermagem.
Paralelamente, os estudantes participaram ativamente da prestação de cuidados ao paciente com HSDA,
incluindo a realização de exame físico sistematizado, monitorização de parâmetros clínicos, avaliação
neurológica contínua e implementação de Intervenções de Enfermagem (IE), fundamentadas no PE. Todas as
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ações foram desenvolvidas sob a orientação e supervisão da professora tutora, garantindo a segurança do
paciente e a aplicabilidade dos princípios éticos e legais da prática profissional.
Posto isso, ressalta-se que este estudo está vinculado às atividades de ensino e não envolveu coleta de dados
sensíveis ou intervenções diretas voltadas à pesquisa com seres humanos. Portanto, conforme a Resolução
510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), não se faz necessária a submissão ao Comissão de Ética em
Pesquisa, pois trata-se da experiência dos próprios autores do relato.
Desenvolvimento
A vivência ocorreu durante o estágio curricular de três estudantes do curso de Enfermagem na UCI de um
hospital público paraibano de referência em trauma. A unidade contava com dez leitos e, naquele momento,
todos estavam ocupados, sendo a maioria dos pacientes do sexo masculino e vítimas de TCE causados por
acidentes motociclísticos. Corroborando com esses dados, foram identificados em estudos, o mesmo perfil na
maioria das admissões em UCIs de hospitais referência em trauma: homens, vítimas de TCE causados por
motocicletas. 10-11
Ainda, dentro da equipa multiprofissional, havia duas enfermeiras que desenvolviam o Processo de
Enfermagem aos pacientes críticos do setor. Estas, aplicavam a Telenfermagem - tecnologia inserida no grupo
das TIC’s - como método de oferta de cuidado. Para Muniz, Mota e Sousa (2023)12, o uso deste aparato
tecnológico configura-se como prática avançada de enfermagem, o que consequentemente, promove a oferta
de um serviço de qualidade aos pacientes.
Caracterização do paciente e sua relação com a literatura científica
Para fins de aprofundamento acadêmico-científico, foi selecionado um paciente diagnosticado com Hematoma
Subdural Agudo Traumático, causado por uma queda quando estava sob um equino. Assim, realizou-se um
estudo de caso clínico e, posteriormente, foi relatada a experiência do uso da telenfermagem durante a
assistência prestada pelos estudantes a esse paciente.
A literatura aponta, que o TCE é responsável por altos níveis de morbimortalidade em todo o mundo,
ocasionado por força física externa e caracterizado como uma lesão ao tecido cerebral, provocado por trauma
fechado ou aberto que pode impactar a função cerebral, causando mudanças físicas, comportamentais,
cognitivas ou emocionais.13
O HSDA, considerado um tipo de hemorragia extra-axial, é uma notável consequência do TCE aberto. Sendo
definido pelo acúmulo de sangue e formação de coágulos entre as camadas meníngeas: dura-máter e aracnoide,
tendo como fisiopatologia o rompimento de vasos sanguíneos encefálicos. Em relação à origem, ao observar o
paciente estudado, identificou-se um TCE como de origem traumática, por esse ter ocorrido a partir de uma
queda. A literatura aponta ser o mais incidente, quando comparado ao de origem espontânea.4-5
No tocante às regiões do traumatismo do paciente, observa-se que ocorreu nas regiões fronto-temporo-
parietais. Para Anido e Sosa (2023)14, tais localidades apresentam-se com maior frequência nos casos de HSDA.
Sendo o diagnóstico confirmado com base na história clínica do paciente, exames clínicos neurológicos e nos
exames de imagem como Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética, que revelam a
formação de coleção sanguínea hiperdensa em formato de meia-lua nos locais acometidos.
Referente aos sinais apresentados pelos pacientes, estes variam de acordo com a subjetividade de cada indivíduo
e o depender da gravidade e das características do trauma sofrido. Entretanto, costumam manifestar ECG
inicial de 8 ou menos, disartria, confusão mental e de memória, perda transitória da consciência, coma, e
hemorragias da fossa posterior.15
Além disso, a elevação progressiva da Pressão Intracraniana (PIC) > 20 mmHg, compressão encefálica, edema
e danos ao tecido cerebral, comprimem o encéfalo causando herniação cerebral e deslocamento do cérebro,
provocando, dispneia, bradicardia, e em alguns casos, morte encefálica e óbito.16,17
Em relação ao prognóstico, torna-se mais sombrio quando os pacientes apresentam idade acima de 65 anos,
lesão cerebral moderada ou grave, pupilas não fotorreagentes, hematoma cerebral volumoso com deslocamento
da linha média, pois estes achados estão fortemente relacionados a mortalidade e intervenções neurocirúrgicas,
embora esta última diminua a deterioração clínica. Dessa forma, identificou-se sinais e sintomas ao exame físico
realizado pelos estudantes e o prognóstico apontado na literatura, com o paciente do caso clínico em questão.18
Referente ao tratamento do HSDA, Rathore et al. (2021)19 afirmam que, casos com hematomas pequenos não
necessitam de tratamento cirúrgico pois o sangue é reabsorvido espontaneamente, com o auxílio de
medicamentos e acompanhamento clínico rigoroso. Ademais, o papel da pulsatilidade cerebral, bem como sua
complacência mostra-se como outro fator para resolução espontânea desse problema de saúde.
Todavia, os grandes coágulos precisam ser retirados por meio cirúrgico, e ainda assim, a indicação da cirurgia
dependerá do prognóstico do paciente, em se tratando do dano neurológico sofrido, da espessura do coágulo
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a ser removido, do grau de desvio da linha média encefálica, da pontuação na ECG e parâmetros da PIC, para
que assim, sejam avaliadas as necessidades das intervenções ao paciente.20
Nessa condição, a atuação da equipa de enfermagem é fundamental, com foco no monitoramento neurológico
contínuo, suporte clínico e acolhimento à família, visando à estabilidade do paciente e prevenção de desfechos
adversos.
Diagnósticos de Enfermagem identificados no paciente
Com base no exposto, os diagnósticos de enfermagem o de grande relevância, pois ao serem identificados,
são capazes de refletir acerca da complexidade clínica e a gravidade do quadro neurológico e sistêmico.21 À
vista disso, pontua-se:
A perfusão cerebral ineficaz destaca-se como prioritária, tendo em vista os sinais de comprometimento
neurológico profundo, como postura de descerebração, pupilas não reativas e Escala de RASS em -5, sugerindo
possível aumento da PIC e risco iminente de herniação cerebral.
Em paralelo, a troca gasosa prejudicada e o risco de aspiração revelam a vulnerabilidade respiratória do paciente
sedado e incapaz de proteger suas vias aéreas, agravada pela presença de secreções e ruídos adventícios na
ausculta pulmonar. A mobilidade física prejudicada, por sua vez, torna-se fator de risco para complicações
secundárias, como lesões por pressão e tromboembolismo venoso.
Ainda, o risco de infecção está presente, devido à exposição prolongada em ambiente hospitalar e múltiplos
dispositivos invasivos. Assim, o reconhecimento precoce desses diagnósticos e a implementação de
intervenções direcionadas são fundamentais para a qualificação do cuidado de enfermagem e para a redução de
agravos, ressaltando a importância do enfermeiro na assistência intensiva.
Utilização da telenfermagem como tecnologia do cuidado
Frente a um cenário de alta complexidade, como o de um paciente com HSDA, observou-se a aplicação da
telenfermagem durante o estágio dos estudantes, como uma importante estratégia de apoio à tomada de decisão
clínica, além de se configurar como uma das principais estratégias de apoio a intervenções de enfermagem ao
paciente em questão.
De acordo com Toffoletto e Tello (2020)22, a telenfermagem mostra-se como uma tecnologia em saúde de
importante relevância para os serviços de saúde, por promover a desigualdade regional e melhora da qualidade
nas seguintes áreas: promoção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão, informação e pesquisa.
À vista disso, a UCI referida no relato de experiência, mantém uma parceria com um hospital de grande porte
e prestígio nacional, localizado na região sudeste do país, por meio da qual são realizadas videoconferências
diárias entre a enfermeira assistencial do hospital onde o paciente está admitido, e uma enfermeira vinculada à
instituição sudestina.
Vivência dos estudantes: ações, percepções, desafios e descobertas
Durante o estágio, os estudantes participaram ativamente do processo assistencial, ofertando cuidado direto ao
paciente em questão. As ações incluíram a realização do exame físico, a administração de medicamentos, a
monitorização dos parâmetros vitais e a execução de cuidados de enfermagem. Essa imersão possibilitou um
acompanhamento contínuo da evolução clínica e o reconhecimento das fragilidades e necessidades de cuidado
do paciente crítico.
Nesse contexto, os estudantes também tiveram a oportunidade de participar ativamente da aplicação da
telenfermagem, como tecnologia que auxilia na oferta do cuidado. Desse modo, foi realizada videoconferência
(com duração média de 15 a 20 minutos) com outra enfermeira do hospital referência, na qual os estudantes,
acompanhados pela enfermeira da unidade, apresentaram o quadro clínico do paciente e discutiram
intervenções assistenciais. Nesse momento, estabeleceu-se uma troca ativa de saberes, em que a enfermeira da
teleconsulta estimulava o raciocínio clínico dos estudantes, questionando-os sobre causas, sintomas e
possibilidades de intervenção, ao mesmo tempo em que compartilhava orientações e recomendações baseadas
em evidências.
A percepção dos estudantes foi marcada pela compreensão da relevância da telenfermagem como ferramenta
tecnológica que amplia o alcance e a qualidade do cuidado. Por ser o primeiro contato dos estudantes com essa
modalidade, a experiência despertou reflexões sobre a importância do olhar ampliado no processo assistencial.
A presença de uma profissional externa, com vivências e práticas diferentes, foi percebida como um elemento
enriquecedor, capaz de complementar o cuidado prestado pela equipa local e favorecer uma assistência mais
segura e integral.
Os estudantes destacaram que, em comparação com outros campos de estágio sem o uso da telenfermagem, o
cuidado mediado por essa tecnologia mostrou-se mais resolutivo e colaborativo, proporcionando maior
profundidade na análise dos casos clínicos.
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Quanto aos desafios, evidenciou-se a necessidade de infraestrutura adequada para garantir a estabilidade das
conexões durante as videoconferências, além da limitação tecnológica observada em alguns serviços públicos,
dos quais são campos de estágios para os alunos desta presente vivência, que ainda não dispõem de recursos
suficientes para a implantação de ferramentas semelhantes. Reconheceu-se também que a ampliação da
participação multiprofissional nas sessões poderia potencializar a integralidade do cuidado e a tomada de
decisão clínica.
Outro fator que merece destaque foi a falta de abordagem dessa tecnologia como forma de cuidado, durante a
graduação. Dessa forma, no âmbito de estágio, recomenda-se a institucionalização dessas experiências no
currículo, de modo que mais estudantes possam vivenciar práticas que integram ciência, tecnologia e
humanização.23
No que diz respeito as descobertas mais significativas, emergiram do contato direto com a tecnologia e de sua
aplicação prática no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). Ambos estudantes relataram surpresa ao
constatar que a telenfermagem é uma realidade em hospitais públicos e que sua utilização contribui
efetivamente para a qualificação da assistência.
A experiência foi compreendida como um marco formativo, ao demonstrar que a integração entre ciência,
tecnologia e cuidado humanizado é possível e essencial para o avanço da enfermagem contemporânea.
Conclusão
A experiência vivenciada na UCIs, ao assistir um paciente com HSDA mediada pela telenfermagem,
configurou-se como um processo de aprendizagem significativo e inovador para os estudantes de enfermagem.
A participação direta nas videoconferências e a interação com profissional de uma instituição de referência
permitiram o desenvolvimento de competências clínicas, comunicacionais e reflexivas, ampliando as suas
respectivas capacidades de analisarem criticamente situações complexas e de fundamentar suas intervenções
com base em evidências.
Diante do exposto, a telenfermagem, ao ser utilizada como ferramenta de apoio à decisão clínica e de estratégia
pedagógica, demonstrou potencial para integrar teoria e prática de forma dinâmica. Tal vivência possibilitou
aos estudantes reconhecer a relevância desta tecnologia como instrumento do cuidado e de ampliação do
alcance da assistência, especialmente em contextos de alta complexidade.
Portanto, os resultados de aprendizagem decorrentes dessa experiência reforçam a importância de incorporar
práticas mediadas por tecnologias na formação em Enfermagem, em especial a telenfermagem, a fim de
promover a construção de saberes voltados à inovação e à humanização do cuidado. Como perspectiva futura,
sugere-se a realização de estudos quantitativos ou de replicações em outros cenários assistenciais, com o intuito
de avaliar o impacto pedagógico e clínico da telenfermagem na formação e na prática profissional do
enfermeiro.
Limitações do estudo
Destaca-se que a experiência foi desenvolvida em um único cenário institucional, e um único participante, o
que limita a generalização dos achados. Além disso, ausência de instrumentos sistematizados de avaliação
dificultam a mensuração objetiva dos resultados de aprendizagem. Apesar dessas restrições, a experiência
proporcionou reflexões relevantes acerca do potencial pedagógico e assistencial da telenfermagem, servindo
como base para futuras investigações em contextos distintos e com maior abrangência.
Autoria e Contribuições
L.M.B.: Conceção e desenho do estudo; coleta, análise e interpretação dos dados; redação e revisão crítica do
manuscrito, aprovação da versão final e responsabilização do manuscrito;
A.L.M.D.: Conceção e desenho do estudo; coleta, análise e interpretação dos dados; redação e revisão crítica
do manuscrito, aprovação da versão final e responsabilização do manuscrito;
R.M.O.B.: Conceção e desenho do estudo; coleta, análise e interpretação dos dados; redação e revisão crítica
do manuscrito, aprovação da versão final e responsabilização do manuscrito;
T.C.F.A.: Coleta dos dados; revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final e responsabilização do
manuscrito;
E.M.N.: Revisão crítica do manuscrito; aprovação da versão final e responsabilização do manuscrito;
M.K.T.L.: Aprovação da versão final e responsabilização do manuscrito;
A.O.B.S.: Aprovação da versão final e responsabilização do manuscrito.
Conflitos de interesse e Financiamento
Nenhum conflito de interesses foi declarado pelos autores.
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Fontes de apoio/financiamento
O estudo não foi financiado.
Declaração sobre disponibilização dados
Dados disponíveis abertamente em um repositório público que emite conjuntos de dados com DOIs.
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