Artigo Original Quantitativo
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.446
importante para a efetiva ação de uma assistência de enfermagem mais humanizada, uma vez que profissionais
com maior domínio das competências emocionais conseguem estabelecer relações mais empáticas e eficazes
com os pacientes.8 Além disso, a capacidade de reconhecer e gerir emoções contribui significativamente para a
performance profissional e o bem-estar no ambiente de trabalho.11
Estudos recentes indicam que os estudantes do ensino superior em cursos da área da saúde apresentam
perceções elevadas de IE, destacando a relevância desta competência no contexto formativo e preparando-os
para os desafios emocionais inerentes à prática clínica.12 Estudos recentes corroboram estes resultados, um
estudo publicado12, em 2024, avaliou estudantes de enfermagem e encontrou médias elevadas de IE (143,1 ±
21,6), com 91,3 % classificados com níveis “altos” de IE, identificando ainda que o ano académico e a idade
foram preditores significativos do desenvolvimento da IE.13 Além disso, noutro estudo verificou-se um
aumento significativo da IE entre o primeiro e o terceiro ano de formação, sugerindo que a IE é uma
competência passível de desenvolvimento ao longo do percurso académico.15 Outro estudo demonstrou que
níveis mais elevados de IE estão associados a melhor desempenho académico, maior empatia, capacidade de
comunicação e gestão do stress, reforçando a importância do seu desenvolvimento durante a formação
académica.4 Outra investigação evidenciou que componentes específicos da IE, como a perceção das emoções
alheias e a utilização adaptativa das próprias emoções, contribuem para maior satisfação com a vida e menor
burnout, sugerindo que a IE é uma competência fundamental para o bem-estar dos estudantes.6
O conceito de IE está associado à capacidade de perceber, avaliar e gerir as emoções, tanto as próprias quanto
as dos outros, facilitando a tomada de decisões e a resolução de problemas.1-3,5 No contexto do ensino superior,
especialmente nos cursos da área das ciências da saúde, a IE revela-se crucial, uma vez que os estudantes estão
expostos a situações de elevado stress emocional e necessitam de competências para lidar com desafios
interpessoais e profissionais de forma equilibrada e eficaz.3-5
Evidenciou-se que os estudantes do ensino superior que frequentam cursos da área da saúde manifestaram
níveis elevados de IE. Este resultado corrobora estudos anteriores que indicam que cursos com prática clínica
promovem um maior desenvolvimento da IE e que esta competência pode evoluir ao longo do percurso
académico. 4,6
No que concerne à relação entre as variáveis sociodemográficas e o nível de IE, verificou-se que a idade foi um
fator determinante, sendo que os estudantes mais velhos apresentaram scores superiores nos fatores Perceção
das Próprias Emoções e Componente Sociocognitiva das Emoções. Esta tendência está alinhada com a
literatura existente, que sugere que a experiência de vida contribui para um melhor desenvolvimento da IE.5
Alguns resultados reforçam esta associação, indicando que estudantes mais velhos tendem a apresentar scores
superiores em dimensões emocionais específicas.6,13
O sexo também demonstrou influência na IE, com as estudantes do sexo feminino apresentando valores mais
elevados nos quatro fatores Perceção das Próprias Emoções, Componente Sociocognitiva das Emoções,
Perceção das Emoções dos Outros e Dificuldade na Compreensão das Emoções. Estes resultados estão de
acordo com investigações anteriores, que identificaram diferenças significativas na IE entre os sexos, com as
estudantes do sexo feminino apresentando valores mais elevados em dimensões como a perceção das próprias
emoções, perceção das emoções dos outros e competências sociocognitivas.5 Estes resultados estão de acordo
com investigações anteriores, que identificaram diferenças significativas na IE entre os sexos, embora noutro
estudo realizado em Portugal se tenha verificado que tais diferenças podem depender do contexto e do
instrumento utilizado.6,13
Relativamente ao estado civil, os estudantes casados ou em união de facto evidenciaram níveis mais elevados
de IE em comparação com os solteiros, especialmente no fator Perceção das Próprias Emoções. Este resultado
reforça a ideia de que experiências relacionais podem contribuir para um maior desenvolvimento emocional,
destacando a importância das interações interpessoais e do suporte social para a maturação das competências
emocionais.3
A nacionalidade dos participantes e o curso frequentado não apresentaram relações estatisticamente
significativas com a IE, sugerindo que fatores individuais e contextuais têm um impacto mais relevante no
desenvolvimento da IE do que a nacionalidade ou a área específica de estudo.8
Estes resultados reforçam a importância do desenvolvimento da IE como uma competência fundamental para
os futuros profissionais de saúde. Considerando que a IE tem impacto na qualidade da interação com os doentes
e no bem-estar dos profissionais, torna-se essencial que os curricula incorporem estratégias para fortalecer estas
competências.4 Alguns autores enfatizam que intervenções educacionais e experiências clínicas graduais podem
aumentar significativamente os níveis de IE ao longo do curso académico, evidenciando a possibilidade de
planeamento pedagógico direcionado.4,6,14
Os resultados deste estudo evidenciam a relevância da IE na formação pré-graduada na área da saúde,
demonstrando que os estudantes apresentam níveis elevados de IE, particularmente na perceção das próprias
emoções, na compreensão das emoções dos outros e na regulação emocional para facilitar a tomada de decisão.