Artigo Original Quantitativo
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.448/ e00448
hospitalar seja vasta, verifica-se uma escassez notável de estudos centrados nas quedas de membros da
comunidade. Esta lacuna de investigações específicas sobre este fenómeno é particularmente relevante,
considerando o papel fundamental que esses membros da comunidade desempenham na prestação de cuidados
e no apoio aos doentes hospitalizados. Neste estudo, 45 ocorrências (15,3%) envolveram quedas de membros
da comunidade. Apesar de representarem uma percentagem inferior em comparação com as quedas de doentes,
constituem um número expressivo, com impactos relevantes tanto para a instituição quanto para a sociedade.
A maioria destas quedas ocorreu entre acompanhantes e familiares representam a maioria dos casos,
possivelmente porque os trabalhadores estão mais preparados para lidar com os riscos do ambiente hospitalar,
que lhes é mais familiar. Estudos corroboram que os cuidadores, como familiares e acompanhantes, enfrentam
maiores vulnerabilidades em termos de saúde devido às exigências da sua função e à dificuldade de priorizar o
autocuidado.5,7
Na análise das quedas em função da idade, os resultados indicam que a média de idade foi de 62,8 anos para os
doentes e 57,2 anos para os membros da comunidade. É provável que os doentes sejam, predominantemente,
mais idosos, dado que os hospitais, em geral, tratam uma população com uma variedade de condições clínicas
que tendem a manifestar-se em idades mais avançadas.8,9 Nesse contexto, a comunidade fora do ambiente
hospitalar composta por funcionários, familiares e acompanhantes são, naturalmente, mais jovem quando
comparada com os doentes hospitalizados.
Apesar da média de idade dos doentes ser de 62,8 anos, destaca-se que a faixa etária de 80 anos ou mais,
totalizando 67 casos, o que corresponde a 26,9% do total. As quedas entre idosos nesta faixa etária estão
associadas a um aumento significativo no risco de lesões graves, conforme evidenciado neste estudo. Entre os
doentes que apresentaram fratura ou traumatismo crânio-encefálico (TCE), a média de idade foi de 73 anos,
com um desvio padrão de 18,9. Esse achado reforça o que é amplamente descrito na literatura, que aponta os
idosos como grupo mais vulnerável às consequências adversas das quedas, devido à presença de comorbidades,
fragilidade osteomuscular e maior risco de complicações após o trauma.10,11 Além do impacto direto na saúde
física, como fraturas de quadril e TCE, lesões frequentemente associadas a morbidade prolongada e aumento
da mortalidade.12,13
Relativamente às características das quedas entre os doentes e os membros da comunidade, o estudo revelou
que não há diferenças significativas entre os sexos dos indivíduos que sofreram quedas. No entanto, observou-
se uma predominância do sexo feminino, com 162 casos (55,1%) de todas as notificações. Esta tendência é
corroborada por outros investigadores, que associam este achado a vários factores que tornam as quedas mais
comuns entre as mulheres. Por exemplo, a maior incidência de osteoporose e as alterações hormonais pós-
menopausa podem afectar o equilíbrio postural, além da redução da massa muscular.14
Além disso, no grupo da comunidade, a predominância foi ainda mais acentuada no sexo feminino, com 31
casos (68,9%). Este resultado pode ser atribuído ao facto de existir um número superior de mulheres a
desempenhar o papel de cuidadoras, em comparação com os homens.15
O turno nocturno revelou-se mais susceptível à ocorrência de quedas, tanto entre os doentes com 95 casos;
(38,2%) como entre os membros da comunidade com 20 casos; (44,4%). Este achado está em consonância
com Jahangiri et al. (2024), que destacam a influência combinada de factores intrínsecos como alterações
fisiológicas relacionadas com o sono e efeitos de medicação; e factores extrínsecos como iluminação insuficiente
e menor vigilância, no aumento do risco de quedas em contextos hospitalares.3,10
No contexto da comunidade, apesar de os factores intrínsecos se manterem mais frequentes, verificou-se uma
proporção expressivamente superior de quedas associadas a factores extrínsecos. Este achado sugere que
condições ambientais adversas, como a insuficiência de iluminação, a falta de familiaridade com o espaço e a
disposição inadequada do ambiente, podem ter contribuído para a elevada ocorrência de quedas, especialmente
durante o período nocturno. Em contrapartida, no contexto dos doentes, as quedas revelaram uma associação
mais estreita com factores intrínsecos.
Um dos factores intrínsecos identificados no presente estudo foi o uso de medicamentos, cuja prevalência foi
significativamente superior entre os doentes 163 casos (65,5%) em comparação com a comunidade 14 casos
(31,1%). A literatura tem apontado os fármacos psicotrópicos, incluindo antidepressivos, anticolinérgicos,
benzodiazepinas e antipsicóticos, como agentes que aumentam o risco de quedas. A sua administração, embora
frequente durante o período diurno, tende a ocorrer com maior intensidade no turno nocturno.¹6,¹7
Além disso, o uso de múltiplos medicamentos para dormir esteve associado a uma maior reincidência de quedas
no mesmo doente.¹8
Perante estes achados, torna-se evidente a importância de implementar estratégias direccionadas à melhoria da
segurança durante o turno nocturno. Medidas como a optimização da iluminação, reorganização do ambiente
e revisão criteriosa da prescrição medicamentosa podem ser fundamentais para reduzir o risco de quedas nesse
período e promover a segurança de doentes e membros da comunidade.