Artigo de Revisão
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.456
Algumas multíparas que utilizaram o hipnoparto expressam uma melhor experiência de parto pela ajuda
fornecida para ultrapassarem traumas de partos anteriores. Porém, as nulíparas assumem a experiência como
positiva com a utilização do hipnoparto, mas não tem experiências anteriores para comparar 17 o que coloca a
questão se a diferença entre classificar a experiência como melhor ou positiva está relacionada com a existência
de experiências de partos anteriores ou não. Contudo esta dúvida parece não ser importante pois Buran e
Aksu8 encontraram uma diferença estatisticamente significativa nos níveis de satisfação com o parto, sendo que
93.5% das mulheres do grupo experimental (utilizaram o hipnoparto) relataram alto nível de satisfação, em
contrapartida apenas 13% das mulheres do grupo de controlo relataram experiência similar. Assim os
contributos do hipnoparto parecem extrapolar a experiência de parto, induzindo bem-estar continuado no pós-
parto, com diminuição da depressão 21 e aumento da autoconfiança.12
A redução do medo do parto é também um dos contributos identificados pelas mulheres que recorreram ao
hipnoparto. Este sentimento muitas vezes está associado ao receio de sentir dor ou ao desconhecimento do
que irá acontecer durante o trabalho de parto. A este propósito Grave 4 refere que o hipnoparto empodera as
mulheres com conhecimento sobre o funcionamento do útero, das fibras musculares e do mecanismo
fisiológico do parto, importante para que o desconhecimento não gere medo e consequentemente stress,
afirmando que a mente e o que nela está, influência o trabalho de parto. Alguns estudos experimentais 11,14,21
concluíram que as mulheres sujeitas ao hipnoparto obtiveram diminuição da sensação de medo. Adicionalmente
Finlayson et al. 25 referem que o empoderamento é enunciado pelas mulheres como uma consequência da
utilização da estratégia culminando numa sensação de maior calma e confiança. Catsaros & Wendland 12 relatam
o mesmo no seu artigo referindo a diminuição do medo relacionado com o parto, pela capacidade de manter a
calma na situação geradora de medo. O contributo do hipnoparto parece ser consensual pois a diminuição
significativa do medo do parto também está relatada no estudo de Çağanay 22.
O relaxamento, muito estimulado e ensinado no hipnoparto, é possível de atingir com recurso aos exercícios
de respiração aprendidos e posteriormente praticados.23 Adicionalmente também os companheiros das
parturientes identificam este contributo11. As mulheres que participaram no estudo de Phillips-Moore18
referiram que a utilização da técnica lhes permitiu sentirem-se mais relaxadas. A sensação de relaxamento é
referida por 100% da amostra no estudo de Atis & Rathfisch11 e por 80% no estudo de Bülez et al. 13, sendo
estes resultados são reveladores do importante contributo do hipnoparto para que as mulheres vivenciem o
trabalho de parto sem stress, focadas na gestão das suas emoções.
Todavia, a capacidade de gestão emocional conseguida pela mulher emerge como contributo associado ao
hipnoparto alavancado pelo sentimento de confiança. Catsaros e Wendland 12 e Finlayson et al. 25 encontram
no empoderamento da mulher, conseguido pelo treino do hipnoparto, a capacidade terem um maior controlo
e confiança 18 em relação ao momento do parto. Paramasivam et al. 16 afirmam que a utilização desta estratégia
leva as mulheres a sentirem-se mais confiantes e capacitadas gerirem as suas emoções. A participação ativa do
companheiro foi apenas identificada por Paramasivam et al. 16 como contributo do hipnoparto, sendo
concretizada através da ajuda que este fornece à mulher na utilização da técnica, dando o exemplo dos exercícios
de respiração, relaxamento e culminando no fortalecimento da confiança, com implicações na gestão das
emoções.
Relativamente à influência que o hipnoparto exerce sobre o tempo de duração do trabalho de parto, nem todos
os resultados dos estudos apontam no sentido do encurtamento da duração do segundo estádio do trabalho de
parto. Atis e Rathfisch 11 concluem que o segundo estádio do trabalho de parto ocorreu mais rápido nas
mulheres sujeitas à intervenção do hipnoparto do que nas mulheres do grupo de controlo, sendo essa diferença
estatisticamente significativa, havendo um desfasamento de 10 minutos entre os grupos. Uludag & Mete 14
também identificaram uma diferença significativa entre os grupos em estudo, relativamente à diminuição da
duração do segundo estádio do trabalho de parto. Já Beevi et al. 24 apesar de não encontrar uma diferença
significativa estatisticamente, identifica entre o grupo experimental e de controlo uma diferença na duração
relativamente ao segundo estádio do trabalho de parto. Phillips-Moore 18 relata trabalhos de parto mais curtos,
tanto em primíparas como em multíparas no primeiro e segundo estádio do trabalho de parto em relação à
população em geral. Werner, Uldbjerg, Zachariae, & Nohr 29 no seu estudo experimental não encontraram
diferenças entre os grupos na duração do trabalho de parto, no entanto as participantes do estudo eram apenas
nulíparas, o que pode justificar este resultado.