Artigo de Revisão
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.465 / e00465
Intervenções de Enfermagem na Prevenção da Obesidade
Infantil: Scoping Review
Nursing Interventions in the Prevention of Childhood Obesity:
Scoping Review
Catarina Nascimento1*, Petra Freitas2, Eva Sousa3, Rita Figueiredo4
1 Licenciatura. Serviço de Saúde da RAM, EPERAM, Funchal, Ilha da Madeira; Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, Funchal, Ilha
da Madeira, Portugal; orcid.org/0009-0000-1706-3823
2 Licenciatura. Serviço de Saúde da RAM, EPERAM, Funchal, Ilha da Madeira; Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, Funchal,
Ilha da Madeira, Portugal; orcid.org/0009-0009-5182-9031
3 Mestrado. Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, Funchal, Ilha da Madeira, Portugal; orcid.org/0000-0002-8647-0876
4 Doutoramento. Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, Funchal, Ilha da Madeira; CINTESIS - Centro de Investigação em
Tecnologias e Serviços de Saúde, Porto, Portugal; orcid.org/0000-0003-1327-9533
* Autor de correspondência: catarinashg@yahoo.com
Recebido: 02.01.2026
Revisto: 06.08.2026
Aceite: 20.09.2026
Editor: Luís Sousa
Como citar este artigo: Nascimento C, Freitas P, Sousa E, Figueiredo R. Intervenções de Enfermagem na Prevenção da Obesidade Infantil: Scoping Review.
Pensar Enf [Internet]. 2026; 30 (1): e00465. Available from: https://doi.org/10.71861/pensarenf.v30i1.465.
Resumo
Introdução
A obesidade infantil é considerada um grave problema de saúde pública, pois afeta milhões de pessoas em todo
o mundo e está associada a diversas doenças crónicas. As intervenções que envolvem a família têm se mostrado
mais eficazes do que aquelas que se concentram apenas nas crianças. A intervenção do enfermeiro na prevenção
da obesidade infantil é fundamental para a promoção do empoderamento profissional e para a melhoria dos
cuidados prestados.
Objetivo
Mapear e sintetizar as intervenções de enfermagem na prevenção da obesidade infantil.
Métodos
A pesquisa foi realizada com base na metodologia do Joanna Briggs Institute, entre os meses de outubro de
2024 e fevereiro de 2025, com o uso de termos de pesquisa específicos. A pesquisa foi realizada nas bases de
dados Medline (via PubMed) e CINHAL (por meio de EBSCO), utilizando-se artigos publicados nos últimos
10 anos. A extração de dados foi realizada por dois revisores independentes.
Resultados
Foram incluídos 18 estudos que evidenciam a importância da família na prevenção da obesidade infantil e as
intervenções de enfermagem como facilitadoras na gestão desta condição. Emergiram quatro categorias:
intervenções educativas dirigidas à criança e à família; intervenções de capacitação parental e familiar;
intervenções de promoção da atividade física e estilos de vida saudáveis e intervenções desenvolvidas em
contexto escolar e comunitário.
Conclusão
A obesidade infantil é uma condição complexa com impacto global, cuja prevenção requer intervenções
centradas na família. Os estudos analisados evidenciam que a família é fundamental na formação de hábitos
saudáveis e que o enfermeiro de saúde familiar tem um papel estratégico na implementação de intervenções
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eficazes. A existência de barreiras profissionais e lacunas nas políticas de saúde reforça a necessidade de
abordagens integradas, culturalmente sensíveis e sustentadas por políticas públicas que valorizem o papel da
enfermagem na promoção da saúde infantil.
Palavras-chave
Obesidade infantil; Família; Enfermeiro; Pais; Prevenção.
Abstract
Introduction
Childhood obesity is recognized as a serious public health issue, affecting millions of individuals worldwide and
being associated with various chronic diseases. Interventions involving the family have proven to be more
effective than those focusing solely on children. Nursing intervention in the prevention of childhood obesity is
essential for promoting professional empowerment and improving the quality of care provided.
Objective
To map and synthesize nursing interventions in the prevention of childhood obesity.
Methods
The review was conducted based on the JBI methodology, between October 2024 and February 2025, using
specific search terms. The search was carried out in the MEDLINE (via PubMed) and CINAHL (via EBSCO)
databases, including articles published in the last 10 years in English and Portuguese. Data extraction was
performed independently by two reviewers.
Results
Eighteen studies were included, highlighting the importance of the family in preventing childhood obesity and
the role of nursing interventions in facilitating the management of this condition. Four categories emerged:
educational interventions aimed at the child and family; interventions for parental and family empowerment;
interventions promoting physical activity and healthy lifestyles; and interventions implemented in school and
community settings.
Conclusion
Childhood obesity is a complex condition with global implications, and its prevention requires family-centered
approaches. The studies reviewed demonstrate that families play a crucial role in shaping healthy habits and
that the family health nurse holds a strategic position in implementing effective interventions. The presence of
professional barriers and policy gaps emphasizes the need for integrated, culturally sensitive strategies
supported by public policies that recognize the essential role of nursing in promoting child health.
Keywords
Childhood Obesity; Family; Nurse; Parents; Prevention.
Introdução
A obesidade infantil constitui um dos principais desafios de saúde pública da atualidade, devido à sua elevada
prevalência e ao impacto significativo que exerce na saúde física, psicológica e social das crianças.1 Nas últimas
décadas, o número de crianças e adolescentes com excesso de peso tem aumentado de forma consistente a
nível mundial, contribuindo para o aumento da morbilidade e do risco de desenvolvimento de doenças crónicas
ao longo do ciclo de vida.2,3 A evidência demonstra que o excesso de peso durante a infância aumenta
substancialmente a probabilidade de obesidade na idade adulta, reforçando a importância da implementação de
estratégias preventivas precoces.4 Para além dos fatores comportamentais e ambientais, a suscetibilidade para a
obesidade pode ser influenciada por fatores genéticos e pelas dinâmicas familiares, refletindo a natureza
multifatorial desta condição.5
Neste contexto, a prevenção da obesidade infantil constitui uma prioridade em saúde pública, privilegiando
intervenções dirigidas à promoção de hábitos alimentares saudáveis, da prática regular de atividade física e da
adoção de estilos de vida promotores da saúde desde os primeiros anos de vida. A implementação precoce
destas estratégias contribui para reduzir a incidência da obesidade e das suas complicações, promovendo ganhos
sustentáveis em saúde ao longo do ciclo vital.
Os enfermeiros de saúde familiar desempenham um papel fundamental no acompanhamento de crianças com
sobrepeso e obesidade, intervindo junto das famílias na promoção de estilos de vida saudáveis e na educação
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para a saúde.6 A sua proximidade relacional e o enfoque sistémico permitem identificar precocemente fatores
de risco e implementar ações ajustadas às dinâmicas familiares e contextos de vida.
Estudos demonstram que as abordagens que envolvem os pais e a família como sistema são mais eficazes do
que aquelas dirigidas apenas à criança, pois permitem modificar hábitos alimentares, rotinas e padrões de
atividade física.1,7 No entanto, os enfermeiros enfrentam desafios significativos, como a falta de recursos, a
resistência familiar e a necessidade de formação contínua para adaptar as intervenções às realidades de cada
família.8
A literatura reforça que a prevenção primária, quando implementada em contexto familiar, é determinante para
o sucesso das estratégias de combate à obesidade infantil.
Contudo, observa-se uma lacuna na sistematização das intervenções de enfermagem voltadas para este
fenómeno, o que limita a partilha de boas práticas e a formulação de políticas baseadas na evidência.9,10
A prevenção da obesidade infantil constitui uma área de intervenção complexa e multidimensional, envolvendo
diferentes domínios da prática de enfermagem, nomeadamente a Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, a
Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, a Enfermagem Escolar e a Enfermagem de Saúde Familiar.
Apesar dos diferentes enfoques, estas áreas contribuem de forma complementar para a promoção de estilos de
vida saudáveis e para a implementação de intervenções preventivas em contextos familiares, escolares e
comunitários. Vários estudos apontam que é mais eficaz promover hábitos alimentares saudáveis desde cedo
do que tratar crianças que já apresentam sobrepeso, por meio de dietas.8,11
Ainda que se verifique avanços nas pesquisas, há uma lacuna no entendimento sobre como as dinâmicas
familiares e o papel específico do enfermeiro podem ser mais bem integrados em estratégias de prevenção da
obesidade infantil. Embora exista uma base de evidências que destaca a importância da influência parental e do
contexto familiar nesta condição de saúde, muitos aspetos permanecem pouco explorados.12
Apesar do reconhecimento crescente do papel da enfermagem na prevenção da obesidade infantil, a evidência
relativa às intervenções desenvolvidas pelos enfermeiros permanece dispersa entre diferentes contextos
assistenciais e áreas de especialidade. Esta dispersão dificulta a identificação das estratégias mais utilizadas e dos
seus potenciais contributos para a promoção da saúde infantil e familiar.
Esta revisão teve como objetivo mapear e sintetizar a evidência científica existente sobre as intervenções de
enfermagem na prevenção da obesidade infantil, contribuindo para a consolidação do conhecimento nesta área
e para o desenvolvimento de práticas clínicas sustentadas pela evidência.
Neste contexto, a questão de investigação foi formulada de acordo com a estratégia PCC (População, Conceito
e Contexto), sendo definida da seguinte forma: quais são as intervenções de enfermagem dirigidas a famílias
com crianças (População), utilizadas na prevenção da obesidade infantil (Conceito), nos diferentes contextos
de prestação de cuidados de saúde, incluindo cuidados de saúde primários (CSP), contexto comunitário, escolar
e familiar (Contexto)?
Métodos
Quanto à abordagem metodológica, realizou-se a pesquisa de artigos científicos pertinentes ao tema, utilizando
as bases de dados MEDLINE (via PubMed) e CINAHL (via EBSCO). Foram utilizados termos MeSH. A
presente scoping review foi realizada segundo recomendações metodológicas do JBI, com o objetivo de mapear
e analisar a evidência científica existente sobre as intervenções de enfermagem na prevenção da obesidade
infantil.
O protocolo desta scoping review foi previamente registado na plataforma Open Science Framework (OSF),
sob o DOI: 10.17605/OSF.IO/JVKH2, assegurando maior transparência, rastreabilidade e reprodutibilidade
do processo metodológico.
A prática de enfermagem deve basear-se na melhor evidência científica disponível, garantindo cuidados eficazes,
seguros e orientados às necessidades da população. O uso sistémico da evidência fortalece a qualidade da
decisão clínica e contribui para a melhoria contínua da saúde.13,14
A pesquisa foi realizada de acordo com as etapas preconizadas na metodologia JBI Manual for Evidence
Synthesis, nomeadamente: formulação da questão de investigação com base na estrutura PCC (População,
Conceito, Contexto); desenvolvimento da estratégia de pesquisa; seleção e extração dos estudos; e apresentação
narrativa e descritiva dos resultados.15 Deste modo, a realização desta scoping review constitui uma estratégia
metodológica rigorosa e adequada para consolidar o conhecimento sobre o papel do enfermeiro na prevenção
da obesidade infantil.
Critérios de inclusão
Os critérios de inclusão foram fundamentais para orientar a pesquisa e garantir a relevância dos estudos
selecionados, garantindo que a investigação seja orientada e relevante para o objetivo proposto. Assim, a
definição dos critérios de elegibilidade seguiu a abordagem PCC (População, Conceito, Contexto), conforme
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orientações metodológicas do JBI, garantindo que a revisão responde de forma estruturada à questão de
investigação.
No que respeita à População (P), foram incluídos estudos que abordem famílias com crianças (0-18 anos), com
especial enfoque em famílias com crianças em risco de obesidade infantil ou com excesso de peso.
Relativamente ao Conceito (C), foram considerados estudos que descrevam ou avaliem intervenções de
enfermagem dirigidas à prevenção da obesidade infantil, incluindo, de forma explícita, intervenções educativas
(ex.: educação alimentar, promoção da atividade física), intervenções comportamentais (ex.: modificação de
estilos de vida, promoção de rotinas saudáveis) e intervenções comunitárias ou familiares (ex.: programas
centrados na família, visitas domiciliárias, capacitação parental), desde que conduzidas ou mediadas por
enfermeiros.
Quanto ao Contexto (C), foram incluídos estudos desenvolvidos em CSP, contexto comunitário, contexto
escolar ou domicílio, desde que envolvam a prestação de cuidados de enfermagem com enfoque na família e
na prevenção da obesidade infantil. Foram excluídos estudos exclusivamente hospitalares sem componente
preventiva ou familiar.
Foram incluídos estudos primários e estudos de revisão, em consonância com a finalidade das scoping reviews
de mapear de forma abrangente a evidência existente sobre um determinado fenómeno. A inclusão simultânea
destas tipologias permitiu identificar intervenções de enfermagem descritas em estudos originais, bem como
sintetizar conhecimento previamente consolidado em revisões sistemáticas, meta-análises e outras revisões de
literatura. Reconhece-se, contudo, que esta opção metodológica poderá introduzir sobreposição de evidência,
aspeto considerado na interpretação dos resultados.
No que concerne ao tipo de estudos, foram incluídos estudos quantitativos, qualitativos e mistos, bem como
revisões de literatura, estudos experimentais e quasi-experimentais, estudos observacionais e descritivos, desde
que apresentem dados relevantes sobre intervenções de enfermagem.
Foram considerados estudos publicados entre 2014 e 2025, de forma a garantir a inclusão de evidência científica
atual e alinhada com as práticas contemporâneas de enfermagem e de saúde pública, particularmente no âmbito
da prevenção da obesidade infantil. A delimitação temporal a uma década permite equilibrar a abrangência da
revisão com a relevância dos dados incluídos, evitando a incorporação de evidência desatualizada face à
evolução das intervenções e políticas de saúde.
A restrição aos idiomas português e inglês justifica-se pela acessibilidade linguística dos revisores e pela elevada
representatividade da literatura científica nestas línguas, reconhecendo-se, contudo, o potencial viés de língua
associado a esta opção.
Estratégias de pesquisa
A estratégia de pesquisa para esta scoping review foi cuidadosamente planeada de modo a garantir a identificação
abrangente e sistemática dos estudos relevantes para a questão de investigação. Foram utilizados descritores
controlados (MeSH) e termos livres relacionados com a população, conceito e contexto da revisão. A estratégia
foi adaptada a cada base de dados pesquisada.
A pesquisa foi realizada nas bases de dados MEDLINE (via PubMed) e CINAHL (via EBSCO), selecionadas
por constituírem duas das principais fontes de informação científica nas áreas da saúde, enfermagem e saúde
pública. A MEDLINE assegura uma ampla cobertura da literatura biomédica internacional, enquanto a
CINAHL disponibiliza literatura especializada em enfermagem e profissões da saúde. A utilização destas bases
permitiu identificar evidência relevante e complementar para responder à questão de investigação, como
demonstrado na tabela 1. Apesar desta opção metodológica, reconhece-se que a não inclusão de outras bases
de dados, como Scopus, Web of Science ou Embase, poderá ter limitado a recuperação de alguns estudos
potencialmente elegíveis.
De acordo com as recomendações do Joanna Briggs Institute.a pesquisa foi realizada em três etapas sequenciais.
Na primeira etapa, foi realizada uma pesquisa exploratória inicial nas bases de dados MEDLINE (via PubMed)
e CINAHL (via EBSCO), com objetivo de identificar as palavras e expressões mais frequentes nos títulos,
resumos e termos de indexação (MeSH e DeCS) relacionados com a obesidade infantil e as intervenções do
enfermeiro na prevenção desta comorbidade.4
Numa segunda etapa, e com base nos termos identificados, foi desenvolvida uma estratégia de pesquisa
detalhada e adaptada para cada base de dados e repositório selecionado, garantindo a adequação dos descritores
e operadores booleanos (“AND”, “OR”) às especificidades de cada plataforma. Na terceira etapa, foram
verificadas as listas de referências dos estudos incluídos, de modo a identificar artigos adicionais relevantes que
não foram identificados na pesquisa inicial.
Todos os resultados da pesquisa foram exportados para um gestor bibliográfico (EndNote 21), o que permitiu
a organização das referências e a remoção automática de duplicados, assegurando o rigor e a transparência do
processo de seleção dos estudos.
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Tabela 1. Estratégia de pesquisa em bases de dados
Data de
pesquisa
Base de
dados
Termos de pesquisa
Resultados da
pesquisa
18/01/2025
PUBmed
("Child"[Mesh] OR child* OR pediatric*)
AND
("Obesity"[Mesh] OR obes* OR overweight)
AND
("Nursing"[Mesh] OR nurse* OR nursing intervention*)
AND
("Family"[Mesh] OR famil* OR parent*)
AND
("Prevention and Control"[Mesh] OR prevention OR
intervention*)
136
18/01/2025
Cinahl
("family" OR "parents") AND ("child") AND ("obes*")
AND ("nurs*") AND ("intervention")
56
Estudos/Seleção de fontes de evidência
De forma organizar e gerir as referências bibliográficas, foi utilizado o software EndNote (versão 21), que
facilitou a identificação e eliminação de duplicatas, assegurando a precisão na seleção dos estudos. A triagem
foi realizada por dois revisores independentes, com base nos critérios de elegibilidade previamente definidos.
As situações de discordância foram resolvidas por consenso, com recurso a um terceiro revisor sempre que
necessário. com recurso a um instrumento previamente definido e alinhado com os objetivos da revisão.
Foram extraídas informações relativas às características dos estudos, nomeadamente: autor(es), ano de
publicação, país de origem, tipo de estudo, características da população, contexto de intervenção, tipo de
intervenção de enfermagem, e principais resultados. Sempre que necessário, as discrepâncias entre os
revisores foram resolvidas por consenso, com recurso a um terceiro revisor.
Após a extração dos dados, procedeu-se a uma análise temática indutiva dos resultados. Inicialmente foram
identificadas as características das intervenções descritas em cada estudo, incluindo objetivos, componentes,
população-alvo, contexto de implementação e papel desempenhado pelos enfermeiros. Posteriormente, os
estudos foram agrupados segundo semelhanças conceptuais e operacionais, permitindo a construção
progressiva das categorias temáticas apresentadas nos resultados. Este processo foi realizado de forma
iterativa pelos revisores, até obtenção de consenso relativamente à estrutura final das categorias.
Resultados
O processo de seleção dos estudos está detalhado no fluxograma da Figura 1, elaborado conforme as diretrizes
do PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR).
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Figura 1 - Fluxograma do processo de seleção dos estudos.
A estratégia de pesquisa aplicada resultou na identificação de 192 artigos, sendo 136 provenientes da base de
dados MEDLINE (via PubMed) e 56 da CINAHL (via EBSCO). Após a remoção de 31 duplicatas utilizando
o software EndNote (versão 21), 161 artigos únicos foram submetidos à triagem. Desses, 112 foram excluídos
por não atenderem aos critérios de inclusão: 55 por não abordarem a população-alvo (famílias com crianças
em risco de obesidade infantil) e 57 por não se enquadrarem no contexto definido (CSP). Consequentemente,
49 artigos foram selecionados para leitura na íntegra, dos quais 18 cumpriram todos os critérios de
elegibilidade e foram incluídos na análise final.
Adicionalmente, foi elaborada uma tabela (tabela 2) que apresenta os 18 estudos incluídos na revisão,
destacando as principais características de cada um, como autores, ano de publicação, país de origem e tipo
de estudo. Observou-se uma reduzida representação de estudos portugueses, e que os mesmos são recentes,
de 2023 e 2024.
A tabela apresenta uma visão abrangente e sistematizada das evidências disponíveis, facilitando a
compreensão dos estudos selecionados.
Tabela 2. Principais Características dos estudos, contexto e Intervenções de Enfermagem
Nº
Autor(es)/
Ano
País
População
Contexto
Intervenção de
enfermagem
1
Anggraini &
Pratiwi
(2024)
Indonésia
Criança com
obesidade e família
Familiar/comunitári
o
Programa educativo
centrado na família,
educação alimentar e
acompanhamento
familiar
2
Wills-Ibarra
et al. (2024)
Reino
Unido
Crianças e famílias
familiar
Intervenções
baseadas nos
sistemas familiares
3
Nygaard &
Øen (2024)
Suécia
Crianças e famílias
Cuidados de saúde
primários
Acompanhamento
continuado em CSP
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4
Koetsier et
al. (2023)
Holanda
Famílias e
profissionais
Cuidados pediátricos
Avaliação
psicossocial e
comunicação
terapêutica
5
Whitehead
et al. (2021)
Austrália
Crianças e
adolescentes
Escolar, comunitário
e familiar
Intervenções
lideradas por
enfermeiros
envolvendo
educação alimentar e
atividade física
6
Santos et al.
(2021)
Brasil
Enfermeiros de
saúde familiar
Cuidados de saúde
primários
Coordenação do
cuidado e educação
para a saúde
7
Roy et al.
(2023)
Nova
Zelândia
Crianças em idade
pré-ecolar
Familiar
Intervenções
relacionadas com
higiene do sono
8
Karakitsiou
et al. (2024)
Grécia
Crianças e famílias
Comunitário
Intervenções
centradas nos
determinantes
familiares e sociais
9
Aleid et al.
(2024)
Arábia
Saudita
Crianças e pais
Familiar
Intervenções de
capacitação parental
10
Brown et al
(2019)
Multipaís
Crianças
Escolar, comunitário
e familiar
Programas
multicomponentes
11
Mahmood et
al.(2021)
Espanha
Crianças e famílias
Familiar
Educação alimentar
e aconselhamento
familiar
12
Ahmed et al.
(2023)
Reino
Unido
Profissionais de
saúde cuidados
primários
Cuidados de saúde
primários
Diagnóstico e
intervenção na
obesidade infantil
13
Van den
Eynde et al.
(2024)
Países
Baixos
Famílias e
profissionais
Cuidados integrados
Cuidados integrados
e personalizados
14
Cheng et al.
(2021)
Austrália
Crianças e
adolescentes
Diversos contextos
Intervenções
lideradas por
enfermeiros
15
Llewellyn et
al.(2016)
Reino
Unido
Crianças
População geral
Estratégias de
prevenção precoce
16
Holmen et
al.(2025)
Noruega
Crianças com
excesso de peso e
pais
Familiar e
comunitário
Promoção da
literacia em saúde
parental
17
Thompson
et al.(2021)
EUA
Crianças e
profissionais
escolares
Escolar
Sensibilização para
redução do estigma
associado à
obesidade
18
Paes et al.
(2015)
Reino
Unido
Crianças e famílias
Familiar
Exploração dos
determinantes
alimentares precoces
A análise dos 18 estudos incluídos permitiu identificar diferentes intervenções de enfermagem dirigidas à
prevenção da obesidade infantil, desenvolvidas em contextos familiares, comunitários, escolares e de CSP.
Apesar da heterogeneidade metodológica dos estudos, foi possível agrupar as intervenções em quatro categorias
principais: (1) intervenções educativas dirigidas à criança e à família; (2) intervenções de capacitação parental e
familiar; (3) intervenções de promoção da atividade física e estilos de vida saudáveis; e (4) intervenções escolares
e comunitárias.
Importa referir que nem todos os estudos incluídos descreveram intervenções de enfermagem em sentido
estrito. Alguns estudos centraram-se na identificação de determinantes da obesidade infantil, barreiras à
implementação de programas preventivos ou perceções de profissionais de saúde relativamente ao cuidado da
criança com excesso de peso. Contudo, estes estudos foram mantidos na revisão por fornecerem informação
contextual relevante para compreender os fatores que influenciam o desenvolvimento, implementação e
efetividade das intervenções de enfermagem. A sua inclusão permitiu uma compreensão mais abrangente do
fenómeno em estudo, em consonância com o objetivo exploratório das scoping reviews de mapear a evidência
disponível e os fatores associados ao fenómeno de interesse. Estes estudos não foram considerados como
fontes de evidência sobre a efetividade das intervenções, mas sim como contributos para a compreensão dos
fatores contextuais que condicionam a prática de enfermagem na prevenção da obesidade infantil.
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Intervenções educativas dirigidas à criança e à família
As intervenções educativas constituíram a estratégia mais frequentemente identificada nos estudos analisados.
Estas intervenções incluíram ações de educação alimentar, aconselhamento nutricional, promoção de escolhas
alimentares saudáveis e desenvolvimento de competências relacionadas com a adoção de estilos de vida
promotores da saúde.8,16
Os estudos evidenciaram que os programas educativos conduzidos por enfermeiros contribuem para a melhoria
dos conhecimentos das crianças e dos seus cuidadores relativamente à alimentação saudável, à prevenção do
excesso de peso e à importância da atividade física regular. Verificou-se ainda que os resultados tendem a ser
mais favoráveis quando as atividades educativas envolvem simultaneamente a criança e os seus cuidadores,
promovendo mudanças consistentes no ambiente familiar.17,18,19,20
Intervenções de capacitação parental e familiar
A segunda categoria identificada refere-se às intervenções centradas na capacitação dos pais e cuidadores. Os
estudos analisados demonstram que os enfermeiros desempenham um papel relevante no fortalecimento das
competências parentais relacionadas com a alimentação, gestão das rotinas familiares, organização dos horários
de refeição, redução do comportamento sedentário e promoção da atividade física.10,12, 21
As estratégias utilizadas incluíram aconselhamento individual, acompanhamento familiar, visitas domiciliárias,
entrevistas motivacionais e apoio à tomada de decisão. Os resultados sugerem que o envolvimento ativo dos
pais constitui um dos fatores mais relevantes para o sucesso das intervenções preventivas, favorecendo
mudanças sustentadas nos comportamentos de saúde das crianças.6
Intervenções de promoção da atividade física e estilos de vida saudáveis
Diversos estudos identificaram intervenções destinadas à promoção da atividade física e à redução dos
comportamentos sedentários. Estas estratégias incluíram programas estruturados de exercício físico, incentivo
à prática regular de atividades recreativas, redução do tempo de ecrã e promoção de hábitos de sono
saudáveis.16,22
Os resultados indicam que a combinação entre atividade física, educação alimentar e acompanhamento familiar
produz benefícios superiores às intervenções isoladas. Verificou-se ainda que a participação dos pais aumenta
a adesão das crianças às recomendações relacionadas com estilos de vida saudáveis.23
Intervenções escolares e comunitárias
Os contextos escolar e comunitário surgiram como ambientes privilegiados para a implementação de programas
de prevenção da obesidade infantil. Os estudos analisados descrevem intervenções desenvolvidas em escolas,
centros comunitários e serviços de CSP, frequentemente coordenadas ou apoiadas por enfermeiros.1,7
As intervenções incluíram sessões educativas, rastreio do estado nutricional, acompanhamento periódico das
crianças e articulação entre famílias, escolas e serviços de saúde. Os resultados sugerem que as estratégias
implementadas nestes contextos favorecem a criação de ambientes promotores da saúde e reforçam a adoção
de comportamentos saudáveis pelas crianças e respetivas famílias.
De forma global, os estudos analisados demonstram que as estratégias de enfermagem mais frequentemente
associadas a efeitos favoráveis são aquelas que combinam educação para a saúde, capacitação parental,
promoção da atividade física e acompanhamento familiar continuado. A evidência identificada reforça a
importância de abordagens multicomponentes e centradas na família, destacando o papel estratégico do
enfermeiro na prevenção da obesidade infantil em diferentes contextos assistenciais.
Discussão
Os resultados desta scoping review evidenciaram que as intervenções de enfermagem dirigidas à prevenção da
obesidade infantil privilegiam abordagens multicomponentes e centradas na família, integrando educação para
a saúde, capacitação parental, promoção de hábitos alimentares saudáveis, incentivo à atividade física e
acompanhamento continuado. A análise dos estudos incluídos demonstrou um consenso relativamente ao
papel central da família na adoção e manutenção de comportamentos promotores de saúde, reforçando que as
intervenções dirigidas exclusivamente à criança apresentam benefícios mais limitados do que aquelas que
envolvem ativamente os pais e cuidadores. 1,12,17,24 Este resultado é consistente com a natureza multifatorial da
obesidade infantil, na qual os comportamentos familiares, o ambiente doméstico e os determinantes sociais da
saúde, influenciam significativamente o risco de desenvolvimento de excesso de peso.
O envolvimento parental constituiu o principal elemento comum às intervenções identificadas, embora os
estudos apresentem diferentes estratégias para promover essa participação. Enquanto Aleid et al.12
demonstraram, através de uma meta-análise, que as intervenções com participação ativa dos pais apresentam
maior impacto na prevenção da obesidade infantil, Wills-Ibarra et al25 reforçaram a importância de abordagens
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baseadas nos sistemas familiares, valorizando a interação entre os diferentes membros da família como fator
determinante para a mudança de comportamentos. De forma complementar, Mahmood et al.21 evidenciaram
que os hábitos alimentares e os estilos de vida parentais influenciam diretamente os comportamentos das
crianças, sugerindo que a capacitação dos cuidadores constitui um elemento essencial para a eficácia das
intervenções. Em conjunto, estes estudos sustentam que a prevenção da obesidade infantil deverá privilegiar
estratégias dirigidas à família como unidade de cuidados, em detrimento de intervenções exclusivamente
centradas na criança.
As intervenções educativas representaram a estratégia de enfermagem mais frequentemente descrita nos
estudos incluídos. Contudo, a comparação entre os diferentes trabalhos evidencia que a transmissão isolada de
informação produz benefícios limitados quando não é acompanhada por estratégias de apoio comportamental
e monitorização continuada. A revisão Cochrane de Brown et al18 concluiu que os programas
multicomponentes apresentam maior eficácia na prevenção da obesidade infantil, resultado igualmente
observado por Cheng et al.7, cuja scoping review identificou melhores resultados nas intervenções lideradas por
enfermeiros que combinavam educação alimentar, promoção da atividade física, definição de objetivos,
acompanhamento regular e envolvimento familiar. Também Whitehead et al.1 verificaram que a eficácia das
intervenções depende da integração de diferentes componentes, salientando que o papel do enfermeiro
ultrapassa a função tradicional de educador para assumir uma intervenção continuada de capacitação,
acompanhamento e apoio à mudança comportamental.
Apesar da convergência relativamente à importância das intervenções familiares, observaram-se diferenças na
estrutura, duração e intensidade dos programas implementados. Alguns estudos privilegiaram intervenções de
curta duração centradas na educação para a saúde, enquanto outros desenvolveram programas prolongados,
integrando acompanhamento individualizado e avaliação contínua das necessidades familiares. Esta
heterogeneidade metodológica dificulta a comparação direta dos resultados e limita a identificação dos
componentes responsáveis pelos melhores efeitos. No entanto, verifica-se uma tendência consistente para
maior eficácia das intervenções que combinam diferentes estratégias e mantêm acompanhamento ao longo do
tempo, sugerindo que a continuidade dos cuidados constitui um fator determinante para a consolidação das
mudanças comportamentais.7,18,25
Outro aspeto evidenciado pelos estudos foi a relevância da continuidade da relação terapêutica estabelecida
entre enfermeiros e as famílias. Nygaard e Øen8 salientam que o acompanhamento continuado favorece o
desenvolvimento de relações de confiança e facilita a identificação das necessidades específicas de cada agregado
familiar, permitindo adaptar progressivamente as intervenções implementadas. Esta perspetiva é igualmente
consistente com Whitehead et al.1 que defendem que os enfermeiros ocupam uma posição privilegiada para
acompanhar as famílias ao longo do desenvolvimento infantil, promovendo intervenções preventivas precoces
e sustentadas. Assim, os resultados desta revisão reforçam o contributo específico da enfermagem na prevenção
da obesidade infantil, não apenas através da educação para a saúde, mas também da capacitação parental, da
monitorização do crescimento e da promoção de ambientes familiares favoráveis à adoção de estilos de vida
saudáveis.
A análise dos estudos permitiu igualmente identificar diversos fatores que condicionam a implementação das
intervenções de enfermagem. Embora exista consenso quanto à relevância das abordagens centradas na família,
persistem dificuldades relacionadas com a adesão das famílias às recomendações, a reduzida literacia em saúde,
as limitações socioeconómicas e a insuficiente articulação entre os diferentes contextos de prestação de
cuidados. Koetsier et al. 26 evidenciaram que os profissionais reconhecem limitações na abordagem psicossocial
das famílias e na gestão de fatores que condicionam a mudança de comportamentos, enquanto van den Eynde
et al.27 salientaram que a implementação de modelos integrados continua dependente da articulação entre
cuidados de saúde, escola e comunidade. Estes resultados sugerem que a efetividade das intervenções não
depende exclusivamente das competências dos enfermeiros, sendo igualmente influenciada por fatores
organizacionais, familiares e sociais que condicionam a sua implementação.
Apesar da diversidade metodológica dos estudos incluídos, verificou-se consistência relativamente aos
componentes considerados essenciais para o sucesso das intervenções. A educação para a saúde, a capacitação
parental, o estabelecimento de objetivos individualizados, a monitorização contínua e o reforço positivo foram
identificados como estratégias complementares e não como intervenções independentes. Esta observação
converge com os resultados apresentados por Cheng et al.7 e Whitehead et al.1, que defendem que as
intervenções lideradas por enfermeiros produzem melhores resultados quando integram diferentes
componentes e são adaptadas às necessidades específicas das crianças e respetivas famílias. Assim, os resultados
desta revisão reforçam que a prevenção da obesidade infantil requer intervenções personalizadas e sustentadas,
em detrimento de abordagens padronizadas ou exclusivamente informativas.
Importa igualmente considerar que a heterogeneidade dos desenhos metodológicos, das características das
populações e dos indicadores de resultado dificultou a comparação direta entre os estudos. Para além das
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diferenças na duração e intensidade das intervenções, verificou-se variabilidade na descrição das competências
específicas dos enfermeiros, dos instrumentos utilizados para avaliar os resultados e dos períodos de
seguimento, limitando a identificação das componentes responsáveis pelos melhores efeitos. Esta limitação,
comum às scoping reviews, não compromete o mapeamento da evidência disponível, mas evidencia a
necessidade de desenvolver estudos com metodologias mais homogéneas e descrição mais detalhada das
intervenções implementadas.
As implicações para a prática clínica assumem particular relevância. Os resultados desta revisão reforçam que
os enfermeiros ocupam uma posição privilegiada para desenvolver intervenções preventivas desde os primeiros
anos de vida, estabelecendo relações terapêuticas de proximidade com as famílias e promovendo a adoção de
estilos de vida saudáveis. A integração destas intervenções nos cuidados de saúde primários poderá favorecer a
identificação precoce de fatores de risco, a monitorização do crescimento infantil e a implementação de
estratégias de prevenção adaptadas às necessidades de cada família. Simultaneamente, os resultados sustentam
a importância de investir na formação dos enfermeiros em áreas como a entrevista motivacional, a comunicação
centrada na família e a promoção da literacia em saúde, competências essenciais para facilitar mudanças
comportamentais sustentáveis. 6,13,28
Relativamente à investigação futura, os resultados evidenciam a necessidade de desenvolver estudos primários
com maior rigor metodológico, recorrendo a desenhos experimentais ou quase-experimentais, períodos de
seguimento prolongados e indicadores de avaliação uniformizados. Será igualmente importante descrever de
forma mais detalhada as intervenções de enfermagem, especificando a sua duração, intensidade, componentes
e estratégias de acompanhamento, permitindo identificar quais os elementos que mais contribuem para a
prevenção da obesidade infantil e facilitando a replicação de programas eficazes em diferentes contextos
assistenciais.
Em síntese, esta scoping review demonstrou que os enfermeiros desempenham um papel central na prevenção
da obesidade infantil através de intervenções multicomponentes centradas na família, assentes na educação para
a saúde, capacitação parental, promoção de estilos de vida saudáveis e acompanhamento continuado. A
comparação entre os estudos incluídos revela uma convergência consistente quanto à importância destas
estratégias, embora persistam desafios relacionados com a heterogeneidade das intervenções e com as barreiras
à sua implementação. Estes resultados reforçam a necessidade de consolidar programas de enfermagem
baseados na evidência, desenvolvidos em estreita colaboração com as famílias e articulados com os diferentes
contextos de cuidados, contribuindo para uma prevenção mais eficaz e sustentável da obesidade infantil.
Implicações para a prática clínica:
Os resultados desta revisão reforçam a necessidade de desenvolver intervenções de enfermagem estruturadas,
centradas na família e adaptadas às características socioculturais de cada contexto. A implementação de
programas multicomponentes, sustentados na continuidade dos cuidados e na articulação entre os diferentes
setores, poderá contribuir para aumentar a eficácia das estratégias de prevenção da obesidade infantil e reforçar
o papel dos enfermeiros na promoção da saúde infantil e familiar.
Neste contexto, os CSP constituem um cenário privilegiado para a implementação de estratégias preventivas,
permitindo aos enfermeiros desenvolver intervenções continuadas e acompanhar a evolução das famílias ao
longo do tempo.
Conclusão
A presente scoping review permitiu mapear as intervenções de enfermagem descritas na literatura para a
prevenção da obesidade infantil, evidenciando que as estratégias centradas na família constituem a abordagem
mais frequentemente associada a resultados positivos. As intervenções identificadas incluem programas de
educação alimentar, promoção da atividade física, capacitação parental, acompanhamento familiar continuado
e iniciativas desenvolvidas em contexto escolar e comunitário.
Os resultados reforçam a importância do envolvimento da família como elemento central para a eficácia das
intervenções de enfermagem.
A atuação do enfermeiro revela-se particularmente relevante nos CSP e na enfermagem de saúde familiar,
contextos que favorecem uma abordagem preventiva, contínua e centrada nas necessidades da criança e da
família.
Os resultados sugerem que intervenções integradas e articuladas entre saúde, escola e comunidade apresentam
maior potencial para promover mudanças sustentáveis.
Contudo, persistem desafios relacionados com barreiras socioeconómicas, limitações de recursos e
heterogeneidade das intervenções descritas na literatura, fatores que podem comprometer a sua implementação
e sustentabilidade.
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Embora a literatura analisada reforce o contributo da enfermagem para a prevenção da obesidade infantil,
verificou-se uma variabilidade considerável nos desenhos metodológicos e na descrição das intervenções,
dificultando a comparação dos resultados e a identificação das estratégias mais eficazes. Neste sentido,
recomenda-se o desenvolvimento de estudos primários com maior rigor metodológico e descrição detalhada
das intervenções de enfermagem, de forma a fortalecer a evidência disponível e apoiar a tomada de decisão
clínica baseada na evidência.
Em síntese, esta revisão reforça o contributo dos enfermeiros para a prevenção da obesidade infantil, apoiando
o desenvolvimento de intervenções centradas na família e sustentadas na melhor evidência disponível.
Limitações do estudo
Importa reconhecer algumas limitações inerentes à presente revisão. Em primeiro lugar, a pesquisa bibliográfica
foi realizada exclusivamente nas bases de dados MEDLINE e CINAHL, podendo não ter identificado toda a
evidência disponível sobre o tema. Adicionalmente, a inclusão apenas de estudos publicados em português e
inglês poderá ter contribuído para viés linguístico e de publicação.
Verificou-se igualmente uma considerável heterogeneidade metodológica entre a evidência disponível incluída,
abrangendo estudos quantitativos, qualitativos, mistos e diferentes tipos de revisão. Esta diversidade dificultou
a comparação direta dos resultados e a identificação inequívoca das abordagens mais eficazes.
Outra limitação relevante relaciona-se com a variabilidade na descrição das intervenções de enfermagem. Em
diversos estudos, os componentes das estratégias, a duração, a intensidade e os indicadores de avaliação não
foram descritos de forma suficientemente detalhada, limitando a análise comparativa e a possibilidade de
replicação em diferentes contextos.
Importa ainda salientar que algumas publicações incluídas abordavam predominantemente fatores
determinantes da obesidade infantil, barreiras à implementação dos cuidados ou perceções dos profissionais,
não descrevendo intervenções de enfermagem específicas. Embora estes estudos tenham contribuído para a
compreensão do fenómeno, a sua inclusão poderá ter influenciado a síntese final dos resultados.
Por último, sendo esta uma scoping review, não foi realizada avaliação crítica da qualidade metodológica dos
estudos incluídos, conforme preconizado por esta metodologia. Consequentemente, os resultados devem ser
interpretados como um mapeamento da evidência disponível e não como uma avaliação da efetividade das
intervenções identificadas.
Autoria e Contribuições
CN: Conceção e desenho do estudo; Recolha de dados; Análise e interpretação dos dados; Redação do
manuscrito; Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da versão final do manuscrito e assunção da
responsabilidade pelo mesmo.
ES: Conceção e desenho do estudo; Recolha de dados; Análise e interpretação dos dados; Redação do
manuscrito; Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da versão final do manuscrito e assunção da
responsabilidade pelo mesmo.
RF: Conceção e desenho do estudo; Recolha de dados; Análise e interpretação dos dados; Redação do
manuscrito; Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da versão final do manuscrito e assunção da
responsabilidade pelo mesmo.
PF: Revisão crítica do manuscrito; Aprovação da versão final do manuscrito e assunção da responsabilidade
pelo mesmo.
Conflitos de interesse e Financiamento
Nenhum conflito de interesse foi declarado pelas autoras.
Fontes de apoio / Financiamento
O estudo não foi objeto de financiamento.
Declaração sobre disponibilização dados
Os dados e materiais que fundamentam os resultados deste estudo estão disponíveis mediante solicitação ao
autor correspondente.
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