Artigo de Revisão
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.465 / e00465
baseadas nos sistemas familiares, valorizando a interação entre os diferentes membros da família como fator
determinante para a mudança de comportamentos. De forma complementar, Mahmood et al.21 evidenciaram
que os hábitos alimentares e os estilos de vida parentais influenciam diretamente os comportamentos das
crianças, sugerindo que a capacitação dos cuidadores constitui um elemento essencial para a eficácia das
intervenções. Em conjunto, estes estudos sustentam que a prevenção da obesidade infantil deverá privilegiar
estratégias dirigidas à família como unidade de cuidados, em detrimento de intervenções exclusivamente
centradas na criança.
As intervenções educativas representaram a estratégia de enfermagem mais frequentemente descrita nos
estudos incluídos. Contudo, a comparação entre os diferentes trabalhos evidencia que a transmissão isolada de
informação produz benefícios limitados quando não é acompanhada por estratégias de apoio comportamental
e monitorização continuada. A revisão Cochrane de Brown et al18 concluiu que os programas
multicomponentes apresentam maior eficácia na prevenção da obesidade infantil, resultado igualmente
observado por Cheng et al.7, cuja scoping review identificou melhores resultados nas intervenções lideradas por
enfermeiros que combinavam educação alimentar, promoção da atividade física, definição de objetivos,
acompanhamento regular e envolvimento familiar. Também Whitehead et al.1 verificaram que a eficácia das
intervenções depende da integração de diferentes componentes, salientando que o papel do enfermeiro
ultrapassa a função tradicional de educador para assumir uma intervenção continuada de capacitação,
acompanhamento e apoio à mudança comportamental.
Apesar da convergência relativamente à importância das intervenções familiares, observaram-se diferenças na
estrutura, duração e intensidade dos programas implementados. Alguns estudos privilegiaram intervenções de
curta duração centradas na educação para a saúde, enquanto outros desenvolveram programas prolongados,
integrando acompanhamento individualizado e avaliação contínua das necessidades familiares. Esta
heterogeneidade metodológica dificulta a comparação direta dos resultados e limita a identificação dos
componentes responsáveis pelos melhores efeitos. No entanto, verifica-se uma tendência consistente para
maior eficácia das intervenções que combinam diferentes estratégias e mantêm acompanhamento ao longo do
tempo, sugerindo que a continuidade dos cuidados constitui um fator determinante para a consolidação das
mudanças comportamentais.7,18,25
Outro aspeto evidenciado pelos estudos foi a relevância da continuidade da relação terapêutica estabelecida
entre enfermeiros e as famílias. Nygaard e Øen8 salientam que o acompanhamento continuado favorece o
desenvolvimento de relações de confiança e facilita a identificação das necessidades específicas de cada agregado
familiar, permitindo adaptar progressivamente as intervenções implementadas. Esta perspetiva é igualmente
consistente com Whitehead et al.1 que defendem que os enfermeiros ocupam uma posição privilegiada para
acompanhar as famílias ao longo do desenvolvimento infantil, promovendo intervenções preventivas precoces
e sustentadas. Assim, os resultados desta revisão reforçam o contributo específico da enfermagem na prevenção
da obesidade infantil, não apenas através da educação para a saúde, mas também da capacitação parental, da
monitorização do crescimento e da promoção de ambientes familiares favoráveis à adoção de estilos de vida
saudáveis.
A análise dos estudos permitiu igualmente identificar diversos fatores que condicionam a implementação das
intervenções de enfermagem. Embora exista consenso quanto à relevância das abordagens centradas na família,
persistem dificuldades relacionadas com a adesão das famílias às recomendações, a reduzida literacia em saúde,
as limitações socioeconómicas e a insuficiente articulação entre os diferentes contextos de prestação de
cuidados. Koetsier et al. 26 evidenciaram que os profissionais reconhecem limitações na abordagem psicossocial
das famílias e na gestão de fatores que condicionam a mudança de comportamentos, enquanto van den Eynde
et al.27 salientaram que a implementação de modelos integrados continua dependente da articulação entre
cuidados de saúde, escola e comunidade. Estes resultados sugerem que a efetividade das intervenções não
depende exclusivamente das competências dos enfermeiros, sendo igualmente influenciada por fatores
organizacionais, familiares e sociais que condicionam a sua implementação.
Apesar da diversidade metodológica dos estudos incluídos, verificou-se consistência relativamente aos
componentes considerados essenciais para o sucesso das intervenções. A educação para a saúde, a capacitação
parental, o estabelecimento de objetivos individualizados, a monitorização contínua e o reforço positivo foram
identificados como estratégias complementares e não como intervenções independentes. Esta observação
converge com os resultados apresentados por Cheng et al.7 e Whitehead et al.1, que defendem que as
intervenções lideradas por enfermeiros produzem melhores resultados quando integram diferentes
componentes e são adaptadas às necessidades específicas das crianças e respetivas famílias. Assim, os resultados
desta revisão reforçam que a prevenção da obesidade infantil requer intervenções personalizadas e sustentadas,
em detrimento de abordagens padronizadas ou exclusivamente informativas.
Importa igualmente considerar que a heterogeneidade dos desenhos metodológicos, das características das
populações e dos indicadores de resultado dificultou a comparação direta entre os estudos. Para além das