Cochrane Corner
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Pensar Enfermagem / v.29 n.01 / Jan-Dez 2025 / DOI: 10.71861/pensarenf.v29i1.470
Tipo e descrição do Estudo: Trata-se de uma atualização de uma revisão sistemática da literatura (RS) sobre
intervenções em ERPIs e hospitais, datada de 2010 e atualizada em 2012, 2018, e 2025, sendo que a presente
atualização se centra apenas em contexto de ERPIs. Foram considerados ensaios clínicos controlados e
aleatorizados (RCTs), incluindo aleatorização por clusters, quasi-aleatorização. Como outcomes primários
consideraram-se a taxa de incidência de quedas e o risco de queda, e como secundários, o risco de fratura, assim
como a taxa de eventos adversos e indicadores económicos relacionados com a intervenção.
Foram considerados apenas os estudos com pessoas com ≥65 anos, de qualquer género, residentes em ERPIs,
excluindo-se qualquer outro contexto, bem como participantes com doenças cérebro-vasculares.
As intervenções (multifatoriais, múltiplas ou únicas) foram agrupadas de acordo com o seu tipo: a) exercício
físico, b) terapêutica c) nutrição, d) ambiente/tecnologia de apoio, e) ambiente social, f) intervenções
psicológicas, g) conhecimento, e h) outras intervenções únicas.
Foram pesquisadas as bases de dados de Ensaios Clínicos da Cochrane Library (CENTRAL), MEDLINE
(Ovid MEDLINE e Epub Ahead of Print, In-Process, In-Data-Review and Other Non-indexed Citations,
Daily e Versions), Embase (Ovid), e a CINAHL Plus (EBSCOhost). Foram também consultados os registos
de RCTs em curso da World Health Organization International Clinical Trials Registry Platform (WHO
ICTRP) (trialsearch.who.int/) e do ClinicalTrials.gov (clinicaltrials.gov). Data limite da pesquisa: 10/05/2024.
Resultados: Foram incluídos 104 RCTs (n=68.964), dos quais 33 (n=27.492) foram adicionados nesta
atualização.
• Relativamente à taxa de incidência de quedas: a) as intervenções multifatoriais (12 RCTs),
revelaram uma redução da mesma quando comparada aos cuidados habituais (2001 vs 2300 quedas
por 1000 pessoas/ano), no entanto com um Risco Relativo (RR) de 0,87 e um intervalo de confiança
a 95% (IC95%) entre 0,68 e 1,12, pelo que não há diferença estatisticamente significativa (o IC95%
inclui o valor 1,0). Contudo, quando estas intervenções foram aplicadas de forma individualizada e
em conjunto com os profissionais das instituições (7 RCTs), verificou-se uma redução significativa da
taxa de incidência de quedas (RR 0,61; IC95% 0,54-0,69); b) no exercício físico (14 RCTs), também
se verificou uma redução da incidência (1564 vs 2300 quedas por 1000 pessoas/ano; RR 0,68, IC95%
0,51-0,91). No entanto, este efeito não se manteve após a interrupção do exercício (RR 1,02; IC95%
0,78-1,32); c) nas intervenções de otimização da terapêutica (12 RCTs), foram testadas múltiplas
terapêuticas individuais, tendo-se verificou pouco ou nenhum efeito (2162 vs 2300 quedas por 1000
pessoas/ano; RR 0,94, IC95% 0,76-1,18); d) na suplementação com vitamina D (5 RCTs, com ou sem
suplementação de cálcio, isoladamente ou incluída num multivitamínico) verificou-se efeito
significativo (1449 vs 2300 quedas por 1000 pessoas/ano; RR 0,63, IC95% 0,46-0,86).
• Em relação ao risco de queda: a) nas intervenções multifatoriais (11 RCTs) verificou-se uma
diferença entre 455 vs 500 pessoas que tiveram pelo menos uma queda por cada 1000 (RR 0,91,
IC95% 0,83-1,00). Mas intervenções individualizadas reduziram o risco em cerca de 19% (RR 0,81,
IC95% 0,71-0,92); b) no exercício físico (13 RCTs) também se verificou uma diferença de 430 vs 500
pessoas que caíram pelo menos uma vez por cada 1000 (RR 0,86, IC95% 0,75-1,00); c) nas
intervenções de otimização da terapêutica (9 RCTs), verificou-se uma diferença não significativa de
450 versus 500 pessoas que sofreram ≥1 queda por cada 1000 (RR 0,90, IC95% 0,80-1.01); d) na
suplementação com vitamina D (6 RCTs), verificou-se pouco ou nenhum efeito (495 vs 500 pessoas
com pelo menos uma queda por cada 1000; RR 0,99, IC95% 0,90-1,08); e) o aumento do consumo
de lacticínios (1 RCT) pode reduzir o risco de queda (445 vs 500 pessoas sofreram ≥1 queda por cada
1000; RR 0,89, IC95% 0,79-1,00).
• Já no que se refere ao risco de fratura: a) no exercício físico (3 RCTs) verificaram-se em ambos os
grupos 42 pessoas com fratura relacionada com uma queda por cada 1000 (RR 1,01, IC95% 0,58-
1,78); b) na suplementação com vitamina D (1 RCT) a diferença foi de 28 vs 42 pessoas com fratura
relacionada com uma queda por 1000 (RR 0,67, IC95% 0,48-0,93).
• As análises de custo-efetividade foram limitadas a: a) intervenções multifatoriais (1RCT), que
revelaram ser custo-efetivas (20.889 libras por QALY); b) ao exercício físico (1 RCT), também custo-
efetivo (rácio custo-efetividade 18 dólares australianos por pessoa por queda evitada); e às
intervenções de otimização de terapêutica (1 RCT), que podem não ser custo-efetivas dado que a
intervenção teve maiores custos e maior número de quedas.
Conclusões: As intervenções multifatoriais, desenvolvidas em conjunto com os profissionais das instituições
e implementadas de forma personalizada, provavelmente reduzem a taxa de incidência de quedas e o risco de
queda, podendo ser custo-efetivas. Relativamente às intervenções únicas, o exercício físico, se mantido, é
provável que reduza tanto a taxa de incidência como o risco de queda. Particularmente nas pessoas idosas com