Resumo
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Pensar Enfermagem / v.30 n.Sup / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30iSup.489 / e00489
Co-design
em intervenções de prescrição social para idosos:
contributos de uma revisão sistemática
Susana Sul1*, Adriana Henriques2, Paulo Santos Costa3, Andreia Costa4
1 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Escola Superior de Enfermagem, Universidade de
Lisboa, Avenida Prof. Egas Moniz, 1600-190 Lisboa, Portugal; orcid.org/0000-0002-6969-0287
2 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Escola Superior de Enfermagem, Universidade de
Lisboa, Avenida Prof. Egas Moniz, 1600-190 Lisboa, Portugal; Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de Medicina, Universidade de
Lisboa, 1649-028 Lisboa, Portugal; orcid.org/0000-0003-0288-6653
3 Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E), Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, 3004-011 Coimbra,
Portugal. Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Escola Superior de Enfermagem,
Universidade de Lisboa, Avenida Prof. Egas Moniz, 1600-190 Lisboa, Portugal; orcid.org/0000-0003-0761-6548
4 Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Escola Superior de Enfermagem, Universidade de
Lisboa, Avenida Prof. Egas Moniz, 1600-190 Lisboa, Portugal; Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de Medicina, Universidade de
Lisboa, 1649-028 Lisboa, Portugal; Laboratório para o Uso Sustentável da Terra e Serviços Ecossistêmicos (TERRA), 1349-017 Lisbon, Portugal.;
orcid.org/0000-0002-2727-4402
* Autor de correspondência: susana.sul@campus.esel.pt
Resumo
Introdução
O co-design tem-se afirmado como uma abordagem estratégica essencial na conceção de intervenções em saúde
centradas na pessoa. No contexto da prescrição social (PS), o envolvimento ativo dos utentes e de atores
comunitários locais revela-se fundamental para reforçar a pertinência, a aceitabilidade e a sustentabilidade das
intervenções. Todavia, a sua aplicação prática em intervenções de PS continua a ser limitada e pouco explorada
na literatura científica.
Objetivo
Analisar a extensão e as características das práticas de co-design em intervenções de PS dirigidas a adultos de
meia-idade e pessoas idosas, com base em dados secundários extraídos de uma revisão sistemática.
Métodos
A presente revisão foi conduzida de acordo com as diretrizes metodológicas do PRISMA. A questão de
investigação foi: “As intervenções de prescrição social são eficazes na promoção da qualidade de vida em
adultos com 55 ou mais anos?”. Foram pesquisadas sete bases de dados e repositórios, utilizando vocabulário
controlado (e.g., MeSH) e termos livres relacionados com prescrição social, qualidade de vida, autoeficácia,
apoio social e populações de meia-idade ou idosas. Os termos foram combinados com operadores booleanos
(AND, OR). Aplicaram-se filtros de idioma (inglês e português) e delimitou-se o período entre janeiro de 2016
e dezembro de 2024. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (RCTs), estudos quase-experimentais e
observacionais, bem como literatura cinzenta, de modo a reduzir o viés de publicação. Os critérios de inclusão
abrangeram estudos com participantes ≥55 anos, que avaliassem intervenções de prescrição social e
reportassem pelo menos um dos seguintes desfechos: qualidade de vida, autoeficácia ou apoio social.
Excluíram-se estudos sem dados empíricos originais, que não cumprissem os critérios etários ou que não
avaliassem os desfechos de interesse.
Para além dos desfechos principais, foram extraídas informações sobre os atores envolvidos nas estratégias de
co-design, procedendo-se posteriormente a uma síntese narrativa dos dados.
Resultados
Dos sete estudos incluídos que reportaram a implementação de intervenções, verificou-se uma variabilidade
considerável quanto ao grau de integração do co-design. Cinco estudos referiram explicitamente a utilização de
elementos desta abordagem. Em quatro deles, os utentes participaram nos processos de conceção, sobretudo
através de entrevistas ou do fornecimento de feedback sobre protótipos. Profissionais de saúde e organizações
comunitárias estiveram envolvidos em vários casos, ainda que, frequentemente, em funções de apoio. Apenas
um estudo mencionou o envolvimento de atores ao nível da formulação de políticas públicas, e dois estudos
não reportaram qualquer participação de atores relevantes. Observou-se, de forma geral, uma grande
heterogeneidade na conceptualização e operacionalização do co-design, variando entre consultas pontuais e
processos participativos estruturados.