Editorial
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Pensar Enfermagem / v.30 n.Sup / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30iSup.508 / e00508
Redes de saberes: ciência de enfermagem e impacto global
Networks of knowledge: nursing science and global impact
Cristiane Rodrigues da Rocha1*
1 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil; https://orcid.org/0000-0002-5658-0353
* Autor de correspondência: cristiane.r.rocha@unirio.br
Como citar este artigo: da Rocha, CR. Redes de saberes: ciência de enfermagem e impacto global. Pensar Enf [Internet]. 2026 Jan-Dez; 30(Sup): e00508.
Available from: https://doi.org/10.71861/pensarenf.v30iSup.508
O Encontro Internacional de Doutorandos em Enfermagem, promovido pela Universidade de Lisboa e pela
Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, com o apoio do Colégio Doutoral Tordesillas em Enfermagem, se
estabelece como um fórum de destaque para fomentar a inovação e o conhecimento científico em consonância
com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A importância desse evento está em sua habilidade
de reunir redes colaborativas internacionais, conectando pesquisadores de países tão diversos quanto Portugal,
Brasil, Espanha, Angola e Finlândia. Essa sinergia global permite que a produção científica dos doutorandos
ultrapasse os limites acadêmicos, interagindo com questões globais e oferecendo possibilidades de soluções
para problemas complexos. Desde as discussões acerca do uso responsável da Inteligência Artificial (IA) para
promover a saúde sustentável, até as reflexões sobre competências culturais para proporcionar um atendimento
verdadeiramente humanizado, o evento enfatiza uma perspectiva de ciência que prioriza a ética, a equidade e o
impacto social.
A programação foi desenvolvida para promover a troca qualificada de ideias e a criação de parcerias duradouras.
Na parte da manhã, a palestra inaugural “Inteligência Artificial para uma Saúde Sustentável: competência,
impactos e infraestruturas”, foi conduzida pela Profa. Laura-Maria Peltonen, da University of Turku,
apresentou uma visão abrangente sobre as possibilidades e restrições da IA na assistência à saúde, na formação
em enfermagem e na vida cotidiana das pessoas. A conferência, ao abordar competências digitais, avaliação
crítica de evidências e requisitos de infraestrutura, enfatizou estratégias para incorporar tecnologias emergentes
de forma segura, responsável e centrada nas demandas dos cidadãos.
À tarde, a mesa-redonda “Inovação e conhecimento em enfermagem” trouxe especialistas de diversas áreas,
fomentando um diálogo plural e construtivo. Nesta mesa-redonda, eu, Profa. Dra. Cristiane Rodrigues da
Rocha, da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Brasil, participei
como especialista convidada com outros três Palestrantes: a Profa. Dra. Sara Campagna, da University of Turin,
a Profa. Dra. Mateja Lorber, da University of Maribor e o Prof. Dr. Alain Junger, da Lausanne University
Hospital, que ofereceram contribuições que enriqueceram as perspectivas sobre pesquisa, aplicação de
evidências, liderança em serviços de saúde e o papel dos estudos científicos nos objetivos de desenvolvimento
sustentável. Esse espaço de discussão integrou tendências globais, vivências práticas e estratégias para
estabelecer a inovação como uma prática diária em ambientes clínicos, comunitários e educacionais.
As salas de apresentação de trabalho foram permeadas pelos eixos temáticos da programação principal,
integrando de maneira complementar o saber dos palestrantes e dos doutorandos. Nesta edição, são
apresentados estudos que investigam a IA em diversos contextos da saúde, com o objetivo de entendê-la e
utilizá-la de forma responsável, sem esquecer os ODS e a essencial interação humana no cuidado de
enfermagem. Além da inteligência artificial, as salas temáticas destacaram a modernização do cuidado sob
diferentes perspectivas. Na sala 01, os trabalhos trataram da alfabetização digital, da literacia em saúde e de
práticas sustentáveis, sugerindo soluções para questões atuais relacionadas à saúde e às dimensões sociais. A
sala 02 concentrou-se nas práticas clínicas e na experiência do cuidador, abordando questões de segurança,
qualidade e suporte às famílias. Na sala 03, sobressaíram-se a prática assistencial e a inovação científica, focando
no atendimento humanizado e na participação familiar, produzindo evidências que favorecem as políticas de
saúde e melhoram a qualidade de vida. Finalmente, na sala 04, as pesquisas contribuíram para o autocuidado de
pacientes com câncer, o gerenciamento de doenças crônicas e o fortalecimento da saúde mental, enfatizando
intervenções focadas no indivíduo.