Artigo de Revisão
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.515 / e00515
Autoconfiança parental no cuidado ao recém-nascido: uma
revisão
scoping
Parental self-confidence in newborn care: scoping review
Rita Martins1*, Sandra Risso2 Maria Helena Presado3
1 Mestrado. Unidade Local de Saúde da Arrábida, Setúbal, Portugal; https://orcid.org/0009-0005-0095-7683
2 Mestrado. Doutoranda do Doutoramento em Enfermagem. Centro de Investigação Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa
(CIDNUR), Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; orcid.org/0000-0002-7169-5570
3 Doutoramento. Centro de Investigação Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Escola Superior de Enfermagem,
Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal; orcid.org/0000-0002-6852-7875
* Autor de correspondência: rtavares@campus.enfermagem.ulisboa.pt
Recebido: 09.04.2026
Revisto: 25.06.2026
Aceite: 14.08.2026
Editor: Florinda Galinha
Como citar este artigo: Martins R, Risso S, Presado MH. Autoconfiança parental no cuidado ao recém-nascido: uma revisão scoping. Pensar Enf [Internet].
2026; 30 (1): e00515. Available from: https://doi.org/10.71861/pensarenf.v30i1.515.
Resumo
Introdução
Quando nasce um filho, surgem cuidados necessários ao seu desenvolvimento, que integram a transição para a
parentalidade. A transição, iniciada na gravidez, torna-se real com a chegada do recém-nascido. Rever as
barreiras/facilitadores que contribuem para a autoconfiança parental, no cuidado ao recém-nascido, pode
facilitar o diagnóstico de necessidades dos casais e o planeamento de intervenções centradas na tríade, para uma
transição e vivência positiva da parentalidade. Optou-se por realizar uma revisão scoping de forma a identificar
a evidência disponível e as lacunas de conhecimento relacionadas com o tema.
Objetivo
Mapear a evidência científica das barreiras/facilitadores que influenciam a autoconfiança parental no cuidado
ao recém-nascido.
Métodos
A revisão segue as orientações do Joanna Briggs Institute (JBI) e a pesquisa de evidência foi obtida através das
bases de dados MEDLINE Ultimate, CINAHL Ultimate, MedicLatina, e Cochrane of Systematic Reviews,
Web of science e PUBMED. Foram selecionados estudos que abordavam as barreiras/facilitadores que
contribuem para a autoconfiança parental nos cuidados ao recém-nascido, em pais de recém-nascidos saudáveis
em qualquer contexto de cuidados. Consideraram-se estudos na língua espanhola, francesa, inglesa e
portuguesa, no intervalo temporal de janeiro de 2018 a setembro de 2025. Os artigos foram avaliados por dois
revisores.
Resultados
Foram incluídos 16 artigos. Os dados extraídos foram agrupados em categorias de barreiras/facilitadores:
tecnológicos, sociais, fisiológicos, educativos, profissionais/género. Destacam-se como facilitadores o recurso
a programas online, os grupos de apoio presenciais e online, a continuidade de cuidados entre o pré-natal e o
pós-natal, o contacto pele-a-pele e o alojamento conjunto. Entre as principais barreiras identificam-se a
desvalorização do período pós-parto, a insuficiência de apoio e educação pós-natal, a informação contraditória
de familiares, a primiparidade e a curta licença parental.
Conclusão
Os estudos mostram-nos que é importante investir no pós-parto, numa rede de apoio informada e na inclusão
do pai nos cuidados.
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Palavras-chave
Confiança Parental; Cuidados ao Recém-nascido; Mãe; Pai; Parentalidade.
Abstract
Introduction
When a child is born, necessary care for their development arises, which is part of the transition to parenthood.
This transition, initiated during pregnancy, becomes real with the arrival of the newborn. Reviewing the barriers
and facilitators that contribute to parental self-confidence in caring for the newborn can help to identify
couples’ needs and plan interventions centered on the triad, enabling a positive transition to, and experience
of, parenthood. A scoping review was conducted to identify the available evidence and knowledge gaps related
to the topic.
Objective
To map the scientific evidence on the barriers and facilitators, that influence parental self-confidence in caring
for the newborn.
Methods
The review, follows the guidelines of the Joanna Briggs Institute (JBI), and the evidence search was conducted
through the databases MEDLINE Ultimate, CINAHL Ultimate, MedicLatina, Cochrane Database of
Systematic Reviews, Web of Science, and PubMed. Studies were selected if they addressed the barriers and
facilitators that contribute to parental self-confidence in newborn care among parents of healthy newborns,
across any healthcare or caregiving setting. Studies in Spanish, French, English, and Portuguese were
considered, within the time frame from January 2018 to September 2025. Articles were evaluated by two
reviewers.
Results
Sixteen studies were included. The extracted data were grouped into categories of barriers and facilitators:
technological, social, physiological, educational, professional, and gender-related factors. Key facilitators
included the use of online programs, face-to-face and online support groups, continuity of care between the
prenatal and postnatal periods, skin-to-skin contact, and rooming-in. The main barriers identified were the
undervaluation of the postpartum period, insufficient postnatal support and education, contradictory
information provided by family members, primiparity and short parental leave.
Conclusion
The findings indicate the importance of strengthening postpartum care, ensuring access to an informed support
network, and actively involving fathers in newborn care.
Keywords
Father; Mother; Parental Confidence; Parenthood; Newborn Care.
Introdução
A parentalidade é considerada um período de mudança e instabilidade para o casal, constituindo um processo
de incorporação e transição de papéis. O International Council of Nurses (ICN)1 define-a como cumprir a
responsabilidade de ser mãe/pai. Nos primeiros meses de vida, o recém-nascido é totalmente dependente das
figuras parentais. A sua manutenção e promoção de saúde apenas são possíveis através da participação de mães
e pais, informados e motivados.2 Mãe e pai experienciam no período pós-parto, na transição para a
parentalidade, uma grande mudança, exigindo uma adaptação a esta nova vida 3, englobando um conjunto de
atitudes que influenciam a adaptação à gravidez e que levam à preparação para o papel de mãe ou pai.1
A transição advém de mudanças e comportamentos de vida, obriga a uma adaptação a novas rotinas e
circunstâncias, que incorporam os novos eventos.4 Inicia-se na gravidez, e termina após o pai e mãe
desenvolverem um sentimento de confiança na prestação do novo papel. 5 A confiança é definida pelo ICN 1
como o sentimento de segurança e crença de que os outros são fiáveis e bons e, por isso, objetiva-se o
desenvolvimento da autoconfiança, uma característica dinâmica, subjetiva e individualizada6, que fornece
capacidade pessoal para lidar com os desafios.7 Consequentemente, promove a transição para um pós-parto
seguro e positivo.
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A transição para a parentalidade enquadra-se na teoria de médio alcance de Afaf Meleis, que descreve a transição
como uma passagem de um estado estável para outro igualmente estável, envolvendo um processo dinâmico
de mudança, adaptação e aquisição de novos conhecimentos e competências.8 Segundo esta teoria, a transição
inicia-se quando a mudança é antecipada e prolonga-se até que a pessoa desenvolva estabilidade e domínio do
novo papel.8,9 Este processo, pode incluir uma diversidade de eventos que podem influenciar a sua vivência e
a adaptação ao novo papel parental8, frequentemente descritos na literatura como facilitadores e barreiras. Entre
os indicadores de processo e de resultado de uma transição saudável destaca-se o desenvolvimento da
confiança.10 Neste sentido, a autoconfiança parental constitui um importante indicador da qualidade da
transição para a parentalidade, refletindo o grau de adaptação e de mestria alcançado pelos pais nos cuidados
ao recém-nascido.10 O desenvolvimento de estratégias que ajudem o casal a gerir de melhor forma as interações,
promove o aumento do nível de confiança.10 O aumento e desenvolvimento da confiança é progressivo,
proporcionando o domínio de novas competências, necessárias para a gestão de uma transição saudável.
A aquisição de competências parentais é necessária para a prestação de cuidados seguros ao recém-nascido,
sendo uma prioridade na transição da parentalidade.11 As competências parentais agrupam um conjunto de
conhecimentos, de habilidades e de atitudes, que facilitam e otimizam o desempenho do papel parental, com
mestria, garantindo assim o potencial máximo de crescimento e de desenvolvimento da criança.12 A capacitação
dos pais é fundamental para o processo, que impõe estratégias eficazes de promoção de saúde e um adequado
e individualizado plano de educação.13
Historicamente, o cuidado do filho e a gestão dos cuidados domésticos eram maioritariamente atribuídos à
mulher cuidadora, enquanto o homem apresentava um padrão de provedor económico.14 Tem-se observado
uma mudança de realidade, com o aumento da participação do pai nos serviços de saúde, e em especial no
nascimento.15 O pai tem vindo a assumir um maior destaque12 nos cuidados, sendo que esta motivação dos pais
para a parentalidade, pode ser verificada pelos dados de adesão do homem à partilha parental. Verificou-se uma
subida da percentagem de homens que partilham a licença parental, de 27,5% em 2015, para 45,7% em 2021.16
Na atualidade, as mulheres também investem na sua carreira profissional e incorporam essa atitude no seu
projeto de vida à parentalidade, em vez da dedicação exclusiva a esta transição.12 Observa-se a existência de
casais que vivem sozinhos, no lugar de famílias alargadas, afastados da sua rede social e influenciando a
reorganização familiar.12
A importância dada à mãe, neste processo, é superior. No entanto, a transição para a parentalidade é vivida por
ambos. A coparentalidade traduz o relacionamento das figuras parentais e ocorre quando e e pai tem
responsabilidade compartilhada, pela criação dos filhos com apoio e coordenação.17 O conceito não afirma por
si o desenvolvimento igualitário do papel parental.17 No entanto, a participação solidária dos casais, que
surge no contexto atual, possibilita uma coparentalidade eficaz. A coparentalidade eficaz implica coordenação
mútua e trabalho de equipa eficaz, em contraposição aos efeitos negativos da coparentalidade competitiva e
conflituosa, que tem impacto direto na transição do papel parental e posteriormente no comportamento do
recém-nascido.18 Considera-se importante olhar e perceber o contributo do Enfermeiro Especialista em Saúde
Materna e Obstétrica (EEESMO) para com o cliente de cuidados, e considerá-lo uma tríade mãe-pai-bebé. Esta
perspetiva é sustentada nos Padrões de Qualidade dos Cuidados Especializados de Enfermagem de Saúde
Materna e Obstétrica, da Ordem dos Enfermeiros19, onde se refere que, no período pós-parto, emergem como
clientes de cuidados o recém-nascido e o homem-pai. Este pai deve ser considerado na sua individualidade,
com valores, crenças, desejos próprios, desde a gravidez até ao pós-parto. Assim, torna-se importante
considerar mãe e pai, com necessidades próprias, mas que se complementam num trabalho conjunto, com uma
parceria coparental inclusiva e de apoio no cuidado ao recém-nascido.18,19
As competências do EEESMO, em Portugal, centram-se em todo o período da transição para a parentalidade,
na gravidez, parto e pós-parto. Os cuidados no pós-parto permitem o cuidado da tríade, nos dias e semanas
após o nascimento, detetando complicações numa fase precoce, garantindo o sentimento de confiança em lidar
com a nova situação de vida, e com o seu recém-nascido.3
Optou-se por efetuar uma revisão scoping sobre as barreiras e facilitadores que contribuem para a autoconfiança
parental no cuidado ao recém-nascido, para analisar informações acerca de uma temática, de uma forma
abrangente20, providenciando conhecimento que, possa ajudar na tomada de decisão do EEESMO, no
diagnóstico de necessidades dos casais. Poucos são os estudos focados na continuidade de intervenções para o
desenvolvimento de confiança e dos cuidados aos recém-nascidos no período pós-natal.21 após o diagnóstico
se pode planear intervenções individualizadas, no desenvolvimento da autoconfiança parental e das suas
competências parentais, que permitam uma vivência positiva da parentalidade. “Cuidar a mulher inserida na
família e comunidade durante o período pós-natal”22, incorpora as competências específicas do EEESMO.
Deve-se conceber, planear, implementar e avaliar intervenções de promoção e apoio à adaptação no pós-parto,
identificar e monitorizar alterações aos processos de transição, promovendo a parentalidade responsável. A
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ampliação de conhecimento é uma competência necessária ao EEESMO, para otimizar os cuidados e contribuir
para ganhos em saúde.
Foi realizada uma pesquisa preliminar na Cochrane Database of Systematic Reviews e JBI Evidence Synthesis,
não tendo sido identificadas revisões sistemáticas nem protocolos scoping no período de cinco anos, sobre o
tema. A realização da revisão scoping tem como objetivo mapear a evidência científica sobre as barreiras e os
facilitadores que contribuem para a autoconfiança parental dos casais no cuidado ao recém-nascido.
Métodos
A revisão scoping foi conduzida de acordo com a metodologia JBI para revisões scoping20 e com a checklist Preferred
Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses for Scoping Reviews.23 Foi desenvolvido um protocolo de
revisão scoping para definição dos objetivos, método e previsão de tratamento de dados24, registado no Open
Science Framework (https://osf.io/9nr8d/overview). Teve como questão de revisão “Quais as barreiras e
facilitadores que contribuem para a autoconfiança parental no cuidado ao recém-nascido?”. Tendo por base a
mnemónica População, Conceito e Contexto (PCC)24, a população são as mães, pais e casais, o conceito,
barreiras e facilitadores, que influenciam a autoconfiança parental nos cuidados ao recém-nascido e o contexto
qualquer um, que implique cuidados a recém-nascido saudáveis. Foram excluídos estudos de casais com
qualquer condição clínica do recém-nascido que necessitasse de cuidados específicos ou que obrigasse a uma
necessidade de acompanhamento, como um internamento na unidade de neonatologia, malformações
congénitas, malformações genéticas, doenças respiratórias, neurológicas, metabólicas ou gastrointestinais.
Foram igualmente excluídos estudos com qualquer condição materna que dificultasse o alojamento conjunto
(doenças ou complicações que exijam atendimento em outras unidades, doenças psiquiátricas graves ou abuso
de drogas) e protocolos de estudos.
A estratégia de pesquisa foi realizada em três passos.20 Foi realizada uma pesquisa inicial, em abril de 2024, na
MEDLINE Ultimate e CINAHL Ultimate, através da EBSCO, utilizando palavras relacionadas com o tema,
para identificar os termos nos títulos e resumos dos artigos obtidos, assim como os termos indexados às bases
de dados. No segundo passo, em abril de 2024, construiu-se a estratégia de pesquisa, adaptada para cada base
de dados selecionada: MEDLINE Ultimate, CINAHL Ultimate, MedicLatina, e Cochrane of Systematic
Reviews, através da plataforma EBSCOhost WEB, Web of science e PUBMED. As estratégias de pesquisa
encontram-se descritas no Quadro 1.
No terceiro passo, as listas de referências dos artigos foram examinadas, para identificar outros artigos
relacionados com o tema. Foi também realizada pesquisa na literatura cinzenta, através de websites de
organizações. A estratégia de pesquisa foi atualizada em setembro de 2025, para verificar eventuais novas
publicações relevantes para o tema em revisão.
Foram incluídos todos os tipos de estudos publicados e não publicados, incluindo experimentais, quasi-
experimentais, descritivos, correlacionais, de abordagem qualitativa e quantitativa, revisões sistemáticas da
literatura, estudos de casos, artigos de opinião, resumos de conferências. Foram considerados todos os estudos
publicados na língua espanhola, francesa, inglesa e portuguesa, no intervalo temporal de janeiro de 2018 a
setembro de 2025.
Quadro 1. Expressão de busca por bases de dados
Base de Dados
Expressão de Pesquisa
MEDLINE Ultimate
(Father* OR Mother* OR Parents* OR MH Fathers OR MH Mothers OR MH Parents) AND
(“Self-confidence” OR confidence OR MH Trust OR MH “Self-Assessment”) AND (Barrier*
OR Obstacle* OR Difficult* OR Facilitator* OR Enabl*) AND ((MH “Infant, newborn” OR
Newborn) AND (Care))
CINAHL Ultimate
(Father* OR Mother* OR Parents* OR MH Fathers OR MH Mothers OR MH Parents) AND
(“Self-confidence” OR confidence OR MH Trust OR MH “Self-Assessment”) AND (Barrier*
OR Obstacle* OR Difficult* OR Facilitator* OR Enabl*) AND ((MH “Infant, newborn" OR
Newborn”) AND (Care))
Mediclatina
(Father* OR Mother* OR Parents*) AND (“Self-confidence” OR confidence OR Trust OR “Self-
Assessment”) AND (Barrier* OR Obstacle* OR Difficult* OR Facilitator* OR Enabl*) AND
(Newborn AND Care)
Cochrane of Systematic Reviews
(Father* OR Mother* OR Parents*) AND (“Self-confidence” OR confidence OR Trust OR “Self-
Assessment”) AND (Barrier* OR Obstacle* OR Difficult* OR Facilitator* OR Enabl*) AND
(Newborn AND Care)
Web of science
(Father* OR Mother* OR Parents*) AND (“Self-confidence” OR confidence OR Trust OR “Self-
Assessment”) AND (Barrier* OR Obstacle* OR Difficult* OR Facilitator* OR Enabl*) AND
(Newborn AND Care)
PUBMED
(Father* OR Mother* OR Parents*) AND (“Self-confidence” OR confidence OR Trust OR “Self-
Assessment”) AND (Barrier* OR Obstacle* OR Difficult* OR Facilitator* OR Enabl*) AND
(Newborn AND Care)
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Os resultados da pesquisa foram inseridos no software Covidence®.25 O software possibilitou a remoção
automática de estudos duplicados. Os estudos resultantes foram analisados para efeitos de elegibilidade, através
da leitura de título e resumo, por dois revisores independentes, sendo aplicados os critérios de inclusão e
exclusão. Os artigos resultantes desta avaliação foram lidos na íntegra. Nesta fase de leitura integral, foram
excluídos artigos que não correspondiam aos critérios de inclusão e exclusão. As divergências foram analisadas
e solucionadas com recurso a um terceiro revisor.
A extração de dados, provenientes da amostra de artigos considerados para a revisão scoping, foi realizada por
dois revisores, de forma independente, usando uma ferramenta de extração de dados, desenvolvida pelos
mesmos, que integrava informação sobre: título, autores, ano, local de realização do estudo, tipo de estudo,
dimensão da amostra, objetivos do estudo, metodologia e resultados, barreiras e/ou facilitadores descritos e
conclusões secundárias do estudo.
Os dados relevantes, extraídos da amostra de estudos incluídos, foram sintetizados numa tabela contendo a
seguinte informação: autores, ano, país, método, objetivos, amostra e resultados (barreiras e facilitadores). A
análise dos estudos permitiu a identificação de barreiras e facilitadores da autoconfiança parental no cuidado
ao recém-nascido.
Resultados
Foram obtidos, no total, 1099 artigos, com a atualização da pesquisa. De acordo com as bases de dados, os
artigos distribuem-se da seguinte forma: 205 artigos na MEDLINE Ultimate, 124 artigos na CINAHL Ultimate,
zero artigos MedicLatina, três artigos na Cochrane Database of Systematic Reviews, 446 artigos na PubMed e
321 artigos na Web of Science. Após terem sido inseridos no software Covidence©25, foram excluídos 391
artigos repetidos. Após o processo de seleção pelo título e resumo, por dois revisores, foram excluídos 668
artigos. Na etapa seguinte, de leitura integral, os critérios de elegibilidade foram aplicados a 40 artigos. Nesta
última etapa foram excluídos 25 artigos por serem referentes a pais com recém-nascidos internados numa
unidade de cuidados intensivos neonatais, por serem protocolos de estudos, por apresentarem o resumo,
por fazerem referência a intervenções ou resultados que não iam de encontro à autoconfiança parental, ou por
incluírem mães com complicações ou que recorriam a abuso de drogas. A amostra proveniente da pesquisa em
bases de dados foi composta por 15 artigos. Após realizar o terceiro passo da estratégia de pesquisa, foi
identificado mais um artigo, a partir da análise das listas de referência. Assim, a amostra da revisão scoping foi
composta por 16 artigos. Os resultados da pesquisa e do processo de inclusão dos estudos estão apresentados
no PRISMA 2020 Flowchart26 (Figura 1).
Figura 1. Fluxograma the PRISMA 2020 statement.
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Os 16 artigos da amostra foram publicados entre 2018 e setembro de 2025. Relativamente ao tipo de estudo,
obteve-se: cinco estudos qualitativos descritivos, dois estudos qualitativos longitudinais, dois estudos
qualitativos transversais, um estudo fenomenológico hermenêutico, um estudo de síntese de evidência
qualitativa, um estudo de coorte prospetivo, um estudo clínico randomizado e controlado, um estudo
qualitativo, um estudo misto transversal e um estudo misto exploratório. A origem dos estudos foi a seguinte:
três no Reino-Unido, três nos Estados Unidos, dois no Canadá, dois na Singapura, um na Índia, um na Austrália,
um em Itália, um na Coreia do Sul, um na Holanda e um na Tanzânia. A população dos artigos é variada,
incluindo casais, mães, profissionais de saúde, assim como a metodologia usada, onde encontramos estudos em
que foram realizadas entrevistas semiestruturadas e estruturadas, focus group e análise estatística.
Os dados relevantes, extraídos da amostra de estudos incluídos, foram sintetizados numa tabela contendo a
seguinte informação: autores, ano, país, metodologia/tipo de estudo, população/amostra, objetivos e resultados
(barreiras e facilitadores) (Tabela 1). A análise dos estudos permitiu a identificação de barreiras e facilitadores
da autoconfiança parental no cuidado ao recém-nascido.
Tabela 1. Resultados dos estudos da amostra.
A1.
Autores, Ano e País
Machold, C., Rinn, S., Mckellin, W., Ballabtyne, G. & Barrett, J. (2021) Canada
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo fenomenológico hermenêutico. Entrevista telefónica semiestruturada 1 a 19 meses após o
parto
População/amostra
10 mulheres com uma cesariana prévia planeada ou não, e uma segunda cesariana programada
Objetivos
Descrever as experiências maternas de parto por cesariana com ou sem contacto pele-a-pele
Resultados
Barreiras
As participantes possuíam sentimento de vergonha ou culpa por terem realizado um parto por
cesariana
Facilitadores
Contacto pele-a pele.
Amamentar o bebé nascido por cesariana em contacto pele-a-pele foi bastante diferente das
experiências anteriores, melhorando a sua confiança e duração na amamentação.. O contacto pele-a-
pele veio contrariar o sentimento de culpa e de vergonha sentimento, e foi importante para reforçar a
sua confiança na transição para a parentalidade.
A2.
Autores, Ano e País
Finlayson, K., Sacks, E., Brizuela, V., Crossland, N., Cordey, S. Ziegler, D., Langlois, E., Javadi, D.,
Thomson, L., Downe, S. & Bonet, M. (2023) Reino Unido
Metodologia/Tipo de Estudo
Revisão qualitativa da literatura
População/amostra
800 participantes, membros da família próxima (pais, companheiros, copais, avós, irmãos dos pais e
tias ou tios dos pais)
Objetivos
Explorar os fatores que influenciam a adesão dos cuidados pós-natais pelas mulheres e suas famílias
Resultados
Barreiras
Licença Parental reduzida
Muitos pais sentiam-se ansiosos e inseguros no papel parental por preocupação e priorização da saúde
do seu parceiro
Conflito de informações dadas pelos profissionais de saúde.
Facilitadores
Mais visitas domiciliares. Contactos flexíveis durante o período pós-natal; grupos de apoio para
pais. Serviço 24 horas por dia que lhes desse oportunidade de contactar um profissional quando
surgisse a necessidade.
Para resolver estas questões os pais sugeriram organização de grupos de apoio exclusivamente para
pais que possam estar com dificuldades durante o período pós-natal
A3.
Autores, Ano e País
Shorey, S., Ang, L. & Goh, E. (2018) Singapura
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo Qualitativo Longitudinal Entrevista
População/amostra
50 pais
Objetivos
Compreender as experiências vividas pelos novos pais
Resultados
Barreiras
Pequena licença paterna; O medo foi o fator que dificultou o envolvimento paterno, pois não tinham
a competência e a confiança necessária para dar banho aos seus bebés. Falta de informações e
orientações dos profissionais de saúde no pós-alta hospitalar. Conflito de informações.
Facilitadores
Medidas que facilitem o envolvimento paterno como aumento da licença de paternidade e a
obrigatoriedade de os pais terem de utilizar a licença parental. Melhoria das aulas pré-natais
envolvendo mais os pais
Apoio social por parte de avós.
Experiência com filhos mais velhos
A4.
Autores, Ano e País
Athavale,P., Hoeft, K., Dalal, R., Bondre, A., Mukherjee, P. & Gutierrez, K. (2020) India
Metodologia/Tipo de Estudo
Entrevistas semiestruturadas. Estudo Qualitativo transversal
População/amostra
33 mães e avós, cuidadores de crianças de 0 a 2 anos
Objetivos
Avaliar as barreiras e os facilitadores para os cuidadores na implementação das recomendações de
alimentação de bebes e crianças pequenas em duas comunidades urbanas
Resultados
Barreiras
Excesso de trabalho dos profissionais; Falta de comunicação; Recomendações conflituantes entre
profissionais de saúde e família; Existir uma autoridade de poder externa; Apoio social limitado
Facilitadores
Orientação profissional alargado ao agregado familiar e comunidade; apoio familiar (casa da mãe ou
relação não conflituante com a sogra)
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A5.
Autores, Ano e País
Shorey, S., Yang, Y. & Dennis, C. (2018) Singapura
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo Qualitativo Descritivo Entrevista semiestruturada, presencial
População/amostra
12 participantes (5 casais, 4 pais, 3 mães) divididos em dois grupos, grupo de intervenção e grupo de
controlo
Objetivos
Testar e eficácia do programa educacional baseado no aplicativo mhealth entre os novos pais
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Uso da tecnologia
Características positivas do aplicativo mhealth: bom recurso informativo e com informação adaptada
às necessidades individuais, de fácil acesso e que permite recapitular as informações. Utilizado para
confirmar procedimentos rotineiros de cuidados ao recém-nascido. Útil para enfrentar dificuldades
durante a primeira semana. Possibilidade de obter resposta de uma parteira e no fórum de discussão,
com resposta clara, individualizada e mais confiável em vez das respostas padrão encontradas na web
Os inquiridos exprimiram continuidade de cuidados e integração de uma comunidade de pessoas que
vivem a mesma fase de transição aumenta a confiança e satisfação a cuidar dos seus bebés
A6.
Autores, Ano e País
Cummins, A., Griew, K., Devonport, C., Ebbett, W., Catling, C. & Braird, K. (2022) Austrália
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo qualitativo descritivo
Entrevistas Focus Group e individuais com prestadores de serviços (obstetras e parteiras) e utentes
grávidas
População/amostra
7 grávidas e 9 parteiras
Objetivos
Descobrir as opiniões dos prestadores de serviço e utentes do serviço sobre o modelo de cuidados
pré e pós-natal
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Modelo de continuidade de cuidados pré e pós-natal potencia: sentir-se seguro e conectado; ter mais
tempo de qualidade e estar confiante, ter um senso de comunidade e respeitar a diversidade cultural
As mulheres afirmam que ter a mesma parteira a prestar cuidados durante toda a gravidez e durante o
período pós-natal precoce fez com que se sentissem seguras e conectadas
A continuidade de cuidados permitia melhor conhecimento da mulher e havia compensação do tempo
com menos avaliações iniciais e menos registos. As conclusões do estudo sugerem que parteiras,
obstetras e mulheres acreditam que a implementação de um modelo pré/pós-natal semelhante ao do
Reino Unido seria uma mais valia e alinham-se com os cuidados de maternidade de qualidade. A
compreensão de que as parteiras não estariam disponíveis no intraparto era aceitável para elas. As
parteiras acreditavam que poderiam antecipar e compreender melhor as necessidades da mulher
quando prestassem cuidados em suas casas fortalecendo novamente as capacidades da mulher
enquanto ela faz a transição da parentalidade
A7.
Autores, Ano e País
Levi, D., Ibrahim, R., Malcolm, R., MacBeth, A. (2019) Reino-Unido
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo de coorte prospetivo não controlado, Programa Mellow Parenting, semanal, em grupo,
durante 14 semanas
População/amostra
183 mães
Objetivos
Investigar a associação entre a participação no Mellow Parenting e as melhorias dos resultados
maternos e infantis.
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Programas parentais - melhoram significativamente a saúde materna, a confiança dos pais
As mães com parceiro participaram em mais sessões e mostraram maiores melhorias na saúde mental
e confiança, em comparação com as mães solteiras
A8.
Autores, Ano e País
Perez, A. et al. (2021) Reino-Unido
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo misto transversal, Entrevistas
População/amostra
590 participantes
Objetivos
Investigar como a COVID-19 e restrições associadas influenciam o humor e a confiança parental dos
futuros pais, identificando barreiras e facilitadores
Resultados
Barreiras
Diminuição de contacto físico; posse de informações de saúde pouco confiáveis; Diminuição do
apoio; perda dos cuidados infantis
Facilitadores
Tecnologia
O isolamento social pode tornar-se um facilitador, especialmente nos pais com o primeiro filho - mais
tempo em família para o pai, prestando cuidados de forma independente, tornando-o mais atento. Na
mãe, a imposição de ter de confiar no seu instinto, na ausência de apoio adicional, também a deixou
mais confiante e resiliente
A9.
Autores, Ano e País
Consales, A. et al. (2020) Itália
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo descritivo; Entrevista estruturada
População/amostra
328 mães, 333 recém-nascidos
Objetivos
Investigar o conhecimento materno sobre alojamento conjunto e as barreiras facilitadores da adesão
Resultados
Barreiras
Fadiga e parto por cesariana como barreiras indiretas por serem declaradas como a barreiras maiores
na realização de alojamento conjunto.
Facilitadores
Alojamento conjunto
A10.
Autores, Ano e País
Demirci, J. et al. (2019) Estados Unidos da América
Artigo de Revio
8
Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.515 / e00515
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo clínico randomizado e controlado, Entrevista telefónica semiestruturada 4 a 6 semanas pós-
parto
População/amostra
17 mães
Objetivos
Avaliar a viabilidade, aceitação, pontos fortes e limitações dos serviços de telelactação para mães rurais
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Aplicativo movel - Potencialmente aumenta a confiança materna, através da natureza "hands-off" do
suporte de vídeo, em que as mães "fazem o trabalho". Aumento da confiança na amamentação;
resolveu problemas de amamentação, preveniu a exacerbação de problemas; possibilitou o uso
eficiente do tempo em visitas ao RN. Os resultados corroboram que a telelactação oferece acesso
conveniente ao apoio à amamentação e triagem de questões relacionadas à amamentação. Além disso,
pode aumentar a confiança na amamentação quando o transporte ou o acesso inadequado ao suporte
da lactação se apresentam como barreiras.
A11.
Autores, Ano e País
Lee, I. (2023) Coreia do Sul
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo qualitativo descritivo. Entrevista
População/amostra
165 refugiadas
Objetivos
Preparar dados para o desenvolvimento de um programa de educação de cuidados neonatais
Resultados
Barreiras
Falta de conhecimento
Idade mais jovem
Facilitadores
Maior conhecimento. Idade mais avançada
A12.
Autores, Ano e País
Biringer, A. et al. (2024) Canada
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo Qualitativo. Entrevistas telefónicas semiestruturadas
População/amostra
18 utentes
Objetivos
Explorar o impacto do cuidado com o modelo de cuidados híbrido perinatal durante a gravidez e
período inicial do recém-nascido
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Apoio social no período perinatal
As participantes comentaram sobre como o período pós-parto pode ser desafiador e como se sentiram
vulneráveis como novas mães. Refletiram sobre como as relações que construíram, através do Modelo
Group Perinatal Care, proporcionaram apoio de múltiplas formas e aumentaram a sua confiança e
competência
A participação de seus parceiros no processo e o apoio de todo o grupo fizeram com que se sentissem
menos sozinhos em momentos desafiadores. O modelo foi construído para apoiar as famílias na
transição do pré-natal para o período intraparto e pós-parto imediato.
A13.
Autores, Ano e País
Veltkamp, G. et al. (2020) Holanda
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo Qualitativo Longitudinal, Duas entrevistas com espaçamento de 6 meses
População/amostra
12 casais de primeira viagem
Objetivos
Descrever as relações entre os contextos sociais e as competências desenvolvidas pelos pais
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Conhecimento experimental de outros membros da família
A14.
Autores, Ano e País
Robinson, A. et al. (2019) Estados Unidos
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo Qualitativo transversal prospetivo, Entrevistas Focus Group online
População/amostra
22 participantes
Objetivos
Identificar as experiências de mães afro-americanas que participam de grupos de apoio à amamentação
no Facebook e as crenças, decisões e resultados da amamentação para essa população de mães.
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Grupos de apoio online
As participantes afirmaram que se sentiam mais confiantes e capacitadas nas suas decisões de
amamentar devido ao grupo de apoio online
A15.
Autores, Ano e País
Dol, J. et al. (2019) Tanzânia
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo qualitativo descritivo. Pesquisa demográfica, seguida de uma entrevista semiestruturada
População/amostra
8 mães e 8 enfermeiras obstétricas
Objetivos
Explorar como as mães e enfermeiras obstétricas vivenciam a alta pós-natal
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Possuir conhecimento suficiente; melhor educação
As mães sentiram que qualquer informação que recebessem e tivessem a oportunidade de prestar
cuidados enquanto estavam no hospital aumentava a sua capacidade de cuidar do seu recém-nascido
e construíam o seu próprio conhecimento, experiência e confiança no cuidado do seu recém-nascido.
A16.
Autores, Ano e País
Fisher, E. et al. (2025) Estados Unidos da América
Metodologia/Tipo de Estudo
Estudo Exploratório misto Entrevistas e Questionário
População/amostra
16 participantes na fase qualitativa e 62 participantes na fase quantitativa
Objetivos
Examinar as perspetivas dos clientes sobre como o programa Healthy Start apoia o bem-estar dos pais
e filhos durante e após a gravidez
Resultados
Barreiras
Facilitadores
Programas com agentes comunitários de saúde:
Artigo de Revio
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.515 / e00515
O programa empodera de forma a emergir confiança na defesa dos cuidados corretos sendo
verbalizado pelos entrevistados o aumento da autoconfiança e a diminuição dos níveis de stress
levando a uma melhor saúde geral, saúde mental e saúde infantil.
Os resultados podem ser consultados em tabela (Tabela 2), acompanhado de resumo narrativo. Os dados
extraídos dos artigos foram organizados em cinco categorias: facilitadores tecnológicos, barreiras/facilitadores
sociais, barreiras/facilitadores fisiológicos, barreiras/facilitadores educativas e barreiras/facilitadores
profissionais e/ou género.
Tabela 2. Síntese de Resultados.
Barreiras Sociais
Barreiras Fisiológicas
Barreiras Educativas
Barreiras profissionais/género
Facilitadores Tecnológicos
Facilitadores Sociais
Facilitadores fisiológicos
Facilitadores educativos
Facilitadores profissionais/género
Facilitadores tecnológicos. O fator facilitador tecnológico é bastante abordado.27,28,29,30 Num dos estudos28
referência a uma época de restrições pela COVID-19. Os autores investigaram as barreiras e facilitadores
perante a confiança na parentalidade precoce, referindo que, embora os participantes preferissem o contacto
presencial, os recursos e a interação online são úteis em medidas de confinamento.28 A tecnologia permite o
fornecimento de recursos práticos e sociais dos cuidados de saúde, assim como providência apoio psicológico
em situações nas quais o contacto presencial não é possível.28 Outros autores30 estudaram um programa
educacional por quatro semanas após a alta hospitalar do puerpério. Este programa permitia a partilha, entre o
casal e as parteiras, de fotografias e mensagens, de esclarecimento de dúvidas, que eram respondidas nas 24
horas.30 Permitia também fornecer educação aos pais, através de vídeos acerca de procedimentos sobre
cuidados ao recém-nascido.30 Os participantes expressaram que a continuidade de cuidados era boa e que a
possibilidade de interação com uma comunidade, que vivia a mesma fase de transição, aumentou a confiança e
a satisfação nos cuidados dos seus bebés.29,30 Esta interação possibilitou uma boa transição do meio hospitalar
para casa, um sentimento de satisfação e de vivência positiva do papel parental.30 Por último, a “Telelactação”,
uma aplicação telefónica na qual as mães poderiam ter acesso a chamadas vídeo ilimitadas e gratuitas, com um
International Board Certified Lactation Consultant, veio possibilitar o acesso no apoio à amamentação a pessoas com
restrições de apoio de profissionais.27 Esta aplicação teve efeitos positivos na confiança materna, possibilitando
o esclarecimento de dúvidas a pessoas mais isoladas, prevenindo complicações, permitindo que as visitas
domiciliárias aos recém-nascido fossem utilizadas de forma mais eficiente.27
Barreiras/facilitadores sociais. O apoio social pode funcionar de duas formas, como facilitador ou como
barreira, tendo em conta a atitude dos pais e do respetivo apoio. Foi investigado o apoio através de grupos de
apoio online.27,29,30 Nestes grupos, cria-se uma comunidade online com a presença de profissionais licenciados
no apoio à amamentação, onde as novas mães podem interagir entre si, empoderando-se, possibilitando
decisões informadas relativas à amamentação.29 As participantes, num focus group, foram unânimes ao referir que
se sentiam mais confiantes e capacitadas na amamentação.29 Nos grupos online, a perceção da quantidade de
participantes, influenciava positivamente a confiança na amamentação e na duração da mesma.29 Torna-se
importante a existência, nestes grupos, de pessoas de confiança e competentes para aconselhar29, dado que
noutro estudo, as es, especialmente primíparas, referiram sentir-se desamparadas no pós-parto e na
amamentação.31 O pós-parto é um período no qual as mães consideram necessitar de um serviço onde possam
esclarecer dúvidas, nas 24 horas diárias.32 O excesso de trabalho vivenciado pelos profissionais de saúde não
permitiu esclarecer as dúvidas necessárias, não possibilitando que as mães realizassem cuidados corretos ao seu
recém-nascido, relativamente à alimentação.31 Estas dificuldades levaram a que as mães solicitassem
informações a familiares e amigos, e quando estas informações entravam em conflito com a educação realizada
pelos profissionais de saúde 31,33, havia um sentimento de confusão, sendo que a maioria das mães optava por
seguir os conselhos dos familiares.31 As mães referiram sentimentos de stress e insegurança, o que levou a
perderem o controlo nos cuidados ao seu bebé e a ceder à autoridade de um familiar.31 O medo do fracasso
nas suas decisões, assim como de se sentirem culpadas, por não seguirem a orientação dos chefes de
comunidades e familiares, levou-as a perderem a confiança no cuidado ao seu recém-nascido.31 As sessões de
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aconselhamento, envolvendo a família e comunidade, possibilitam a minimização desta barreira, potenciando
o aumento da confiança materna, através do fornecimento de informação confiável.31
As mães que possuíam informações fidedignas para a saúde do seu filho, eram mais confiantes nos seus
cuidados, e propensas a resistir à pressão dos familiares, amigos, vizinhos e mensagens publicitárias confiáveis.31
No entanto, o autor também refere que, no caso de apoio familiar advir da avó materna, ou se existir uma
relação positiva com a sogra, pode levar a atitudes mais positivas na mãe, a uma maior confiança e habilidade
para cuidar do filho e seguir as recomendações do profissional confiável.31 Neste sentido, o apoio social é um
facilitador. A experiência dos membros da família pode trazer confiança aos novos pais, porque os encorajam
a seguir a sua própria intuição, fortalecendo a confiança no cuidado dos seus filhos.34 Ainda que durante a
pandemia covid-19 a perda de apoio social foi vivenciada como um ponto positivo relativamente à
autoconfiança parental, uma vez que não depender de ajuda nos cuidados infantis, trouxe aos pais experiência
no cuidado e na possibilidade de confiar no seu instinto e julgamento.28
Um modelo de continuidade de cuidados entre o pré-natal e o pós-natal foi avaliado positivamente, tendo
demonstrado resultados como a segurança e a autoconfiança no período pós-natal.35 Os grupos de apoio
perinatal, com transição de apoio para a comunidade, demonstraram ter impacto positivo.36 As mães
desamparadas no período pós-parto encontraram nestes grupos diversos apoios, que aumentam a confiança e
a competência parental.36 o grupos de mães selecionados por data provável de parto, nos quais participam
uma parteira e dois médicos de família.36
Os programas parentais, para pais e filhos, efetuam acompanhamento para além do pré-natal e pós-parto37,38,
podendo prolongar-se até à idade de cinco anos.38 São constituídos por workshops e visitas domiciliárias,
adaptados à idade das crianças. Alguns destes programas, não tem como principal foco a confiança parental,
atingem este objetivo como resultado secundário 38, uma vez que quando inquiridos, a maioria refere sentir
mais confiança nos cuidados e com menores níveis de stress.38 Os programas parentais vêm, em alguns casos,
demonstrar a importância de ter sempre alguém disponível para ouvir e validar as preocupações, assim como
resolver problemas numa fase inicial da parentalidade.37
Barreiras/facilitadores fisiológicos. O contacto pele-a-pele, após cesariana, transfere o poder do controlo
do profissional de saúde para a mãe.39 Este contacto permite anular o sentimento de culpa nas mães, por terem
sido sujeitas a uma cesariana, e reforça a confiança na transição para a parentalidade, modificando o processo
de amamentação, ao promover a duração do mesmo e, consequentemente, a confiança.39 Na mesma perspetiva,
como barreira/facilitador fisiológico, outros autores40 evidenciaram o alojamento conjunto. Este permite o
aumento da confiança materna em cuidar do recém-nascido, assim como melhorias na amamentação.40 Os
dados são semelhantes aos provenientes de um estudo em situação de isolamento COVID-19, onde a
diminuição do contacto físico foi associada a uma diminuição da confiança.28
As características gerais das mães, tais como a idade, a estrutura familiar e a sua história obstétrica, podem
modificar o grau de confiança nos cuidados ao recém-nascido.41 Idades mais jovens (menos de 30 anos) e a
primiparidade, foram fatores associados a menor nível de confiança, no cuidado ao recém-nascido.41 Também
um maior número de filhos, mais experiência33,41 e maior idade está associado a maiores níveis de confiança no
cuidado ao recém-nascido.41
Barreiras/facilitadores educativos. A educação pode ser um fator que influencia a confiança parental, sendo
que mulheres com o ensino elementar ou menor, apresentam diminuição da confiança parental.41 A falta de
conhecimento sobre os cuidados ao recém-nascido está associada a uma diminuição da confiança dos cuidados
e a um comportamento parental inadequado.41 As mães referiram que receber ensinos suficientes para se
sentirem confiantes é importante, e que a confiança é essencial para poderem prestar cuidados ao seu recém-
nascido.42 Esses ensinos centram-se muito no pré-natal e intraparto, havendo uma desvalorização do pós-parto,
tanto nos cuidados clínicos, como na educação.42 Este período crítico é essencial ao desenvolvimento da
confiança. No entanto, a educação pós-natal no hospital torna-se difícil, pela falta de recursos técnicos,
humanos e de diretrizes para a prestação destes cuidados.42 Esta ideia é apoiada pelos modelos de continuidade
pré e pós-natal.38 Um dos modelos encontrados, nos estudos, considera que é importante a continuidade de
cuidados no pós-parto.38 Esta continuidade de cuidados fez sentir os pais mais seguros e promoveu a
autoconfiança parental.38
Barreiras/Facilitadores profissionais e de género. O trabalho paterno e a licença paternal reduzida foram
identificados como barreiras. Estas barreiras não permitiam o envolvimento necessário ao pai, originando
insegurança e medo na prestação de cuidados ao recém-nascido.33 Os pais priorizaram o bem-estar materno
em detrimento de si próprios, sentindo-se inseguros e ansiosos no novo papel.32 Os pais inquiridos sugeriram
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o aumento da licença parental, a existência de grupos de apoio para pais que passem pela transição para a
parentalidade, e preparação para a parentalidade mais dirigida ao envolvimento paterno.32,33
Discussão
Nesta revisão scoping, foram identificados 16 artigos, publicados nos últimos cinco anos, que abordam diversos
fatores que influenciam o desenvolvimento da confiança parental, permitindo responder à questão formulada
inicialmente: quais as barreiras e facilitadores que contribuem para a autoconfiança parental nos cuidados ao
recém-nascido
Foram identificadas, nos artigos encontrados, as seguintes barreiras: barreiras sociais 28,31,32, barreiras fisiológicas
28,39,40,41 barreiras educativas 41, barreiras profissionais e ou género.32,33
Relativamente aos facilitadores, identificou-se facilitadores tecnológicos27,28,29,30, facilitadores sociais
28,29,31,32,33,34,35,36,37,38, facilitadores fisiológicos 28,33,39,40,41, facilitadores educativos 38,41,42, facilitadores profissionais
ou de género.32,33
Os recursos tecnológicos o importantes, mantendo a comunicação e o apoio especializado, quando o
contacto físico não é possível, como foi verificado em época de isolamento COVID-19 27,28 e quando o
domicílio se situa em locais de maior dificuldade de acesso.27 O recurso a aplicativos informáticos, com
informações personalizadas às necessidades individuais e de fácil acesso, é útil por poder esclarecer as dúvidas
rotineiras, em comparação com a informação padronizada disponível na internet de acesso livre.30 Estes
recursos caracterizam-se pelo acompanhamento de profissionais de saúde especializados na área e por isso
tranquilizam os pais no cuidado ao recém-nascido, após a alta hospitalar, trazendo maior satisfação do papel
parental.30 Os conteúdos (vídeos e documentos) fornecidos durante o programa serviam de orientação,
trazendo maior confiança na realização do papel parental.30 Estes resultados são complementados por outros,
onde os grupos de apoio nas plataformas digitais funcionam como espaços disponíveis permanentemente para
obtenção de informação, partilha de experiências e procura de suporte, tanto por profissionais de saúde
especializados como entre os pares.29 As utilizadoras valorizam a acessibilidade fácil da plataforma e como a
tecnologia pode ultrapassar a simples transmissão de informação e permitir a construção de uma rede de apoio
mais ampla.29 Este recurso traz não a aquisição de novos conhecimentos como também uma maior
confiança.29
No entanto, apesar dos benefícios, que o avanço tecnológico tem trazido às atuais sociedades, não deve ser
utilizado como recurso único. Muitos utentes continuam a preferir o contacto presencial28 e por este mesmo
motivo o contacto tecnológico deve ser utilizado para apoios pontuais, de forma a resolver pequenas
dificuldades.29 Esta forma de atuação permitirá uma melhor avaliação de possíveis dificuldades e um melhor
aproveitamento das visitas presenciais.27
O apoio social é a barreira/facilitador referido num maior número de investigações e é importante neste
período, trazendo benefícios para a mãe, bebé e próprio casal.43 O apoio pode ser de diferentes tipos (sendo os
principais, a nível familiar e profissional) e o facto de estar disponível, pode ter um impacto positivo na transição
da parentalidade.43 O casal pode ser um apoio entre si e a falta do parceiro nas consultas, no trabalho de parto
e em programas pós-parto tem influência na adesão aos mesmos e no desenvolvimento de confiança das
mães.28,38 Também a mãe pode ser o apoio do pai.33 Os grupos constituídos tanto em programas de
acompanhamento perinatal, como em redes sociais, permitem relacionamentos entre os participantes,
originando o aumento da confiança e da competência parental.28,29,36 Estes grupos transmitem segurança de
pessoas que vivem o mesmo processo de transição36 e são frequentemente criados através da tecnologia,
mostrando que o apoio social pode ir além do contacto presencial, desde que seja acessível e oportuno.27,30
O apoio familiar pode ser um elemento facilitador, mas também pode ser uma barreira, que condiciona a
confiança nos casais, quando se encontra sujeito a opiniões contraditórias e conflitos entre familiares e
profissionais31,37, podendo ser uma fonte de stress adicional para os pais.33 Esta barreira foi avaliada durante as
restrições Covid-19.28 Embora o apoio familiar possa ser um fator protetor do estado emocional dos pais e
consequentemente possa aumentar a confiança parental, a perda desse apoio e a obrigação de depender do
instinto pessoal para o cuidado ao recém-nascido, teve um efeito positivo no desenvolvimento desta
confiança.28 Ainda assim, o conhecimento experimental de membros da família pode favorecer o aumento de
confiança.34
A família pode ser capacitada, por forma a ser um fator facilitador para potenciar positivamente a transição, o
que constitui um importante meio de fortalecer a confiança.31 Assim, é importante a intervenção do EEESMO
nesta fase, ao constituir um mediador entre este apoio social, realizando educação para a saúde não só ao casal,
como à família alargada.31 A identificação precoce das figuras significativas do casal e a sua inclusão no processo
de transição para a parentalidade, pode promover a uniformização da informação transmitida e apoiar a tomada
de decisão baseada na evidência. A possibilidade de o casal recorrer a fontes menos fidedignas, tais como redes
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sociais, publicidades e informações contraditórias, deve ser gerida. Devem ser fornecidos ao casal fontes seguras
e apoio social seguro, desde o período pré-natal, mediando a confiança parental.37 Esta intervenção contribui
para a redução de conflitos, originados pelas crenças tradicionais favorecendo a criação de uma rede de apoio
mais consistente e segura. Neste sentido, o desenvolvimento de uma relação de confiança e de continuidade de
cuidados do EEESMO é importante, porque acompanha o casal durante o período pré-natal, e ao realizar a
continuidade de cuidados no pós-natal, prevê-se um aumento na qualidade de cuidados.30,32,35,36 Esta
continuidade de cuidados, frequentemente realizada através de programas perinatais, também proporciona ao
casal segurança num período de grande mudança 35,37, através de visitas domiciliárias, contacto regular37, maior
acesso a apoio psicossociais. Os pais verbalizam precisar de feedback sobre os cuidados que prestam.33 Estes
programas trazem benefícios na autoconfiança, na redução de stress, podendo ser um meio de ligação a outros
recursos comunitários externos, como apoio diferenciado na alimentação, na saúde mental e em outros aspetos
de recuperação da saúde física, psicológica e emocional.37 A criação de uma rede de contacto entre o casal e o
EEESMO, pode tornar-se num elemento mediador para o acompanhamento e esclarecimento de vidas.
Estas intervenções encontram-se alinhadas com o Padrão de Qualidade dos Cuidados Especializados em
Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica19 uma vez que se promove a adaptação à parentalidade, na
capacitação da família para a transição do papel parental e na otimização dos processos de saúde doença da
mulher inserida na comunidade.19
O contacto físico é um influenciador da confiança parental.28,39 Tendo em conta que ainda existem barreiras ao
cuidado pele-a-pele no período pós-parto, é importante compreendê-las, de forma a modificá-las. Num estudo
incluído 39, as participantes consideram que, ao serem submetidas a uma cesariana, o contacto pele-a-pele
fortalece a confiança nos primeiros momentos da parentalidade, atenuando os sentimentos de vergonha e culpa
de terem sido submetidas a uma cesariana.39 Estes sentimentos podem ser uma barreira ao desenvolvimento da
confiança.39 O contacto pele-a-pele altera os procedimentos rotineiros por quebrar o campo estéril. Estamos
perante um cuidado que necessita de modificações logísticas num sistema já sobrecarregado, disponibilidade de
recursos de enfermagem, e vontade de mudança com vista à melhoria/revisão de procedimentos e protocolos.39
No entanto, a literatura considera possíveis estas mudanças.39 É necessário reforçar a importância desta prática
junto das equipas, para que existam rácios adequados às boas práticas do desenvolvimento da confiança
parental. O contacto pele-a-pele é favorecido durante o alojamento conjunto. Este tipo de alojamento tem
grande vantagem no aumento da autoconfiança permitindo o reconhecimento das necessidades do bebé.40 O
cansaço pode ser uma barreira ao alojamento conjunto, tendo um EEESMO um papel preponderante na
assistência a estas mães.40
As características individuais de cada casal influenciam o desenvolvimento da confiança.41 Para respeitar a sua
individualidade, é necessária uma avaliação para adaptar os programas de preparação para a parentalidade.41
Existem estudos que identificam uma maior fragilidade para mulheres com idade inferior a 30 anos, primíparas
e mulheres com estudos elementares, em oposição a estudos que consideram que pais experientes são mais
confiantes, competentes e motivados no cuidado ao recém-nascido.37 O EEESMO deve ter em especial atenção
esta população mais frágil, desenvolvendo e implementando programas eficazes, que permitam uma preparação
do período pós-parto e uma transição positiva para a parentalidade. Também a organização dos serviços deve
ser repensada, melhorando a continuidade de cuidados pré e pós-natal, que tem vindo a ser estudada como
potenciadora do sucesso da transição.35 Isto leva a uma reorganização dos serviços, para que o EEESMO possa
acompanhar o casal em todo o processo, desde o pré-natal ao pós-parto.
A implementação de programas eficazes leva-nos às barreiras e facilitadores educacionais. Os estudos
evidenciam que maiores níveis de conhecimento e oportunidades de aprendizagem prática estão associados a
níveis superiores de confiança parental.38,41,32 Desta forma níveis reduzidos de conhecimento estão associados
a menor autoconfiança41 e a ausência de orientações educativas padronizadas, as lacunas nos conteúdos
transmitidos, a falta de tempo podem influenciar a qualidade da aprendizagem.42 As mães valorizam a educação
que recebem e reconhecem a sua importância na capacidade de cuidarem do seu bebé.42 A oportunidade de
acompanhamento dos cuidados sob vigilância de um EEESMO permite a consolidação da confiança.42 Assim,
reforça-se a importância do desenvolvimento de programas parentais por serem programas estruturados de
intervenção parental que interligam o apoio emocional, a aprendizagem e o fortalecimento da tríade, com
aumento significativo de níveis de confiança.38
Considera-se ter em conta o pai no contexto de cuidados, e não considerar apenas a mãe. O pai é importante
neste processo, verificando-se cada vez mais a vontade expressa do pai em querer participar ativamente, em
detrimento de ser um participante passivo.32,33 referência a que a licença parental deveria ser aumentada e
que o regime de licença partilhada não seja a ideal, pois pode obrigar as mães a prescindir de parte da sua licença,
e condicionar os cuidados ao recém-nascido.33 A exclusão do pai, resultante de um comportamento materno
descrito, impediu o envolvimento paterno no cuidado infantil pela crença de que o pai que não apresentava
competência, influenciando assim a confiança paterna.33 Também as crenças sociais, relacionadas com a
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masculinidade, levam ao impedimento dos pais de desenvolver as atividades pós-natais.32 Compreende-se que,
as normas de género tradicionais funcionam como barreira à autoconfiança, ao contrário de contextos que
promovem a inclusão do pais nos cuidados, favorecendo o desenvolvimento de confiança.32,33 A preparação
para a parentalidade é mais focada no papel materno33 e a possibilidade de participação nos programas de
preparação para a parentalidade, é afetada pela disponibilidade do pai, relacionada com a limitada possibilidade
de faltas na atividade laboral, para poderem acompanhar a grávida.44 Assim, a programação de cursos,
administrados pelo EEESMO, para o pai, nos quais pudessem partilhar dificuldades comuns com outros pais,
poderia constituir uma solução positiva no desenvolvimento da segurança e da confiança parental.32
Conclusão
A revisão scoping permitiu identificar as barreiras e os facilitadores que contribuem para o desenvolvimento da
confiança parental no cuidado ao recém-nascido. Considera-se importante a sua identificação, análise e
discussão, uma vez que a Organização Mundial de Saúde, define como critérios de avaliação para a alta, a
confiança dos pais para cuidar do recém-nascido.45 Os resultados evidenciam que a autoconfiança parental pode
ser influenciada por fatores tecnológicos, sociais, fisiológicos, educativos e profissionais/género, reforçando a
natureza multidimensional deste processo de transição para a parentalidade. Da amostra emergiram
maioritariamente barreiras maternas, existindo apenas dois artigos que individualizam o pai como participante
no processo de transição para a parentalidade. Desta forma, verifica-se uma lacuna de evidência científica sobre
a participação do pai neste processo, sendo interessante promover estudos sobre a autoconfiança paterna e as
intervenções mais adequadas para promover o seu desenvolvimento, pelo que esta poderá constituir uma área
de investigação futura.
Os resultados obtidos podem ajudar o EEESMO a desenvolver e implementar intervenções que permitam a
eliminação, ou a minimização de algumas barreiras, assim como potenciar os facilitadores. A intervenção para
o desenvolvimento da autoconfiança parental, não deve ser realizada somente num dos períodos da transição
para a parentalidade, mas deverá ser iniciada na fase pré-natal e prolongada no pós-parto com a chegada do
bebé. Esta premissa é uma necessidade, uma vez que os pais sentem que o período pós-parto é menos
valorizado, no qual se sentem pouco acompanhados. A continuidade de cuidados com o mesmo EEESMO,
no pré-natal e no pós-parto, pode ser um modelo interessante. Este modelo carece de análise e avaliação dos
serviços de saúde, no que concerne à sua aplicabilidade, devido a constrangimentos relacionados com a
disponibilidade de pessoal de saúde.
Na prática clínica, sugere-se a implementação de consultas de pós-parto, com a monitorização da avaliação da
autoconfiança parental e apoio contínuo, com enfoque na avaliação de necessidades educativas e emocionais
dos pais, incluindo oportunidades de aprendizagem prática. Realça-se a criação de programas digitais de apoio
complementar, ainda que se considere que o recurso à tecnologia não deve ser exclusivo, e sim um meio
complementar para promoção da comunicação e, consequentemente, do sucesso nas intervenções do
EEESMO neste período de grande mudança para o casal. Há uma necessidade de reestruturação dos programas
de preparação para a parentalidade para promover uma maior inclusão paterna, com constrangimentos devidos
à atividade profissional, através da criação de sessões exclusivas para os pais durante todo o período de transição
para a parentalidade.
Por fim, destaca-se a importância da formação contínua do EEESMO, dado que os resultados apontam para
necessidade de desenvolvimento de estratégias educativas, com o reforço dos conteúdos de promoção da
autoconfiança parental, de protocolos de uniformização e na capacitação nestas áreas, de forma a intervir de
forma individualizada, centrada na família e baseada na melhor evidência científica.
Limitações do estudo
Considera-se como fator limitador da revisão scoping a definição metodológica de um limite temporal de
publicação dos estudos, porque poderão ter sido excluídos estudos com informação relevante.
Autoria e Contribuições
RM: Conceção e desenho do estudo; Recolha, análise e interpretação dos dados; Redação do manuscrito;
Aprovação da versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade pelo mesmo.
SR: Conceção e desenho do estudo; Análise e interpretação dos dados; Revisão crítica do manuscrito;
Aprovação da versão final do manuscrito e assunção de responsabilidade pelo mesmo.
MHP: Conceção e desenho do estudo; Análise e interpretação dos dados; Revisão crítica do manuscrito;
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Conflitos de interesse e Financiamento
Nenhum conflito de interesse foi declarado pelas autoras.
Fontes de apoio / Financiamento
O estudo não foi objeto de financiamento.
Declaração sobre disponibilização dados
Compartilhamento de dados não aplicável.
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