Artigo Original Qualitativo
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Pensar Enfermagem / v.30 n.01 / Jan-Dez 2026 / DOI: 10.71861/pensarenf.v30i1.496 / e00496
Na análise das estratégias sugeridas pelos enfermeiros para promover o URSM, emergiram propostas
alinhadas com uma visão organizacional orientada para a qualidade e segurança dos cuidados. As estratégias
identificadas concentram-se sobretudo na valorização da formação contínua, na melhoria dos processos
logísticos, e na realização de auditorias internas como instrumento de monitorização e melhoria contínua, na
normalização das práticas através de protocolos e procedimentos institucionais e na implementação de
momentos sistemáticos de feedback coletivo.
A formação contínua é referida como um pilar estratégico para o reforço das competências dos enfermeiros.
Esta estratégia encontra-se em conformidade com o conteúdo funcional do enfermeiro gestor11, que prevê a
sua responsabilidade na valorização das competências da equipa e na promoção de processos formativos
alinhados com as orientações institucionais. O enfermeiro gestor deve assumir um papel ativo na criação de
condições que favoreçam a aprendizagem ao longo da vida, dinamizando ações de formação que promovam
o desenvolvimento de competências clínicas e a incorporação da investigação na prática assistencial, visando a
melhoria contínua da qualidade dos cuidados.
A logística, enquanto componente operacional crítica, é considerada uma área estratégica para assegurar a
continuidade e segurança dos cuidados. A gestão adequada dos stocks de medicamentos, o controlo das
condições de armazenamento e a organização eficiente dos recursos são responsabilidades do enfermeiro
gestor, em articulação com os enfermeiros com funções de gestão da terapêutica. O conteúdo funcional do
enfermeiro gestor estabelece que este deve definir as necessidades de recursos materiais considerando
critérios de custo, eficácia e segurança. Relativamente a medicamentos de alto risco, como os LASA e MAM,
cabe ao gestor garantir a atualização das listas institucionais, o controlo das validades após abertura e a
rastreabilidade dos medicamentos, promovendo práticas baseadas na melhor evidência disponível. O
International Council of Nurses (ICN)12 destaca que a otimização de recursos pode aumentar a produtividade
e reduzir o desperdício de materiais e medicamentos fora de validade. Reforça ainda que o tempo que um
enfermeiro gasta à procura de materiais ou a gerir falhas de stock é um tempo de valor não acrescentado. O
estudo de Abdollahi e Bagherzadi13 sublinha que a eficiência logística é indissociável da qualidade da
assistência, sendo que ruturas de stock atuam como precursores da omissão de cuidados. Este cenário obriga
o enfermeiro a uma gestão de crise imediata, desviando o foco da vigilância clínica para a resolução de
problemas operacionais. Segundo o ICN12tais falhas não só comprometem a segurança, como elevam o stress
ético e o risco de burnout ao impedir que os profissionais atuem no seu pleno âmbito de competência.
A realização de auditorias internas é valorizada como uma estratégia de monitorização da qualidade e da
conformidade das práticas, permitindo identificar fragilidades, propor melhorias e validar os resultados das
intervenções implementadas. As auditorias funcionam como instrumento pedagógico e de apoio à prática,
promovendo autorreflexão e alinhamento com os padrões de qualidade. O Regulamento do Exercício
Profissional em Enfermagem6 atribui ao enfermeiro gestor a responsabilidade de garantir a implementação da
melhoria contínua da qualidade dos cuidados, assegurando uma prática profissional sustentada na evidência, e
reforçada pelo Decreto-Lei n.º 71/201911, que estipula a necessidade de auditorias internas sistemáticas para
aprimoramento dos cuidados prestados. O estudo de Bernardino e Bernardino14 revela que a auditoria clínica
constitui um instrumento fundamental da governação clínica e quando implementada de forma sistemática,
atua como um motor para a efetividade e gestão do risco, promovendo o desenvolvimento profissional e a
transparência institucional. Segundo o ICN12 este rigor na monitorização de resultados é essencial para
assegurar padrões de excelência e garantir a melhoria contínua da qualidade nos serviços de saúde.
A normalização das práticas clínicas, através de protocolos e procedimentos claros, é considerada essencial
para a promoção da segurança e para a redução da variabilidade indesejada na prestação de cuidados. De
acordo com a Ordem dos Enfermeiros6 estes instrumentos devem estar atualizados, acessíveis a toda a equipa
e alinhados com a evidência científica, sendo responsabilidade do enfermeiro gestor propor e manter a
documentação institucional que sustenta a prática assistencial. A existência de normas bem definidas é um
catalisador para a excelência clínica, pois contribui diretamente para a padronização das intervenções, garante
a previsibilidade dos processos e promove o aumento da confiança entre os profissionais. O relatório do
ICN12 corrobora esta teoria referindo que a normalização das práticas clínicas transcende a função de mera
ferramenta administrativa, posicionando-se como um pilar estratégico vital para a segurança do doente.
A partilha de experiências, através do feedback coletivo, constitui uma estratégia promotora da comunicação
eficaz, da reflexão sobre a prática e da identificação de oportunidades de melhoria. O estudo de Santos,
Ferreira e Melo7 reforça esta ideia, concluindo que o enfermeiro gestor assume um papel central neste
processo, facilitando a circulação de informação relevante, promovendo espaços de debate que permitam
discutir dificuldades, novas evidências e práticas inovadoras. Esta abordagem favorece a coesão da equipa, o
sentido de pertença e a corresponsabilização dos profissionais na construção de uma cultura de segurança.