Vol. 14 N.º 1 (2010): Revista Científica Pensar Enfermagem
Artigos originais

O regresso à vida quotidiana após a experiência de uma situação-limite*

Teresa Rebelo
ESEL - Departamento de Educação em Enfermagem; Investigadora da ui&de
Maria Antónia Rebelo Botelho
ESEL - Departamento de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica; Coordenadora da ui&de

Publicado 04-07-2010

Palavras-chave

  • situação-limite,
  • transição,
  • adulto,
  • experiência-vivida

Como Citar

Rebelo, T. ., & Rebelo Botelho, M. A. . (2010). O regresso à vida quotidiana após a experiência de uma situação-limite*. Pensar Enfermagem - Revista Científica | Journal of Nursing, 14(1), 58–66. Obtido de https://pensarenfermagem.esel.pt/index.php/esel/article/view/38

Resumo

Trata-se de um estudo para compreender os processos de cuidar de si, nas dinâmicas de transição, fundadores do regresso à vida quotidiana nos adultos confrontados com uma situação-limite (Jaspers,1955). A experiência da ameaça de si próprio e da possibilidade da finitude são processos presentes na resposta humana face à disrupção de uma doença grave vivida como situação-limite.

Funda-se na concepção existencial da saúde, no quadro do cuidar enquanto dimensão vital do agir humano, nomeadamente quando o desafio é salvaguardar e mobilizar tudo o que faz viver e tornar possível a existência. Evidenciar os processos experienciais envolvidos é objectivo central deste estudo.

A situação-limite sendo uma experiencia singular, vale pelo seu dentro e não pelos factos nem pelas determinações objectivas, pelo que só se podem elucidar pela perspectiva do dentro. Deste modo, a compreensão da experiência vivida pelos indivíduos que transitam da vivencia de situação –limite para a sua vida quotidiana, aconselha uma abordagem biográfica o que implica a narrativa do sujeito num contexto de interacção.

Foram produzidas narrativas de 8 adultos que, após experienciarem situações-limite decorrentes de um acontecimento de doença grave manifestada de modo súbito, estavam já a desempenhar os seus papéis habituais.

As narrativas foram produzidas segundo o modelo da entrevista de explicitação (Vermersch, 1989), centrada, variando o número de encontros entre 3 e 5, iniciando-se desde logo o trabalho de análise e interpretação.

Este trabalho obedece a um conjunto de procedimentos que vai da leitura do corpus à elaboração de sumário de temas emergentes articulados com os objectivos. Apesar de termos já alguns dados em torno do vivido do acontecimento – o instante-abertura para o tempo anterior e o tempo futuro – nomeadamente marcos, significados e sentidos atribuídos, os que se referem à trajectória da transição ainda não estão “descobertos” (é a etapa em que estamos presentemente). 

 

* Artigo baseado na comunicação apresentada no “Encontro de Doutorandos em Enfermagem da Universidade de Lisboa: Encontro intercalar 2010.

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