Vol. 16 N.º 1 (2012): Revista Científica Pensar Enfermagem
Artigos originais

Vivências dos enfermeiros ao cuidar do doente crítico durante o transporte marítimo

Lisete Maria Medeiros Rodrigues
Unidade de Saúde de Ilha do Pico - Centro de Saúde da Madalena
José Carlos Amado Martins
Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

Publicado 30-06-2012

Palavras-chave

  • transporte,
  • doente crítico,
  • enfermeiro,
  • responsabilidade

Como Citar

Medeiros Rodrigues, L. M., & Amado Martins, J. C. (2012). Vivências dos enfermeiros ao cuidar do doente crítico durante o transporte marítimo. Pensar Enfermagem - Revista Científica | Journal of Nursing, 16(1), 26–41. Obtido de https://pensarenfermagem.esel.pt/index.php/esel/article/view/61

Resumo

A necessidade de cuidados diferenciados e realização de exames complementares de diagnóstico obriga a que, entre as ilhas do Pico e Faial, se proceda ao transporte inter-hospitalar do doente em estado crítico, por via marítima. Deste modo, o presente estudo pretende analisar as vivências dos enfermeiros, da Unidade de Saúde da Ilha do Pico, ao cuidar do doente crítico, durante o transporte marítimo.

É um estudo de natureza qualitativa e abordagem fenomenológica. A informação foi colhida nos meses de Fevereiro e Março de 2010, através de entrevista semi-estruturada, tendo sido seleccionados de forma intencional oito enfermeiros, procurando a saturação da informação. A análise decorreu de acordo com as etapas de interpretação metodológica de Colaizzi.

Dos achados emerge um tema central, a Categoria da Responsabilidade Profissional, nas suas dimensões técnica, humana e ética. Outra categoria é a Emocional, da qual constam emoções agradáveis e, predominantemente, emoções desagradáveis.

Os elementos facilitadores ou geradores de dificuldades no transporte originam a Categoria dos Factores Mediadores. Após a efectivação do transporte surge a reflexão sobre a acção, a aprendizagem e a busca de mais formação, que integramos na Categoria de Retroacção, pois potencia mudanças e influencia futuras vivências do fenómeno.

Com este estudo concluímos que os sentimentos desagradáveis ocorrem durante o planeamento e efectivação da transferência e os sentimentos agradáveis emergem após a entrega do doente na instituição de destino, relacionados com um terminar da responsabilidade pelo doente e com o facto da transferência decorrer sem incidentes.

O estudo foca a importância dada a um adequado planeamento do transporte, a experiência prévia, a formação e o acompanhamento por outro profissional como aspectos facilitadores da prestação de cuidados ao doente crítico.

Denotamos ainda que as vivências dos enfermeiros ao cuidar do doente crítico levam à reflexão sobre acção e sobre as práticas, bem como a constante actualização científica, o que propicia aprendizagem pela experiência e a posterior segurança e melhoria da qualidade dos cuidados prestados.

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