Vol. 16 N.º 2 (2012): Revista Científica Pensar Enfermagem
Artigos de revisão

Experiência vivida dos sobreviventes de cancro do cólon e reto após tratamento com intenção curativa: revisão sistemática da literatura

Nuno Pereira
Instituto Português de Oncologia de Lisboa
Maria Antónia Rebelo Botelho
Escola Superior de Enfermagem de Lisboa

Publicado 30-12-2012

Palavras-chave

  • Cancro do cólon e reto,
  • experiência vivida,
  • Incerteza,
  • sobreviventes de cancro

Como Citar

Pereira, N., & Rebelo Botelho, M. A. (2012). Experiência vivida dos sobreviventes de cancro do cólon e reto após tratamento com intenção curativa: revisão sistemática da literatura. Pensar Enfermagem - Revista Científica | Journal of Nursing, 16(2), 31–50. Obtido de https://pensarenfermagem.esel.pt/index.php/esel/article/view/70

Resumo

O cancro do cólon e reto (CCR) é atualmente a principal causa de morte por cancro em Portugal, sendo também um dos cancros com maior incidência e prevalência a nível europeu e mundial. Com o desenvolvimento de novos meios de diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes, o cancro passou a ser considerada uma doença crónica. Face a tais conquistas, o número de sobreviventes de CCR tem vindo gradualmente a aumentar e será exponencial no futuro. Por tal, tornando-se importante conhecer aprofundadamente a experiência vivida dos sobreviventes de CCR após término do tratamento com intenção curativa, para identificar novas áreas de atuação de modo a desenvolver novas intervenções de enfermagem, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos sobreviventes de CCR e para a continuidade de cuidados durante o período de seguimento após o tratamento.

Objetivo: Com a realização desta revisão sistemática da literatura pretendeu-se sintetizar o conhecimento atual existente sobre a experiência vivida da pessoa sobrevivente de CCR após tratamento com intenção curativa.

Metodologia: A pesquisa foi orientada pela pergunta: “Qual a estrutura da experiência vivida do sobrevivente de CCR após o tratamento com intenção curativa?” e foi realizada em bases de dados eletrónicas durante a primeira quinzena do mês de junho de 2012, tendo sido selecionados sete estudos primários, que foram incluídos nesta revisão sistemática após avaliação da sua qualidade metodológica e critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Dado às características dos estudos primários obtidos optou-se por realizar um metassumário de acordo com o método de Sandelowski & Barroso (2007). A formulação da questão central, a extração, edição, tradução, agrupamento e abstração dos achados seguiu a orientação metodológica do Joanna Briggs Institute.

Resultados: Foram obtidos 49 achados agrupados em 14 categorias principais. Em síntese a experiência vivida dos sobreviventes de CCR após o tratamento com intenção curativa revela uma dimensão nuclear, a incerteza, ao redor da qual tudo se desenrola.

Conclusões: Esta revisão sistemática permitiu responder à pergunta inicial, mas apenas durante o primeiro ano após o tratamento, ficando uma lacuna a ser investigada futuramente, a experiencia vivida a longo prazo. No entanto, pode-se inferir que neste primeiro ano a recuperação da pessoa após tratamento por CCR, desenrola-se por um processo faseado, que pode ser sintetizado em três etapas, desincorporação, reincorporação e gestão do corpo. O objetivo principal do sobrevivente de CCR é o bem-estar e o equilíbrio, no entanto uma característica que persiste é a incerteza, devido ao medo de recidiva e à insegurança sobre si próprio, seu corpo e sobre o futuro, permanecendo, por vezes, num estado de alerta constante, de forma a identificar qualquer sinal indicativo de tal recidiva.

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