Depois do transplante de coração, o regresso a casa: o corpo no centro dos primeiros insights da experiência vivida
Publicado 11-06-2025
Palavras-chave
- Transplante de coração,
- Experiência vivida,
- Regresso a casa,
- Fenomenologia,
- Autocuidado
Como Citar
Direitos de Autor (c) 2024 António José Ferreira, Joaquim Oliveira Lopes

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Resumo
Introdução
A realização de um transplante de coração afeta positivamente a qualidade de vida e o estado funcional da pessoa transplantada, no entanto, existem vários desafios com os quais se vai deparar no regresso à vida quotidiana.1
Assim, o regresso a casa da pessoa transplantada ao coração é mediado com alguma ansiedade, mas também na expectativa de que os principais desafios da recuperação serão ultrapassados. Mas, como é que a pessoa de volta à sua vida quotidiana integra o coração transplantado no novo esquema corporal?
Objetivo
Descrever os primeiros insights a partir do organizador existencial, “o corpo vivido”, no regresso a casa da pessoa após transplante de coração.
Métodos
Os resultados preliminares apresentados fazem parte de uma investigação fenomenológica e hermenêutica suportada por uma metodologia proposta por van Manen.2
Foram realizadas nove entrevistas a transplantados ao coração que regressaram a casa há mais de três meses, com idades compreendidas entre os 38 e os 62 anos. As entrevistas com duração média de 70 minutos, foram gravadas em ficheiros áudio e transcritas em verbatim.
A análise dos achados é inspirada numa linha fenomenológica interpretativa a partir de uma reflexão macro e microtemática, realizada em vários momentos de análise, no sentido de extrair os significados do texto.2 Obtido parecer favorável da comissão de ética.
Resultados
O regresso a casa é marcado pelas limitações físicas que condicionam o autocuidado: deambular, levantar-se, subir escadas, tomar banho, usar o sanitário, são as dificuldades mais referidas.
Preocupação com as infeções e com a rejeição fazem muitas vezes emergir o receio de voltar a ser internado, sendo que, a rejeição pode ser vista como um combate permanente entre os órgãos nativos e o “órgão estranho”.
Novos hábitos de vida que a pessoa se vê na obrigação de adotar, como por exemplo, a escolha entre fazer uma alimentação mais saudável, fazer exercício físico regular, restringir a frequência de locais e o convívio com outras pessoas, são a causa de conflitos psíquicos internos.
Conclusão
As dificuldades físicas, a evolução na capacidade de autocuidado e as estratégias utilizadas são referências comuns nesta análise inicial. No entanto, também emergem os conflitos emocionais e a necessidade, muitas vezes descurada, mas manifestada pelo próprio, por uma maior atenção da sua dimensão psíquica.