Vol. 30 N.º 1 (2026): Revista Científica Pensar Enfermagem
Artigos originais

Caracterização das quedas notificadas num hospital de grande dimensão do sul do Brasil: estudo observacional

Julia Ruth Toledo da Silva
Mestrado. Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Adriana Aparecida Paz
Doutoramento. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Ana Amélia Antunes Lima
Doutoramento. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Maria do Céu Mendes Pinto Marques
Doutoramento. Escola Superior de Enfermagem de São João de Deus, Universidade de Évora, Évora, Portugal
Carolina Caruccio Montanari
Doutoramento. Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Sidiclei Machado Carvalho
Mestrado. Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Elisandra Leites Pinheiro
Mestrado. Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Publicado 27-07-2026

Palavras-chave

  • Acidentes por Quedas; Prevenção de Acidentes; Educação do Doente; Fatores de Risco; Enfermagem

Como Citar

da Silva, J. R. T., Paz, A. A., Amélia Antunes Lima, A. ., Mendes Pinto Marques, M. do C. ., Caruccio Montanari, C. ., Machado Carvalho, S., & Leites Pinheiro, E. . (2026). Caracterização das quedas notificadas num hospital de grande dimensão do sul do Brasil: estudo observacional. Pensar Enfermagem, 30(1). https://doi.org/10.71861/pensarenf.v30i1.448

Resumo

Introdução

As quedas hospitalares são eventos adversos recorrentes que afectam directamente a segurança do doente, representando um desafio significativo para as instituições de saúde. Embora amplamente documentadas no que diz respeito aos doentes, as quedas que envolvem membros da comunidade hospitalar, como familiares, acompanhantes e trabalhadores, continuam a merecer atenção limitada na literatura.

 

Objetivo

Caracterizar as quedas notificadas num hospital de grande dimensão do sul do Brasil.

 

Métodos

Estudo transversal, descritivo e retrospectivo, de abordagem quantitativa. Os dados foram extraídos das notificações de quedas registadas, em 2022, no sistema de notificações da instituição. A amostra incluiu registos completos de quedas envolvendo doentes e membros da comunidade. Os dados foram analisados mediante estatísticas descritivas.

 

Resultados

Das 294 notificações analisadas, 249 (84,7%) referiam-se a doentes e 45 (15,3%) membros da comunidade. Entre os doentes, 66% das quedas ocorreram em indivíduos idosos com 60 anos ou mais, com predomínio de factores intrínsecos, como desequilíbrio 28,5% e perda de força 20,1%. Na comunidade, composta maioritariamente por adultos de meia-idade, embora os factores intrínsecos se mantivessem ligeiramente mais frequentes, registou-se elevada proporção de quedas associadas a factores extrínsecos 47%, sobretudo tropeções e escorregadelas. Mais de metade dos eventos ocorreram no quarto ou na casa de banho, cerca de 24% resultaram em lesões, e 39% foram presenciados por acompanhantes, familiares ou profissionais de saúde, o que poder ter contribuído para mitigar o impacto do evento.

 

 

 

Conclusão

A maioria das quedas ocorreu entre doentes idosos (≥60 anos), associadas sobretudo a fatores intrínsecos, enquanto, na comunidade composta por adultos de meia-idade, se observou uma elevada proporção de quedas por fatores extrínsecos. Estes resultados reforçam a importância da implementação de estratégias de prevenção que incluam intervenções ambientais e ações educativas dirigidas não apenas aos doentes, mas também aos acompanhantes e familiares presentes no ambiente hospitalar.

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