Co-design em intervenções de prescrição social para idosos: contributos de uma revisão sistemática
Publicado 08-04-2026
Palavras-chave
- Prescrição social; Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade; Idoso; Revisão Sistemática; Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Como Citar
Direitos de Autor (c) 2026 Susana Sul, Adriana Henriques, Paulo Santos Costa, Andreia Costa

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Resumo
Introdução
O co-design tem-se afirmado como uma abordagem estratégica essencial na conceção de intervenções em saúde centradas na pessoa. No contexto da prescrição social (PS), o envolvimento ativo dos utentes e de atores comunitários locais revela-se fundamental para reforçar a pertinência, a aceitabilidade e a sustentabilidade das intervenções. Todavia, a sua aplicação prática em intervenções de PS continua a ser limitada e pouco explorada na literatura científica.
Objetivo
Analisar a extensão e as características das práticas de co-design em intervenções de PS dirigidas a adultos de meia-idade e pessoas idosas, com base em dados secundários extraídos de uma revisão sistemática.
Métodos
A presente revisão foi conduzida de acordo com as diretrizes metodológicas do PRISMA. A questão de investigação foi: “As intervenções de prescrição social são eficazes na promoção da qualidade de vida em adultos com 55 ou mais anos?”. Foram pesquisadas sete bases de dados e repositórios, utilizando vocabulário controlado (e.g., MeSH) e termos livres relacionados com prescrição social, qualidade de vida, autoeficácia, apoio social e populações de meia-idade ou idosas. Os termos foram combinados com operadores booleanos (AND, OR). Aplicaram-se filtros de idioma (inglês e português) e delimitou-se o período entre janeiro de 2016 e dezembro de 2024. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (RCTs), estudos quase-experimentais e observacionais, bem como literatura cinzenta, de modo a reduzir o viés de publicação. Os critérios de inclusão abrangeram estudos com participantes ≥55 anos, que avaliassem intervenções de prescrição social e reportassem pelo menos um dos seguintes desfechos: qualidade de vida, autoeficácia ou apoio social. Excluíram-se estudos sem dados empíricos originais, que não cumprissem os critérios etários ou que não avaliassem os desfechos de interesse.
Para além dos desfechos principais, foram extraídas informações sobre os atores envolvidos nas estratégias de co-design, procedendo-se posteriormente a uma síntese narrativa dos dados.
Resultados
Dos sete estudos incluídos que reportaram a implementação de intervenções, verificou-se uma variabilidade considerável quanto ao grau de integração do co-design. Cinco estudos referiram explicitamente a utilização de elementos desta abordagem. Em quatro deles, os utentes participaram nos processos de conceção, sobretudo através de entrevistas ou do fornecimento de feedback sobre protótipos. Profissionais de saúde e organizações comunitárias estiveram envolvidos em vários casos, ainda que, frequentemente, em funções de apoio. Apenas um estudo mencionou o envolvimento de atores ao nível da formulação de políticas públicas, e dois estudos não reportaram qualquer participação de atores relevantes. Observou-se, de forma geral, uma grande heterogeneidade na conceptualização e operacionalização do co-design, variando entre consultas pontuais e processos participativos estruturados.
Conclusão
Apesar do crescente reconhecimento do co-design no plano teórico, a sua integração efetiva na prática da prescrição social permanece inconsistente. Muitas intervenções carecem de mecanismos sólidos para envolver, de forma significativa, os utentes e os atores locais nas fases iniciais de desenvolvimento. O reforço das metodologias participativas e a promoção da colaboração intersectorial podem contribuir para uma maior adequação das intervenções às necessidades das comunidades, aumentando a sua eficácia e sustentabilidade. Estes resultados evidenciam a relevância do co-design na prossecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente o ODS 3 (Saúde de Qualidade), o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e o ODS 17 (Parcerias para a Implementação dos Objetivos), ao promover abordagens inclusivas, baseadas na comunidade e intersectoriais na inovação em enfermagem.