A pesca artesanal na comunidade pesqueira do litoral do Paraná no Brasil: um estudo etnográfico
Publicado 08-04-2026
Palavras-chave
- Saúde do trabalhador; Pesca; Recursos Pesqueiros; Etnografia
Como Citar
Direitos de Autor (c) 2026 Claudiomária Ramos Pires Fonsêca, Fernanda Moura D’Almeida Miranda, Tereza Maria Mendes Diniz de Andrade Barroso, Maria de Fátima Mantovani, Sara Ingrid de Rezende Ferreira, Fernanda Bez Birolo, Isabelle Costa Ferreira

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Resumo
Introdução
A pesca artesanal é essencial para a subsistência e a cultura de muitas comunidades tradicionais no Brasil e no mundo.1,2 Presente em ambientes como mares, rios, lagos e manguezais, estima-se que um em cada 200 brasileiros seja pescador artesanal, o que evidencia sua importância no país.3
Objetivo
Analisar os comportamentos, interações e práticas culturais no trabalho da pesca artesanal, e sua relação com o processo saúde-doença dos pescadores em uma ilha do Paraná.
Métodos
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de abordagem etnográfica, realizada na Ilha de Superagui, no município de Guaraqueçaba-PR. Baseia-se no método etnográfico de Bronislaw Malinowski, com uso da observação participante. A população será composta por pescadores residentes, homens e mulheres com 18 anos ou mais. A coleta de dados inclui observação participante, entrevistas etnográficas, questionários semiestruturados e registros como diário de campo, fotografias e áudios. A análise seguirá as etapas da etnografia: preparação, imersão, observação, documentação e interpretação. O estudo iniciou-se em 2024, com término previsto para 2027. A análise será apoiada pelos softwares Word, Excel® 2016 e Iramuteq.
Resultados
Nas visitas realizadas em fevereiro e outubro de 2024, observou-se que a principal atividade econômica local é a pesca de camarão. A unidade de saúde conta com médico e odontólogo apenas uma vez por semana, dificultando o acesso contínuo à saúde. Para atendimentos emergenciais, os moradores precisam se deslocar por via marítima até Guaraqueçaba (cerca de 30 a 35 km, com duração de 50 minutos a 1h30) ou Paranaguá (aproximadamente de 35 a 46 km, com tempo viagem entre 50 minutos a 2h05), o tempo de viagem é variável conforme o tipo de embarcação e as condições do mar, que enfrentam dificuldades de transporte, como a ausência de ambulanchas.
Conclusão
O estudo parcial evidenciou vulnerabilidades no acesso à saúde de pescadores artesanais, sugerindo a ampliação da atenção básica, formação profissional sensível à cultura local e políticas públicas intersetoriais específicas em conjunto com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), especialmente o ODS 3 da saúde e bem-estar, de qualidade e do ODS 8 trabalho digno e crescimento econômico.