Perfil das pessoas pós-AVC assistidas num Centro de Reabilitação em Huambo-Angola: Um estudo observacional transversal
Publicado 08-04-2026
Palavras-chave
- Acidente Vascular Cerebral; Autocuidado; Cuidadores; Cognição; Funcionalidade; Reabilitação
Como Citar
Direitos de Autor (c) 2026 Victor Nungulo, Mauer Gonçalves, Ana Rita Pedrosa, Rubén García-Fernández, Maria Adriana Henriques, Cristina Baixinho

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Resumo
Introdução
O crescente aumento da prevalência mundial das doenças cerebrovasculares, fortemente associado aos estilos de vida, é preocupante e reflete-se de forma significativa na qualidade de vida dos doentes. Apesar dos avanços terapêuticos, mantém-se uma elevada probabilidade de persistência de sequelas que afetam o autocuidado, a funcionalidade e, consequentemente, a qualidade de vida. Em Angola, são ainda escassos os estudos sobre a capacidade funcional e cognitiva de pessoas em processo de reabilitação após um acidente vascular cerebral.
Objetivo
Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil clínico, funcional e sociodemográfico de pessoas em reabilitação pós-AVC.
Métodos
Estudo observacional transversal com 230 adultos residentes na comunidade e em processo de reabilitação num centro de reabilitação especializado. Os dados foram recolhidos entre maio e dezembro de 2024. Os instrumentos aplicados foram o Índice de Barthel, a Escala de Equilíbrio de Berg, a escala de atividades instrumentais de vida diária e o Six-item Cognitive Impairment Test. Foram efetuados testes de associação (X2/ANOVA ou t), com α=0,05.
Resultados
A idade média dos participantes foi 56,35±12,77 anos; 54,8 % homens. Entre cuidadores: 57,8 % mulheres; 46,1 % com ≥39 anos; 43,5 % filhos. Os participantes com melhor funcionalidade (Barthel) e equilíbrio (Berg) frequentaram mais sessões de reabilitação. As pessoas com mais idades são mais dependentes, tem maior risco de queda e de alterações cognitivas.
Conclusão
A amostra evidencia elevada carga de dependência funcional e necessidade de reabilitação, com forte participação de cuidadores familiares. Os achados apoiam estratégias de enfermagem orientadas ao autocuidado e educação do cuidador, devendo estudos prospetivos explorar determinantes e efeitos de intensidade de reabilitação.