Vol. 30 N.º Sup (2026): Edição Especial da Revista Científica Pensar Enfermagem
Resumos

Conhecimento, autocuidado e risco de fratura de fragilidade: estudo exploratório para o desenvolvimento de uma intervenção complexa de enfermagem

Tiago Silva
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR). Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal; Doutorando na Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal
Sandra Garcêz
Unidade Local de Saúde de Santa Maria. Lisboa. Portugal
Alexandre Matos
Instituto Português do Sangue e da Transplantação. Lisbon. Portugal; Mestrando na Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal
Tiago Nascimento
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR). Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal; Professor Adjunto na Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal
Cristina Baixinho
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR). Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal; Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal
Ricardo J. O. Ferreira
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR). Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal; Departamento de Reumatologia, Unidade Local de Saúde de Coimbra. Coimbra, Portugal; Laboratório Associado TERRA, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal; Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal
Andreia Costa
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR). Escola Superior de Enfermagem, Universidade de Lisboa. Lisboa. Portugal; Laboratório Associado TERRA, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal; Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB), Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal

Publicado 08-04-2026

Palavras-chave

  • Fratura Osteoporótica; FRAX; Autocuidado; Conhecimento; Intervenção Complexa

Como Citar

Silva, T., Garcêz, S., Matos, A., Nascimento, T., Baixinho, C., Ferreira, R. J. O., & Costa, A. (2026). Conhecimento, autocuidado e risco de fratura de fragilidade: estudo exploratório para o desenvolvimento de uma intervenção complexa de enfermagem. Pensar Enfermagem, 30(Sup). https://doi.org/10.71861/pensarenf.v30iSup.505

Resumo

Introdução

As fraturas de fragilidade (FF) constituem um problema crescente de saúde pública, com 70.700 casos registados em Portugal em 2019.¹ Estas estão associadas a uma taxa de mortalidade de 25% ao fim de um ano² e a um elevado impacto económico. A gestão deste risco envolve múltiplos componentes em interação, nos quais o conhecimento e a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado são essenciais.³

Objetivo

Explorar a associação entre o risco de FF, o conhecimento relacionado com a osteoporose e a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado, bem como diferenças em função do género e do grupo etário.

Métodos

Estudo transversal, cuja amostra por conveniência é constituída por indivíduos com idades entre 50 e 74 anos, utentes numa Unidade de Saúde Familiar, Unidade de Saúde Pública e dadores num Centro de Colheitas de Sangue em Lisboa, com domínio da língua portuguesa e sem défices cognitivos. A recolha de dados (agosto–novembro de 2025) incluiu variáveis sociodemográficas e medidas relacionadas com: risco de fratura a 10 anos estimado pelo FRAX (fratura osteoporótica major: alto risco ≥11%, risco intermédio >7 a <11%, baixo risco ≤7%; fratura extremidade proximal do fémur: alto risco ≥3%, risco intermédio >2 a <3%, baixo risco ≤2%); Osteoporosis Knowledge Assessment Tool (OKAT; pontuação entre 0 e 20); e Exercise of Self-Care Agency Scale (ESCA; pontuação entre 0 e 116). As comparações estatísticas foram realizadas através do teste t de Student ou ANOVA. O estudo foi aprovado por um Comité de Ética (CAML84/25).

Resultados

A amostra incluiu 141 indivíduos (55,3% mulheres; idade média 61.8±7.2 anos; 50.0% com ensino superior). Sete mulheres relataram história de FF. 24.3% das mulheres e 11.3% dos homens apresentavam risco moderado a elevado de FF a 10 anos. As mulheres apresentaram uma pontuação média significativamente superior no OKAT (8.9±3.4 vs 7.1±3.2; p=0.002). Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre a capacidade para realizar atividades de autocuidado e o género, faixa etária, conhecimento ou risco de FF.

Conclusão

Uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens apresentava risco moderado a elevado de FF, sendo que aproximadamente 60% demonstrava um conhecimento limitado sobre osteoporose. Estes achados evidenciam a necessidade de desenvolver uma intervenção complexa destinada à prevenção de FF, através do rastreio sistemático e da promoção do autocuidado.

Downloads

Não há dados estatísticos.