Conhecimento, autocuidado e risco de fratura de fragilidade: estudo exploratório para o desenvolvimento de uma intervenção complexa de enfermagem
Publicado 08-04-2026
Palavras-chave
- Fratura Osteoporótica; FRAX; Autocuidado; Conhecimento; Intervenção Complexa
Como Citar
Direitos de Autor (c) 2026 Tiago Silva, Sandra Garcêz, Alexandre Matos, Tiago Nascimento, Cristina Baixinho, Ricardo J. O. Ferreira, Andreia Costa

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Resumo
Introdução
As fraturas de fragilidade (FF) constituem um problema crescente de saúde pública, com 70.700 casos registados em Portugal em 2019.¹ Estas estão associadas a uma taxa de mortalidade de 25% ao fim de um ano² e a um elevado impacto económico. A gestão deste risco envolve múltiplos componentes em interação, nos quais o conhecimento e a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado são essenciais.³
Objetivo
Explorar a associação entre o risco de FF, o conhecimento relacionado com a osteoporose e a capacidade para desempenhar atividades de autocuidado, bem como diferenças em função do género e do grupo etário.
Métodos
Estudo transversal, cuja amostra por conveniência é constituída por indivíduos com idades entre 50 e 74 anos, utentes numa Unidade de Saúde Familiar, Unidade de Saúde Pública e dadores num Centro de Colheitas de Sangue em Lisboa, com domínio da língua portuguesa e sem défices cognitivos. A recolha de dados (agosto–novembro de 2025) incluiu variáveis sociodemográficas e medidas relacionadas com: risco de fratura a 10 anos estimado pelo FRAX (fratura osteoporótica major: alto risco ≥11%, risco intermédio >7 a <11%, baixo risco ≤7%; fratura extremidade proximal do fémur: alto risco ≥3%, risco intermédio >2 a <3%, baixo risco ≤2%); Osteoporosis Knowledge Assessment Tool (OKAT; pontuação entre 0 e 20); e Exercise of Self-Care Agency Scale (ESCA; pontuação entre 0 e 116). As comparações estatísticas foram realizadas através do teste t de Student ou ANOVA. O estudo foi aprovado por um Comité de Ética (CAML84/25).
Resultados
A amostra incluiu 141 indivíduos (55,3% mulheres; idade média 61.8±7.2 anos; 50.0% com ensino superior). Sete mulheres relataram história de FF. 24.3% das mulheres e 11.3% dos homens apresentavam risco moderado a elevado de FF a 10 anos. As mulheres apresentaram uma pontuação média significativamente superior no OKAT (8.9±3.4 vs 7.1±3.2; p=0.002). Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre a capacidade para realizar atividades de autocuidado e o género, faixa etária, conhecimento ou risco de FF.
Conclusão
Uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens apresentava risco moderado a elevado de FF, sendo que aproximadamente 60% demonstrava um conhecimento limitado sobre osteoporose. Estes achados evidenciam a necessidade de desenvolver uma intervenção complexa destinada à prevenção de FF, através do rastreio sistemático e da promoção do autocuidado.