Entre a Credibilidade e a Desinformação: Como os Jovens Adultos Lidam com Conteúdos Sobre Saúde Sexual e Mental nas Redes Sociais
Publicado 11-08-2026
Palavras-chave
- Redes Sociais; Saúde Sexual; Saúde Mental; Literacia Digital; Jovens Adultos; Investigação Qualitativa
Como Citar
Direitos de Autor (c) 2026 Germano Couto, Isabel de Jesus Oliveira, Maria Teresa Moreira, Maria do Perpétuo S. S. Nóbrega

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Resumo
Introdução
No âmbito de um segundo estudo integrado num projeto de investigação mais abrangente baseado no Modelo de Probabilidade de Elaboração, este estudo qualitativo explorou a forma como os jovens adultos navegam, avaliam e utilizam as informações sobre saúde sexual e mental que encontram nas redes sociais, analisando os impactos percebidos nos comportamentos, no bem-estar emocional e no apoio entre pares.
Objetivo
Explorar a forma como os jovens adultos avaliam, interpretam e utilizam as informações sobre saúde sexual e mental que encontram nas redes sociais, analisando a avaliação da credibilidade, os efeitos comportamentais e emocionais percebidos, as estratégias de autorregulação e as dinâmicas de apoio entre pares.
Metodologia
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com sete jovens adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos. Os dados foram analisados utilizando o quadro de análise de conteúdo de Bardin, seguindo as etapas de pré-análise, codificação sistemática e categorização interpretativa.
Resultados
Os participantes referiram utilizar diariamente as redes sociais e estar frequentemente expostos a conteúdos sobre ansiedade, higiene do sono, consentimento, prevenção de infeções sexualmente transmissíveis e práticas contracetivas. A credibilidade foi avaliada com base nas credenciais profissionais, na presença de referências, no tom linguístico e na triangulação entre fontes. Enquanto os conteúdos de alta qualidade incentivavam comportamentos de proteção, tais como o uso consistente de preservativos, a marcação de exames de infeções sexualmente transmissíveis e a adoção de estratégias de coping, a desinformação desencadeava comportamentos de verificação, a decisão de deixar de seguir ou a denúncia de publicações. As redes sociais exerceram efeitos ambivalentes na saúde mental: o alívio a curto prazo coexistia com o aumento da ansiedade, a pressão da comparação e a perturbação do sono.
Conclusão
Os resultados indicam que o impacto das redes sociais depende menos da exposição e mais da credibilidade percebida do conteúdo e das competências digitais dos utilizadores. As intervenções que visam melhorar a saúde sexual e mental dos jovens devem integrar a criação de conteúdos baseados em evidências, uma comunicação inclusiva e formação específica em literacia digital.